Resenha: O Iluminado

  • 12:33
  • 13 de nov. de 2020
  • Resenha: O Iluminado

    A minha terceira escolha para a Maratona Literária de Halloween 2020 foi O Iluminado, um clássico do Stephen King que, anos atrás, eu não tive coragem de terminar. Muito corajosa que sou, finalmente consegui - e que leitura aterrorizante que foi!

    Sinopse: Danny Torrance não é um menino comum. É capaz de ouvir pensamentos e transportar-se no tempo. Danny é iluminado. Será uma maldição ou uma bênção? A resposta pode estar guardada na imponência assustadora do hotel Overlook. Em O iluminado, quando Jack Torrance consegue o emprego de zelador no velho hotel, todos os problemas da família parecem estar solucionados. Não mais o desemprego e as noites de bebedeiras. Não mais o sofrimento da esposa, Wendy. Tranquilidade e ar puro para o pequeno Danny livrar-se das convulsões que assustam a família. Só que o Overlook não é um hotel comum. O tempo esqueceu-se de enterrar velhos ódios e de cicatrizar antigas feridas, e espíritos malignos ainda residem nos corredores. O hotel é uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. É uma sentença de morte. E somente os poderes de Danny podem fazer frente à disseminação do mal.

    A história acompanha a família Torrance nos preparativos para viver o novo emprego do pai, Jack - tudo porque, por problemas financeiros, ele escolheu ser zelador em um hotel durante o recesso de inverno, quando a neve bloqueia estradas e transforma aquele lugar em um ponto inacessível por semanas.

    Wendy e Danny, sua esposa e filho, vão acompanhá-lo no que deveria ser um período de férias e diversão solitária. Mas, por causa do dom iluminado de Danny, que permite que ele veja e ouça e entenda coisas além da compreensão normal, a família descobre que o hotel tem uma história macabra e viva e pronta para afetá-los até a morte.

    Resenha: O Iluminado

    O Iluminado está entre uma das histórias que mais me aterrorizou na vida - e não, não estou falando daquela atrocidade que é o filme. Uns anos atrás, eu tentei ler e não passei da primeira cena com os arbustos porque, francamente, sou cardíaca.

    Este lugar desumano cria monstros humanos.

    E o que o Stephen King tem em dom para escrever terror é quase sobrenatural. Ele te dá umas fisgadas no emocional com descrições macabras, acontecimentos estranhos, olhares por cima do ombro e perseguições em corredores sem fim; ele coloca personagens em quartos assombrados com portas trancadas e te faz implorar pra acabar logo pelo amor dos céus!

    E, como sempre, seus personagens são os pontos mais bem trabalhados e bem desenvolvidos dentro da obra. Todo mundo sempre lembra de O Iluminado pela icônica cena do Jack Nicholson com a cabeça na porta gritando "Here's Johnny" (e é a única que eu salvo daquele filme), mas a minha maior tristeza com o filme é o quanto se perdeu na composição dos personagens.

    Seja lá o que REDRUM fosse, estaria ali.

    A história do próprio Jack, com seu lado sombrio e o que queria melhorar, é intensa. A gente acompanha esse pai e marido que já teve rompantes de raiva por causa do alcoolismo mas que, depois de meses sem beber, parece se sentir confiante para o emprego e para dar um recomeço para a família.

    Resenha: O Iluminado

    O hotel, no entanto, é mau. E desperta em Jack seu pior lado; a tensão que nasce com a chegada deles naqueles confins do mundo até o mundo em que a primeira nevasca cai, sentenciando os três ao hotel e suas estranhezas, é de arrepiar a alma.

    Enquanto Jack vive embates silenciosos e então gritantes dentro da sua personalidade explosiva e das ínfimas tentativas de contê-la, Wendy, a mãe amorosa e cuidadosa que só quer encontrar nesse recomeço um motivo para seguir em frente com o marido, vive seu pior pesadelo dentro das paredes do hotel.

    Eu gostei muito do desenvolvimento dela e como ela é uma mulher frágil e amedrontada, mas disposta a fazer tudo para proteger o filho.

    Danny, por sua vez, é o ponto principal da narrativa e para onde tudo converge. Seja a montanha-russa que Jack está vivendo, a dedicação de Wendy ou mesmo o desejo silencioso e intrínseco do hotel de alcançá-lo; porque a coisa má que vive entre aquelas paredes está atrás do garotinho e, quanto mais perto chega, maior o desespero.

    Eu preciso dizer que a cena com o Danny no parquinho e a cena do elevador me fizeram tremer na base como nenhum outro livro conseguiu. O King sabe como perturbar; ele sabe como entrar na sua cabeça e te colocar nos corredores do hotel. Ele te faz sentir o que os personagens estão sentindo, e por isso o terror funciona tão bem.

    Resenha: O Iluminado

    O Sr. Hallorann, chef do hotel, outro Iluminado que passa pelo caminho de Danny antes de fecharem tudo e deixarem a família à própria sorte, é outro personagem muito importante para a história. Não só pelo que ensina a Danny a respeito do dom que eles têm como também por sua participação em determinado ponto da trama.

    É necessário pontuar que, sendo uma publicação de 1977, não é um livro tão sensível quanto deveria - especialmente em relação ao Hallorann, um homem negro, e alguns comentários sexistas que aparecem no decorrer da trama. Eu não achei tão problemático quanto poderia ter sido, mas têm trechos e descrições que poderiam ter passado por uma correção mais sensível.

    - Todo grande hotel tem seus escândalos. Assim como todo grande hotel tem um fantasma.

    Essa edição da Biblioteca Stephen King é absolutamente TUDO para mim. Não apenas pela tradução e pela diagramação ótimas, mas também pelo acabamento primoroso, arte e tudo mais que enchem os olhos. E de bônus ainda apresenta uma espécie de 'antes e depois' do hotel - antes da família Torrance e depois dela.

    De resto, é um livro com todo o terror que você pode pedir de um hotel assombrado. Tem um começo lento, como em toda obra do King, mas a partir do momento em que os personagens pisam no Overlook, você pode ter certeza de que vai perder o sono e a tranquilidade junto com eles.

    Título original: The Shinning
    Autor: Stephen King
    Tradutora: Betty Ramos de Albuquerque
    Editora: Suma
    Gênero: Terror
    Nota: 5 +

    1. Oi, Denise
      Primeiramente amei as fotos, achei super criativas e bem feitas. Eu nunca li um livro de terror, será que Anna vestida de sangue conta? Enfim, acho legal que o autor consegue transpassar a sensação de medo e aflição através das páginas, isso é muito louco. Infelizmente não tenho muito interesse no King, até porque nem vi o filme também então KKKKK
      Beijo
      https://www.capitulotreze.com.br/

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    2. Olá, Denise.
      Acredita que li esse livro com dez anos? E não foi só esse não, nessa época lia tudo de terror que via pela frente. E tinha mais medo do filme do que do livro. Mas hoje em dia não passo nem perto hehe.

      Prefácio

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    3. Oie Denise!

      MULHER, as suas fotos estão um arraso!
      Eu não leio muito King, acho que por medo e por não ter tido boas experiências com o que li (Saco de Ossos foi o ultimo que li dele por causa da capa e eu passei foi raiva rs) mas a sua edição parece realmente primorosa e muito bonita.
      Interessante saber que depois que vai, o negocio flui que é uma beleza
      e tambem os comentarios sobre a literatura de antes em relação a agora.
      Realmente tem algumas cenas que a gente fica meio assim, né? :x

      Beijos!
      Pâm
      Blog Interrupted Dreamer

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    4. Oi Dê, tudo bem? Ano passado eu encarei a leitura, sai da minha zona de conforto e foi maravilhoso. Eu fiquei tensa demais em alguns momentos, torcendo pela pobre criança. Acho que o livro conseguiu em envolver mais do que o filme!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    5. Oi Denise,
      Eu não sou uma das maiores fãs de sobrenatural. Na verdade, não é algo que prende minha atenção, por isso meu receio de ler algo do King. PORÉM, confesso que fico curiosa, será que eu gostaria?
      Se ler algum dia, já vou preparada porque sei que vai ser mais lento que o normal.
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com/

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    6. Oi Denise! Preciso muito ler este livro do KIng, o filme eu não arrisco, mas a obrs escrita é essencial para mim como fã. Quero passar medo.
      Bjos!! Cida
      Moonlight Books

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