Resenha: Prince of Thorns

Resenha: Prince of Thorns - Mark Lawrence


Em uma semana chuva, eis que vos trago a resenha de Prince of Thorns, o primeiro livro na Trilogia dos Espinhos (trilogy of the Broken Emperor em inglês), livro de estreia de Mark Lawrence. A trilogia é uma dark fantasy e, a primeira vista, pode ser considerada High Fantasy, mas depois de alguns aspectos eu estou começando a achar que ela pode ser, na verdade, Mid Fantasy (se você não está entendendo esse papo, pode ver o nosso post sobre Os Diferentes Tipos de Fantasia).

Sinopse: Ainda criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato da Rainha mãe e de o seu irmão caçula, William. Jorg não conseguiu defender sua família, nem tampouco fugir do horror. Jogado à sorte num arbusto de roseira-brava, ele permaneceu imobilizado pelos espinhos que rasgavam profundamente sua pele, e sua alma. O príncipe dos espinhos se vê, então, obrigado a amadurecer para saciar o seu desejo de vingança e poder. Vagando pelas estradas do Império Destruído, Jorg Ancrath lidera uma irmandade de assassinos, e sua única intenção é vencer o jogo. O jogo que os espinhos lhe ensinaram.


Quando começamos a história, Jorg já tem 13 anos e, há quatro, está na estrada com seus Irmãos: uma coluna de mercenários destinados a correr entre os reinos do império quebrado, saqueando, matando, estuprando e espalhando o terror. A sede de sangue de Jorg não parece ter fim e, o que começou como a busca por vingança pela morte do irmão caçula e da mãe, transforma-se em meio a ambição de tomar o trono do império.



Não tem muito o que falar sem dar spoilers, claro, mas preciso dizer aqui que eu não sou a maior fã desse tipo de fantasia. Quem me conhece sabe que as fantasias épicas/medievais costumam não ter muitos livros na minha estante, mas vez ou outra eu me aventuro por esse mundo. E com frequencia, depois de muito escolher, eu acabo encontrando um livro como Prince of Thorns que me deixa louca por mais!



O Conde de Renar me manteve vivo. A promessa de sua dor esmagou a minha sob seus calcanhares. O ódio vai mantê-lo vivo onde o amor falhou.
O Mark não se prende em desenvolver uma narrativa rebuscada e de difícil compreensão (alguns diriam que isso não poderia classificar ele como fantasia, mas né, eu discordo). O livro tem uma narrativa simples, até porque os personagens são simples de entender. Profundos, completos, reais, sim. Mas em seus desejos, simples.

Resenha: Prince of Thorns - Mark Lawrence

O livro traz bastante informação nova, por isso é preciso prestar atenção a toda a mitologia que o Mark criou, misturando muito do nosso mundo com essa terra nova que é o Império Quebrado. E também tem muito mindfuck. Tanto que no final, quando aparece um dos últimos mindfuck, você nem se surpreende. É claro que ia ser daquele jeito, estou de olho em você, Mark!


Aliás, estou MUITO de olho no Mark, acho que nunca li um livro de estreia com um personagem tão completo, profundo e bem planejado como o Jorg. Já vi gente reclamando de como as pessoas se apaixonam pelo Jorg e isso é errado porque ele é um estuprador sem escrúpulos (engraçado que deixam de lado o fato dele ser um assassino cruel e frio, mas né, ok, suas prioridade) e eu não vou dizer que todos os assassinatos, os estupros e a crueldade fria e egoísta dele não mexeram comigo. Porque fizeram. E, novamente, eu experienciei aquela dúvida sobre minha moral - como na época em que eu assistia Sons of Anarchy.


- Isso não é um jogo, sir Makin. Você ensina esses garotos a jogar limpo e eles sempre irão perder. Não é um jogo.
É impossível não gostar do Jorg, não torcer por ele!

São diversas razões que fizeram ele ser como ele é - e quando mais próximo do fim você chegar, mais vai entender. Jorg é um adolescente cheio de raiva, dor e mágoa. Tomado pela sede de vingança, de poder. Ele conheceu a dor e a crueldade do mundo, ele viu pessoas que ela amava morrer, ele viu o quanto isso importava para os demais (ou quanto não importava). Depois disso, ele viveu na estrada, em meio a homens com moral dúbia, com um senso de certo e errado completamente deturpado.

Jorg é insano, sim. Mas ele não vive no nosso mundo, na nossa realidade. Ele vive em um mundo onde você pode morrer a qualquer momento, em um mundo com uma magia incerta, com pessoas poderosas que não hesitam em usar os outros como peões.

Resenha: Prince of Thorns - Mark Lawrence

É de se esperar que ele veja tudo como um jogo e esteja disposto a sacrificar o que for preciso para conseguir alcançar seus objetivos.

Eu era como os soldadinhos de madeira de Gog, correndo em furiosos círculos sem sentido. Não direi que me arrependo doas coisas que fiz. Mas estou farto delas. Não repetiria aquelas escolhas. Eu me lembro delas. Há sangue nessas mãos manchadas de tinta, mas eu não sinto o pecado. Penso se nós não morremos todos os dias. Se não nascemos a cada amanhecer, um pouco mudados, um pouco adiante em nossa própria estrada.
Mas a melhor parte, ainda, é que o Jorg cresce. Ele evolui, ele não é uma personagem estagnada. A diferença entre ele no começo e no fim do livro é grande, ele é capaz de reconhecer tudo o que fez. E EU QUERO MESMO É QUE ELE VIRE REI, IMPERADOR E ESCULHAMBE TODO MUNDO QUE CRUZAR O CAMINHO DELE.

Sério, a ação no livro é ótima, a interação entre os irmãos. E o meu Makin. Meu sim, adoro ele. O cavaleiro leal, fazendo de tudo em nome do príncipe. ASDFGHJKLÇ I CAN'T

Resenha: Prince of Thorns - Mark Lawrence

Meu único problema com o livro são AS POSSIBILIDADES. A cada capítulo novo alguém pode morrer e COMO SABER SE NÃO É QUEM VOCÊ ESTÁ AMANDO? Gente, até do Rike eu gosto, que absurdo isso.

Você nunca sabe o que o Mark vai fazer - ao menos se você, assim como eu, fugir forte dos spoilers - e isso adiciona uma tensão ótima, que acaba fazendo com que você vire páginas depois de páginas sem parar.

Eu disse a Bovid Tor que aos quinze eu seria Rei. [...] Agora estou dizendo que aos vinte anos serei Imperador.
Só espero que nos próximo eu encontre uma personagem feminina com mais destaque do que a Chella e a Katherine tiveram nesse. Você não pode escrever uma nova trilogia com uma personagem principal feminina agora, e não me dar nenhum badass na trilogia do Espinhos, MARK QUERIDO. A não ser que a Katherine fique muito foda mais pra frente, o que eu duvido, embora tenha gostado dela.

Não quero saber, preciso de representatividade. Até porque esse é o único motivo de não ter favoritado ele - a falta de uma personagem feminina que satisfizesse e não fosse só a cota.

Resenha: Prince of Thorns - Mark Lawrence


Título original: Prince of Thorns, trilogy of the Broken Empire, vol. 1
Autor: Mark Lawrence
Editora: DarkSide
Gênero: Dark Fantasy
Nota: 5

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COMENTÁRIOS

11 comentários:

  1. Eu gostei desse livro, a Katherine aparece mais no segundo livro, mais ainda prefiro o primeiro cheio de ação e envolvente. Em breve vou postar resenha do segundo.

    http://momentocrivelli.blogspot.com.br/

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    1. Meu probleminha foi a falta de romance e de possibilidades pra isso, porque né.
      Tenho minhas dúvida com a Katherine, mas vou ler pra tirar minhas próprias conclusões.

      bjs

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  2. EU QUERO MUITO ESSE LIVRO.
    NUNCA CONSIGO UMA PROMOÇÃO :'(

    Amei a resenha <3

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    1. Abre o olhooo, vez ou outra ele ficar "barato".
      Barato porque não fica menos de 20, mas né. Eu acho que vale a pena :P

      bjs

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  3. ai scrr eu ja quero ler esse livro e com a sua resenha me da mais vontade ainda! so vejo falando bem dele e a historia me parece ser tipo mt boa
    tonsdeleitura.blogspot.com

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    1. Ah história é realmente boa, Lud! Quem gosta de fantasia vai adorar, especialmente por como é fácil de ler.
      Amei e super recomendo.

      bjos

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  4. Então, como cê sabe, eu já queria ler ele (e tenho aqui), daí tu faz uma resenha dessa e minha vontade de ler creeeeeeeeeeeesce.
    Só que tem uns probleminhas: só gosto de ler quando já tenho all continuações compradas (pra garantir). SAHUASHSAHUHUASUSHAS e tô numa ressaca literária do cão. T___T
    Enfim, ótima resenha. <3

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    1. VAI COMPRAR AS CONTINUAÇÕES E LER ISSO LOGO MARILENE, GUENTO MAIS NÃO!

      bj

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  5. Gostei demais da capa do livro e do enredo, mas fiquei um pouco chateada com a deturpação de valores em livros de fantasia, mas isso já vem acontecendo desde que os vampiros passaram a ser os novos príncipes encantados, onde temos que ignorar que estes seres matam e mesmo assim torcemos para eles (eu inclusive, sou fã do gênero fantasia romântica com vampiros e lobisomens), bem o mocinho bad boy agora é o mais desejado isso posso me acostumar, mas estuprador achei meio forte demais. Bem tudo isso não me desanimou pois gosto do gênero e estou precisando ler uma dark fantasy.
    Abraços,
    Gisela
    @lerparadivertir
    Ler para Divertir

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    Respostas
    1. Sabe, eu não acho que seja uma deturpação de valores da fantasia, até porque é uma dark fantasy, ela é para ser sombria. Há muito tempo eu separei a minha "moral da vida real" da "moral dos livros" porque não dá, realmente, para julgar um personagem pelos valores que eu defendo no mundo real, quando o mundo dele é tão diferente do meu.
      Eu jamais mataria uma pessoa e sou bastante radical ao falar de penas mais duras para assassinato, mas não posso condenar personagens como Jorg e Makin quando no mundo deles é matar ou morrer. Eu nunca vou entender a necessidade de ter poder como uma defesa, porque eu nunca precisei disso, mas em vários livros de fantasia, é preciso.
      Então eu julgo muito pelo mundo deles. :P

      bjos e obrigada por passar por aqui!

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