Resenha: Nevernight

  • 09:00
  • 25.4.19
  • Resenha: Nevernight

    Nevernight é o primeiro volume da trilogia Crônicas da Quasinoite, do autor Jay Kristoff. Publicado no Brasil pela Editora Plataforma21, é uma fantasia pra lá de tensa e sombria que acompanha uma garota determinada a buscar vingança.


    Sinopse: Há histórias sobre Mia Corvere, nem todas verdadeiras. Alguns a chamam de Moça Branca. Ou a Faz-Rei. Ou o Corvo. A matadora de matadores. Mas, uma coisa é certa, você deveria temê-la. Quando ela era criança, Darius Corvere – seu pai – foi acusado de insurreição contra a República de Itreya. Mia estava presente quando o carrasco puxou a alavanca, viu o rosto do pai se arroxeando e seus pés dançando à procura do chão, enquanto os cidadãos de Godsgrave gritavam “traidor, traidor, traidor”... No mesmo dia, viu a mãe e o irmão caçula serem presos em nome de Aa, o Deus da Luz. E, embora os três sóis daquela terra não permitam que anoiteça por completo, uma escuridão digna de trevas tomou conta da menina. As sombras nunca mais a largaram. Mia, agora com dezesseis anos, não se esqueceu daqueles que destruíram sua família. Deseja tirar a vida de todos eles. É por isso que ela quer se tornar uma serva da Igreja Vermelha – o mais mortal rebanho de assassinos de toda a República. O treinamento será árduo. Os professores não terão misericórdia. Não há espaço para amor ou amizade. Seus colegas e as provas poderão matá-la. Mas, se sobreviver até a iniciação, se for escolhida por Nossa Senhora do Bendito Assassinato… O maior massacre do qual se terá notícia poderá acontecer. Mia vai se vingar.

    Mia Corvere perdeu tudo. Seus pais, o legado, o renome. Ela sobreviveu porque a escuridão a abraçou e protegeu e, depois disso, ela jurou que vingaria sua família pela tragédia que recaíra sobre eles; três homens. São eles que Mia quer caçar. Três nomes grandiosos do governo responsáveis por sua ruína. Para alcançá-los, ela sabe que precisa se tornar mais do que uma sombra - e é para isso que Mia procura a Igreja Vermelha.

    Os servos da Morte são os assassinos mais perigosos e mortíferos e qualificados para uma caçada como a que a garota pretende seguir - mas, para se tornar um deles, precisará de mais do que sua lábia e habilidades. Precisará se embrenhar nas sombras de uma montanha, onde a escuridão repousa, e treinar ao lado de outros que buscam o mesmo que ela; sangue e glória e servir à Nossa Senhora do Bendito Assassinato.


    - Os livros que amamos nos amam de volta. [...] Você é uma filha das palavras. Uma garota com uma história para contar.

    O quanto essa história me fisgou não está no papel. Eu já esperava um livro grandioso, mas Nevernight se mostrou muito mais do que isso; o universo é cheio de horror e sombras, cheio de desgraça e medo. É um mundo terrível e, por isso, tão fascinante dentro de todo esse terror.


    Resenha: Nevernight

    Jay consegue construir uma atmosfera crível dentro da caçada de Mia por vingança. Ele nos apresenta uma protagonista carismática, cheia de sarcasmo e de uma presença brilhante - ao mesmo tempo em que nos fala sobre sua escuridão e sobre como a instabilidade dela pode levar Mia para caminhos pouco parecidos com finais felizes. Convenhamos, se tem uma história pra acabar em morte e sangue, é essa.


    - Sangue é sangue, amor. Porcos. Mendigos. Bois. Reis. Não faz diferença para Nossa Senhora. Todos mancham igual. E são lavados do mesmo jeito.

    A construção e desconstrução da personagem principal tornam essa jornada de 600 páginas uma aventura sem fim. Mia é surpreendente em todos os seus melhores momentos e conseguiu me deixar caída no chão em completo choque durante vários deles; ela é destemida e perigosa e mortífera, mas ainda tem essa pequena faísca de luz e esperança e amor que luta para se equilibrar com tanta penumbra.

    Seu companheiro fiel - e um dos melhores personagens, a meu ver - é o Sr. Simpático. Um não-gato que segue, literalmente, a sombra da garota, sendo ele parte dela, e tem os comentários mais afiados para os momentos mais oportunos. Junto a Mia, eles formam uma dupla interessante de acompanhar.


    Resenha: Nevernight

    Uma vez na Igreja Vermelha, Jay expande o seu já glorioso universo medonho para um novo patamar, tratando da organização dos assassinos como um mundo a parte daquele em que Mia vivia até então; todas as regras, lições, desafios, detalhes, é tudo minuciosamente apresentado e delineado pela narrativa brilhante do autor. E eu preciso dizer, como fã de Skyrim, que se esse homem não jogou a quest da Irmandade Sombria então ele viveu um insight com os criadores do jogo, porque é MUITA inspiração.


    -... não controle a escuridão ao seu redor... controle a escuridão dentro de você...

    Não só dos assassinos, mas de todo o mundo. Tudo é tão bem estabelecido que é verossímil; o sistema político, as divisões de classes, as histórias sobre o passado das cidades e do continente, as religiões e os reinos esquecidos. O livro conta com notas de rodapé onde o narrador onisciente usa seu conhecimento para explicar curiosidades da realidade dos personagens - e, para mim, tornou tudo mais interessante de acompanhar.

    Junto aos assassinos, Mia conhece aliados e inimigos e potenciais pedras no seu sapato; meus favoritos foram Ash e Tric - a garota de mão leve com sorriso fácil e presença marcante e o rapaz responsável por fazer aquela faísca de luz cintilar no peito da protagonista. Ash, aliás, foi uma das minhas maiores surpresas dentro da história toda. Desde o seu relacionamento com a Mia até suas missões e desafios individuais.

    - Quanto mais brilhante a luz, mais profunda a sombra.

    As cenas de ação e de intriga pontuam muito bem o livro. Onde ele é parado, logo em seguida entrega um momento carregado de tensão e adrenalina. Onde a ação e o suspense se desenvolvem juntos, a sequência apresenta uma cena mais afável e carregada em calmaria.

    Foram 600 páginas de puro AI MEU DEUS DO CÉU ESSE UNIVERSO É MINHA NOVA RELIGIÃO! e eu não regreto nada.


    Resenha: Nevernight

    Meu único problema com a edição da Plataforma21 são essas páginas brancas que AH, por quê? Todo o resto - desde a tradução até a diagramação e adaptações de nomes dentro da tradução - está impecável. Eu adorei o trabalho que a editora colocou pra trazer esse universo para cá - e essa capa, bom Deus. É GLORIOSA!


    "Ferro ou vidro?", perguntaram. Ela não era nenhum dos dois. Ela era aço.

    Nevernight foi um chute nas minhas emoções e me colocou numa espiral de paixão por um mundo fantástico que vai ser difícil de sair. Com um final de cair o queixo e de prometer grandes reviravoltas desesperadoras para a sequência, eu só posso garantir que vou acompanhar essa trilogia até o fim com todo o meu coração.

    Título: Nevernight
    Autora: Jay Kristoff
    Editora: Plataforma21
    Tradutora: Clemente Pereira
    Gênero: Fantasia
    Nota: 5
    Skoob


    1. Oi Nizz!
      Eu comecei mas parei pq acabei passando outros na frente, mas no meu recesso de maio quero pegar de novo e dessa vez terminar. Espero conseguir.

      Abraços
      David
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com

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    2. Oi Denise! Que edição bonita!! Gostei da construção e desconstrução do protagonista que vc cita, acho que isso sempre deixa a história mais rica e interessante. De fato, parece uma ótima leitura e um incrível universo.

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    3. Oi, Nizz!!
      Eu sabia que a minha mulher Mia Corvere não ia te decepcionar!! Estava louca por essa resenha, então ESTE MOMENTO É MEU, SOCIEDADE!!!!
      Jay Kristoff se tornou o único macho na minha vida que sabe realmente escrever uma protagonista feminina decente, sem cair nos clichês e fetiches da vida.
      Doida pra saber tua opinião sobre Godsgrave.
      Beijos
      Balaio de Babados

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    4. Oi Denise, tudo bem? Nevernight ❤❤❤
      Quando eu li foi mais por curiosidade por todas as resenhas que enalteciam a história, mas também não estava preparada para ficar "AI SENHOR, QUE HISTÓRIA, AI AI AI, NÃO AGUENTO, ISSO AQUI É O ÁPICE", hahaha!
      Eu li no Kindle, me desanimei quando vi as páginas brancas da edição impressa, mas gostaria de ter só pela capa master maravilhosa!
      Não vejo a hora de ler a sequencia e nem imagino o que Jay preparou para os leitores, vai ser bombástico, com certeza!
      Beijos, Adri
      Espiral de Livros

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    5. Olá, Denise.
      Eu sempre vejo a Luiza elogiando esse livro e até já ensaiei para comprar ele. Mas o preço não ajuda hehe. Mas um dia vou comprar porque já amo essa capa e a história parece ser incrível. Que pena isso das folhas brancas. Quem publica folhas brancas hoje em dia?

      Prefácio

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    6. Oi, Denise! Eu não gosto de livros do tipo mas adicionei esse livro a minha lista de desejados porque todo mundo fala coisas maravilhosas sobre ele e eu estou muito curiosa! Espero gostar tanto quanto você.
      Beijo

      http://www.capitulotreze.com.br/

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