Resenha: Corte de Espinhos e Rosas


Eu vou tentar soar o mais normal possível ao escrever esta resenha, mas saibam todos que meu coração ficou totalmente esmigalhado pela perfeição literária que foi a leitura de Corte de Espinhos e Rosas. Rainha Sarah né, mores.
Sinopse: Em Corte de Espinhos e Rosas, um misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance.Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira — que ela só conhecia através de lendas —, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... ou Tamlin e seu povo estarão condenados.
O reino feérico é temido e odiado pelo reino humano. Uma muralha invisível foi erguida entre eles depois da grande guerra, e os povos se separaram. Quando Feyre, uma garota humana, assassina um deles, no entanto, um antigo Tratado é trazido a tona, e uma vida deve ser paga por outra. Feyre é levada até a Corte Primaveril com a sentença de nunca mais retornar ao mundo humano por causa da vida que tirou. Presa a um lugar que sempre odiou, cercada por criaturas fantásticas assustadoras, Feyre vê sua realidade despencar num mar de incertezas conforme confronta as verdades que acreditou por tanto tempo; estariam os monstros realmente daquele lado da muralha?
Houve um tempo - há muito tempo, e durante milênios antes disso - em que éramos escravos dos senhores Grão-Feéricos. Houve um tempo em que construímos para eles gloriosas e extensas civilizações, com nosso sangue e suor, construímos templos para os deuses selvagens. Houve um tempo em que nos rebelamos, em todas as nossas terras e territórios. A Guerra fora tão sangrenta, tão destrutiva, que foi preciso que seis rainhas mortais oferecessem um Tratado para que o massacre terminasse dos dois lados e para que a muralha fosse construída: o Norte do nosso mundo foi concedido aos Grão-Feéricos e aos feéricos, que levaram sua magia com eles; o Sul ficou para nós, mortais covardes, eternamente forçados a tirar o sustento da terra.
Sarah J. Maas, mais uma vez, nos entrega uma obra prima. Entre um romance de tirar o fôlego e uma releitura genial de A Bela e a Fera, a escritora do best-seller e também meu queridinho, Trono de Vidro, constrói uma nova série tão encantadora quanto a já conhecida. 

Corte de Espinhos e Rosas é narrado por Feyre, uma humana pobre e desesperada que só sabe sobreviver. Desde que o pai faliu, Feyre passa os dias caçando, vendendo o que caçou e colocando comida na mesa. Suas duas irmãs nada fazem além de reclamar e desejar o luxo de volta, e o pai está miserável por sua condição física e emocional desde a falência. Quando Feyre encontra um animal estranho na floresta, com a desconfiança de se tratar de um feérico, ela usa sua flecha especial para abater a criatura. O ódio que construiu todos aqueles anos dos temidos e desconhecidos seres místicos que vivem do outro lado da muralha a guiou, e as consequências são estrondosas; uma fera bate à sua porta e reclama sua vida como recompensa pela morte da criatura mágica. Feyre é levada para lá da muralha, até a primeira das Cortes mágicas, e passa a conhecer todo um novo mundo acompanhada dos nobres que vivem no castelo.



Tamlin é a Fera. Um feérico marcado pelo passado sombrio e por uma praga que devastou todo o reino mágico; seu rosto é meio coberto por uma máscara dourada, tal como o de todos os súditos da sua corte, e não há maneira conhecida de quebrar o encantamento daquela maldição. Feyre passa conhecê-los sem nunca ver seus rostos por completo, passa a entendê-los sem nunca entender o que os deixou assim. Feyre encontra humanidade nas criaturas mágicas, e encontra uma vida onde ela possa realmente viver.

O contraste que a Sarah deu à realidade da Feyre antes e depois de cruzar a muralha é admirável. Ela era uma garota miserável, sozinha e sombria, cujo único propósito na vida era manter a família viva - tudo por causa de uma promessa feita à mãe no leito de morte. Os sonhos de Feyre resumiam-se a casar as irmãs para ter um tempo só para ela. Para que pudesse admirar as cores que compunham o mundo e, quem sabe, pintá-las em suas amadas telas. Na Corte Primaveril, pela primeira vez, Feyre pode observar o mundo sem se preocupar com alguém que não ela. Nem tudo são flores, claro, e tal como há bons feéricos, há monstros e criaturas horrendas espreitando nos bosques para atacá-la. Há feéricos sombrios se erguendo em cantos longínquos do reino para se erguer contra as cortes.


Olhei para Tamlin, e meu coração se partiu de vez. 
Era Tamlin, mas não era. Na verdade, era o Tamlin com quem eu tinha sonhado. Sua pele reluzia com um brilho dourado, e, ao redor de sua cabeça, um círculo de luz do sol resplandecia. E os olhos de Tamlin... Não eram apenas verdes e dourados, mas de todos os tons e variações imagináveis, como se cada folha da floresta tivesse escorrido e formado um único tom.
O romance foi o ponto alto do livro, além do crescimento da personagem. Tamlin e Feyre não se dão no começo. Ele é rude e ela é mais ainda. Ele é uma fera e ela odeia o seu povo. Ela foi levada ali contra a sua vontade e, ainda que Tamlin tente tornar a sua estadia confortável, percebe o amargor que a humana criou dos feéricos. Com o tempo, no entanto, tal como Feyre vai entendendo aquele novo universo, vai deixando que Tamlin se aproxime e a entenda. Ambos sofreram muito durante toda a vida. Ambos dedicaram toda a sua existência a outras pessoas, e ambos se machucaram por causa disso. A compreensão leva aos sorrisos que leva ao inegável fato de que há desejo entre eles. Um desejo ardente, feroz, ancestral. Quando esse desejo é finalmente explorado, RAPAZ...


Meu mundo inteiro se restringiu ao toque de seus lábios em minha pele. Tudo além deles, além de Tamlin, era um vazio de escuridão e luar.
Tamlin é uma delícia, gente, com o perdão da palavra. Ele se tornou um dos meus personagens favoritos da Sarah. Há humanidade e selvageria nele. O cara não é um simples feérico, ele é da realeza. Ele é uma fera perigosa, de coração indomável, e é tão forte quanto é frágil. Imortal, quebrado pelas escolhas do passado, Tamlin já viu e viveu muito, mas ainda há coisas que Feyre tem para mostrar, sentimentos que ele pode descobrir ao lado dela. É uma releitura de A Bela e a Fera, afinal, e a Sarah intrincou todos os detalhes da história ali com maestria.
Tamlin parecia esculpido por músculos e pedra, moldado de uma força mais antiga que as árvores que se erguiam altas e que as pedras que brotavam do chão cheio de musgo.
A parte feérica da história é poderosa, misteriosa e muito incrível. Eu amei o reino deles, amei as histórias e o passado horrendo envolvendo a grande guerra. Em determinado ponto do livro, chegamos até o motivo pelo qual a praga foi lançada sobre a corte de Tamlin e o porquê de Feyre ser tão especial para ele; quando ela é a única esperança de salvar Tamlin, quando ele se torna a donzela indefesa e Feyre precisa lutar para libertá-lo, AI A COISA FICA ASFAKJBNAJKGBASOGASO!

Além dos protagonistas, Rhysand, Lucien e Nesta roubam a cena sempre que aparecem.

Rhysand é o Grão-Feérico da Corte Noturna. É um feérico que nasceu e cresceu nas sombras, extremamente poderoso e inquebrável. Ele faz parte dos súditos da senhora Amarantha - não vou me estender falando dela, deixo para vocês descobrirem e surtarem com o livro - e tem seus planos para deixar de ser parte dela. Rhysand é o completo oposto de Tamlin e Feyre; vil, perturbado e extremamente perigoso, ele tem um humor afiado e uma presença marcante, e com certeza uma participação gigantesca na continuação dessa trilogia! AMEI ELE, CONFESSO. Amei muito, amei forte. O cara é um bad boy do jeito feérico, um bad boy assassino manipulador. Quero mais dele. Quero saber o seu passado, quero entender porque ele nunca parece sentir nada, ainda que a gente saiba que ele está sentindo mais do que todo mundo ali.


- Agradeça por seu coração humano, Feyre. Tenha piedade daqueles que não sentem nada.
Lucien, outro dos meus queridinhos, é o melhor amigo de Tamlin. No começo, ele é cruel e frio e extremamente irritante com a Feyre, especialmente porque ela foi responsável pela morte de um feérico amigo seu. Mas, com o tempo, Lucien se desdobra em um personagem volúvel bastante marcante e querido, com emoções trincadas graças a memórias horrendas que o assombram até hoje. Também com o rosto coberto por uma máscara, tudo o que sabemos é que ele tem uma cicatriz no rosto e um olho faltando; a história de como ele conseguiu eles é de partir o coração. Amei o bromance dele e do Tamlin e as tiradinhas que ambos dividiam de vez em quando, e amei ainda mais como a Feyre se aproximou e amou Lucien como um irmão e um amigo.


- Eu estava ocupado. E você também, pelo que sei. 
- O que isso quer dizer? - indaguei. 
- Se eu oferecer a você a lua em um barbante, vai me dar um beijo também?
 - Não seja babaca. - disse Tamlin.
Nesta, a irmã mais velha de Feyre, apareceu pouco, mas marcou os melhores momentos. Mesquinha, frívola e abusiva, Nesta foi tão bem trabalhada que, no fim do livro eu só queria abraçá-la para sempre. O que a família delas passou foi um baque e cada uma das irmãs suportou do jeito que podia. Nesta criou essa muralha, e se fortificou e perdurou fortemente por causa dela.
Todos os monstros foram libertos de suas jaulas esta noite.
Quanto à edição, preciso deixar a minha reclamação abismada. QUE TRADUÇÃO FOI ESSA?! Foram muitos erros em passagens, expressões que ficaram estranhas, traduções ao pé da letra que, juntas na mesma frase, não fizeram sentido nenhum. Parece que o livro nem passou por uma revisão mais detalhada, alguém que lesse e pensasse 'poxa, isso tá estranho, melhor arrumar.' Em determinado momento, a personagem está com um vestido violeta e na página seguinte, ele é cor de sangue. A vilã tem "os cabelos ruivo-dourados" e, em outro momento do livro, ela está sentada no trono e "Os cabelos pretos brilhavam". Galera Record, por favor né? Se fosse pra ficar confusa com a leitura eu teria comprado em inglês mesmo, pelo menos não passaria por essas situações. Espero que o segundo volume não venha com erros assustadores como esse.



Corte de Espinhos e Rosas é um romance fantástico, com elementos conhecidos e situações surpreendentes. O final do livro vai te quebrar o queixo de tanto que ele vai cair, então se prepare. Feyre e Tamlin vão roubar seu coração e, se eles não o fizerem, os outros farão. Além da muralha invisível, o reino feérico os aguarda com uma história de amor arrebatadora.


Título: A Court of Thorns and Roses
Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Gênero: Romance, Fantasia
Nota: 5 +

Saiba mais: Skoob 
Compre em: Buscapé | Saraiva

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COMENTÁRIOS

6 comentários:

  1. "Stop the Pain"

    Essa frase sou eu para você.
    Querer o livro e não poder ter (agora) dói muito :'( :'( :'(

    Que resenha maravilhosa!!! Af, queria tanto!!!!

    Mas, quando eu tiver o $$$$ eu compro, né. rsrs

    Beijos.

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  2. Olá, tudo bem ^^

    Estou louca pra ler o livro, já sabendo que ele é recontagem de A Bela e a Fera meu conto de fadas favorito já amei por antecipação. As citações são bem interessantes e mostram o ar medieval da trama.

    Bjks,

    http://livrosentretenimento.blogspot.com.br/

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  3. Já tinha passado várias vezes por resenhas desse livro, mas nunca tinha me interessado, primeiramente por causa da capa (sim, julgo livros pela capa. Me processe) e segundo porque mesmo havendo várias resenhas positivas falando sobre a autora nunca tinha me interessado pelos livros dela.
    Mas a sua resenha me ganhou no momento em que li lá em cima que era releitura de A BELA E A FERA <3 meu conto de fadas preferido! E depois eu vi a capa, quer dizer, você vendo a capa pelo skoob parece uma capa estranhamente colorida, mas só isso, mas quando vi as fotos que você tirou fiquei babando *-*
    E depois dessa resenha nem preciso dizer que você me convenceu, né?
    Estante de uma Fangirl

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  4. Oi Denise!
    Eu nunca teria imagino essa mistura de A Bela e a Fera com Game of Thrones. Que curioso.
    Uma tradução ruim pode estragar e muito a experiência do leitor, porque quando uma erro desses chama a atenção faz você descolar da leitura, né? Que pena uma falha assim.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  5. Oi, Denise. Nossa, adorei a paixão que você colocou na sua resenha sobre este livro. Eu ainda não conhecia sobre ele e mesmo sempre ignorando dicas que envolvem ao relacionado com ~histórias da Disney eu confesso que fiquei bastante curiosa.
    Beijos
    SIL ~ Estilhaçando Livros

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  6. Oi oi oi !
    Sério, nunca tinha ouvido falar da autora, já tinha visto diversas resenhas de Trono de Vidro, mas nunca parei realmente para ler..
    Na realidade, gostei bastante da capa, achei bem criativa e diferente, por isso resolvi ler a resenha, haha.
    Resultado ? Achei bem interessante, deu muita vontade de ler. Acho super histórias que envolvem contos de fadas, e adoro A Bela e a Fera, haha, acho que vou gostar de "Corte de Espinhos e Rosas", quem sabe.
    Parabéns pela resenha !
    Beijos Sorvete Literário

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