QEL Entrevista #2 Jorge Castro - Queria Estar Lendo

QEL Entrevista #2 Jorge Castro


1) Vamos começar com a apresentação básica aos leitores e leitoras do blog: em poucas palavras, quem é Jorge?

Eita, socorro, eu não sei. Acho que é alguém surtado capaz de passar o dia inteiro assistindo desenhos animados e aberturas de desenhos animados antigos. Dá pra me definir em picos de alegria e de tristeza e amor por lontras, basicamente. Jorge é trouxa e acredita em amor ao estilo HSM e, ao mesmo tempo, acredita que tudo não passa de um grande acaso porque todo mundo vai morrer um dia e nada do que acontece no mundo inteiro faz sentido algum. Acho que dá pra perceber esse medinho do futuro nos meus personagens, porque coitados, né.

2) Você tem histórias tanto na área da Fantasia quanto na parte Contemporânea. Fala um pouquinho pra gente sobre as diferenças entre compor esses universos tão distintos – mas que, no cerne, acabam sendo semelhantes, porque é sempre “sobre os personagens”. Só muda o fato de ter ou não bruxas.

Eu acho que a diferença é que, quando você trabalha em uma fantasia, você tem muito mais coisa pra pensar antes de começar a escrever a história. São sistemas de magia e relações entre as raças e classes e armas e monstros, e isso toma tempo e disposição e as vezes é bem irritante de fazer. Mas uma história contemporânea também não fica muito atrás, principalmente quando você cria uma cidade fictícia e precisa pensar em como as coisas funcionam ali.

Eu sempre gostei muito de dar atenção ao emocional e aos relacionamentos dos personagens, às reações deles com o que há ao redor e na forma como eles veem as pessoas que conhecem, então é realmente essencial construir o mundo antes de começar a narrativa. Isso funciona da mesma forma tanto na fantasia quanto fora dela (pra mim, pelo menos), porque de qualquer forma você precisa conhecer aquela realidade tanto quanto o narrador da história.

3) No Meu Lugar tem uma narrativa bem pesada e equilibrada. Acompanhar os pensamentos do Pedro é incômodo, ao mesmo tempo em que cria aquele laço de empatia bem poderoso com o protagonista. A pergunta, no entanto, é sobre os coadjuvantes da obra. Como foi a composição deles? São diversos tipos de personalidades para compor um “background” bem rico ao redor do seu principal; você sabia para onde queria ir com cada um dos personagens? Ou alguns ganharam vida e tom diferentes do esperado?

No Meu Lugar saiu de um limbo da minha imaginação, até hoje não sei direito como essa história nasceu – e isso inclui os personagens; O primeiro capítulo do livro tem trechos de Como Nossos Pais, música cantada pela Elis Regina, e isso não foi proposital. A música tá no livro porque eu escrevi enquanto a ouvia, e foi ela que fez a minha mente criar Porto Girassol e todos os habitantes dela.

O Pedro e o Guilherme vieram do nada e todos os amigos deles nasceram junto. O único trabalho que tive foi o de parar a escrita depois de terminar o capítulo e lapidar direitinho aquela realidade. Tenho um caderno onde defini a linha temporal de tudo o que aconteceria na história e do que já tinha acontecido antes do primeiro parágrafo, e foi a partir daí que comecei a conhecer essas pessoas.



4) Eu sou apaixonada pelo Guilherme e você sabe! Gosto muito dessa coisa de primeira pessoa nos livros porque acaba criando um mistério sobre os coadjuvantes. A gente nunca realmente sabe o que eles são e o que estão sentindo, então queria saber um pouco mais sobre o Gui. É difícil escrevê-lo sobre o ponto de vista do Pedro? Ou é muito mais fácil estar observando o Guilherme do que, quem sabe, estar na cabeça dele?

É difícil escrever pelos olhos do Pedro porque o Pedro não tá no melhor momento dele, e a depressão muda a forma como a gente processa as coisas. Com o Guilherme não foi diferente. O Gui é extremamente fiel e tem aquele anjinho nos ombros que faz ele querer superproteger as pessoas que ama (isso é um ponto em comum que ele tem com a Lara, a diferença é que o Guilherme é um Golden retriever e a Lara é uma leoa protegendo os filhotinhos). Ele nunca abandonaria o Pedro, mas o Pedro não sabe disso, e a parte mais difícil foi essa: saber que os dois são leais um ao outro e, mesmo assim, ver que o medo deles é crescente a cada página.

5) Aproveita e fala um pouquinho sobre o desenvolvimento do ship! A gente ama e vive por um slow burn, e dá pra dizer que os meninos se encaixam perfeitamente nesse tipo de casal. A dinâmica foi fácil de criar? Ou, tal como é difícil para o Pedro, foi difícil estabelecer essa conexão entre eles, colocá-los em sintonia para daí a faísca de atração e dos flertes se intensificar?

EU AMO UM SLOWBURN QUE ME DÁ VONTADE DE SOCAR OS DOIS GRRR. Foi bem fácil fazer os dois interagirem porque eles funcionam melhor do que a minha escrita, se isso fizer algum sentido. Eles já eram amigos antes da história começar e o Gui já sentia coisas fortes pelo Pedro, então as conversas entre os dois fluíam fácil na minha cabeça.

Eu gostei muito de fazer eles sofrerem por não saberem se podiam investir na relação, porque eu sou uma pessoa horrível E VOU TOTALMENTE FAZER ISSO DE NOVO ATÉ NÃO PODER MAIS E ALGUÉM TENTAR ME SOCAR POR SER TÃO ESTÚPIDO COM OS MEUS SHIPPS. Eu gosto da tensão sexual que fica quando os personagens se recusam a perceber que há uma tensão sexual, e o Pedro é meio taradinho, então tudo ficou bem maravilhoso, obrigado.

6) Podemos esperar encontrar os meninos em mais alguma história? Ou já tivemos tudo deles?

Ah, eu não quero fazer uma espécie de “No Meu Lugar 2” porque sinto que o Pedro já disse tudo o que queria dizer. A história dele teve um começo, meio e fim, e a forma como ele se despediu de mim me deixou bem satisfeito. MAS eu definitivamente não terminei de construir o universo de Porto Girassol, e existem outros personagens que vão ganhar uma história própria – eu tô falando com você, Carla, te amo.

Minha próxima história se passa no mesmo universo de No Meu Lugar, tendo capítulos narrados em Porto Girassol e outros narrados em Bela Alma, uma cidade vizinha que foi palco do conto “Natal em Bela Alma”, já ná Amazon (comprem por favor, o miojo tá caro). Além disso, há boatos de que existe uma outra saga, de outra autora, que se passa no mesmo universo de No Meu Lugar, e que há um conto unindo essas realidades pronto para ser escrito assim que a Denise parar de me enrolar (diz pra Lílian que o Pedro mandou um beijo)

7) Qual personagem foi mais fácil de escrever até agora? E o mais difícil?
A Carla foi a mais fácil de todas. Ela já surgiu na minha mente praticamente pronta e tem uma voz bem realista na minha mente. Eu baseei parte da personalidade dela em uma amiga que tinha na faculdade, então acabou que eu só precisava pensar nela na hora de escrever, e isso facilitou muito.

O mais difícil foi o Pedro, principalmente porque as crises que ele tinha eram crises reais que eu tinha durante o processo de escrita, e as vezes eu precisava fechar o arquivo do livro e esquecer que aquilo existia até que o Pedro parasse de ser um gatilho pra mim – porque sim, isso aconteceu.

O Pedro tem muitas partes minhas, e era bem complicado colocar algumas coisas para fora. Isso atrasou bastante o tempo de escrita (e estressou alguns amigos meus que não aguentavam mais me ouvir reclamando sobre os bloqueios de escrita quase semanais rs), mas no fim, gostei de como ficou.

8) O que podemos esperar do Jorge para o futuro?

Continuo na vibe dos Young e New Adults, então acho que vou ficar nessa onda por algum tempo. Já disse ali em cima que meu próximo projeto é uma extensão do universo de Porto Girassol, e é um mundo (na verdade, dois mundos, risos) que eu tô amando montar. Espero que dê certo e que faça sucesso, porque eu preciso de verdade comprar miojo (brincadeira)

Perguntas rapidinhas:

- O que você está lendo agora: Com Amor, Simon – Becky Albertalli

- Autor(a) favorito(a) do momento: Rainbow Rowell

- Série favorita do momento: Doctor Who, sempre

- Escolha um personagem seu pra matar e outro pra salvar: Ah, pronto. Que tipo de brincadeira é essa, querida? Salva o Guilherme pois é um bolinho fofo. Mata o Caio (sinto muito).

- É seu aniversário, pra qual dos seus personagens vai o primeiro pedaço do bolo: Vai pro Pedro, meu guerreirinho que não desistiu <3

Compre os livros:

No Meu Lugar | Natal em Bela Alma (conto) | A Pistoleira

Share this:

, , , , ,

COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Olá, meninas.

    Socorro, e esse autor que eu não conhecia e já considero pacas? Hahahaha
    Já começou falando que é surtado, é dos meus!
    Já começou bem tendo sido.inspirado por Elis, é diva que fala?
    E eu ri aqui com ele falando que tem vontade de socar os personagens... eu também sou dessas que fica meio violenta, estilo Felícia, quando o afeto extrapola níveis aceitáveis! Hahahahaha

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

    ResponderExcluir
  2. Oi Meninas,

    Adorei a entrevista com autor, achei ele super para cima rsrs.
    Não conhecia suas obras, vou procurar saber mais.
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!