Resenha: Suicidas - Queria Estar Lendo

Resenha: Suicidas

Resenha: Suicidas

Suicidas é o primeiro livro publicado pelo meu queridinho Raphael Montes, ele foi relançado pela Companhia das Letras neste ano de 2017 e a editora fez a gentileza de nos ceder um exemplar para resenha dessa história sobre nove jovens que se juntaram em um porão para jogar roleta-russa.
Sinopse: O PRIMEIRO ROMANCE DO JOVEM AUTOR QUE SE FIRMOU COMO PRINCIPAL NOME DO NOVO SUSPENSE BRASILEIRO.Antes que o mundo pudesse sonhar com o terrível jogo da baleia azul, que leva jovens a tirara própria vida, ou que a série de televisão 13 Reasons Why fosse lançada e se tornasse o sucesso que é hoje, Raphael Montes, então com 22 anos,já tratava do tema do suicídio entre jovens, com a ousadia que virou sua marca registrada. Em seu primeiro livro, que a Companhia das Letras agora relança acrescido de um novo capítulo, conhecemos a história de Alê e seus colegas, jovens da elite carioca encontra dos mortos no porão do sítio de um deles em condições misteriosas que indicam que os nove amigos participaram de um perigoso e fatídico jogo de roleta russa. Aos que ficaram, resta tentar descobrir o que teria levado aqueles adolescentes, aparentemente felizes e privilegiados, a tirar a própria vida. Para isso, contamos com os escritos deixados por Alê, um narrador nada confiável.
O livro começa pela narrativa em primeira pessoa de Alessandro, que está escrevendo um livro onde narra os acontecimentos em tempo real enquanto ele e mais oito amigos se encaminham para a Cyrille's House, onde eles vão jogar roleta-russa até que nenhum deles sobreviva para contar a história. O segundo ponto de vista do livro também é sob a perspectiva de Alessandro, desta vez com escritos que foram encontrados em seus diários relatando tudo o que acontecia em sua vida. E, por fim, a gravação de uma reunião realizada com uma delegada e as setes mães dos jovens que morreram naquele porão um ano antes.
Há mais famosos mortos do que vivos. A morte traz fama e reconhecimento. Quando eu morrer, vão querer saber o que aconteceu aqui, e meu trabalho será reconhecido... espero.
A história vai sendo contada através destas três perspectivas, apresentando os personagens ao leitor e oferecendo vislumbres dos fatos que ocorreram e que acabaram por levar aqueles nove jovens a atitudes tão extremas. Embora todos os personagens tenham sua importância, o destaque da história fica com Alessandro e Zak, o primeiro por ser o narrador e o segundo por ser melhor amigo deste, e líder natural do grupo. É impossível desenvolver comentários mais aprofundados sobre a trama sem correr o risco de esbarrar em alguns spoilers, portanto, basta dizer que o livro se trata da reconstituição dos dias anteriores ao suicídio coletivo até poucos minutos do momento final.

Resenha: Suicidas

Sou uma apaixonada pelo Raphael Montes desde o primeiro momento que tive Dias Perfeitos em mãos, leia resenha aqui, e sua ousadia na escrita sempre me encantou. Aqui, em Suicidas, fica clara que essa ousadia também está presente, ainda que em doses mais leves. É fato que o livro, em si, é pesado. E não o recomendo se você tiver qualquer gatilho emocional relacionado a: suicídio, homofobia, gordofobia, estupro e até mesmo necrofilia.

O que me intriga quanto ao livro é que ainda seja obviamente uma história típica do Montes, ela parece se apresentar de maneira mais discreta. Foi escrita para chocar e atordoar os leitores, é fato, mas falta nela o carisma meio diabólico que é tão característico do autor, que te convida a chafurdar na lama junto com seus personagens. Em Suicidas mantive uma distância fria, quase robótica, dos personagens e da história, sem conseguir me envolver e de fato me importar com o que estava acontecendo. Talvez por ser seu romance de estreia ele estivesse ainda aprimorando suas técnicas que depois me surpreenderiam como em Dias Perfeitos e no terrivelmente delicioso Jantar Secreto.
Cometer suicídio é como se tornar um deus por alguns segundos.
Afora o distanciamento para com a história e a ausência da presença marcante dos traços do autor, outros dois problemas pesaram a minha leitura. O primeiro deles foi o tamanho do livro, que poderia facilmente perder umas 100 páginas sem que comprometesse a história sendo contando. O segundo é o número excessivo de personagens, compreendo a necessidades deles, é claro, mas confesso que próximo a página 70 tive de pegar um bloquinho de anotações e começar a escrever os nomes, principalmente na parte referente a gravação com as mães, para entender quem era mãe de quem e o que aquilo significava para a história sendo contada. Por falar no núcleo das mães, esse definitivamente foi o ponto mais fraco do livro.

O final da história nos revela mais um artifício clássico do Raphael Montes, e já é o segundo livro dele que eu leio e acerto determinados plot twists, o que me faz questionar se não estaria Montes sendo um novo Dan Brown e fazendo uso de certas fórmulas. E isso não é uma crítica, longe de mim, amo a escrita dos dois.
A morte é apenas uma das formas desta triste partida. Existem outras. Piores.
Suicidas é uma leitura que se estende, densa mas intrigante. Pode não vir a ser o melhor livro de Raphael Montes, mas é um livro dele, o que já garante certo selo de qualidade.

Título original: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Romance Policial
Nota: 3,5

Saiba mais: Skoob

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COMENTÁRIOS

20 comentários:

  1. Nunca li nada do Montes, mas pelo que você falou, a escrita parece ser bem envolvente..

    http://www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Monique, o Montes é um dos meus autores favoritos. A escrita dele é maravilhosa, vale muito a leitura!

      Att.,
      Eduarda Henker

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  2. Olá, Eduarda.
    Eu só li um livro do autor até agora, O Vilarejo e amei o livro. Tenho Jantar Secreto aqui e assim que der eu vou ler. Mas já vi que o autor gosta de chocar mesmo. Achei O Vilarejo bem forte em algumas cenas e fiquei com o estomago revirado. E pelo jeito esse segue na mesma linha. Mas ainda assim é um livor que me interessa. Eu não me importo com autores que seguem a mesmo formula, porque quando a gente gosta quer ler mais naquele estilo hehe.

    Prefácio

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    1. Oi Sil,
      eu também amei O Vilarejo, isso que eu tava receosa quando li pois não costumo gostar de contos. O Rafael tem esse estilo próprio que é maravilhoso e deixa a gente querendo sempre ler mais, é impressionante. Quanto a Jantar Secreto, é uma ótima história, mas tu precisa ter um estômago forte para certas cenas e estar preparada, porque ele vai mexer com a tua cabeça, hahahaha.

      Att.,
      Eduarda Henker

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  3. Olá, Eduarda. Eu nunca li nada do autor mas recebi esse livro na caixinha do Skoob e ainda não li. Achei o enredo pesado, até porque conheci uma pessoa que morreu brincando disso, e também porque não estou familiarizada com o autor, então não me senti muito cativada. Talvez por não ter lido nada do autor, eu gostei mais desse livro do que você, quem sabe.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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    1. Oi Miriã,
      pois é o livro pode ser complicado para algumas pessoas dado o seu enredo. Suicidas é um bom livro, mas como disse não é o melhor dele. Para quem é virgem de Raphael Montes eu sempre indico que comecem por Dias Perfeitos, é o livro ideal para conhecer o autor!

      Att.,
      Eduarda Henker

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  4. Oii Eduarda, tudo bem? Nunca li nada do autor, mas só vejo comentários positivos com relação aos livros dele, pretendo ler algo dele esse ano até pq é autor nacional e quero ler mais nacionais.
    - Beijos,Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br/

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    1. Oii Carol,
      eu realmente amo os livros do Raphael e super indico eles. Se tu for mesmo iniciar nas obras dele, recomendo Dias Perfeitos como leitura inicial.

      Att.,
      Eduarda Henker

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  5. Oi Eduarda! O problema de quando o autor acerta numa fórmula ele tende a repeti-la, né? Eu não li ainda nada dele, mas é bom saber do distanciamento com os personagens e história para alinhar as expectativas!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oii Mi,
      pois é, eu nem to reclamando da "fórmula" (ou seria mais estilo mesmo?) não, por sinal eu adoro, hahaha. É só que na hora de fazer uns plot twists eu consigo acabar adivinhando o que vai rolar, hahahaha

      Att.,
      Eduarda Henker

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  6. Oi! Como disse o enredo é envolvente e forte, eu particularmente não gosto de ler histórias com essa temática. Mas, para quem curti, a obra parece ser boa. Bjos ❤

    Click Literário

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    1. Oii,
      é infelizmente o livro não é pra todo mundo, muita gente pode se incomodar. Mas quem curte o estilo com certeza ama os livros do Montes.

      Att.,
      Eduarda Henker

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  7. Oi Eduarda!
    A história do livro parece ser tensa mas ao mesmo tempo cansativa... Eu também tenho dificuldade quando tem um monte de personagens, me perco!

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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    1. Oi Sora,
      pois é, tive alguns problemas com a leitura. Mas amo os livros do Montes, ele é muito criativo e ótimo autor!

      Att.,
      Eduarda Henker

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  8. Oi, Eduarda!
    Menina, só li O Vilarejo e gostei muito. Eu quero ler esse, mas não sabia que era quase um GoT da vida com esse bando de personagem.
    Gente e esse bando de gatilho? Nunca imaginei
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi Lu,
      ah se tu leu O Vilarejo então já sabe do talento do moço. HAHAHA, nesse livro tem muito personagem mesmo e tem tanta morte quanto GOT, já que é uma roleta russa. :P
      Te indico ler Dias Perfeitos antes, porque é um dos melhores dele!

      Att.,
      Eduarda Henker

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  9. Oi Eduarda,
    Esse é um tema nada comum na minha estante. Mas eu já li um livro do Raphael e gostei. Talvez me arriscasse nesse, ou talvez eu vá para aquele 'Jantar Secreto'. Qual você acha que vou gostar mais?
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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    1. Oi Ale,
      depende de qual livro dele tu leu. Se foi O Vilarejo, então tu já deve estar mais preparada para encarar Jantar Secreto. Mas mesmo que tenha sido Dias Perfeitos, ainda te indico ir para Jantar Secreto pois a escrita dele é primorosa ali, apesar do tema totalmente pesado e contraditório.

      Att.,
      Eduarda Henker

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  10. Oi, Eduarda!
    Adorei a sua resenha! Eu também me apaixonei pela escrita do Raphael com Dias Perfeitos e, embora Jantar Secreto seja pesado, a obra consegue entreter e manter o leitor preso do início ao fim. Comecei a ler Suicidas esperando ter a mesma experiência, e acabei largando nas 100 primeiras páginas porque não via a leitura fluindo, fora que também não consegui me envolver com os personagens e a realidade vivida por eles. Talvez eu não estivesse num bom momento pra aquela leitura em especial, então vou dar uma segunda chance, mas provavelmente vou acabar tendo a mesma opinião que a sua com o livro.

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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    1. Oi Carol,
      concordo totalmente contigo no que diz respeito a Jantar Secreto, a escrita do Montes é tão viciante nele que consegue aliviar o peso da temática. Quanto a Suicidas, eu recomendo tu fazer o mesmo procedimento que eu e ir anotando os nomes das mães e tentando associar com os dos jovens. Na verdade foi esse "jogo" de descobrir quem é quem que me levou pelas 150 páginas iniciais, fazendo eu me envolver de alguma forma com a história. Mas tenta dar outra chance ao livro sim, embora não se equipare aos outros é muito interessante acompanhar o que foi o início da carreira do autor, e identificar traços e estilos que a gente percebe tão bem desenvolvidos nos outros livros.

      Att.,
      Eduarda Henker

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