Resenha: Fábulas Cruéis

  • 09:00
  • 13 de dez. de 2016
  • Resenha: Fábulas Cruéis


    Faz muitos e muitos anos que eu não leio fábulas, mas a capa de Fábulas Cruéis, livro cedido em parceria com a editora Empíreo, me seduziu de uma jeito que foi impossível não abri-lo. E no fim tive uma ótima surpresa.

    SinopseLuiz Vadico traz de volta as fábulas - composiçao literária que tornou famosos grandes escritores como Jean de La Fontaine -, mas dando um toque particular: o macabro. Cada ma das 30 histórias revelam uma moral de uma forma sombria e, por vezes, assustadora.

    O livro conta com trinta fábulas curtas -- algumas chegam a ter apenas uma página -- e bem escritas, acompanhadas de belíssimas ilustrações do Eduardo Seiji. Em uma edição de capa dura e com bordas negras no miolo, a narrativa de Vadico é simples e, apesar de metafórica, direta.

    Com delicadeza e criatividade, Luiz Vadico nos convida a analisar o comportamento humano atual através de metáforas rápidas, poderosas e, às vezes, também divertidas -- como não rir ao menos uma vez com o escaravelho no segundo conto?

    Quanto mais pensamos sobre o que é ser humano, mais precisamos levantar questões como as que estão presentes em Fábulas Cruéis. O quão distante estamos dos animais, dos seres considerados "irracionais" quando pregamos verdades e morais inventadas por nós mesmos, ainda que elas machuquem um semelhante?


    Resenha: Fábulas Cruéis

    É impossível não identificar o medo como percussor do preconceito em fábulas como Os Homens que Falavam Estrela, sobre um planeta onde as palavras, causadoras de toda a discórdia, caíram em desuso e permaneceu apenas Estrela como forma de expressão -- até o dia em que um homem decide começar a usar a palavra Sol e o mundo sofre uma revolução na comunicação. No entanto, por que é tão difícil para nós identificarmos esse comportamento na fábula, mas não nos preconceitos diários que vivemos/infligimos? 

    Enquanto lia o livro e, em alguns contos, me divertia com os personagens, me perguntei porque chamá-lo de Fábulas Cruéis, quando seus parágrafos não me assustavam e algumas de suas histórias são tão simples. Foi só quando parei para realmente pensar na resenha que me dei conta de que o cruel não é nada extraordinário, mas sim o que vemos no dia a dia.

    O que é mais cruel do que duas pessoas sendo julgadas por amarem quem amam e serem quem são, como fica tão claro no contro Uma Família para Sara e Sônia? Ou ainda a crueldade da alienação? A crueldade de abrir mão de sonhos e fantasias para lidar com uma realidade onde a sobrevivência é mais importante?


    Resenha: Fábulas Cruéis

    O mundo real é cruel e estamos tão acostumados com ele, aprendemos desde cedo a aceitar isso, que no dia a dia passa batido, guardamos nosso medo para criaturas fantásticas, sobrenaturais. Para fantasmas e zumbis, e esquecemos que o nosso monstro é a vida real.

    Gostei bastante delas, mesmo que contos curtos não sejam o tipo de história que leio todo mês -- guardo os contos para me livrarem de ressacas literárias! -- foi um frescor real ler ele e me sentir instigada a pensar em mais do que no meu forte amor por personagens e mundos fictícios. Uma leitura que recomendo a todos para sacudir um pouco o nosso ponto comum e a zona de conforto!

    Título Original: Fábulas Cruéis 
    Autor: Luiz Vadico
    Editora: Empíreo
    Gênero: Contos - Fábulas
    Nota: 4

    Saiba Mais:  Skoob  |  Editora  |  Saraiva  |  Submarino  |  Amazon

    1. Oi Bibs, eu não sou muito chegada em fábulas, faz muito tempo que não leio uma. Mas como estabeleci como meta para 2017, me aventurar em leituras que antes não leria, vou conferir a obra. Espero gostar.
      Beijos
      Quanto Mais Livros Melhor

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      Respostas
      1. Oi, Priscila!
        Você não vai se arrepender, é um livro bem bacana e contos curtinhos para ir lendo com tempo.
        bjs

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