Resenha: Emperor of Thorns #MLDI2015


Resenha: Emperor of Thorns #MLDI2015



A primeira coisa que eu quero dizer nessa resenha de Emperor of Thorns é que esse é um livro maldito! Foi o primeiro que eu escolhi para a Maratona Literária de Inverno (lá em julho) e ele me jogou em uma ressaca mórbida. E ainda por cima, tive que me obrigar a sair dela, o que deixou um gosto amargo sobre os livros que li depois.

Sinopse: O mundo está dividido e o tempo se esgotou completamente, deixando-nos agarrado aos dias finais. Estes são os dias que nos esperaram por todas as nossas vidas. Estes são os meus dias. Eu vou estar diante da Centena e eles vão ouvir. Vou tomar o trono, não importa quem está contra mim, se vivo ou morto. E se eu devo ser o último imperador, farei disso um final e tanto.”A aclamada Trilogia dos Espinhos chega ao seu grande final, depois de termos acompanhado a dolorosa e supreendente infância e adolescência de Jorg Ancrath em Prince of Thorns e King of Thorns, com todo o brilhantismo, charme, violência extrema e total crueldade deste egomaníaco romântico. Conforme Jorg cresce, seu caráter muda e ele parece encontrar algum equilíbrio em suas tendências sociopatas. Em “Emperor of Thorns”, vamos novamente tomando contato com as atribulações de Jorg e sua fixação em conquistar o Império Destruído com saltos entre o presente e o passado, assim como Mark Lawrence já havia feito no volume anterior. Com isso, vamos descobrindo, desvendando e nos surpreendendo com o mundo onde a história se passa e com as saídas e escolhas nada tradicionais ou lógicas que Jorg se vê obrigado a tomar em seu caminho ao trono.

A verdade é que Emperor of Thorns foi um banho de água fria pra mim. Ele foi tudo que eu queria, ao mesmo tempo em que foi tudo que eu menos esperava. Quando eu li na sinopse que o final seria imprevisível, eu duvidei muito. Afinal, seria imprevisível pra mim, que estava acompanhando a trilogia e me batendo com cada teoria nova que surgia na minha cabeça, ou imprevisível para quem estava lendo e não se envolvendo tanto?

Quando cheguei na metade do livro eu decidi que ele seria previsível pra mim, porque tudo estava caminhando exatamente como eu queria. Tão acostumada a nunca ganhar as coisas como eu quero - especialmente em fantasias - eu estava ficando mimada, acho, quando o Mark deu aquela guinada legal e me jogou pelo parabrisa do carro.

Resenha: Emperor of Thorns #MLDI2015

Mas a parte mais tensa, ainda, foi descobrir o final antes de chegar lá. Veja bem, eu li toda a trilogia sem qualquer spoiler - apenas uma única possibilidade de spoiler chegou até mim - e ai, em uma conversa com um amigo, ele falou uma coisa que todoooos os leitores da trilogia falavam sobre o Jorg. Mas eu não entendi, então quando ele explicou eu concordei e continuei lendo, porque parecia só uma observação boba. Eis que chego em um determinado diálogo que usam exatamente a mesma frase que meu amigo usou e o Jorg explica logo abaixo o que isso quer dizer e tem NADA A VER COM O QUE EU E MEU AMIGO TÍNHAMOS FALADO E EU FIQUEI O QUE É ISSO PORQUE ESTOU JOGADA NO CHÃO E CHORANDO?



Foi o spoiler que resumia o final do livro - e eu sei porque depois de ler a explicação do Jorg eu liguei o foda-se e fui ler o epílogo do livro e fiquei me balançando em posição fetal pelo resto da noite.

(E o que aprendemos com isso, crianças? Ler livros sem spoilers pode ser lindo, mas também pode ser uma morte horrível!)

Emperor of Thorns também se divide em 2 anos atrás e no presente - além de incluir a história da Chella, que costuma ter pouquíssimas páginas, mas ser bem legal. 

Resenha: Emperor of Thorns #MLDI2015

Chegou o ano do vigésimo aniversário do Jorg e ele precisa ir para Vyene para votar na Centena, na busca por um novo imperador e, paralelamente, acompanhamos mais um pouco de sua vida na corte do avô materno.

A estrada até Vyene pode ser perigosa e Jorg tem tantos inimigos que é difícil manter aqueles que ele ama a salvo enquanto tenta provar que as profecias não são verdadeiras. Esse é o livro que mais lança uma luz sobre o que aconteceu com o mundo, quem são os Construtores e como o Jorg se tornou o que é.


Não espere que eu o salve. Não pense que eu não usarei você. Corra se você for esperto. Reze se você tiver uma alma. Fique se você for corajoso. Mas não me siga. Siga-me e eu partirei seu coração.

Jorg sempre foi o peso central disso tudo, os outros personagens sempre pairaram em volta dele. Com exceção de um ou outro personagem, como Gorgoth, Chella e Katherine, ele é o único que realmente se desenvolve e é reconstruído ao longo das páginas.

Jorg é um reflexo da sociedade e das condições do mundo dele - o que eu acho incrível. Ele procura por redenção, mesmo sem saber. Por perdão e uma forma de fazer as coisas certas, não faz sentido para ele que ele tenha sobrevivido, quando William e a mãe não. Ele não foi forte o suficiente para se livrar da roseira brava e salvar os dois - ou morrer com eles. Ele não era o filho que deveria ter sobrevivido, ele não era forte o suficiente e agora ele era um monstro. Tudo pelo que ele passou foi como uma escada para levá-lo até onde ele está agora.


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Na realidade, se você prestar atenção, a trilogia é uma história sobre redenção. Sobre como Jorg passou anos na estrada, viajou por diversos reinos, sempre em busca de algo, sempre em busca daquilo que o colocaria no trono do Império, mas só porque ele tinha que continuar em movimento.


Sem meio termo. Algumas coisas você não pode partir ao meio. Você não pode amar alguém pela metade. Não pode trair pela metade, viver pela metade.

Jorg quer fazer as coisas certas, ele quer perdão pelo seu maior crime - ter traído William, deixado ele morrer sozinho. Tudo que ele fez depois disso, todos os crimes e todos os jogos, nada disso importa. Tudo teve a mão dos bruxos dos sonhos, da violência praticada contra ele; era como retribuição. Jorg não pode é se perdoar pelo crime de ter sobrevivido a noite que matou sua mãe e seu irmão.

De certa forma, tudo que ele fez entre aquele dia na estrada e agora, ao portão Gilden, é sua jornada por essa redenção, esse perdão. Jorg não pode mudar quem ele é - ou não quer - porque é como se ele estivesse vivendo uma sobrevida. Só o suficiente para fazer certo pelo irmão e pela mãe. Só o suficiente para ver os culpados pela morte deles, mortos. E ai ele vai poder seguir como a pessoa que deveria ter sido.


Não podemos viver presos pelo medo. Uma vida vivida entre essas paredes é apenas uma morte lenta.

Acho extremamente interessante como Jorg nos é apresentado como alguém capaz de tudo para vencer esse jogo de poder que vai sentar alguém no trono do império, mas que a partir do momento em que ele se libera do toque do Corion, ele consegue enxergar as coisas por outro angulo. Ele passa a ver que, afinal, não está disposto a sacrificar tudo pelo trono do império, especialmente se esse sacrifício for das pessoas que ele ama. Mesmo sabendo que o amor destrói e enfraquece, ele não pode evitar amar elas - afinal, ele não é o pai.


Resenha: Emperor of Thorns #MLDI2015


Ele já fez isso antes e a decisão assombra ele pra sempre. Ele não quer repetir.

O menino que conhecemos em Prince of Thorns não é o homem do qual nos despedimos em Emperor of Thorns - por mim ele podia estar em todos os spinoffs do Mark! - e isso é feito de uma maneira consistente, desconstruindo as ações dele, deixando-o mais próximo de nós.

Eu entendi seus desejos e o que moveu sua cede de vingança - ou justiça? Eu entendi como o amor queima dentro dele e os medos dele. Jorg teme pouca coisa na vida e condenar aqueles que ele ama é a maior dessas. Jorg tem um senso de justiça bem "8 ou 80" também. "Ou tudo ou nada. Salve todas as crianças ou nenhuma."


É uma ironia dos nossos tempos que homens que buscam por paz precisem fazer guerra.

Esse livro me lembrou muito um quote do booktrailer de Princesa Mecânica, da Cassandra Clare. Nele a Tessa pergunta: você condenaria o mundo inteiro para salvar aqueles que ama? E assim como a Tessa, o Jorg faria. Ele condenaria o mundo todo e ele mesmo se isso fosse salvar todos que ele ama. E isso meio que me parte ao meio. Eu não esperava pelo final, eu não esperava esse brilho de esperança e de felicidade (ao menos na medida possível para uma dark fantasy) que chegou.

Eu não esperava por nada disso, e ao mesmo tempo eu esperava. Eu odeio esse final, e ao mesmo tempo eu amo. A parte racional briga com a emocional, ele dói e é uma dor bonita, se é que isso faz sentido para vocês.

Título original: Emperor of Thorns, Broken Empire Trilogy vol. 3
Autor: Mark Lawrence
Editora: DarkSide Bookz
Gênero: Dark Fantasy
Nota: 5+

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COMENTÁRIOS

7 comentários:

  1. "Ler livros sem spoilers pode ser lindo, mas também pode ser uma morte horrível!" POR ISSO QUE SEMPRE PROCURO SPOILERS e também leio resenhas x)

    Tô juntando grana para comprar esse livro xD

    Amei a resenha. Tá ótima.

    Beijão,
    Gi.

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    1. O sub estava com os livros a um preço bem bacana (todos em capa dura). Dá uma olhada, eu acho que super vale a pena (especialmente porque você curte As Crônicas Saxonicas, então não é estranha a violência e tal :P )
      E olha, geralmente eu busco uns spoilers. Mas a surpresa com o primeiro livro foi tão boa que eu decidi ir meio no escuro, pra não acabar pegando um spoiler que fosse me fazer odiar (oi Convergente) e não querer ler, porque eu já tinha os três UHSUAHSUHASUHASUHASUHASUHAS

      Brigadão por passar aqui, Gih <3

      bj

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  2. Não gosto de spoilers, eu acho que quando contam perde a magia kk as vezes nem a sinopse eu leio para não saber de muita coisa, gosto de surpresas.

    Nunca tinha ouvido falar desse livro, não é um gênero que eu leia muito, mas gostei da sua resenha.

    Beijos, Nazaré Oliveira.

    http://sweetlikecaramel.blogspot.com.br

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    1. Oi, Nazaré!
      Pois é, eu amo um romance, muito drama e tragédia... Também não é meu tipo de livro, mas me surpreendi muito. Amei mesmo, se eu fosse você lia mais resenhas pra ver se não pode ser uma boa :)
      Eu sou bem bipolar com spoilers, as vezes eu quero, mas as vezes eu passo longe... UHASHASUHASUASUH Mas em todo caso, eu quero que seja minha escolha procurar ou não spoiler, odeio quando me jogam na cara :/

      Obrigada pelo comentário!

      bj

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  3. Poderia me falar as paginas onde você pegou os trechos do post, POR FAVOR !!!!!!

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  4. Amei o livro. O Jorg e uns dos melhores personagens que eu tive a chance de conhecer. O jeito que ele vê o mundo, o seu humor sombrio e o seu crescimento no decorrer dos livros é sensacional, o Jorg é fascinante.Ele é muito foda, amo ele.
    A identidade do Rei Morto foi muito incrível. Eu desconfiava que era ele desde o segundo livro porque se fosse ele tudo se encacharia, mas mesmo assim foi muito legal ter essa confirmação no decorrer do livros. Eu estava quase sem respirar quando o Rei Morto estava falando com o Jorg, pena que ele foi descobrir só no final da conversa.
    A unica coisa que eu tenho para reclamar do livro foi o fato do Jorg se culpar pela morte do William sendo que ele era só uma criança, uma criança! Me irrita o fato de ele achar que devia ter morrido também e que ele foi um fraco por ter ficado preso na roseira-brava.
    O final eu não sei se eu amo ou odeio, então por enquanto eu só ignoro os dois últimos capítulos.
    (SPOILER, TALVEZ?) Aquilo na parte do Bispo, pag 121, foi um estrupo?????
    Desculpa se ficou grande, eu precisava desabafar.

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