Resenha: Atrás do Espelho


O segundo volume da trilogia Splintered começa alguns meses depois do fim de O Lado Mais Sombrio. Em Atrás do Espelho, Alyssa confronta uma inevitável certeza: pode tentar dar as costas para o mundo mágico do País das Maravilhas, mas ele nunca vai dar as costas para ela.
Sinopse: Em O Lado mais Sombrio , a releitura dark de Alice no País das Maravilhas , Alyssa Gardner foi coroada Rainha, mas acabou preferindo deixar seus afazeres reais para trás e viver no mundo dos humanos. Durante um ano ela tentou voltar a ser a Alyssa de antes, com seu namorado, Jeb, sua mãe, que voltou para casa, seus amigos, o baile de formatura e a promessa de ter um futuro em Londres. No entanto, Morfeu, o intraterreno sedutor e manipulador que povoa os sonhos de Alyssa, não permitirá que ela despreze o seu legado. O mesmo vale para o País das Maravilhas, que parece não ter superado o abandono. Alyssa se vê dividida entre dois mundos: Jeb e sua vida como humana... e a loucura inebriante do mundo de Morfeu. Quando o reino delirante começa a invadir sua vida real , Alyssa precisa encontrar uma forma de manter o equilíbrio entre as duas dimensões ou perder tudo aquilo que mais ama.
Depois de ter derrotado a Rainha Vermelha, Alyssa acha que finalmente está em paz. A mãe está sã novamente, a família estável, e seu relacionamento com o tão sonhado Jeb está firme e forte. Quando sonhos perturbadores mostram a Alyssa que o País das Maravilhas está em risco, no entanto, ela precisa decidir se deixou seu lado intra-terreno de lado ou se o chamado sombrio ainda é tão importante para ela quanto a realidade em que está. Para impedir que a destruição do mundo mágico chegue até o mundo humano, Alyssa precisará abraçar os seus dois lados e se tornar a rainha que nasceu para ser.
- Você é o melhor de dois mundos. Use o que possui. O que nós não possuímos. Faça algo que possa salvar todos nós!
Novamente, A.G. Howard nos entrega um desenvolvimento de história muito intenso contra um déficit no crescimento dos seus personagens. Atrás do Espelho traz uma Alyssa mais madura, mas nem por isso menos insegura. Os dois rapazes que conquistaram o seu coração estão próximos dela, e a incerteza sobre a confiança na mãe e no passado louco que todas as herdeiras do País das Maravilhas possuem cria uma teia de revelações assombrosas sobre o futuro da confusa Alyssa.
Apoiando-se nas ancas, Morfeu estreita os olhos. - Solte as amarras que colocou em si mesma. Reivindique sua coroa e liberte a loucura intraterrena que existe dentro de você.

Eu adoro o jeito como a autora desenvolve a parte fantástica da história. O mundo mágico do País das Maravilhas é medonho, e está presente mesmo quando Alyssa não o visita. Suas criaturas e suas lendas são sombrias, mas ricas. Diferente da Alyssa do primeiro livro, temerosa e pouco entusiasmada com sua herança mágica, aqui temos uma protagonista mais determinada. Apesar de relutar em ajudar seu outro mundo, existe nela o intrínseco lado sombrio, uma parte sua tão importante quanto a terrena. Alyssa abraça a sua força e os seus poderes e isso faz dela impiedosa, ao mesmo tempo em que se torna mais empática. A partir do momento em que abraça a loucura, ela se torna uma rainha.

O meu problema com o livro, de novo, foi o fato de o romance estar ali para fins de controle e de criar intriga. PAREM DE TENTAR CONTROLAR A ALYSSA, PELO AMOR DO MILHO!


De um lado, temos Jeb. Ele tem sido o seu namorado desde que retornaram do País das Maravilhas, mas, em consequência dos acontecimentos para deter a Rainha Vermelha, perdeu as memórias que o ligam àquele lugar. Apesar das estranhezas envolvendo Alyssa, para Jeb, ela é só a garota humana que ele ama muito. Eu já tinha me irritado com o Jeb no primeiro livro, com todo o seu controle superior e o "sei mais do que você, me deixe protegê-la" para cima da Alyssa. Mesmo depois de esquecer tudo que aconteceu no reino mágico, ele continua um chato! Apesar de todas as juras de amor, sua possessividade em tudo que a Alyssa faz ou deixa de fazer me enchem as paciências. Ele podia ser um cara amoroso e dedicado sem essa pressão, mas não o faz. Só lá para o fim do livro que o Jeb tá uma melhoradinha, mas aí acontecem altas tretas envolvendo ele e o baile da escola e eu mal tive tempo de pensar direito sobre suas atitudes antes da treta final.


- Você disse casa. - Morfeu olhou para mim com esperança. - Você admitiu. O País das Maravilhas é a sua casa.
Do outro, está Morfeu. Morfeu representa o lado intraterreno da Alyssa, sua ligação com a magia, com o submundo, com tudo de sobrenatural que existe em seu passado e possivelmente seu futuro. Morfeu é o cavaleiro sombrio de uma rainha destinada a reinar o País das Maravilhas, e o detalhe que eu mais gosto nele é o fato de o Morfeu apoiar a liberdade e o empoderamento da Alyssa. Ele está ali para garantir que ela encontre a sua força, que abrace a sua loucura, que entenda o seu lado sombrio e o aceite por completo. Ele quer que Alyssa seja o que nasceu para ser, a governante de um mundo esquecido por mentes humanas. Apesar de algumas atitudes radicais perturbadas, Morfeu ainda é, na minha opinião, o menos pior dos interesses amorosos da protagonista. Ele tem muito que melhorar, mas seus sacrifícios e sua luta mostram que ele quer o melhor para ela.

Eu adoro quando a Alyssa e o Morfeu interagem. Apesar de ainda haver desconfiança, os dois se entendem muito bem. Apesar de ela negar, a atração é mais do que física. É emocional porque ambos são parte de um mundo fantástico, um mundo onde as emoções são selvagens e abrasadoras, uma realidade paralela à Terra e a todo o autocontrole que existe nela. Morfeu é o lado mais sombrio da Alyssa, e os dois são um incêndio quando estão juntos.
Durante esse instante, sinto-me totalmente nua. Ele olha dentro do meu coração; eu olho no dele. E as semelhanças me aterrorizam.
A parte rica do livro é o desenvolvimento da guerra pelo trono do País das Maravilhas. Enigmas que surgem nos sonhos de Alyssa, em seus mosaicos e até em seu sangue mostram o caminho para uma batalha inevitável. A cobiça pelo domínio daquele reino mágico domina as figuras de maior poder dele, e elas estão prestes a trazer essa guerra para o mundo humano. Alyssa é a rainha de direito, uma vez que o País das Maravilhas precisa ser comandado por uma mulher, mas enquanto ela luta com suas indecisões e incertezas, o caos se alastra pelo mundo que também é seu.
- O único jeito de você ser capaz de derrotar a Vermelha é aprendendo a ser impiedosa. Compaixão não tem lugar em campo de batalha algum... seja mágico ou não.

A conexão familiar entre Alyssa e seus pais é um dos pontos-chave do crescimento da história. Sua mãe, principalmente, com quem divide momentos de surpreendentes revelações e um chocante final. A força na relação das duas se engrandece e se abala, e o amor da protagonista por sua família é um dos motivos para ela encontrar tanta força e coragem em si mesma.
Eu sou louca, e aceito isso. A loucura faz parte do meu legado. A parte que me levou ao País das Maravilhas e me valeu a coroa. A parte que me levará a enfrentar a Vermelha uma última vez, até que reste só uma de nós.
Atrás do Espelho é uma eletrizante continuação. O Lado Mais Sombrio no mostrou o início da jornada de uma garota sã em direção à loucura, e a sequência dessa trilogia mostra que a loucura, às vezes, é a melhor arma a ser usada em algumas batalhas.

Título original: Unhinged
Autor: A.G. Howard
Editora: Novo Conceito
Gênero: Ficção fantástica
Nota: 4

Saiba mais: Skoob | Buscapé
 | Saraiva

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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Oi Denise!!

    Quero ainda ler o primeiro para poder ler esse, acho a história fantástica, bem, realmente o país das maravilhas é um mundo cheio de coisas interessantes!

    E ah, a capa é linda <3

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Sua resenha foi muito boa mesmo! Eu já li os dois livros em 2015 e, como estou prestes a ler a continuação agora, queria relembrar dos detalhes. Ela ajudou bastante! Muito obrigado.

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