Resenha: A Criatura

  • 09:00
  • 18 de fev. de 2020
  • Resenha: A Criatura

    Um dos mais recentes lançamentos de Andrew Pyper, considerado um dos maiores nomes do terror atual, A Criatura mistura ficção científica e horror em suas formas mais clássicas, apresentando um monstro e a busca de uma mulher por respostas em relação ao seu envolvimento com a monstruosidade.

    Sinopse: A Criatura é muito mais do que uma homenagem aos mestres do passado. Sua narrativa costura elementos de thriller policial e terror psicológico com forças sobrenaturais além de nossa compreensão. O mal se apresenta em diversas formas, e ele pode estar vigiando o seu lar neste exato momento. A história se inicia quando a dra. Lily Dominick, uma psiquiatra forense, precisa avaliar a sanidade de um criminoso. Só que este não é o típico psicopata com quem ela está acostumada a lidar. Há algo diferente neste homem. Algo mágico, sinistro e íntimo, que, de alguma maneira, parece conectado com sua infância, no Alasca. Quando tinha apenas seis anos, sua mãe morreu de forma brutal e misteriosa. Ao contrário do que concluiu a polícia na época, ela sabe que o responsável não foi um urso faminto. Entre lembranças imprecisas e pesadelos constantes, Lily esconde uma certeza: quem matou sua mãe foi... um monstro real. Com dois protagonistas que vivem a dinâmica combativa e fascinante de Clarice Starling e Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, A Criatura envereda o leitor por um manicômio abandonado em Budapeste, um teatro vazio no West End de Londres e até mesmo uma cela subterrânea na Romênia. Tudo isso numa narrativa que não deixa o leitor largar o livro por nada — nem ao menos um monstro — nesse mundo.

    A trama acompanha Lily, uma psiquiatra trabalhando em uma clínica especializada em criminosos mentalmente instáveis. Certo dia, ela confronta um novo paciente que parece ter respostas que ela não sabia que procurava; respostas a respeito do seu passado sombrio.

    Lily é uma mulher atormentada pelas lacunas do seu passado. Sua mãe foi assassinada por um monstro - pelo menos é isso que sua mente infantil tirou daquela cena. E, de alguma maneira, Lily foi poupada do mesmo destino; o motivo? O paciente pode responder.

    Resenha: A Criatura

    Cedido em cortesia pela editora DarkSide, A Criatura tem pontos-chave bastante parecidos com os clássicos que inspiraram a obra. Frankenstein, O Médico e o Monstro e Drácula são títulos que se fazem presentes na história - não só como inspiração, mas participando ativamente da construção da criatura que persegue nossa protagonista.

    Andrew Pyper não apenas bebe da fonte desses mestres pioneiros do terror e da ficção científica como também mexe com suas histórias - ponto aqui que me deixou bastante incomodada. Apesar de entender o motivo, ver a história alterando o passado que deu origem aos clássicos e fez de Shelley, Stevenson e Stoker as figuras que são hoje me deu a sensação de... Petulância. E não foi uma petulância boa.

    Ela foi acordada pelo monstro que batia à porta.

    A narrativa é bem rápida e cheia de energia; o autor certamente sabe usar a tensão e a falta de respostas, a confusão na mente da protagonista em relação ao seu passado e ao seu trabalho (uma vez que criminosos mentalmente instáveis são sua especialidade, e ela não é mulher de acreditar em qualquer um que se diga um monstro imortal verdadeiro) são obstáculos em sua jornada por respostas.

    Conforme sua proximidade com a criatura aumenta, no entanto, e dúvidas começam a ser resolvidas, mais e mais Lily se vê infiltrada numa trama que envolve o sobrenatural e o macabro e não um delírio psicótico do homem que que se diz intocado pelo tempo.

    Resenha: A Criatura

    Sua relação com a criatura até tenta, mas passa longe de evocar a mesma intensidade dos três clássicos que inspiraram o título. Talvez por faltar personalidade a Lily - ela não soa verossímil, mais um fantoche assustado do que uma mulher amedrontada em busca de respostas - ou até mesmo na criatura.

    Enquanto Frankenstein nos enchia de empatia e dúvidas, o monstro aqui é caricato e usa muito mistério pra entregar poucas resoluções satisfatórias. Não dá pra simpatizar com nenhum dos dois lados, o que torna toda a jornada de entender sobre a mulher e o monstro... Vazia.

    Resenha: A Criatura

    A edição da DarkSide, no entanto, faz valer a pena pelo simples fato de ser impecável. Não encontrei erros de revisão. A tradução está bem coerente e a diagramação muito boa, com letras em tamanho satisfatório, texto limpo e espaçamento ótimo. A capa e os detalhes transmitem o lado bizarro e tenebroso da história, ainda que a narrativa em si escorregue em fazer isso com perfeição; onde o autor acerta na tensão e no mistério, erra em tornar seus personagens interessantes para instigar quem os acompanha.

    No mais, A Criatura é uma leitura válida para quem é fã dos clássicos - seja pela revolta que causa com as mudanças (me chame de antiquada, mas não gostei mesmo) ou pela inovação e ousadia em mexer com o passado real, misturando-o à ficção - e também para quem gosta de um terror investigativo satisfatório.

    Título original: The Only Child
    Autor: Andrew Pyper
    Editora: DarkSide
    Tradução: Cláudia Guimarães
    Gênero: Terror | Ficção Científica
    Nota: 3
    Skoob

    1. Oi, Denise

      Quando as resenhas começaram a sair eu bem vi um quê de Frankenstein mesmo. Uma pena a história beber de fontes tão clássicas e ficar só ali no mais ou menos (bem menos).

      Beijos
      - Tami
      https://www.meuepilogo.com

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    2. Oi, Denise
      Quando o livro realmente me interessa, ele não é tão bom assim KKKKKK Se bem que né, eu não leio livros do tipo então talvez eu me impressione. Com toda certeza a edição ao menos vale a pena ter o livro na estante.
      Beijo
      https://www.capitulotreze.com.br/

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    3. Oi denise, eu nunca li nada do autor e fiquei na expectativa pelas referências, mas vou me alinha aqui pra não bater decepção rs

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    4. Oi Denise! Pena a história não ter sido bem trabalhada, até acreditei que fosse um bom livro. Bjos!! Cida
      Moonlight Books

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