Resenha: 3ª temporada de The Musketeers


Vamos erguer as mãos e começar a cantar porque é o fim de uma era (de três anos) onde uma das melhores séries encontrou o seu fim de maneira emocionante, marcante e inesquecível. Nesta resenha, sem spoilers, vou falar um pouquinho para vocês do que a terceira e última temporada de The Musketeers reserva aos seus corações.

Quando a Gisele me avisou que a terceira temporada estava disponível na nossa Netflix, pense em uma pessoa correndo em círculos. Gritei para a Bianca, a Bianca gritou de volta e nós corremos em círculos novamente. E começamos a assistir. Achei que conseguiria me controlar e ver um episódio por dia, assim teríamos dez dias para nos preparar para o fim da série, mas não deu. A curiosidade falou mais alto e nós maratonamos no fim de semana passado, e doeu. Mas foi uma dor boa.

A temporada se inicia quatro anos depois do fim da anterior. Porthos, Athos e D'Artagnan estão na guerra contra a Espanha. Aramis está no monastério. Mas o destino gosta de unir esses quatro. Afinal, eles são os mosqueteiros. Um por todos e todos por um. Problemas na corte francesa os levam de volta à Paris, e é aí que se inicia a trama da conclusão da série. Um novo inimigo está rondando a cidade, um assassino misterioso de intenções desconhecidas. Um contato dele está infiltrado na corte do rei Louis. E a proteção do filho do rei e a possibilidade de um levante da população contra a coroa assombram os episódios que mesclam um pouco de bom humor com aquela tensão básica de série histórica.


O trabalho de ambientação, figurino e fotografia dessa temporada foi absurdo. As roupas, os cenários, as batalhas e as coreografias de lutas, tudo está impecável. Paris é estonteante, a corte francesa mais ainda, e os mosqueteiros são tão bonitos que você só tem vontade de chorar. (O que, gente? Eu preciso falar, né. São meus mozões).

 


O arco do Athos foi a minha maior decepção. Ele é o mosqueteiro sombrio, assombrado pelo seu passado turbulento, pela dor de perder a mulher que mais amou na vida toda. Ele é um homem perturbado, sempre foi e deveria ser até o fim. Criaram toda uma utopia feliz e amorosa pra ele com uma nova personagem e eu achei, particularmente, que fugiu demais de tudo o que o Athos era, tudo que ele representava. Cada mosqueteiro é uma personalidade, cada um tem seus trejeitos marcantes, e o Athos se tornou uma fanfic do antigo ele. Quando estava com os mosqueteiros ou em missão, ele era o homem sombrio e resoluto, um capitão forte e determinado, um mosqueteiro indestrutível.

Quando chegava na parte do romance, no entanto... O roteiro deixou a desejar.

Falando da parte do passado dele, também, vamos lembrar da Milady. Vamos lembrar da mulher que Athos amou até a própria ruína, a mulher que quebrou um homem poderoso em mil pedaços que nunca poderiam ser unidos novamente, não sem estilhaços ocasionais. Vamos lembrar que Milady e Athos sempre pertenceram um ao outro e que separá-los foi uma decisão desesperadora, mas havia aquela pontinha de esperança. Afinal, eles sempre voltam a se encontrar. O coração dele é dela e vice-versa. Ele a destrói e ela o destrói e eles se amam tanto que não existe outro final feliz além deles mesmos.

"ATHOS E MILADY SÃO O COMEÇO E O FIM UM DO OUTRO. QUALQUER COISA QUE JÁ SEJA ISSO ESTÁ ERRADA!" (Bianca da Silva).


D'Artagnan continua o filhote adorável que deve ser protegido a todos os custos!


Ele é um guerreiro habilidoso, um rapaz apaixonado pela sua missão e pela sua vida e por tudo o que ser um mosqueteiro representa. Ele tem sua honra, sua doutrina, seu jeito de viver, e, para D'Artagnan, a vida como ela é está de bom tamanho. Ao lado de Constance, sua esposa, ele tem momentos maravilhosos, o tipo de ship que já se consolidou em um amor tão inquebrável e inseparável que não precisa de todas as cenas juntos para saber que eles estão pensando e amando um ao outro. Ao lado dos mosqueteiros, D'Artagnan é um amigo fiel e um combatente incrível.

Aramis saiu do próprio exílio e retornou aos mosqueteiros com todo o seu emocional abalado por coisas demais. A mulher que ele ama é inalcançável, o filho menos ainda, há uma guerra às suas costas e ele ficou quatro anos longe dos seus amigos, seus irmãos. Aramis é muito a parte passional entre os quatro, especialmente com o Porthos, e eu adorei como a série trabalhou o retorno dele e a reaproximação dele com os meninos - de novo, especialmente com o Porthos. Eles são o BROTP máximo da vida e tiveram o seu melhor momento em um dos episódios dessa temporada.

 

 


AS INTERAÇÕES DELE E DA RAINHA, EU NÃO CONSIGO, O AMOR PROIBIDO É UMA COISA QUE ME QUEBRA TANTO! Eles se amam mais do que tudo mais do que o sol e a lua e as estrelas e eles não. podem. ficar. juntos. A dor de ver o Aramis retornando e só poder falar com ele brevemente estava nos olhos da Anne, e quando o Aramis viu a rainha, cara. Eu me quebrei em mil pedaços que jamais vão se juntar.


PORTHOS, ALIÁS. VEM AQUI DEIXA EU TE ABRAÇAR, MOZÃO! A série sempre dá bastante destaque para todos eles, o que eu considero uma benção, porque quando se tem um grupo de pessoas - especialmente um grupo tão importante quanto os mosqueteiros - se o roteiro não desenvolve um tão bem quanto os outros três, você sempre vai sentir essa falha. Ainda que o arco romântico do Porthos tenha seus problemas (mas aparece um ship nessa temporada que ME FEZ GRITAR IGUAL UM PTERODÁCTILO) o dele com os amigos é a melhor coisa.


Com o Aramis então! Enquanto Athos desenvolve essa obsessão por acabar com o mal que está crescendo em Paris e D'Artagnan é o equilíbrio entre eles, Porthos é parte força bruta parte racionalidade quando se trata de segurar os outros e impedi-los de fazer besteira. Ele é o mais centrado entre todos ali, e o que mais ajuda quando precisam de alguém pra segurar as rédeas.



A interação entre os meninos, cara. Eu fiz uma comparação com a Bianca conforme assistimos, porque é o máximo de amor que eu já li até agora: eles são Heronstairs. Eles são o que o Will Herondale era para Jem Carstairs. O amor entre eles, o companheirismo, o apoio, as cenas dividias, eu amo assistir ou ler amizades tão bem trabalhadas, e a nota dez da série sempre foi e sempre será pela força da amizade desses quatro mosqueteiros. Algum dia eu ainda quero escrever uma amizade que seja tão poderosa e inesquecível quanto a dos mosqueteiros.


O núcleo das mulheres foi um show à parte.


Constance e a rainha Anne receberam o maior destaque, ganhando cenas grandiosas conforme se embrenhavam em jogos de poder e no jogo dos tronos. Constance que sempre foi uma mosqueteira, está ao lado do ministro Treville, ajudando os cadetes novatos enquanto o marido está na guerra. Ela também é uma guerreira, também sabe se proteger, e seus momentos grandiosos envolvem suas maiores demonstrações de coragem. Eu amo como ela é tão forte e tão frágil, tão inquebrável por ser tão humana. A Constance foi uma das personagens que mais cresceu na trama da série e vou guardar momentos memoráveis dela em meu coração.

 

 


Anne, por outro lado, está cercada na corte. O seu segredo a assombra e a Espanha, seu país natal, está em guerra contra o país que ela governa ao lado de Louis. O povo nas ruas não confia na sua rainha, e sua melhor chance de resistência é se provando poderosa frente ao marido - que também desconfia dela. Louis está enfrentando uma crise pessoal, mas ganhou uma evolução emocional muito grande. Diferente do Louis das outras temporadas, aqui assistimos a um rei decair e ao mesmo tempo lutar para manter a coroa e o país estável em meio à crise. Ele ainda tem suas crises de birra, mas nada que a Anne não consiga curar. E a Anne, de novo! QUE MULHER MARAVILHOSA! Uma mãe, uma rainha e uma governante justa. Uma mulher que, como disse Sansa Stark, teve sua pele de porcelana transformada em mármore e então em aço.


Milady de Winter não teve o destaque que mereceu, e seu final foi muito tapa buraco. A personagem apareceu pouco - mas apareceu maravilhosamente, MINHA ASSASSINA FAVORITA MANIPULADORA LINDA DO MEU CORAÇÃO - e teve um fim... Ok. Podia ter sido tão melhor. Podia ter sido tão bem trabalhada. Milady e Athos pertencem um ao outro, mas a série parece ter se esquecido disso, e só se lembrou durante poucos minutos que de nada serviram para o casal. Mas ela retornou só para mostrar como é impiedosa e poderosa e como tem controle sobre si mesma e sobre tudo o que faz. Criarei meu headcanon e um final alternativo para ela só para não ficar com rancor.

Os vilões desse arco também foram bem trabalhados. Entre políticos desejosos da coroa a assassinos motivados pela vingança fria e pela sede de sangue, The Musketeers conseguiu me deixar tensa na cadeira em diversas cenas, sempre torcendo pra que ninguém que eu amasse se ferisse naquele fogo cruzado.


E, claro, toda a questão do levante popular e da indignação da população com o seu rei e a miséria enfrentada pela França foram questões grandiosas - o arco amoroso do Athos envolve uma revolucionária (e eu teria gostado mais dela se ela não tivesse sido tão usada pra man pain e pra estar ali só pelo Athos).

Tem tanto mais que eu queria falar sobre essa série. Tanto para comentar sobre cada episódio. A terceira temporada teve suas falhas, sim, escorregões imperdoáveis do roteiro com Athos e Milady, mas cumpriu o que prometeu. Me trouxe de volta os Mosqueteiros, sua luta pela justiça e pela honra, sua promessa de que eles sempre estarão ali para defender e proteger os que precisam. The Musketeers encerra sua temporada final com uma sensação de liberdade e de um futuro feliz, e de que um sempre estará ali por todos, e todos sempre estarão ali por um.

Share this:

, , , ,

COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Oi Denise,
    Tava para assistir essa série daí vi que ia finalizar, resolvi esperar pra fazer aquela maratona haha
    Rindo bastante com as gifs aqui, parece ser uma boa adaptação.
    Eu gosto daquele filme com Orlando Bloom e o Mads Mikkelsen.

    P.S.: Leio 50, daí se o livro ta muito bom e to sem sono...continuo. Geralmente isso acontece com os suspenses hahaha

    tenha uma ótima semana.
    Nana - Obsession Valley

    ResponderExcluir
  2. QUE RESENHA MARAVILHOSA. ESTOU AOS GRITOS.

    "Eles são Heronstairs." EU TE JURO QUE COMECEI A CHORAR. SÉRIO. NÃO TÔ MENTINDO.
    EU AMO TANTO ELES.

    Ainda não tive tempo de terminar a temporada, mas já a amo, principalmente pelos vilões gays (não adianta me convencer do contrário)

    Ah! Quando você colocou meu nome ali, me sentir toda boba rsrs

    Nem tentarei resenhar essa série, pois o que você fez aqui foi sensacional.

    Beijos,

    Gisele

    --
    Surtando com palavras

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!