Resenha: O Inverno das Fadas #MLI2015

O Inverno das Fadas, livro da autora nacional Carolina Munhóz, tem uma das capas mais bonitas que eu já vi. Prova inegável que não se deve julgar um livro pela capa.

carolina munhoz


Sinopse: O Inverno das Fadas - EXISTEM PESSOAS NORMAIS em nosso planeta. Homens e mulheres simples que nascem e morrem sem deixar uma marca muito grande ou mesmo significativa na humanidade. Mas existem outros que possuem talentos inexplicáveis. Um brilho próprio capaz de tocar gerações. Como eles conseguem ter esses dons? De onde vem a inspiração para criar trabalho maravilhosos? São cantores com vozes de anjos, artistas com mãos de criadores e escritores imortais.
Existe uma explicação para isso. Sophia é uma Leanan Sídhe, uma fada-amante, considerada musa para humanos talentosos. Ela é capaz de seduzir e inspirar um homem a escrever um best-seller ou criar uma canção para se tornar um hit mundial. A fada dá o poder para que a pessoa se torne uma estrela, um verdadeiro ícone, ao mesmo tempo em que se aproveita da energia do escolhido para alimentar-se. Causando loucura. E MORTE.
Sophia Coldheart é uma Leanan Sídhe, uma espécie de fada que serve de musa para os grandes artistas e se alimenta da energia dos mesmos. É a versão feérica de um súcubo. Para sobreviver ela precisa da energia vital daqueles a quem inspira, quanto mais o artista brilha graças à sua inspiração mais forte ela fica. Até o momento em que o artista, perdido em meio a loucura de amar uma Lenan Sídhe, acaba se matando.

William Bass é um jovem escritor inglês que vive em uma cidadezinha do interior onde cuida do antigo sebo da família. Ainda que não tenha nenhum livro publicado é um talento promissor e foi indicado a concorrer ao prêmio Beatrix Potter, motivo de orgulho para ele e toda a cidade. Mas Will tem tido sonhos estranhos nos últimos tempos, ele sonha com uma fada de longos cabelos loiros que o encanta e enfeitiça e desde então não consegue pensar em outra coisa.

Sophia é atraída para Will e vê nele seu novo amor, sua nova vítima. Mas a fada não contava com o fato de que se apaixonaria pelo jovem tão logo o visse, e que  ele fosse diferente de todos os outros. Agora o que ela fará, já que amar William e inspirá-lo é o mesmo que condená-lo a morte?

Carolina Munhóz

Bom, essa é a premissa de O inverno das fadas. Na verdade, esses três parágrafos acima narram o livro por completo. São 300 páginas que, dada a profundidade da história, poderiam ter sido resumidas em 150. Porque ainda que a ideia inicial seja boa e desperte o interesse, a autora não soube como contá-la aos leitores. Com parágrafos imensos e muitas vezes desnecessários, a Carol dava voltas e voltas na história e acabava por não dizer nada.

Tanto não disse nada que a personagem a quem ela insistia em elogiar ao menos uma vez a cada duas páginas com palavras como "sedutora, sexy e irresistível", não passa de uma adolescente mimada e infantil de quem eu - e qualquer pessoa sã - fugiria com todas as forças em caso de um relacionamento amoroso. E talvez até mesmo para uma amizade, a fada é de uma ingratidão sem tamanho. Sophia é bem diferente da mulher fatal que Carolina tenta transformá-la, o que torna a ideia toda do livro inviável. Como você espera que eu acredite que Kurt Cobain e Heath Ledger se apaixonaram por ela, Carol? É impossível! (explico Kurt e Heath logo abaixo)

William, por sua vez, é o típico garoto comum com grandes aspirações. Ou isso é o que se pensa em um primeiro momento. Mas a verdade é que além de ser um personagem vazio, quando ele enfim apresenta traços de personalidade eles são prepotentes e tão ingratos quanto os de Sophia. Sem falar, é claro, nas mudanças abruptas e inexplicáveis na sua personalidade (quase inexistente) e no seu modo de agir quando em cenas de romance. Buscando a velha fórmula do mocinho taciturno e de atitude, tão conhecida dos romances de banca, a autora transforma um jovem bobo em um sedutor completo em determinadas cenas, apenas para poder balançar com o psicológico da Leanan Sídhe. Afinal, quem nunca desejou um jovem sério, de olhar duro, que te agarre com força e beije intensamente, não é mesmo?

É por motivos assim que o romance não conquista. Ou os dois estão trocando juras de amor eterno ou estão fazendo sexo, em cenas absolutamente desnecessárias e nem um pouco sensuais. Eu costumo gostar de cenas de sexo, adoro ler livros com romance histórico (livros de banca) e até mesmo alguns eróticos (embora os atuais tenham me decepcionado), então não falo isso pelas cenas em si. Falo isso pela qualidade das mesmas, que era muito baixa. Carolina mirou em um romance sensual e perturbador, vivendo à sombra de uma tragédia, mas acabou acertando em um romance adolescente com um sexo bem mais ou menos e cheio de mimimi.

carolina munhoz

Quanto ao final da história, vou apenas dizer que percebi que o livro inteiro segue o mesmo sistema que ela utiliza para escrever muitos dos seus parágrafos desnecessários: começa com uma dúvida, para a qual ela já sabe a resposta. Então ela explica a situação e as duas opções. Um pouco de drama aqui, um pouco de drama ali. Termina por ela optando pela opção que se sabia desde o começo que seria a tomada. Sabem o que isso me lembra? As fanfics que eu lia de Harry Potter uns sete anos atrás, é isso que a escrita da Carol me faz lembrar.

E para finalizar, vou falar da parte ousada do livro. Sophia já inspirou muitos ídolos antes de conhecer Will, e para dar um sentimento de veracidade e encantar o leitor, a autora resolveu usar atores e cantores já falecidos para o papel. É claro que ela não utilizou seus nomes verdadeiros (olá processo!), mas dava tantas características que era impossível não perceber de quem se tratava. Não era nem preciso usar o Google, juro. E é dessa forma que astros como Kurt, Heath, Amy Winehouse , Michel Jackson entre outros foram pintados como tendo sido inspirados pela fada.

O problema nem reside neste fato, na verdade. Mas sim na forma como ela os descreveu, como se nada fossem, como se nada significassem. É ridículo pensar que Sophia tenha se envolvido com tantos destes artistas, mas que quando beijada por Will é que tenha sido de fato "beijada por um homem com H maiúsculo" (O Inverno das fadas, pg. 38). O modo que ela se refere a alguns deles, a Kurt principalmente, me enoja e deprime. O prólogo do livro, narrado por Donald (Kurt), é uma atrocidade sem fim e desrespeito a imagem do cantor. Se fosse para fazer algo assim, Carolina teria ganho mais caso tivesse aberto mão das referências pop e criado seus próprios artistas.

Finalizando, agora de verdade, este é um livro que li e não recomendo. Pra ser sincera só consegui finalizar a leitura por causa da maratona, caso contrário teria abandonado. Mas se você gostou da premissa indico que procure pela série Georgina Kincaid, da autora Richelle Mead, onde pode até não existir fadas, mas você vai conhecer uma súcubo apaixonante.

Título original: O Inverno das Fadas
Autora: Carolina Munhóz
Editora: Fantasy - Casa da Palavra
Gênero: Romance, Fantasia
Nota: 3

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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Nossa! Que triste você ter lido esse livro :/

    Eu já tinha visto a capa e parecia tão lindo. Ainda bem que você fez essa resenha!

    Não quero nem ler as partes dos 'artistas'.

    "beijada por um homem com H maiúsculo" QUE BREGA, AI QUE HORROR!!!

    Mais uma vez, obrigada pela resenha.

    Beijos.

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  2. Eita Eduarda!
    Arrasou, hein?
    Definiu cada ponto que não gostou e ainda me deixou sem um pingo de vontade de ler esse livro.
    Fico pensando como um autor perde tempo em escrever um livro tão ruim em vários aspectos?!...
    “A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.”(Charles Chaplin)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  3. Nossa que pena, uma premissa tão legal e a autora não soube conduzir. Tem tantos livros curtinhos que são maravilhosos ,complexos e profundos e também fluídos. Para que escrever tanto se a história não da pano pra manga, ou se você não consegue conduzir de forma satisfatória?
    E a parte dos artistas? Achei totalmente desnecessária.
    A capa do livro é tão linda, me fez esperar mais dele.

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  4. FINALMENTE uma resenha sincera em um blog

    Eu também fiz uma... bom, não posso chamar de resenha, foi mais um desabafo sobre esse livro no meu blog.

    Ô coisa horrorosa e grotesca!

    Também não recomendo nem um pouco!!!

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