Coluna da Skeeter: O que aconteceu com os eróticos?

Coluna da Skeeter: O que aconteceu com os eróticos?

Sim, nós vamos falar sobre isso. Ultimamente eu tenho visto alguns posts e divulgações de livros que tem, sinceramente, me assustado. E que também me colocam a pensar: o que aconteceu com os livros eróticos?

Basta uma volta pelos mais lidos do wattpad ou os mais vendidos da amazon que já encontramos vários eróticos. O que seria maravilhoso, se estivéssemos falando de livros que nasceram com o intuito de explorar a sexualidade feminina e quebrar tabus sobre o prazer das mulheres, já que em sua maioria são livros escritos e protagonizados por mulheres. Mas não é o que acontece hoje em dia.

Em um mundo pré-cinquenta tons de cinza, os livros eróticos ainda eram lidos as escondidas, ninguém discutia abertamente sobre e os livros de banca, os romance cor-de-rosa ou harlequin, eram escondidos no fundo das prateleiras. Mas agora que o gênero foi libertado pelas milhões de cópias que o ~romance~ de E. L. James vendeu, o que não falta são os eróticos no mercado.

Se por um lado o fenômeno de 50 Tons de Cinza provocou uma revolução sexual na literatura, colocando mulheres para escrever e falar sobre sexo, para explorarem sua sexualidade; também marcou uma preocupação para leitores mais atentos: a romantização (e banalização) de situações de violência.

Não dá para negar que os livros eróticos que tem saído hoje em dia, em sua grande maioria, trazem um homem de sucesso e em posição de poder, relacionando-se com uma mulher geralmente mais nova (e por tanto, menos experiente) e em posição financeiramente inferior a dele -- quando não em posição de empregada e patrão. As tramas também são permeadas por abusos emocionais, protagonistas sendo perseguidas, oprimidas, controladas e, por vezes, abusadas/estupradas em um cenário tão transtornado que acaba se tornando romance.

O que nos leva a questão: as pessoas tem noção de que o que estão colocando no papel é um crime ou, de tanto ler o mesmo em outros livros, ver em filmes e novelas, ou até mesmo viver em casa, elas realmente acreditam que isso é romance?

É nesse ponto que eu me pergunto: o que aconteceu com os eróticos? Onde está a tão prometida liberdade? Onde está a ideia de encontrar e conhecer a si mesma, sem dever nada para ninguém? Porque ninguém enxerga que, ao criarem romances do tipo, estão incutindo na mente dos leitores que os comportamentos violentos de seus parceiros são apenas "demonstrações extremas de amor"?

O que mais vemos são homens com condutas execráveis, encontrando "redenção" no amor. Homens com passados obscuros e permeados de abuso, que se utilizam de seus sofrimentos pessoais para justificar os abusos que praticam com a parceira que, aparentemente, amam. O homem apaixonado que não consegue viver sem a mulher da sua vida e chega ao ponto de persegui-la, chantageá-la (especialmente emocionalmente) e controlar todos os pontos de sua vida. O romance que começa com o casal se odiando, redendo-se a tensão sexual e distorcendo abusos sexuais como uma forma de falar "na verdade eles realmente não conseguem se manter longe um do outro, mas como se odeiam ele faz isso para ~facilitar".

Vamos falar a verdade, gente: mesmo que a personagem feminina esteja dando indícios de que está atraída pela personagem masculina, tocar ela sem permissão (especialmente nas parte íntimas) não é erótico, é abuso sexual. Coagir ela a beber "só mais um pouco" para que ela demonstre menos resistência aos avanços dele, é abuso sexual. Força-la a tomar banho (com a personagem masculina junto) é abuso sexual.

Não é erótico, é abuso sexual.

Coluna da Skeeter: O que aconteceu com os eróticos?
Sobre o que é abuso, pra gente não se perder mais.

E sempre que você tiver uma dúvida, coloque-se no lugar da personagem, com as informações que ela tem a respeito da personagem masculina e os sentimentos que ela está experimentando, você gostaria que fizessem aquilo com você?

E não, só porque estamos falando de personagens fictícias em um livro, não quer dizer que está liberado transformar síndrome de Estocolmo em amor, psicopatas (que na verdade são serial killers porque quem hoje em dia ninguém sabe a diferença, né) em pessoas incompreendidas que só precisavam do amor da mulher certa, nem transformar sentimento de posse em ciúmes fofo ou passado atormentado em desculpa para abuso. Muito menos transformar relacionamento abusivo em romance "disfuncional que deu certo no fim".

O livro, assim como a novela, as séries, os filmes, o teatro, etc, tem uma responsabilidade social para com os seus leitores. Ele reflete a vida como ela é, os relacionamentos interpessoais, a sociedade, a família. Por mais high fantasy que ele seja, ele não tem como escapar daquilo que conhecemos e conseguimos identificar.

Só porque você sabe que é ficção não quer dizer que não há um problema em romantizar um monte de abuso e crime. Há um problema sim quando pessoas começam a ler repetidas vezes as mesmas situações e passam a acreditar que elas realmente deveriam ser assim.

Diferentemente de vampiros, abuso é algo que existe e é bastante praticado na nossa sociedade, seja entre um casal ou familiares. Enquanto a repetição exaustiva da existência de vampiros na literatura não vá nos fazer acreditar neles, já que estão tão longe da nossa realidade, a repetição da romantização da violência vai sim criar na mente dos leitores a ideia de que isso é normal, já que está tão impregnado na vida cotidiana e vemos todos os dias.

O que eu percebo, cada vez mais, é que os eróticos tem passado uma falsa imagem de liberdade sexual feminina. Acreditamos que, por falarmos mais abertamente do tema, por existirem cada vez mais livros sobre, por estarem cada vez mais nas estantes das livrarias, estamos em uma nova era da revolução sexual. 

Mas eu sinto que não estamos. Porque essas histórias repetem o padrão de que a mulher só vai encontrar prazer de verdade com o homem da sua vida, aquele com o qual foi destinada a passar o resto da vida (i)mortal. Só vai se encontrar de verdade ao se subjugar a ele. Que todos os homens que vieram antes daquele, da pica das galaxias, não sabiam "como cuidar de uma mulher". Porque esses livros ainda criticam, expõe, vilanizam e ridicularizam personagens femininas que possuem uma vasta experiência sexual.

Sinto que, hoje, os eróticos se vendem como uma experiência de liberdade sexual quando, na verdade, são apenas contos de fadas explícitos. Mas não os contos da Disney, aqueles dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, que existiam para passar uma lição de moral para as mulheres. A moral desses novos contos de fada? Você pode sentir prazer. Mas só com o homem da sua vida!

Depois dessa, só me resta perguntar novamente: o que aconteceu com o erótico? E por que não podemos ler sobre o nascimento e o envolvimento de relacionamentos saudáveis (que não necessariamente serão duradouros)? Afinal, sexo é bom. Mas só é sexo se for consentido, de resto, como diria nosso querido Ryan Owen,  é tudo estupro.

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COMENTÁRIOS

61 comentários:

  1. Nossa realmente hoje em dia isso é o que nos mais vemos em romances eróticos, mas nunca tinha pensado no quão sério isso poderia ser, acaba colocando na cabeça de uma mulher que sofre abusa que aquilo não é tão ruim assim, que é normal.
    Muito bom o texto, parabéns! :)

    De passagem...

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    1. Oi, Taiane!
      Não só na cabeça de quem sofre abuso né, porque hoje em dia muitas pessoas novas estão pegando eróticos para ler e é bem prejudicial repetir na narrativa que esses abusos são OK. É realmente algo a se pensar.
      Obrigada pelo comentário, bjs!

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  2. Amor,

    primeiramente amei o seu post. Ele é super informativo, e fala sobre essa questão de romantização de um problema MUITO SÉRIO, e eu concordo com gênero, número e grau com você. Existem livros eróticos que estão romantizando o estupro, que estão tentando fazer com que nós mulheres nos vejamos em um conto de fadas, que não existe.

    Porém quero fazer um ressalve: não generalize. A partir do momento que você generaliza, você está colocando de lado os livros eróticos que trazem o real sentido do gênero. Existem eróticos bons, que realmente mostra como a garota pode ser empoderada e dona de si mesma, e pode encontrar sexo espetacular em um homem que não seja o amor da sua vida.

    E existem romances eróticos, que colocam exatamente o que eu retratei acima, mas que encontre o homem que seja o "amor da sua vida" (não estou falando em relação econômica, porque concordo com você), e eles partem para uma vida sexual ativa até descobrir que querem viver com aquela pessoa por um tempo indeterminado. E o que tem de mal nisso também? Afinal, não é UM DOS traçados de nossas vidas? Conhecemos alguém, nos identificamos com aquele alguém, pode ter uma história ali, ou não, fazemos sexo, decidimos se queremos continuar com aquela pessoa ou não. E o que tem de problema em colocar romance em uma relação saudável?! Sexo consentido é sexo saudável. E sexo PODE levar a um romance. E se não levar? Bem, existem histórias sobre isso também. Mas como autor é melhor colocar o romance, porque romance VENDE.

    Então, assim, amei o seu post, amei seu posicionamento, mas queria colocar apenas umas ressalvas.

    Obrigada pela atenção.
    Beijinhos.
    Ps. Não sou autora. Mas se fosse, seria de erótico. Amo sexo e a liberdade que ele lhe dá.

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    1. Oi, Tamiris!
      Peço desculpas se o texto parece generalizar, mas eu estou realmente me referindo aos eróticos que romantizam esses abusos e crimes -- e sabemos que não são todos, existem muitos que fogem totalmente dessa linha e da linha que coloca o prazer sendo proveniente unica e exclusivamente do "amor da sua vida".
      A postagem, como falei no inicio do texto, surgiu depois de pegar muito livro (e propaganda de livros) que batem bem em cima dessa tecla e acho que é definitivamente o que a gente precisa discutir e levar em consideração na hora de pegar um livro erótico. Cansei de largar livro por romantizar estupro e perseguição, para chegar no skoob e mídias do tipo e ver os leitores enaltecendo a obra.
      Como você citou, existem muitos livros que não caminham por esses lados e relatam histórias de amor e sexo saudável e empoderado, infelizmente não foram esses que encontrei nas minhas pesquisas entre os mais lidos/vendidos :/
      Sinto que hoje em dia a tentativa é de criar um cara cada vez menos remissível, para que quando ele encontre redenção no amor, seja ainda mais poderoso. Mas isso acaba apenas criando situações problemáticos.
      Espero apenas que as pessoas possam ser mais críticas a respeito desse ponto e deixem de ler esses livros que retratam romances de forma tão distorcida, para dar seu tempo aos romances eróticos saudáveis que sabemos que estão por ai, só precisamos procurar :)
      Obrigada pelo seu comentário!

      bjs!
      (ps: se você leu algum erótico bacana ultimamente, indica pra gente! sempre bom ter uma carta na manga ;) )

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    2. Falar de um determinado assunto não é generalizar, Tamiris. A autora sabe que tem que livros que não são assim, mas não é deles que ela está falando.

      Mais interpretação de texto, menos explicação supérflua.

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    3. Tamires, me indique um livro desses que vc falou pq sinceramente ta difícil. Outro dia estava pensando nisso e esse texto só corroborou minha tese, há uma falsa liberdade sexual e os romances estão cada vez mais pavorosos tratam abuso como uma naturalidade de dar medo o próprio cenário criado a cerca da historia já é abusivo a Bibs falou : ele geralmente e mais velho, em classe econômica superior e exerce algum poder sobre ela. e só pra mostrar vou citar alguns poucos livros que li e essa situação ficou clara, na maioria dos casos são sagas onde os abusos só pioram.
      - Ciquentas tons de cinza( nem preciso falar sobre a relação abusiva desse livro, pq é tão clara e explicita que chega causar nojo)

      -Peça-me o que quiser (a protagonista explora sua sexualidade com várias pessoas sendo levada ao ápice do prazer, estaria tudo bem se não fosse o fato dela ter sido pressionada a conhecer o mundo do swing, voyerismos e afins; há ainda momentos que ela pensa estar mantendo relações com seu parceiro mas na verdade ele chamou outra pessoa sem a consulta dela e pra piorar ele é seu chefe e em vários momentos ela tento se afastar dele chegando inclusive a tentar pedir demissão e ele obviamente não aceitou enfim a historia só fica pior, nesse livro de terror, ops digo de romance há perseguição, opressão, abuso de poder e muito mais.)

      - Belo Desastre ( o livro seria uma amorzinho, se a protagonista não passasse a maior parte do tempo sendo perseguida. ah ! mas o par romântico dela é um garotão jovem, bonito, e todas as garotas o querem, então ela devia se sentir lisonjeada por ele ter a escolhido )

      Enfim são tantos livros que já me deparei com isso que chega ser preocupante as pessoas não estarem notando isso, eu não vou ser hipócrita leio os livros e na hora acabo meio que torcendo pelo casal, não é essa a proposta do autor ?! O importante é sabe que aquilo não é romântico e que viver numa situação dessa não é normal. Mas será que todos percebem isso ?

      ADOREI SEU TEXTO BIBS, BEIJOS E ATÉ A PRÓXIMA.

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    4. Oi, Ju!
      Peça-me o que quiser uma das admins do blog leu e falou justamente desse lance dela achar que está fazendo sexo com o cara e na verdade ele colocou outra pessoa ali sem o consentimento dela.
      Belo Desastre, meu deus, eu olho aquilo e não consigo conceber a ideia de que é um romance. Pra mim o Travis faz exatamente o perfil do cara obcecado que, caso a menina tente terminar com ele, ele vai matar ela e depois se suicidar. Não me desce nem um pouco.
      De fato, cada um vai ler o que achar melhor. Eu acho que esses livros não teriam problema, se vivessemos em um sociedade onde, mesmo romantizado, todos SOUBESSEM que não é uma situação aceitável. Mas né, vivemos em um mundo tão machista que a culpa do estupro ainda é da vítima, então como esperar esse tipo de separação, né?
      Eu mesma só comecei a avaliar quando comecei a me sentir desconfortável com algumas leituras e ai fui fazendo um retrospecto e percebendo todos os abusos que estavam me ensinando que eram "provas de amor" e "amor em excesso".
      Estamos ai para desconstruir, né? :P
      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  3. Oi, Bibs!
    Acho que depois de Cinquenta Tons, muitos livros do gênero foram surgindo, e confesso que não leio muito esse gênero quanto gostaria, então acho que nunca li nenhum livro onde a protagonista sofria algum tipo de abuso, e se isso ocorrer confesso que quero passar longe desse livro. Mas tudo é relativo, não são todos os livros do gênero que ocorrem isso, é o que eu acho.

    Parabéns pelo texto! :)

    Beijos,
    Eli - Leitura Entre Amigas
    http://www.leituraentreamigas.com.br/

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    1. Oi, Elidiane!
      Acredite, esse tipo de coisa é mais comum do que a gente pensa. Eu li alguns, há vários anos, que achava o máximo. Depois que parei para pensar, encontrei várias situações de abuso que foram romantizadas ou banalizadas, colocadas lá só para fazer com que as ações da personagem masculina fossem enaltecidas depois. E hoje em dia é bem difícil encontrar um livro nos mais vendidos/mais lidos que fuja, ao menos, do estereótipo "homem de poder que manda e a mulher que obedece" romantizando, no mínimo, possessividade e perseguição.
      Mas é claro que nem todos. O fato é que o texto fala dos que fazem isso. E são muitos.

      Obrigada pelo comentário!
      bjs

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  4. Acho que tem gente que leu por cima... estamos falando de abuso, não de erotismo. Enfim, né?!
    Amei seu texto! Eu ando irritada com os livros que recebi nas últimas parcerias, exatamente por culpa desse tema. O cara violenta a garota, abusa, e ok, tudo bem, ele só não sabe se expressar? Chega ne?! Seria legal não só os autores se preocuparem com o que estão escrevendo, mas as editoras com o que estão imprimindo, porque metade do que li que contém violência, foi livro estrangeiro onde a editora investiu um baita dinheiro para conseguir trazer pro Brasil.
    Dá pra filtrar melhor, ser consciente.
    Obrigada por falar tudo!!
    Beijo, Mari

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    1. Oi, Mari!
      Esse lance de é tudo porque ele não sabe se expressar me irrita taaaanto. E é tão comum. Na maior parte dos livros as pessoas nem se dão conta.
      Definitivamente, a consciência social também precisa vir das editoras.
      Com sorte, quanto mais a gente falar e expor, mais vão colocar a mão na cabeça. Ou assim eu espero.

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  5. Estou aqui aplaudindo esse texto magnifico, me definiu, definiu meu pensamento com relação a grande parte dos romances eróticos, não todos, estão realmente banalizando e colocando em extremos a literatura erótica.
    Parabens pelo post, compartilhando.
    http://leiturasdamary.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Mary!
      Muito obrigada. É realmente uma pena o que tem acontecido com os eróticos. Ao invés de pegar o lado da estrada para a libertação, estão caminhando cada vez mais para lado problemáticos.

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  6. Amei este texto, maravilhoso, parabéns!
    Estes hots realmente, não todos estão deixando a desejar. Muitos usam o passado negro dos personagens para desculpar comportamento deles.
    Já abandonei livros, por causa deste segmento e como não leio e-books,só físico não tive nem o prazer de conservá-lo na minha estante!

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    1. OI, Maria!
      Sim, já abandonei muito livro assim. A sorte é que existe sebo, consigo trocar os livros depois. Mas dá uma dor de passar eles pra frente e saber que alguém vai pegar e ver aquilo como um romance lindo :/

      Obrigada pelo comentário.

      bjs

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  7. Amei este texto, maravilhoso, parabéns!
    Estes hots realmente, não todos estão deixando a desejar. Muitos usam o passado negro dos personagens para desculpar comportamento deles.
    Já abandonei livros, por causa deste segmento e como não leio e-books,só físico não tive nem o prazer de conservá-lo na minha estante!

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  8. Nossa parece que você leu meus pensamentos.
    Tem uns livros de romance erótico que eu leio e me pergunto: Tem mulher que acha que isso é romance? Um amor possessivo, que o cara te persegue pelo gps do celular, que não te deixa ter amigos do sexo masculino, que te subjuga e trata como se a melhor coisa que aconteceu na sua vida fosse ele. Alias, a maioria das autoras desses romances escrevem como se o homem fosse a tábua de salvação da mulher, sempre um homem com beleza acima da média e poder aquisitivo, que pode ter qualquer mulher. Contudo, você é a privilegiada que chamou a atenção dele, um homem bonito e rico, despertando a inveja das outras, ele te tirara da vida mais ou menos. Todos os seus problemas financeiros estarão resolvidos, ele é um Deus do sexo e todos os homens que você se relacionou antes dele não vale a pena serem lembrados. Vou nem falar das "mocinhas" a maioria, desajeitada, com baixa autoestima, algumas virgens outras com pouca experiencias sexual
    Tenho preguiça desses livros.

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    1. Oi, Mi!
      Para mim, muito ainda é da questão de que essas mulheres que estão escrevendo essas barbáries, só leram esse tipo de coisa e, no íntimo, elas realmente acreditam que isso é romance.
      E, é claro, tem aquelas que sabem que não é, mas fazem do mesmo jeito porque é "só ficção", como se o livro não tivesse qualquer papel social.
      Tenho não só preguiça desses livros, mas medo mesmo. Medo da mensagem que passam as mentes mais jovens, especialmente.
      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  9. Acho que o mais triste de tudo é ver como algumas mulheres ainda romantizam o abuso. Se ela está escrevendo dessa forma é porque vê dessa forma. Se a autora usasse isso como uma forma de crítica, vá lá, mas não é o que a gente vê.

    O próprio 50 Tons romantiza abuso o tempo todo e tem mulheres encantadas pelo Grey. Quer dizer, elas aprenderam assim e pra desconstruir nem sempre é fácil.

    Ótimo texto!

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    1. Oi, Caio!
      Concordo muito. Queria que fosse uma tentativa das autores de criticarem o comportamento, mas infelizmente não é, né? :/
      Desconstruir não é fácil, mas estamos ai tentando né :D
      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  10. Oi amei seu post,venho observando isso desde que 50 tons foi lançado, e mais também me parece um preconceito social pois os homens destes livros são sempre ricos deixando a impressão que o dinheiro e o glamour legitimam o abuso.

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    1. Oi, Kika!
      Nem fala, na tentativa de sempre criar um badboy mais bad que o outro, ultrapassaram a linha aceitável de bad. E claro, tem que dar muito dinheiro pra ele né? Se não for rico, não é bem sucedido. E como uma mulher vai ser bem sucedida se o homem não é?
      Acho que é um poço sem fundo o uso do dinheiro e do glamour como validação do abuso e valia outro texto, viu :P

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  11. Adorei seu post. Você escreveu exatamente aquilo que penso. Acho um perigo essa nova onda de livros, onde o que é execrável se transformou em romance ideal. Também um perigo porque muitas jovens passaram a se interessar por leitura à partir desses livros, e mesmo que digam que ler é o que importa, vamos combinar; não é bem assim. Acho que isso provoca uma idealização na cabeça dessas jovens que pode ser muito prejudicial ao encontro da realidade aí fora. As autoras pegaram carona no sucesso de 50 Tons (até hoje não consigo entender isso). O que importa é ganhar dinheiro e, portanto elas vão escrever o que a mulherada quer ler. Isso sem falar nos livros "dark" onde o cárcere privado, estupro coletivo, abuso emocional/físico e etc, são apresentados como demonstrações de amor. É muito preocupante tudo isso. Parabéns pelo post, você é corajosa, porque em determinados grupos de leitura quem ousa falar algo semelhante é apedrejado de todos os lados. Parece que expor sua opinião é pior do que incentivar o abuso romanceado. Um abraço.

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    1. Oi, Marilda!
      Obrigada! Acho de uma importância sem fim falar sobre isso, justamente porque muita gente nova está começando a ler por livros que retratam abusos como romance ou de forma banal. Apesar de ser ótimo que elas descubram o prazer da leitura através desses livros, é importantíssimo que elas não vejam isso como romance ideal.
      Eu me arrepio toda com livros do tipo, me pergunto se ninguém chega a se colocar no lugar da personagem? Isso não é badboy, gente.
      Obrigada pelo seu comentário!

      bjs

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  12. Gostei muito do seu texto, por que já senti isso lendo vários romances hot, não tem limites entre "o correr atrás, conquistar" com a perseguição, abuso, principalmente psicológico, emocional, usar o prazer da mulher para conseguir alguma coisa a mais com ela, forçar, mesmo após o não, até conseguir uma resposta fisiológica do corpo. E colocar na mente das pessoas que isso é amor, existem N tipo de relações e envolvimentos sexuais, mas tudo tem que ser consensual, a pessoa tem que querer participar daquele ato, aquela fantasia, não ser forçada a isso até o corpo responder e depois achar que é amor. Não é normal, abuso e estupro NUNCA vão ser normal ou bom, não importa a pessoa, a ocasião, o resultado. O pior é como você ressalvou, adolescentes, jovens que estão iniciando sua vida amorosa, sexual, lendo esse tipo de livro frequentemente e acabam acreditando que é algo normal, podem falar o que quiserem, que é ficção etc, mas a pessoa, principalmente os mais jovens são muito influenciáveis, e não só acham que é normal, como chegam a fantasiar em encontrar isso para si... Isso é péssimo... Claro cada um lê o que gosta, mas não acho certo romantizar sim um abuso tão grave, uma agressão que acomete tantas mulheres e causa tanto sofrimento e tantas mortes.

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    1. Oi, Mônica!
      Menina, tenho nem o que comentar aqui. Totalmente o que eu acho.
      Acredito que você ter consciência do que é aquilo que está lendo é ótimo, mas é MUITO GRANDE o número de pessoas que realmente não sabem que aquilo é abuso. Especialmente quem nunca teve uma experiência amorosa -- ou, pior, quem só experimento abuso como "relação amorosa". Cada um lê o que quer, claro, mas muita gente nem sabe o que é romantizar abuso, então como podem escolher ler né?
      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  13. É um grande problema "romancear" questões como essas que no mundo real tornam-se uma forma de abuso contra as mulheres. Importante "abrir os olhos" para essa questão e sua análise mais profunda, parabéns pelo texto. Compartilhei.

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    1. Oi, Decypher!
      Definitivamente, é muito importante falar. Quem sabe a gente não consegue abrir os olhos das pessoas.

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  14. Um dos melhores posts sobre o assunto. Parabéns! Merece ser compartilhado e debatido. Que venham mais posts e mais conversas sobre o tema, não só na literatura, mas na música, no teatro, no cinema, no dia-a-dia. Mais uma vez, parabéns! ;)

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    1. Oi, Bia!
      Muito obrigada! É um assunto que precisa ser discutido sempre e sobre todas as mídias. Não é só o livro que anda romantizando violência, vi isso em algumas novelas (mais recente em Velho Chico) e fiquei bem chateada. Especialmente por se tratar de um veículo majoritariamente voltado para as massas :/

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  15. Vou nem escrever textão falando que foi maravilhoso e disse tudo. Só vou falar que foi maravilhoso e disse tudo mesmo!! Kkkkk Concordo em genero, número e grau. Escrevi um texto semelhante na época que 50 tons saiu no cinema e a mulherada tava derretendo pelo Gray. Não aguento mais livro desse jeito e atualmente só leio erótico das autoras que conheço e sei que são feministas até o fim (❤) e abominam o abuso romantizado. Autoras novas só com indicação de quem confio. O que é uma pena.
    Beijos!
    www.lauryalves.com

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    1. Oi, Laury!
      Fico feliz que tenha gostado.
      Eu, particularmente, não sou a maior fã do mundo do gênero. Mas confesso que seria muito mais se os que tentei ler recentemente não não romantizassem todos os abusos e reforçassem ideias tão escrotas e estereótipos tão errados (sem contar a onda dos BDSM que de BDSM tem é nada).
      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  16. Gostei muito do seu post. Sou Autora de drama e concordo plenamente com o que você escreveu.
    Eu posso falar com conhecimento de causa, pois atendo vítimas de violência sexual e posso garantir que não tem nada de romântico em violência. E sim, a descrição da maioria destes homens possessivos, controladores e ciumentos mostra claramente o perfil dos agressores. Desde que comecei a escrever, sempre me preocupei com isto.
    Me assusta ver à loucura por estes temas e me preocupa mais ainda a idade precoce das leitoras. Lamentável.
    Parabéns pelo texto.

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    1. Oi, Valentina!
      Que lindo o seu trabalho! Fico feliz em saber que você mantém isso em mente quando escreve. Evitar romantizar perfis violentos também é uma preocupação minha quando escrevo. Queria que todo mundo pudesse se colocar nos sapatos do próximo e pensar nesse tipo de coisa quando escreve.
      Me preocupa muito ver os níveis que chegaram dentro do tema, de verdade. Mas acredito que quanto mais barulho a gente fizer sobre, mais atenção vamos chamar. E talvez mais pessoas a gente consiga conscientizar.
      Obrigada pelo comentário!

      bjs.

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  17. Post mega necessário! Que bom que alguém o fez! Me dava calafrios toda vez que pegava um erótico para ler e lia umas coisas que me deixavam horrorizada, até parava de ler. Como foi dito acima, lógico que tem erótico bom, mas o que tem de porcaria... "nussenhora!"

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    1. Oi, Bianca!
      Nem fala, os calafrios me correm cada vez que eu vejo uma pessoa se derretendo por um gesto mega abusivo de personagem.
      O que tem de erótico porcaria não tá no gibi, como falei antes, vou me dedicar a formar uma listinha com eróticos bons para divulgar por aqui. Precisa enaltecer quem faz certo!

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  18. Oi, arrasou!!
    Vivo falando isso por aí e é uma coisa que me preocupa muito. A quantidade de pessoas que já vi desejando um Christian Grey para si não está no gibi e pera lá né, aquilo ali ta longe de ser um relacionamento saudável né? Não tenho nenhuma vontade de ler o gênero, nenhuma, principalmente por conta disso. Nunca vi um que não abordasse esse tipo de abuso, sempre tem, uns mais escancarados, outros menos, mas, dos que vi, sempre tem algo que me incomoda ou um clichê que eu não conseguiria lidar hahaha. Adorei seu post, acho que esse assunto precisa ser mais debatido por aí. Parabéns pela iniciativa, beijos!

    (Carol)
    ourbravenewblog.weebly.com

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    Respostas
    1. Oi, Carol!
      Fico arrepiada quando as pessoas desejam um Christian Grey ou um Travis Maddox pra si mesma. Queria poder gritar, BICHA NÃO. PAREEEE.
      Vou me colocar em uma quest de encontrar eróticos que fujam dessas violências para indicar aqui no blog, porque acho importante enaltecer dentro do gênero as autoras que estão escrevendo coisas lindas <3
      Espero que a blogosfera comece a falar mais sobre isso e, por conseqüência, os leitores a pensarem mais nisso.
      Obrigada pelo comentário <3

      bjs

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  19. Amei o seu texto e ele me fez refletir que a maioria dos livros eróticos que já li são abusivos mas vou ser sincera com você,sempre senti calafrios quando vejo as garotas dizendo que querem um Christian Grey.Parei para pensar e reparei que só consigo lembrar de 23 noites de prazer e a saga A garota do Calendário que não tem uma relação doentia e abusiva.Você já leu esses livros?Conhece mais algum nesse gênero que possa me indicar?

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    1. Oi, Yanca!
      Refleti muito sobre os eróticos que li e gostava depois de ler alguns textos do tipo. Embora não fossem focados na literatura, me fizeram pensar nos relacionamentos que me cercavam, inclusive nos livros, e percebi que nenhum deles fugia disso, infelizmente :/ Desde abusos mais leves, como o autoritarismo e a possessividade (oi Senhores do Submundo e A Irmandade da Adaga Negra) até coisas mais pesadas, eles sempre tinham uns pontos :/
      Infelizmente, pensando rápido agora, não consigo nenhum erótico para te indicar (até porque não li tantos assim na vida, então para tirar uns que não fazer isso é difícil :P), mas tenho alguns com sexo/erotismo explicito que não se tratam exatamente como eróticos, mas são bem legais! Gosto muito de Outlander, da Diana Gabaldon (é um histórico com um pouco de sci-fi, explicito tanto no erotismo quanto na violência, pode ser um pouco dificil de digerir algumas partes), Eu Vejo Kate, da Claudia Lemes (é um policial e como o anterior, é explicito tanto no sexo quanto na violência, então pode ter partes difíceis de digerir) e a série Contornos do Coração, que começa com Easy, da Tammara Webber (é um NA, é bem mais soft e cheio de romancezinho. trata da violência contra a mulher de uma forma magistral e não lembro de ter qualquer situação romantizada. Lembro do romance ser muito amor <3 ).
      Espero ter ajudado <3
      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  20. Amei o post. Muito real com tudo que tem acontecido na nova era ... a era da permissão. Onde se permite tudo, onde se aceita tudo e onde tudo é bonito .... ham????????????? Até onde?
    Eu amo hots e entre 4 paredes a pessoa e o parceiro sejam eles homem/mulher, mulher/mulher, homem/homem sinceramente acho que cabe a cada um analisar o que lhe convém, ... Minha opinião é bem moralista quanto a isso e já estive em saia justa em alguns grupos pelas minhas opiniões que chegam a ser consideradas "passadas" ... mas acho dentro do meu humilde poder de expressão que as mulheres tem que se resguardar mais, se valorizar mais e principalmente entender que nem tudo que é lícito lhe convém.
    A maioria me acha velha e antiquada mas graças aos céus o direito a expressão ainda existe e o meu achismo na maioria das vezes guardo pra mim ... porém com seu post quiz deixar minha visão que vai direto e reto de encontro com seus pensamentos. Parabéns pelo alerta de que nem tudo que reluz é ouro, quem sabe desperte mais companheirismo, amizade, compartilhamento, doação, afeto, entre outras afinidades que um casal necessita, se seja visto que um casal deve ter muito mais do que ataques de 50 tons de cinza para ser realmente um casal.

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    1. Oi, Renata!
      Não sei bem se entendi seu comentário. Na verdade, o texto não defende que mulheres precisam se "resguardar" mais ou qualquer coisa do tipo. Acho que existe sim um problema nessa era onde tudo é aceito e tudo é bonito, mas não porque as mulheres estão se explorando mais, e sim porque dentro desse "tudo vale e tudo é lindo" encaixa-se situações de violência que, quando romantizadas, são prejudiciais para a formação da concepção de o que é amor e sexo na mente dos jovens/iniciantes.
      Eu acho que tanto as mulheres quanto os homemens precisam experimentar o que lhes convém, o que lhes dá vontade, independente da opinião alheia. Acho que se for consentido entre o casal (ou o grupo, depende de como e o que você resolveu fazer) pode tudo que vocês quiserem.
      O que quis com o texto mesmo foi expressar como os livros eróticos/hot de hoje estão romantizando situações de violência e transformando, por exemplo, estupro em experiência BDSM ou perseguição e coação em "persistência" ou, ainda, opressão e controle em "ciúmes". O que, pra mim, é o grande problema. Formar na mente de pessoas jovens ou que estão iniciando suas experiências amorosas/sexuais, que esse tipo de violência é na verdade, amor.
      Acredito que permitir-se sentir e dar prazer é uma ótima coisa, conhecer a si mesma e o seu(s) parceiro(s) é algo que deveria acontecer mais nos eróticos/hots, ao invés de incumbir a ideia de que o "homem da sua vida" pode te brutalizar da forma que ele bem entender e tudo bem, pq ele é o homem da sua vida...

      De toda forma, obrigada pelo comentário!

      bjs

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  21. Olá amada. Em primeiro lugar quero parabenizá-la pelo texto, está muito bem escrito e traz uma reflexão bastante profunda. Apesar de ser autora do gênero erótico, porque esse é o gênero que gosto de escrever, depois de ler seu texto decidi dar minha opinião como LEITORA também desse gênero. Por favor não briguem comigo por pensar diferente rsrsrs

    Sou leitora assídua de romances e outros gêneros desde que me entendo por gente, principalmente os romances. Passei toda uma vida lendo livros maravilhosos, mas que nunca mostravam as cenas de sexo, o que causava uma certa frustração, pois o sexo faz parte do amor. Pouquíssimos autores entre os que eu gostava revelavam todos os detalhes da estória. Depois de Cinquenta Tons de Cinza (que aliás amo de paixão), isso mudou radicalmente e hoje em dia dificilmente me prontifico a ler um livro quando sei que este não descreverá todos os detalhes, que não terá cenas de sexo, porque isso ainda é frustrante, para mim, claro e provavelmente para muitas outras pessoas já que são os mais lidos no Brasil, como você mesma colocou. (nos Estados Unidos os vampiros estão na frente). Os meus preferidos são os livros que as pessoas denominam de "Dark", aqueles que têm cenas mais pesadas. No entanto, o fato de eu gostar da leitura, não significa que vou conceber aquilo como realidade, tampouco vou levar qualquer um daqueles conceitos para a minha vida real. (ai do sujeito que se atrever a tentar me subjugar!). São apenas fantasias, ficção, o prazer de ler algo que choque, que seja diferente. Para exemplificar o que estou querendo dizer, vou citar os jogos de vídeo game,aqueles em que os bonecos saem pela estrada com um carro em alta velocidade, atropela todo mundo, mata um monte de gente, etc. (embora esse exemplo poderia ser dado também com filmes de ação, onde o mocinho mata meio mundo de gente). Minha filha é viciada nesses jogos de vídeo game, toda hora atira em alguém, no jogo, é claro. A princípio fiquei preocupada que isso pudesse influenciar no comportamento dela ou na forma de ela ver o mundo (assim como sua teoria supõe que os eróticos possam influenciar no comportamentos dos leitores ou na sua forma de ver um relacionamento), mas o fato é que não influencia em nada. Minha filha é a criatura mais pacífica que conheço, até demais, esses dias entrou em casa chorando porque o filho da vizinha deu um tapinha nela e mesmo tendo o dobro da altura dele, ela não revidou, porque é uma criança que nunca apanhou em casa, diferente do filho da vizinha. Então, acredito que os eróticos são apenas uma forma fantasiosa de se sair um pouco da realidade, de viajar e explorar o desconhecido, da mesma forma que são os jogos de vídeo game, os filmes de ação, o filmes de terror, e tantos outros exemplos que poderiam ser citados. Abraços!!

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    1. Oi, Ariela!
      Infelizmente preciso discordar de você. É claro que temos pessoas esclarecidas o suficiente para entender que uma violação romantizada em um livro só é OK ali porque é uma ficção, e eu acho que não teria problema alguns nesses livros se TODO MUNDO soubesse disso. Mas a maioria não sabe.
      Como você citou, sua filha não foi criada em um ambiente violento, logo ela entende que a violencia dos games só é aceita ali porque é um game, é fictício, que na vida real atropelar e atirar em pessoas não é algo aceitável. Já o filho da sua vizinha não, porque a violência é algo que ele conhece como aceitável no mundo real.
      O mesmo vale para as pessoas que leem eróticos com crimes romantizados. Se você nunca passou por isso na sua vida e entende que é inaceitável, você pode desfrutar sabendo que é apenas uma ficção. Mas violência contra a mulher é algo extremamente comum, assédio sexual é tão comum que o pessoal diz que é "só elogio" quando um cara passa de carro e grita um GOSTOSA pra uma menina de 12 anos, por exemplo. Se essa é a realidade que a maioria vê todos os dias, ter um livro te dizendo que isso é sim romance vai colocar na cabeça das pessoas que, no final das contas, aquela possessividade, a perseguição e a coação ao sexo é romance.
      Você pode gostar de ler o que quiser e fico muito feliz que você consiga encarar essas histórias apenas como ficção (eu, mesmo sabendo que é só ficção, não consigo). Mas não podemos ignorar que uma grande parcela feminina não entende que está lendo um abuso e que isso só é ok no livro.
      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  22. Oi Bibs,

    Quero te parabenizar pelo excelente texto, vc falou tudo o que me incomoda ultimamente com relação ao ditos romances"eróticos", uma triste realidade, que cada vez mais ganha leitores, visto que as pessoas estão romantizando a violência, seja estrupo, perseguição, ou degradação feminina, ou que colocam as mulheres em posição inferior como algo natural em um relacionamento. Infelizmente é este tipo de literatura que está no ranking dos mais vendidos ou lidos em todo mundo. Muito triste que autores e editoras não percebam o mal que isto causa a toda sociedade, não apenas à nós mulheres.

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    1. Oi, Josenilda!
      Verdade! Acho muito triste que, além dos autores, as editoras também não estejam pensando no papel social do livro :/
      Ao invés de estarem explorando a liberdade sexual feminina, estão apenas reafirmando a subjugação dela a um homem. E isso não interfere apenas na ideia que as mulheres tem de amor, mas também na dos homens.

      Obrigada pelo comentário!
      bjs

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  23. Olá, muito oportuno o seu post. Acho que esses livros ultrapassam o limite do tema "redenção do anti-herói"!!! E, de fato, levam um assunto que poderia ajudar mulheres a se libertarem de amarras emocionais ou religiosas em relação ao sexo ao extremo da apologia da opressão feminina consentida ou "glamourizada". Estupro não é sexo, é violência! Não tem nenhum contexto ou pretexto que mude essa verdade. Esses livros são um desserviço, um crime, até, contra as mulheres.

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    1. Oi, Anony!
      Concordo com tudo, sem tirar nem por.
      Ao invés de libertar, estão apenas repaginando a mesma opressão. :/

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  24. Pois é, parece que que cada vez mais, estamos perdendo terreno, ao invés de ganhar. Se o cara é rico, bonitão e bem sucedido não é abuso ou obsessão. Fora os BDSM totalmente equivocados e travestidos de romance...isso não é romance, é no máximo fetiche. O maior problema é que existe a lei da oferta e procura, então se tem público, as editoras vão lançar um após o outro. Romantizando estupros, cativeiros, escravidão e prostituição (ao meu ver 50 tons é quase prostituição...)
    Beijos e amei o post

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    1. Lei da oferta e demanda ferra um pouco com tudo, né.
      Mas ainda sou um pouco trouxa e fico esperando que a consciência pese e as editoras comecem a ter noção da responsabilidade social. E também que as autoras/es comecem a contestar o que leem. Se dói, se te machuca e faz sofrer, não é amor. Acredito que é, também, um processo de empoderamento. Se a gente passar a entender que não é indigna de ser tratada bem, que não devemos aceitar menos do que merecemos, então é algo que vai começar a se refletir nos livros.

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  25. concordo tbm. acredito que isso se deva pq tem um público querendo ou não As leitoras gostam desse tipo de historia e enquanto estiver rendendo $$ as "autoras" desse vao continuar a escrever. Eu não me importo com um homem másculo, PORÉM que ele saiba tratar a mulher bem independente do passado dela. Tem uma diferença enorme entre um cara que sabe que tem o charme e o sex appeal do que aquele que praticamente quer um objeto sexual. Atualmente eu leio romances que as narrativas estão mais voltadas para tramas mais elaboradas.

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    1. Oi, Brenda!
      Também acho, enquanto as pessoas quiserem ler essas histórias, vai ter gente escrevendo. Precisamos mesmo é encontrar uma forma de fazer todos entenderem que só porque é ficção, não quer dizer que "vale tudo". Ou que ficção não afeta a nossa vida, não nos dá exemplos e moldes a serem seguidos.
      Fico dividida porque sei que metade das autoras que romantizam abuso fazem isso porque REALMENTE acham que aquilo é romance, é amor (o que nos leva a questionar os relacionamentos que elas tem na vida real) e a outra metade SABE que aquilo é errado e mesmo que a gente viva em um país onde uma mulher é agredida a cada 11 minutos, elas acham que tudo bem romantizar abuso porque "todo mundo sabe que isso é errado"... ¬¬
      Anyway, obrigada pelo comentário!

      bjs

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  26. Fantástico seu texto! Compartilho sua opinião, me incomoda profundamente essa romantização de relacionamentos abusivos que muitos livros trazem. Já perdi as contas de quantos livros perdi o interesse por causa disso e de quantas discussões em grupos de leitura já tive por causa desse tipo de coisa.

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    1. Oi, Raissa!
      Ultimamente tenho me abstido de participar de grupos de leitura justamente para evitar essas discussões, estou começando a ficar cansada de discutir com gente que não entende o impacto que o livro causa na vida das pessoas.
      Odeio quando um livro tem uma história de pano de fundo tão bacana, mas ai chega no relacionamento principal e é abuso para todos os lados. Dá um desanimo :/

      bjs

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  27. Meus parabéns às meninas do blog!
    Com esse texto vocês conseguiram dar uma verdadeira lição sobre o quanto certos tipos de produto cultural naturalizam violência e perpetuam normatizações sobre o comportamento feminino. Li uma vez um texto sobre como reconhecer a diferença entre um livro que questiona e critica comportamentos abusivos e um livro que romantiza tais comportamentos. Hoje, com tudo que aprendi em grande parte graças a boas referências em blogs de empoderamento feminino, eu sentiria MEDO de um homem que dissesse que não pode viver sem mim. E é uma grande lástima que tanta gente crie personagens homens com todas as características de um serial killer colocando uma fantasia tão grande em torno deles que faz todo mundo acreditar que são o Príncipe Encantado. Enquanto pessoas estão por aí escrevendo e vendendo esses ~romances~, um monte de mulheres estão sofrendo em relacionamentos completamente tóxicos, porque foram ensinadas a acreditar que podem mudar o homem para melhor, ou que "é assim mesmo".

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    1. Oi, Lethycia!
      Tenho nem mais o que acrescentar, concordo plenamente com você!
      Estou amando ver quantas pessoas estão cientes dessa prática tenebrosa!
      Obrigada pelo comentário <3

      bjs

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  28. Olá, Bibs. Importantíssimo esse debate, de verdade. Muito bom que estejamos falando mais abertamente de tudo isso. De fato, os romances "de banca" seguem uma receita básica muito semelhante. Quando envolvem gravidez, 90% dos enredos baseiam-se em amantes que são apaixonadas pelo milionário, abusadas psicologicamente e em situação de vulnerabilidade emocional. Se contam da gravidez, são humilhadas e usa-se o casamento como método de opressão. Se não contam, são descobertas e usa-se o casamento como método de opressão.
    Sabemos que casamento pode ser sim opressor, e é na maior parte dos casos. Mas perpetuar isto por meio da literatura só torna pior. Uma coisa é relatar a vida como ela é, mas não creio que seja o caso. Não é um crítica à situação desigual entre os gêneros, é um endosso e extrema romantização disto.
    Obrigada pelo texto!

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    1. Oi, Rafaela!
      Um debate que deveria se estender e muito, ele tem muitas camadas a serem discutidas.
      Acho que existe uma grande diferença entre uma literatura transgressora e romances disfuncionais, da literatura que romantiza violência. E isso fica claro na forma como os autores conduzem o texto na maioria dos casos.
      Infelizmente os romances de banca não são literatura transgressora.
      Espero que a gente continue discutindo isso por muiiiiiiito tempo!

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  29. OI, encontrei seu texto por acaso e, apesar que existe, na minha interpretação, certa generalização não intencional (eu espero), não deixo de concordar. Eu leio muito o gênero New Adult e descobri ele justamente pelo 50 Tons. Na época, eu com 15 anos, achei super envolvente, porém depois fui ler livros realmente BDSM e vi que aquilo lá nunca foi BDSM. Era apenas um cara com problemas psicológicos, com retardo emocional (o que fala no livro, mas é levado na brincadeira, que usa do fetiche para descontar sua raiva. Pensa bem, ele bate em mulheres que se parecem com sua mãe porque ele está com raiva dela e depois transa com essas mulheres. Isso chega a ser nojento.
    Mas depois do 50 Tons, abriu-se toda uma série de diferentes temáticas que me deixaram abismada. Surgiu nesse meio os Dark Romance que incluem desde psicopatas assassinos até a Síndrome de Estocolmo. Tentei ler um ha um tempo atrás, "Descobrindo você", onde um cara sequestra uma garota, a prende em uma coleira que dá choque se sair do raio de segurança e diz que ela tem que assinar um contrato onde ela aceitaria suas condições de ficar presa e aceitar todas suas ordens, não apenas sexuais. Ela poderia não aceitar, não tinha corrente a prendendo, porém ele não iria tirar a coleira, ou seja, ou ela seria obrigada a assinar ou, se tentasse fugir, seria eletrocutada. Assim segue o livro e a mulher se "apaixona" pelo captor. Um dia ela descobre que ele transa com a secretária dele e ela chora com o coração partido. Logo depois disso não consegui ler mais.
    Há sim temáticas de homens possessivos e nem todos são abusivos. Há muita conversa, muito "poder feminino". Porém, há uma grande parte destes livros onde a mulher é rebaixada depois que se apaixona. Motoqueiros onde o clube vem antes da mulher e filhos; homens da máfia, onde a mulher não pode sair de casa, não pode ir para a faculdade ou trabalhar, porque tem que cuidar da casa, marido e crianças. Falas em que o homem diz que para protegê-la, terá de machucá-la, então começam os abusos emocionais.
    Essas temáticas vêm crescendo cada vez mais, coloridas e maquiadas, cheias de floreios, para não parecer abuso e sim "mocinhos românticos, possessivos e incompreendidos porque não sabem se expressar". Tem uma máxima sobre escritores e sua escrita que diz "escrevemos o que sabemos, o que conhecemos" e eu fico pensando o que essas escritoras passam em casa para confundir Síndrome de Estocolmo com amor.
    Eu, sinceramente, temo que nessa era, com toda a informação da qual dispomos, esses temas acabem por influenciar tanto as pessoas que histórias como de Natascha Kampusch - a mulher sequestrada quando criança por um "sociopata funcional" para que fosse criada como a amante perfeita - seja vista como um ato romântico.
    Enfim, muito boa e importante sua reflexão.

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    1. Oi, Anony!
      Realmente a intenção não é generalizar o erótico, mas é um fato que os eróticos em visibilidade, na grande maioria, traz histórias abusivas. Os seus relatos das suas experiências com esses livros me assustam porque realmente fazem pensar na situação em que essas autoras/es estão vivendo e, também, no que estão lendo -- já que a nossa formação vem não somente das nossas vivências próprias, mas de observações.
      Acredito que possessividade, por si só, é um traço abusivo, porque parte do principio de que você tem algum direito sobre um indivíduo independente. Então não vejo uma história com um mocinho "possessivo" como algo positivo. Espero que em um futuro a gente possa se concentrar cada vez mais em escrever sobre liberdade e prazer, e que possamos entender que amor não dói, se dói não é amor e não é saudável.

      Obrigada pelo comentário!

      bjs

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  30. Olá! Gostei muito de seu post e concordo com quase tudo o que escreveu. Minha opinião só diverge em um pequeno ponto: hoje em dia, existem tantos romances eróticos nesses estilo, porque vende. O autor escreve aquilo que o leitor quer consumir. Se as pessoas reconhecerem o quão abusivo, machista, são essas histórias e pararem de comprar, de ler, então, os autores também irão parar de escrever. Um exemplo são os livros de youtubers. O conteúdo é deplorável na sua maioria, no entanto vende muito. É culpa dos youtubers? Das editoras? Ou de quem consome sem qualquer filtro? Mas não são só eróticos. Livros como A Seleção, After, Crepúsculo, só pra citar alguns, estão recheados de machismo, de estereótipos da mulher submissa e do homem dominador. Mesmo assim, o público absolutamente majoritário é feminino. E não é por ignorância, porque, também a maioria desse público, é de classe média, que frequenta escolas e faculdades. Abs

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