Resenha: Fábulas Cruéis

Resenha: Fábulas Cruéis


Faz muitos e muitos anos que eu não leio fábulas, mas a capa de Fábulas Cruéis, livro cedido em parceria com a editora Empíreo, me seduziu de uma jeito que foi impossível não abri-lo. E no fim tive uma ótima surpresa.

SinopseLuiz Vadico traz de volta as fábulas - composiçao literária que tornou famosos grandes escritores como Jean de La Fontaine -, mas dando um toque particular: o macabro. Cada ma das 30 histórias revelam uma moral de uma forma sombria e, por vezes, assustadora.

O livro conta com trinta fábulas curtas -- algumas chegam a ter apenas uma página -- e bem escritas, acompanhadas de belíssimas ilustrações do Eduardo Seiji. Em uma edição de capa dura e com bordas negras no miolo, a narrativa de Vadico é simples e, apesar de metafórica, direta.

Com delicadeza e criatividade, Luiz Vadico nos convida a analisar o comportamento humano atual através de metáforas rápidas, poderosas e, às vezes, também divertidas -- como não rir ao menos uma vez com o escaravelho no segundo conto?

Quanto mais pensamos sobre o que é ser humano, mais precisamos levantar questões como as que estão presentes em Fábulas Cruéis. O quão distante estamos dos animais, dos seres considerados "irracionais" quando pregamos verdades e morais inventadas por nós mesmos, ainda que elas machuquem um semelhante?


Resenha: Fábulas Cruéis

É impossível não identificar o medo como percussor do preconceito em fábulas como Os Homens que Falavam Estrela, sobre um planeta onde as palavras, causadoras de toda a discórdia, caíram em desuso e permaneceu apenas Estrela como forma de expressão -- até o dia em que um homem decide começar a usar a palavra Sol e o mundo sofre uma revolução na comunicação. No entanto, por que é tão difícil para nós identificarmos esse comportamento na fábula, mas não nos preconceitos diários que vivemos/infligimos? 

Enquanto lia o livro e, em alguns contos, me divertia com os personagens, me perguntei porque chamá-lo de Fábulas Cruéis, quando seus parágrafos não me assustavam e algumas de suas histórias são tão simples. Foi só quando parei para realmente pensar na resenha que me dei conta de que o cruel não é nada extraordinário, mas sim o que vemos no dia a dia.

O que é mais cruel do que duas pessoas sendo julgadas por amarem quem amam e serem quem são, como fica tão claro no contro Uma Família para Sara e Sônia? Ou ainda a crueldade da alienação? A crueldade de abrir mão de sonhos e fantasias para lidar com uma realidade onde a sobrevivência é mais importante?


Resenha: Fábulas Cruéis

O mundo real é cruel e estamos tão acostumados com ele, aprendemos desde cedo a aceitar isso, que no dia a dia passa batido, guardamos nosso medo para criaturas fantásticas, sobrenaturais. Para fantasmas e zumbis, e esquecemos que o nosso monstro é a vida real.

Gostei bastante delas, mesmo que contos curtos não sejam o tipo de história que leio todo mês -- guardo os contos para me livrarem de ressacas literárias! -- foi um frescor real ler ele e me sentir instigada a pensar em mais do que no meu forte amor por personagens e mundos fictícios. Uma leitura que recomendo a todos para sacudir um pouco o nosso ponto comum e a zona de conforto!

Título Original: Fábulas Cruéis 
Autor: Luiz Vadico
Editora: Empíreo
Gênero: Contos - Fábulas
Nota: 4

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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Oi Bibs, eu não sou muito chegada em fábulas, faz muito tempo que não leio uma. Mas como estabeleci como meta para 2017, me aventurar em leituras que antes não leria, vou conferir a obra. Espero gostar.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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    Respostas
    1. Oi, Priscila!
      Você não vai se arrepender, é um livro bem bacana e contos curtinhos para ir lendo com tempo.
      bjs

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