Resenha: No mundo da Luna


A vida tem suas graças: um dia você é a recepcionista de uma revista, no outro está trabalhando na coluna de horóscopos, mesmo não sabendo nada sobre eles. Durante o dia você deseja que um meteoro caia na cabeça do seu no chefe, a noite você está bebendo com ele e fazendo visitas ao seu quarto de hotel. Alguns podem dizer que é o destino, eu prefiro dizer que é apenas um livro mal escrito.

Sinopse: A vida de Luna está uma bagunça! O namorado a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e seu chefe vive trocando seu nome.Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas, em tempos de internet e notícias instantâneas, a revista enfrenta problemas e o quadro de jornalistas diminuiu drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Luna aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser criar um texto em que ninguém presta atenção?Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam e, entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito — não fosse com o homem errado. Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia: o amor.Com seu estilo ágil e fluido, Carina Rissi criou em No mundo da Luna uma leitura viciante, permeada de humor, magia e paixão, que vai conquistar você do início ao fim.
No Mundo da Luna é mais um livro da autora Carina Rissi, publicado pela Verus Editora, que nos apresenta Luna, uma jornalista formada que trabalha como recepcionista da revista Fatos&Furos, e que, graças a crise da mesma, acaba ficando responsável também pela coluna dos horóscopos. E é neste momento que tudo muda na vida da protagonista. Luna é descendente de ciganos e por isso tem um lado místico, ao qual ela tenta afastar. O choque entre este lado místico e seu novo trabalho servem de pano de fundo para toda a história do livro que, no mais, se resume a um romance que deveria ter tido muito menos páginas do que teve.

— Tô. Eu gosto de vozê quando vozê tá bêbada. 
— Eu também gosto de vozê quando eu tô bêbada.
Luna parte daquela premissa básica de toda protagonista: acaba de sair de um relacionamento onde o ex-namorado nunca quis nada realmente sério, foi traída, tem uma melhor amiga com quem divide apartamento, odeia seu emprego atual e não está muito bem financeiramente, ainda que se ache normal sempre vai ter um ou dois homens no livro que vão a achar a mulher mais linda do mundo, e sempre, eu digo sempre, tem um carro velho ao qual ama muito. Isso até seria perdoável, não fosse sua personalidade infantil, bipolar, hipócrita e totalmente insegura.

Dante, por sua vez, sofre do mesmo problema que muitos protagonistas masculinos por aí: está em uma posição superior à personagem feminina, inicia o livro sendo retratado como um ser odioso, arrogante e culpado de todo o mal na terra, suas atitudes são sempre tomadas de forma negativa e não há pessoa que a protagonista odeie mais. Até, é claro, o primeiro envolvimento. A partir daí, todas as atitudes do personagem são justificadas e ele passa a ser o melhor homem que já existiu, com grandes possibilidades de que já estivesse encantado pela garota desde sempre. O que difere Dante dos demais é que, a partir do momento que ele é apresentado como "personagem fofo", ele permanece assim até o final do livro. Ainda que existam discussões e situações nas quais você quer jogar ele e Luna de um penhasco, e isso acontece bastante, ele ainda é o personagem mais sensato entre os dois. Gostei do Dante, e isso é mais do que eu imaginava que poderia dizer sobre este livro.

— Você vai perder os fogos. — Ele encostou a testa na minha, fechando os olhos. 
— Não enquanto você me beijar desse jeito.
O romance entre os personagens tem seus momentos fofos e divertidos, fazendo o leitor torcer pelos dois e não querer largar o livro. O problema está na infantilidade dos personagens, principalmente da Luna, e na forma como a Carina estendeu o livro. São 476 páginas de um romance que, talvez, se reduzido a trezentas pudesse ter tido mais chances. Gosto de livros grandes, mas apenas quando eles são bons. Os infinitos altos e baixos do romance, as idas e vindas sem fim, as brigas por motivos risíveis acabam cansado o leitor, ao invés de conectá-lo a história. Em dado momento eu só queria que o livro terminasse logo, pra me livrar de tudo aquilo de uma vez.


Quanto a escrita a Carina tem uma narrativa leve e engraçada, mas peca em alguns momentos ao tentar conferir tanta graça. Algumas situações são nitidamente escritas para fazer rir, as ditas piadas prontas, o que acaba forçando um pouco a situação. Outro ponto que me irritou um pouco foi a ingenuidade e a falta de malícia de alguns trechos, como o abaixo:

Tá legal, não havia mal nenhum em usar a pazinha, havia? Quer dizer, ele não devia ficar lambendo coisas assim em público. Algumas pessoas podiam ficar imaginando outras utilidades para aquela língua. Especialmente as que envolviam pontinhas de orelha...


E foi neste livro, também, que encontrei a definição mais engraçada e broxante de um pênis: "A ponta de algo rijo, grande, roliço e suave como veludo cutucou meu quadril". Ainda quanto a narrativa, Carina precisa urgentemente parar de fazer uso de cenas com armas. Não funcionou em Procura-se um marido, e não funcionou aqui. Então pare, por favor. Ah, e mais uma coisinha: até quando serei obrigada a ler personagens complexadas com o peso ou com ex-namoradas modelos que são lindas, magras, ricas, fúteis e sem coração? 'Tô cansada disso, sério.

Para finalizar, gostaria de dizer que apesar de tudo isso, gosto muito da Carina. Gostei de Perdida e de Procura-se um marido quando li uma primeira vez, mas isso porquê, confesso, deixei passar muita coisa que hoje em dia não deixo. Minha leitura se tornou mais crítica do que era antes, não existe mais aquela coisa de "é só uma leitura rápida, um livro bobo". Hoje, infelizmente, não defendo ou indico mais os livros da Carina como defendia e indicava antes. Mas ainda os leio, porque tenho esperança de que eles melhorem.


Por isso, deixo aqui um apelo: Carina, mulher, melhore. Me ajude a te ajudar. 


Título original: No Mundo da Luna
Autora: Carina Rissi
Editora: Verus
Gênero: Romance
Nota: 3

Saiba mais: Skoob | Amazon

Share this:

, , , ,

COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Ah, amo suas resenhas Duda.

    Sobre a definição de pênis: eu já vi algo assim em algum lugar... sério. o.õ


    Bjs,

    Gi.

    ResponderExcluir
  2. "Em dado momento, eu só queria que o livro terminasse logo" deve ter sido no mesmo momento em que eu comecei a ler por alto porque queria me livrar dessa bomba o mais rápido possível. Acho que nem prestei atenção nesses trechos em que Carina descreve horrivelmente o pênis do Dante, graças a Deus.

    Todo leitor mais crítico quando lê livros da Carina reclama das mesmas coisas: páginas demais, cenas de arna, rival modelo. Acho que está na hora de alguém mandar uma cartinha para ela comentando isso, quem sabe assim ela melhore?

    O ponto positivo desse livro foi que mostrou que ela amadureceu e sabe escrever para um público jovem, mas adulto. Ainda assim, esse livro teve muito ponto negativo, a começar pelo Dante que pode ser o menos infantil do casal, mas é violento. Pressionava a Luna a definir a relação deles por causa de uns encontros sexuais que tiveram, a mulher claramente confusa porque estava abalada com o fim do namoro, o sexo com o chefe, enrolada nos horoscópios...
    E o que detestei no livro, mas que passa batido até nas resenhas que o criticam: Carina foi racista ao descrever o Vini. Sim, entendemos que ele era negro, mas não precisava dizer que ele tinha gingado, cor de cappuccino e sei lá mais o que. Como negra, eu fiquei PUTA com essas partes.

    Hoje também não recomendo nenhum livro dela e só leio - dps de baixar de graça pq não sou obrigada - para ver se ela está melhorando. Ou seja, sinto o mesmo que você. Gosto da escritora, mas não gosto dos livros dela

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!