Resenha: 72 Horas Para Morrer

Recebi o livro através do Book Tour organizado pela Danielle Peçanha. A história, uma trama de suspense psicológico trabalhada em cima de um assassino cruel e da caçada para alcançá-lo antes que cometa mais algum crime atroz me foi... Um pouco decepcionante.

SinopsePior do que conhecer um Serial Killer, é um Serial Killer conhecer você! “O Carro pertence à sua namorada.” Com essas palavras, Júlio Fontana, delegado da pacata cidade de Novo Salto, tem a vida transformada em um inferno. Pessoas próximas começam a ser brutalmente assassinadas, como parte de uma fria e sórdida vingança contra ele. Agora, Júlio terá que descobrir a identidade do responsável por esses crimes bárbaros, antes que sua única filha se torne o próximo nome riscado da lista. 72 Horas para Morrer é uma corrida frenética contra o tempo, que prenderá o leitor do início ao fim.

Sou fascinada por livros de thriller policial, mas uma coisa que precisa me conquistar numa trama para que eu me veja envolvida nela são os personagens. E a construção dos personagens, nesse livro, falhou. E muito. Enquanto a tensão e as cenas de tortura, além das investigações policiais, corriam de maneira bastante emocionante, do tipo que consegue te deixar roendo as unhas para descobrir logo o futuro da história, os personagens ficaram muito rasos, e eu não consegui me ver torcendo por ninguém ali.

Seguimos o delegado Júlio Fontana durante um período extremamente curto e conturbado de sua vida. Um serial killer está atrás do policial e pretende transformar a vida dele num verdadeiro inferno; pessoas que Júlio conhece, que ele ama, serão assassinadas a sangue frio pelo louco perseguidor. O delegado precisará lidar com a pressão emocional e psicológica infligida a ele enquanto luta contra o tempo para encontrar o atroz vilão da história.

Vou falar sobre o Júlio, porque foi o personagem que mais me deixou decepcionada. Entendo que o cenário ao seu redor fosse caótico e que sua mente estivesse em um turbilhão de emoções, porque todos que conhecia estavam em perigo, mas as atitudes que ele toma são muito impensadas, na maioria das vezes. Impulsividade é compreensível até certo ponto, mas Júlio é um homem muito explosivo para lidar com o distintivo de delegado. Em momentos que ele deveria manter a racionalidade, víamos o homem agindo de maneira brutal; não consegui criar uma conexão com o personagem, pelo menos não de modo que entendesse o que ele estava fazendo ali.

Outra que me encheu as paciências foi a filha de Júlio, Laura. Ela tem dezoito anos, mas age como uma adolescente de treze. Ouso dizer que, vez ou outra, parecia uma criança. Vemos o desespero e angústia que corroem a sanidade de seu pai e lá está ela, agindo tolamente, tratando o pai com estupidez enquanto tudo o que ele está fazendo é mantê-la a salvo. Vontade de entrar no livro e lhe dar uns belos tapas na cara não me faltou!

Houve um determinado momento na trama em que a mudança de acontecimentos me surpreendeu, mas o final não foi bem o que eu esperava. Surpreendente, de fato, mas um pouco fraco comparado ao que eu esperava. Talvez não tenha me ligado tanto ao livro, por conta da falha nos personagens, a ponto de me embasbacar com o desfecho.

Recomendo 72 Horas para Morrer para fãs de livro no estilo de Stephen King. Há na obra aquele clima de suspense que se espera de livros do gênero, além, é claro, do assassino psicótico bem trabalhado na sagacidade e nos métodos de tortura pavorosos. Uma boa pedida regada a alguns clichês e a bons sustos.

Título: 72 Horas para Morrer
Autora: Ricargo Ragazzo
Editora: Novo Século
Nota: 2,5

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COMENTÁRIOS

9 comentários:

  1. Denise, nada é mais importante que a construção de um personagem, principalmente em um livro de serial killer! Pena que o livro não foi tão especial para você, mas as vezes acontece, não é mesmo? Ainda não li, então não posso opinar muito!

    Abraços, Isabela.
    www.universodosleitores.com

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    1. Pois é, Isa.
      O que da alma a um livro é o personagem e, nesse caso, ninguém ali me atraiu, infelizmente :S
      Se tiver a oportunidade de ler, venha falar comigo sobre o livro :D
      Obrigada pelo comentário!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  2. Apesar de muitas críticas, esse é um dos meus livros nacionais favoritos. Acho a estrutura de narrativa usada pelo Ricardo muito profissional, o que faz total diferença.
    De qualquer forma preciso concordar com o que você disse sobre as atitudes do Júlio e principalmente de sua filha. Isso não me incomodou tanto, mas que dá vontade de tomar uma atitude, isso dá :x
    Agora estou ansioso pela leitura do novo trabalho do autor. Espero gostar tanto quanto 72HPM.

    Abraços e parabéns pela resenha!
    Ricardo - www.overshockblog.com.br

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    1. Bacana sua opinião, Ricardo. É isso ai, o bom é que o livro tem uma estrutura muito decente. Se o autor tivesse trabalhado melhor os personagens, acho que eu teria me apaixonado pela história ;)
      Sim, tenho curiosidade sobre o novo livro dele também! :D

      Beijos, obrigada pelo comentário!
      Denise Flaibam.

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  3. Oi Denise, tudo bem? :)
    Eu também não esperava aquele final. Foi uma baita decepção para mim. Todo aquele clima policial estava me deixando toda empolgada quando o autor vem e destrói as expectativas que eu construí ao longo do enredo. Poxa, foi triste. :(
    Mas ainda quero ler o novo livro do Ragazzo. Ele escreve muito bem e merece uma nova chance.

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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    1. Oi Luara, tudo ótimo e contigo? :)
      Pois é. O final tirou bastante a magia do livro. Uma grande decepção, depois de passar por tudo aquilo '-'
      Sim sim, estou ansiosa pra ler o novo livro do Ricardo, parece bastante interessante! Sempre existem novas chances :)
      Obrigada pelo comentário, flor!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  4. Denise adorei a sua resenha, gostaria muito de ler algum dia esse livro mesmo com esse 'problema' com os personagens. adoro essa temática.

    Abs,
    muchachoonline.blogspot.com

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    1. Oi Zayron ;)
      Fico feliz que tenha gostado da resenha e mais feliz ainda por saber que quer ler o livro! Espero que você goste, apesar dos probleminhas que eu encontrei :) Vai valer a pena!
      Obrigada pelo comentário.

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  5. Livro terrível.
    Me senti extremamente enganado com aquele maldito final, pelo qual ninguém esperava (Afinal, o autor não nos deu base alguma para entendê-lo sem esforço!).
    Isso sem falar no número exagerado de vocativos nos diálogos, que eram extremamente robóticos ("- O que acha disso, Julio?"/ "-Nada demais, Jaime...").
    Poderia ficar horas aqui me queixando do livro, mas não valeria a pena.
    Minha nota no skoob foi a mais baixa!
    Abraços,
    Kaio

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