Resenha: King of Thorns

Resenha: King of Thorns - Mark Lawrence


Se essa resenha de King of Thorns não fizer sentido em algum momento, eu preciso dizer que não faz nem vinte minutos que terminei de ler ele e já estou escrevendo isso daqui. Por isso, ainda pode ser que apareçam surtos fangirl sobre um livro que me deixou no chão.

Sinopse: A terra arde com o fogo de centenas de batalhas enquanto lords e pequenos reis lutam pelo Broken Empire. O longo caminho para vingar o massacre de sua mãe e irmão mostrou para o Príncipe Honorous Jorg Ancrath os atores por detrás dessa guerra sem fim. Ele viu o jogo e se comprometeu a varrer o tabuleiro. Primeiro, entretanto, ele deve reunir suas próprias peças, aprender as regras do jogo, e descobrir como rompe-las.

Deixem-me começar dizendo que: eu estou apaixonada pelos personagens desse livro. Lembra quando eu li E o Vento Levou e gritei para quem quisesse ouvir que a Margaret Mitchell era a deusa do desenvolvimento de personagem? Pois então, o Lawrence é o deuso da desconstrução de personagem. Eu vejo muito desenvolvimento no Jorg, apenas, mas ainda assim, foi uma surpresa tão boa e tão instigante que estou apaixonada, completa e totalmente!

Assim como o primeiro livro da trilogia, Prince of Thorns, King of Thorns se divide em dois tempos, o presente e o passado. O presente é denominado Dia do Casamento, que como o próprio nome diz, envolve um casamento, mas também uma grandiosa batalha que pode determinar o fim ou a ascensão de Honório Jorg Ancrath.

Mas eu não sou ele [o Jorg de quatro anos atrás]. Eu não sou ele porque nós morremos um pouco todo dia e gradualmente nascemos outra vez, homens diferentes, homens mais velhos com as mesmas roupas, com as mesmas cicatrizes.
Já a outra parte acontece quatro anos no passado, apenas alguns meses após Jorg tomar o Assombrado, e conta sobre uma longa jornada que ele faz com os irmãos, Gog e Gorgoth, em busca de um mago do Fogo. E como estamos falando de Jorg, nada realmente acontece como deveria e ele acaba encontrando mais problemas do que respostas.

Resenha: King of Thorns - Mark Lawrence

O Mark costurou muito bem os acontecimentos do passado com o presente e eu percebi uma jogada meio Martin ali no meio, com ele acabando algum capítulo do Dia do Casamento com você querendo desesperadamente saber mais e te jogando em uns três ou quatro capítulos quatro anos atrás e ai quando esses capítulos acabavam e você queria saber mais ele te levava de volta para o dia do casamento e foi um loop infinito que me deixou na beirada da cadeira o tempo todo!

Também foi ótimo ter essa discrepância de tempo porque pode mostrar muito do crescimento do Jorg - como desenvolvimento de personagem e como, de fato, deixando de ser uma criança. Com o fim de Prince of Thorns nós descobrimos que usaram o desejo do Jorg em se tornar Imperador como um desvio para tirar a atenção dele da vingança por sua mãe e irmão. Mas em King of Thorns nós descobrimos que o buraco é BEM mais embaixo.

Eu me senti meio mal, enquanto lia e encontrava desculpas para o comportamento do Jorg. Tenho ciência de que ele é sim um sociopata e ele também tem ciência das coisas que fez e que não se arrepende. Mas conforme ele vai entendendo a influência que os bruxos tem sobre a grande maioria das pessoas que estão jogando a Guerra Centenária e passa a entender que muitas de suas atitudes podem ter sido influenciados por sonhos manipulados, mais ciente ele fica de quem ele é e de quais são seus verdadeiros desejos.

Resenha: King of Thorns - Mark Lawrence

Vejo muita gente criticando o comportamento do Jorg e quem gosta dela, mas preciso dizer que não julgo ele pela mesma moral que uso no meu dia a dia, na minha realidade. A realidade em que ele vive é infinitamente pior que a minha, o perigo, a morte e a desgraça estão a cada curva e com o próprio pai querendo se ver livre dele, tem poucas atitudes do Jorg que eu considero imperdoáveis.

Ainda mais se você considerar que ele era uma criança, vivendo no meio de homens sem qualquer tipo de honra, irmãos de estrada que só conheciam a morte, a dor e o perigo. Jorg não cresceu em um ambiente propicio para boas pessoas - e tudo que ele tinha de bom morreu junto da mãe e do irmão, anos atrás.

Aliás, esse livro me passa a sensação de que, quando eu chegar ao fim de Emperor of Thorns vamos descobrir que tudo foi um sonho causado pelos espinhos da roseira brava e o Jorg ainda é uma criança, convalescendo em um quarto no Castelo Alto.

Para crianças há um pavor em descobrir as limitações daqueles que você ama. A hora em que você descobre que sua mãe não pode protegê-lo, que seu tutor cometeu um erro, que o caminho errado precisa ser tomado porque os adultos não tem força para tomar o correto... cada um desses momentos é o roubo de sua infância.
O livro dois está cheio de reviravoltas, plot twist e mortes que eu, sinceramente, não esperava. Também me encheu de amor por personagens como Gog e Gorgoth, especialmente o primeiro. Gog é só uma criança, mas tão cheia de poder! E você pode pensar que o Jorg está inteiramente interessado em controlar esse poder do Gog, mas a verdade é que o mais novo é como uma segunda chance para ele, a chance de salvar alguém tão inocente quanto o William era. Uma chance de redenção e salvação.

Quero ser grande e forte. Para fazer o Jorg feliz. E eu quero ser feliz, para fazer o Gorgoth ser menos triste.
Ele também reacendeu meu amor pelo Makin, que se desenvolve aos poucos, sem pressa, deixando a gente saber do passado dele e da pessoa que ele é, bem devagar. A vida dele pode não ter sido metade da tragédia que foi a do Jorg, mas eu ainda consigo ver certa semelhança entre eles.

Em outra questões sir Makin também é quase. Quase honrado, quase honesto. Sobre sua amizade, porém, não há quase. 
Mas nada, nunca, irá superar o plot twist no fim do livro. Confesso que não sei se posso chamar de plot twist porque, uma vez que foi revelado, eu logo juntei as peças e percebi que realmente era inevitável. Mas me deixou de queixo no chão. Eu tenho uma palavra para repetir a cada reviravolta desse livro: genial. Ele não é nada como os "livros do meio" costumam ser!

Aqui também conhecemos alguns personagens novos, como a Miana, que acabou se tornando um xodó pra mim e ME DIGA QUE TEMOS MAIS DELA (mentira, não me diga nada, quero spoiler nenhum!) e a família da mãe do Jorg.

Resenha: King of Thorns - Mark Lawrence

Os capítulos em que ele está na Costa Equina, preciso dizer, foram os meus preferidos. Mostrou tanta vulnerabilidade por parte do Jorg que não foi difícil lembrar que ele era só uma garoto de 14 anos solto em um mundo tão violento e perigoso. Porque no Império você pode morrer a qualquer momento, uma fraqueza, deixar a pessoa errada viver, e isso pode lhe assombrar pelos próximos quatro anos - o Jorg bem sabe!

Foi bom ver um lado vulnerável do rei que não envolvesse o Gog.

Mas às vezes é mais fácil amar alguém que tem defeitos que você pode perdoar em troca do perdão pelos seus.
Nós também nos aprofundamos na relação do Jorg com o pai, que não é nem uma flor que se cheire, o maldito; descobrimos profecias e um pouco mais sobre o mundo no qual essa história se desenvolve e também ganhamos um POV diferente: o da Katherinezzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Não, ela realmente não ficou melhor. No livro um ela parecia estar ali só para ser o objeto de obsessão do Jorg e no livro 2 isso só se confirmou. Ela não fez nada que realmente influenciasse na história, nada que outro personagem não pudesse ter feito. E isso me deixa triste, porque eu estou louca para ver toda a energia que o Mark coloca nos Irmãos e no Jorg e nos inimigos dele, em uma personagem feminina.

Aqui eu percebi que elas são muito "8 ou 80", ou elas são horrendas malditas como a Chella ou são sem graça, sem vontade de viver, sem nada que nem a Katherine. Acho que por isso a Miana tenha me conquistado, mesmo aparecendo tão pouco. Ela fez mais pela história em um capítulo do que a Katherine fez em dois livros.

Humpf.

Resenha: King of Thorns - Mark Lawrence

Mas tirando essa parte que eu não perdoo o Mark, King of Thorns acabou de ganhar o lugar de preferido na trilogia. Diferentemente do começo de Prince of Thorns, que eu tive que me empurrar pela leitura até pegar o jeito, King of Thorns foi tiro, porrada e bomba desde o começo e eu não conseguia largar nem na hora do almoço - sério, eu achei que ia derramar comida em cima dele algumas vezes.

Já pode correr parar agarrar Emperor of Thorns e começar a ler? Já pode começar a rezar para o final não ser como eu estou pensando que vai ser? E se você já leu a trilogia, não me dê spoilers! Mas vamos chorar juntas em cima da maravilhosidade desse livro e como eu abracei ele e quis chorar no ônibus de volta pra casa e como eu poderia rolar em cima dele de tanto amor?


Título original: King of Thorns, Broken Empire vol. 2
Autor: Mark Lawrence
Editora: DarkSide Books
Gênero: Dark Fantasy
Nota: 5

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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Não tenho nem o que falar, só sentir. Quero começar a ler essa trilogia neste exato minuto depois dessa resenha. Ficarei pobre ou pedirei emprestado, mas quero começar a ler a trilogia com o terceiro livro em mãos após saber que tem esse plot twist.

    Beijos
    http://aluafoiaocinema.blogspot.com.br/

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  2. Bianca!
    Fiquei até sem fôlego de ler sua longa resenha...kkkk
    Pelo jeito você gosta demais da série mesmo.
    Resumindo: gostaria de ler porque um livro que traz um protagonista mal e desorientado, tentando se encaixar no mundo dos bruxos, é bem diferente e interessante.
    “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.”(William Shakespeare)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  3. Eu preciso muito desse livro.
    Tá na minha lista há um tempo e agora que você fez essa resenha sensacional. Que morte estou sofrendo aqui!

    Parabéns Bibs. Sua resenha lacrou! Sério mesmo.

    Obrigada por isso!

    Beijos,
    Gi. :D

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  4. Nossa, preciso muito desse livro! Você resenhou com tanta paixão que não há nada a não ser querer ler!
    Quanta série boa!! Estou mega curiosa para conhecer a escrita do autor e a desconstrução do personagem...hahaa

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