Coluna da Skeeter: Quando Sai o Próximo Livro?

Coluna da Skeeter: Quando Sai o Próximo Livro?

"Quando sai o próximo livro?", "Por que ele/a está fazendo outra coisa que não escrevendo?", "Cadê o livro físico?". Já falamos aqui sobre um tipo bem peculiar de escritor que existe por aí e como não ser ele, mas agora vamos falar sobre não ser esse leitor aí do começo do texto. E perdoem o linguajar, mas vai ser assim mesmo o texto!

Porque eu tenho uma novidade para você que se acha no direito de cobrar o próximo livro de qualquer autor: eles não são obrigados a nada.

Existe essa corrente nos grupos de leitura que adora reclamar de tudo que o George RR Martin faz que não envolva terminar logo o maldito Ventos do Inverno, ou sobre como Patrick Rothfuss está demorando mil e dois anos para publicar o próximo livro de As Crônicas do Matador de Reis. E esses são só os nomes mais conhecidos.

Existe um mundo de leitores que se acha no direito de cobrar qualquer coisa dos autores só porque leram a droga dos livros deles; que se sentem donos dos prazos de escrita e datas de publicação e que estão cansados de esperar três, quatro anos pelo próximo livro.

Tenho outra novidade para você, querido: sua cobrança não vai fazer o livro vir mais rápido e se está cansado, não precisa continuar esperando. Você não é obrigado, eles não são obrigados e nós não somos obrigados a te ver fazendo papel de babaca.

É claro que existe aquela cláusula silenciosa de respeito que o autor desenvolve com os seus leitores, como, por exemplo, aquela que diz que ao menos que ele morra, ele vai sim encerrar as sagas que começou -- e se você está impaciente com George Martin, tente esperar a continuação de A Hospedeira. E há também aquela em que o leitor promete ao autor que será paciente porque escrever um livro dá trabalho pra burro.

Todo mundo que está no frenesi das leituras quer o próximo livro o mais rápido possível -- se eu pudesse, acorrentaria Diana Gabaldon a minha cama e não deixaria ela parar de escrever até que o último livro da Saga estivesse pronto. Mas não posso. Ela tem uma vida além dos livros, ela precisa de tempo para escrevê-los e pesquisar, e a vida dela não se resume a escrever 24 horas por dia. Por mais que seja seu emprego dos sonhos, você precisa fazer muitas outras coisas além de trabalhar. E também é possível estar apaixonado por mais de um projeto -- mesmo que você, leitor, não tenha interesse nele. Isso se chama qualidade de vida. Além do mais, só porque você ama escrever não quer dizer que é a única coisa que você ama.

Já parou para pensar como deve ser fodido escrever Ventos de Inverno? As centenas de plots políticos que devem ser precisos para não deixar qualquer furo ou incoerência, a quantidade de personagem que precisa ser alinhado com toda a história, as tramas que precisam evoluir de forma concisa com a história como um todo...

Foda-se que a série está passando na frente dos livros, você nunca vai saber o que foi invenção do Martin e o que é invenção do D&D até ler os livros -- e convenhamos, 80% da série é invenção dos produtores hoje em dia.

E não, se o livro tivesse menos tramas e menos personagens você não acharia genial e não estaria por ai falando como se fosse super cult por ler um livro feito para as massas -- que você jura que é tão erudito quanto as obras de Umberto Eco e Tolstoi.

Coluna da Skeeter: Quando Sai o Próximo Livro?

Então não seja esse leitor. Não seja esse babaca que acha que pode cobrar autores mundialmente famosos para escreverem seus livros ou achar que está tudo bem ficar falando mal de qualquer projeto paralelo dele porque "ele ainda não terminou" livro X ou, ainda, ficar vangloriando autores prolíferos que estão ai com um lançamento por ano, como se os outros fossem a mosca do coco do cavalo do peão.

Ler livros grandes exige tempo, assim como escreve-los. E quando você se propõe a ler todos eles, precisa estar ciente que o tempo de produção é maior do que aquela série YA que você leu, por mais maravilhosa que ela seja.

Também não seja o cuzão que acha que pode cobrar publicação de autores independentes. Só porque eles não estão presos a contratos com editoras, não quer dizer que eles vão lançar a trilogia toda de uma vez só, só porque você quer. Não ache que vão publicar livros impressos -- mais caros e bem mais difíceis de vender -- só porque você tem firula em ler livros digitais. Não ache, nem por um segundo, que você é tão importante assim que os autores, nacionais e internacionais, independentes ou agenciados pela Penguin, vão se desdobrar em cinquenta mil só porque você quer. Respeitar e ouvir os fãs é uma coisa, ter fã exigindo qualquer outra coisa é passar dos limites. Respeito é uma via de mão dupla, se você não está disposto a respeitar, poucos estarão dispostos a te respeitar de volta.

Não, eles não sabem quando o livro vai sair se ainda estão escrevendo ele. Não, eles não vão abandonar projetos paralelos só porque você acha que eles não valem tanto quanto o principal. Não, não vai ter livro físico, apenas digital. Não, não seja esse leitor.

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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Assino em baixo.

    Escrever dá um trabalho descomunal e as pessoas acham que é só sentar no computador e pronto... tá escrito, revisado, com capa e lançado.
    Dá uma dorzinha esperar a continuação, mas eu entendo completamente.
    Quando GRRM terminar e achar que tá ok, ele lança, pronto e acabou.

    Esse pessoal que cobra livro é o mesmo que cobra legenda dos legenders que eles fazem DE GRAÇA! ლ(ಠ益ಠლ

    Amei o texto.

    Beijão,
    Gi.
    --
    Surtando com palavras

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  2. Hahahaha ótimo post. Autores tem muita responsabilidade e merecem nosso respeito em todos os sentidos. Sofro com a demora do Martin mas ao mesmo tempo morro de pena, a cabeça dele deve estar um nó hahaha
    boa semana :)

    Red Behavior

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