Resenha: O Lado Feio do Amor

Foto: Hora Brasil.
O Lado Feio do Amor é aquele livro do qual eu ouvi tanto falar que tinha toda uma hype imensa sobre ele. Só elogios, só surtos, só gente prometendo um drama fabuloso de arrancar minha pele do corpo e me fazer chorar de agonia, aquele tipo de livro que a gente vive e respira e quer ser enterrada junto com ele. Só que não foi bem assim.
Sinopse: Quando Tate Collins se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem, não imaginava conhecer o lado feio do amor. Um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades. E o sexo parece ser o único objetivo. Mas Miles Archer, piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin, sabe ser persuasivo... apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor.O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o desejo.
Tate não tinha nenhuma pretensão de se envolver com Miles, mas a vida é feita de situações imprevisíveis. A atração entre eles nasce instantaneamente, e os dois se desejam. Só tem um problema: Miles se fechou para o amor. O que ele pode oferecer é sexo e só isso, e Tate está contente em ter a companhia e o calor dele. Miles coloca duas regras no relacionamento: não pergunte sobre o seu passado e não espere um futuro. E está tudo bem até que Tate percebe o quanto é inevitável amar aquele homem misterioso.

Eu.
Não.
Gostei.
Tanto.
Quanto.
Prometeram.

Algumas vezes seguir em frente é o único jeito de se mover.
Falei assim porque um dos artifícios da narrativa é utilizar frases curtas durante os flashbacks explicando o passado do Miles, os motivos pelos quais ele se fechou para o amor. E não convenceram. O Miles de antes era, de fato, mais radiante, mais aberto, extremamente amoroso, mas a escrita mecânica não te passa essas sensações. Eu queria pular os capítulos dele em vários momentos, mas só continuei porque estava curiosa a respeito da tragédia em seu passado. E quando a história me contou, eu não tinha o mínimo de empatia por nada do passado dele para me importar. Ele entrou pra listinha de "babacas que justificam babaquice com o passado sombrio". Aquela mesma listinha em que só tem macho idiota que eu gostaria de socar a cara.
O amor nem sempre é bonito, Tate.
Sabe quando você sente que pode ser tão mais? Quando você lê os personagens e suas histórias e sabe que um mínimo detalhe poderia ter feito a diferença? É difícil de explicar a decepção, mas é assim que eu me sinto. Em alguns poucos pontos, o livro foi uma surpresa. Em outros, eu queria berrar de raiva.

Tate é uma protagonista muito insossa. Seus momentos com o Miles, até a metade do livro, são ok. Ele é um cara bonito, tem a atração irresistível, com cenas quentes. Eles têm uma química e, enquanto o ponto de vista do passado é chato, o do presente é passável. Longe do Miles, a Tate tem presença e atitude. Até perceber que se apaixonou; ai ela desce uma ladeira que me fez querer chorar sangue em vários momentos. Tate engole muito sapo por causa do Miles e do "passado sombrio" dele, o típico clichê de "fiz babaquice, mas sou sofrido pela vida, me perdoa?". Eu fiquei extremamente incomodada com uma cena em especial, independente do consenso entre os dois. Foi abuso, meu anjo. Foi estupro. O emocional da Tate foi violentado. MILES, VOCÊ É UM GRANDE BABACA!

A diferença entre o lado feio do amor e o lado bonito do amor é que o lado bonito é muito mais leve. Faz você se sentir como se estivesse flutuando. Ele levanta você. Carrega você.

Quando os dois se aproximam, Tate tenta entender o cara com quem está se relacionando. Mesmo com o acordo e as regras, ela não consegue escapar dos olhares e dos sorrisos e da óbvia noção de que, apesar da fuga, Miles pode amá-la. Que ele se esconde por medo e que essa covardia é o que freia qualquer possibilidade de emoção real; nos dois grandes conflitos entre eles, eu queria que Tate tivesse gritado maiores verdades para Miles, mas ela se segurava por temer machucá-lo, sem perceber que estava saindo muito mais machucada do que ele. Isso, em livros de romance, já deu para mim. Cansei de ler o mocinho frio fugindo de sentimentos e a garota que sente demais e esconde muito bem, só para ter a presença dele um pouco mais.

Tudo é Miles. É assim que uma pessoa desenvolve atração por alguém. Ele está longe, então de repente ele está em todo lugar, quer você queira ou não.
O drama prometido não me cativou, mas o casal foi enérgico e teve suas cenas divertidas. Miles foi dois personagens em um, mas não do jeito bom.

E, de novo, preciso dizer o quanto a composição desses dois protagonistas foi insossa. O Miles e aquela promessa de homem "sofria agora sou fria" que pelo amor da deusa, eu só queria tacar uma tijolada na cara. Passado doloroso não justifica presente escroto, fica aí a dica pra garotada. E a Tate que podia ter sido uma protagonista diferente e acabou um mix de todas as mocinhas submissas dispostas a se quebrar por um macho.
Não, Miles. Eu o sigo. É assim conosco. Você é sólido, eu sou líquido. Você é parte da água, eu sou seu despertar.
Como minha primeira leitura da Colleen, rolou uma baita decepção. É uma história de amor bagunçada, como prometida.

Título Original: Ugly Love
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Gênero: New Adult
Nota: 2

Saiba Mais: Skoob | Saraiva

Share this:

, , , ,

COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Oiii Denise

    Da Colleen só li um livro, Um Caso Perdido, e até que gostei apesar de notar que a autora adora recorrer a um clichê. O Lado feio do amor não me chama a atenção, sempre me passou a impressão de ser excessivamente carregado de drama e agora com a sua resenha estou mais segura ainda de que não é meu tipo de livro.
    Pena que tb pra ti rolou uma decepção, espero que os próximos livros da autora na sua estante te surpreenda mais.

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com.ar

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Alice!
      Eu tenho Um Caso Perdido aqui pra ler, e Novembro 9. Eu adoro um bom clichê, mas a autora tem que saber trabalhar ele muito bem pra não ficar só mais do mesmo - o que não foi o caso de O Lado Feio do Amor T_T
      Também espero que algum próximo da Colleen dê certo, vou tentar ler esse que você indicou!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

      Excluir
  2. HAHAHAHAHA eu tenho a mesma opinião que você sobre o livro. Foi me vendido com promessas de ser O livro, mas eu não achei tudo isso que falam não. Nenhum pouco! Pelo tanto que falavam minhas espectativas estavam muito altas, acho que por isso me decepcionei tanto.

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!