Resenha: Inverno Negro


O mais recente lançamento da editora Empíreo é a obra Inverno Negro. Nela, somos apresentados a um mundo fantástico devastado por uma magia obscura que leva o nome do título da obra; o que é essa magia? Como pará-la para, assim, impedir o fim de todo o mundo que eles conhecem? A chave para isso está em Leonan.

Leonan vive em Boa Esperança, no Rio de Janeiro, e não tem lá pretensões muito grandiosas para a sua vida. Solitário, o rapaz tem uma mãe sombria e de atitudes perigosas, com quem nunca se deu bem, inclusive por motivos que nunca entendeu. Em um certo dia, após voltar para casa por ter sofrido um ataque epilético na escola, Leo se surpreende ao descobrir que está vivendo no mundo errado; um caçador revela que ele é um príncipe há muito perdido em um mundo paralelo, e seu retorno é aguardado graças a uma grandiosa profecia. Preso na Terra e enviado subitamente de volta ao seu mundo natal, Leo confrontará verdades que nunca procurou, e descobrirá segredos que se intrincam em sua vida desde que nasceu.
E todas as vezes em que penso sobre o meu último dia na Terra me vem à mente a pergunta para a qual eu nunca tive a resposta: 
- Você tem certeza de que é normal?
A construção do mundo mágico devastado pelo Inverno Negro foi a coisa que mais me agradou. Para um livro de fantasia ser rico, o lugar em que ele é ambientado tem que ser bem construído a ponto de parecer real, o que foi o caso de Starlândia e de tantos outros reinos e cidades pelos quais Leonan viaja durante sua jornada de auto-descobrimento. Acompanhado dos irmãos Meydym, Pittson e Samyra, Leo descobre que seu retorno marca uma corrida contra o tempo. O rei, e também seu pai, está desaparecido, e a maldição negra que cobre os reinos se aproxima de sua terra natal. Para salvá-la, uma profecia dita seus passos, mas a incerteza de seus conhecimentos e o perigo das trilhas que deve tomar confundem seus sentidos.
- Oferecemos ouro, tecnologia e... ciência em troca de segurança. É por isso que a maldição do inverno negro não chega até nós.

Eu sou daquele conhecido: ou ama o protagonista ou não vai com a cara dele. Infelizmente, e de novo, o Leonan não me conquistou. Isso tem acontecido com muitos livros ultimamente, não é nem culpa dele.

O arquétipo de herói não é muito forte no Leo. Ele é só um garoto desconjuntado, confuso pela vida e pelas estranhezas de um mundo mágico até então inexistente. Gostei muito de como o autor desenvolveu o crescimento dele como herdeiro daquelas terras; ele é um príncipe perdido, ele aceita o seu destino, mas tem seus momentos de adolescente rebelde que condizem com a sua personalidade. Leonan é forte, mas é teimoso. É frágil, mas é determinado. Tive alguns problemas em aceitar os seus pitis, mais por achar que as pessoas em quem ele descontava a frustração não mereciam tanto quanto ele fazia parecer. Mas, de novo, adolescente é complicado né.
Imagine quando estiver pronto. Vai poder ver, sentir e realizar coisas incríveis.
A responsabilidade que é colocada sobre as costas do Leonan faz com que ele se precipite demais em impressionar e conquistar o respeito e confiança de todo mundo. A força que o rege faz parte do Éter do mundo, a energia ancestral que rege tudo e todas as coisas naquele mundo. Ele precisa controlar o invólucro que foi confiado aos seus cuidados e, para controlá-lo, precisa se controlar. Parte de Leonan ainda está ligada à Terra e à sua normalidade, e a outra parte é mais intrínseca, um pedaço da sua herança mágica. O conflito entre esses dois pensamentos cria incerteza no rapaz, e é só quando ele se liberta disso que o poder responde totalmente ao seu comando.


- Bem, o plano de Tróvis era tomar o poder em todos os impérios possíveis. Isso... aconteceu?
Os meus favoritos da trama foram os irmãos Sam e Pitt. Samyra é uma guerreira impiedosa, cheia de personalidade e de atitude. Marcada pelas próprias aventuras e pelas dores que a vida trouxe, Sam não leva desaforo para casa. Ela é bastante da força racional e física do trio formado por esses jovens, e também os olhares e comentários mais afiados. Ela e Leonan se embatem em diversos momentos - ele por achar que merece saber de tudo e participar de tudo e ela por saber que ele não entende de nada dessa vida. Claro que eu sou Team Samyra em toda santa briga deles né!




Pitt, por outro lado, é a parte espirituosa, sempre disposto a levantar os ânimos dos dois briguentos. Ele é um rapaz apaixonado pela vida e pelas suas aventuras, um viajante louco por histórias e por criar as próprias narrativas fantásticas. Tal como a irmã, Pitt já viu muitas situações pesadas em suas vivências, mas ambos são fortes e inquebráveis por causa delas. Eu quero muito ver mais do passado deles desenvolvido no próximo livro, porque a riqueza na personalidade desses irmãos faz com que eles mereçam um livro só deles!

Outros personagens, como a grande rainha Lohan, o caçador Marwin, o pai dos irmãos Meydym, e o grande vilão Tróvis têm seus destaques merecidos na trama. Tróvis é a ameaça física, enquanto o Inverno Negro é o tempo devorando as chances dos heróis salvarem o mundo. A maldição conquistará tudo com sua magia sombria, e Tróvis, com o avanço de seu exército e de seus domínios. Ele quer subjugar todos os reinos ao seu poder, e não parará até conquistar o que deseja. Cabe a Leonan ter força suficiente para impedir o fim de tudo o que rege aquele mundo mágico.
- Meu filho, você não entendeu. A morte estará aqui ainda hoje.
A narrativa desenvolve muito bem as cenas de ação, especialmente a batalha final. O livro é grandioso pela simplicidade de alguns momentos e pelas revelações chocantes de outros - puxo aqui uma observação para o plot twist do fim da história, que eu JÁ SABIA QUE IA ACONTECER, AHÁ, sou um gênio da investigação! Sempre suspeitei! Mas é bem trabalhado a ponto de, mesmo suspeitando, te dar aquele susto de "cara, não acredito que isso aconteceu!".



A parte fantástica da história é muito rica. O poder do Éter, as raças encantadas que existem no mundo, os poderes que mesmo os humanos desenvolvem, tudo é bem explicado e encaixado no decorrer da trama. Você realmente acredita que tudo aquilo existe; numa realidade paralela à nossa, um mundo mágico pode estar sendo devorado por um Inverno Negro, quem sabe?


Eu queria minha família de volta e, se o desenho do meu destino me obrigava a agir como príncipe para conservar vidas, então eu só desejava estar pronto.
A edição da Empíreo está nota dez. Diagramação simples, delicada e sem erros. O mapa no início do livro ajuda muito a se situar dentro do universo fantástico, e um glossário te apresenta a termos novos que o autor inventou para construir a história. A capa é de tirar o fôlego, e o trabalho de revisão também arrasou.

No mais, acho que é uma obra excelente aos amantes de RPG, de Senhor dos Anéis e de infanto-juvenis no geral. De fãs de Harry Potter a Percy Jackson, a história tem aquele que de infantil ao mesmo tempo em puxa acontecimentos grandiosos e batalhas estrondosas. Fiquei extremamente curiosa com o gancho do final, e imagino que muita coisa surpreendente vai acontecer no próximo volume. Agora é aguardar para ver o que vem depois do Inverno Negro...



Título original: Inverno Negro
Autora: Steffano Sant'anna
Editora: Empíreo
Gênero: Ficção fantástica
Nota: 4

Saiba Mais: Skoob | Onde adquirir

Share this:

, , , ,

COMENTÁRIOS

1 comentários:

  1. Oi Denise!
    Ainda não conhecia o livro mas parece ser legal mesmo!
    É difícil gostar da obra quando não vamos com a cara do protagonista, mas pelo jeito isso nem fez muita diferença, já que você gostou do livro.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!