Resenha: Darkmouth


Apesar de não estar muito na vibe de fantasia infanto-juvenil ultimamente, Darkmouth - Os Caçadores de Lendas foi uma grata surpresa. Lançado agora no começo do ano pela editora Novo Conceito, o livro é uma boa pedida para quem quer se distrair com uma aventura.
Sinopse: Elas estão chegando! As Lendas (ou melhor, monstros aterrorizantes que se alimentam de humanos) invadiram a cidade de “Darkmouth”. Elas querem dominar o mundo. Mas não entre em pânico! Finn, o último dos Caçadores de Lendas, vai nos proteger. Finn tem doze anos, adora animais, não leva muito jeito para lutar; mas é muito, muito esforçado. E todos nós sabemos que ser esforçado é a melhor arma contra um Minotauro faminto, né? Hum... Pensando bem, pode entrar em pânico. Entre em pânico agora! Corra!
Algumas fronteiras entre cidades e o mundo das Lendas - os monstros - são mais fracas. Para protegê-las da ameaça, existem os Caçadores de Lendas, soldados e guerreiros encarregados de lutar para garantir sua segurança. Essa herança é passada para seus descendentes, e assim se constrói uma ordem. Na maior parte dessas cidades, as Lendas se foram e os Caçadores puderam encontrar paz. Mas em Darkmouth, a ameaça ainda reside. E Finn, filho único do último Caçador de Lendas ainda vivo, é a esperança deles. Seu treinamento precisa ser finalizado para assumir as responsabilidades do pai - e o problema reside nisso. Finn não é exatamente o melhor potencial a Caçador de Lendas.



Apesar de ser apaixonada pelo gênero infanto-juvenil e estar sempre a espera de novas histórias, confesso que me senti um pouco saturada nos últimos tempos - porque elas acabam puxando sempre a mesma trama. A última que realmente conseguiu prender minha atenção foi Magisterium, da Cassandra Clare, e mesmo o terceiro livro dessa série eu ainda não consegui ler! Darkmouth prendeu minha atenção do início ao fim.


Obras infanto-juvenis precisam encontrar um equilíbrio entre humor, aventura e aqueles dramas básicos da vida - sempre como lição de moral para os leitores, mas delicadamente intrincados na trama pra não parecer forçado - e Darkmouth fez isso. A narrativa do autor é carismática, te insere na história de modo a passar as sensações e as emoções das personagens. A ação é bem balanceada, com cenas bem descritas. O drama te emociona, o humor te conquista. Tem tensão e tem diversão o suficiente para entregar uma história leve, mas animada.

"Eu só escuto falar sobre as coisas incríveis que você fez quando tinha a minha idade. Você derrotou tal Lenda. Você inventou tal arma. A menos que tenha uma história que termine com você caindo em uma privada ou algo assim, elas não vão fazer com que eu me sinta melhor agora."
Finn é o típico protagonista deslocado - e, em histórias assim, funciona muito bem. Ele me lembrou um pouco do Soluço, de Como Treinar seu Dragão, por causa de toda a expectativa em se tornar um Caçador de Lendas, viver à sombra do pai e não conseguir corresponder ao que esperam dele, mas acabar fazendo isso de maneira diferente. As diferenças entre pai e filho criam aquela aura tensa, onde você torce pra que o pai abra os olhos e veja todo o potencial do guri, e também torce pra que o guri se supere e acabe se sobressaindo no que quer que faça. É isso que eu mais amo em infanto-juvenis!



Minha favorita foi a Emmie, melhor amiga do Finn. Ela é carismática, adorável e bem perspicaz, e a dinâmica entre os dois funciona muito bem. É o tipo de amizade estilo Percy e Grover, Harry, Ronny e Hermione que te conquista logo de cara.

O que eu mais amei na história foi a ambientação; eu me senti em uma Irlanda de outra realidade, e talvez tenha sido a intenção do autor. Tudo ficou muito nítido e apaixonante, porque a Irlanda é maravilhosa e o fato de ele ambientar a jornada do Finn em uma cidade com características do mundo real tornou tudo mais crível.



Os capítulos curtos tornaram Darkmouth um livro fácil de acompanhar, do tipo que você lê em poucos dias. E as ilustrações são magníficas! Eu amo um infanto-juvenil bem ilustrado, te dá aquela imersão dentro das páginas, como se a mágica fosse sair delas.



Não teve nada de surpreendente na história, nem quando ela tentou ser surpreendente - plot twist em infanto-juvenil tem que ser muito Magisterium pra te deixar de queixo caído, rolando no chão e berrando É O QUÊ? E aqui não foi o caso. Mas, por não esperar muito da leitura, eu acabei me surpreendendo exatamente em contraponto a isso. É uma história legal, com cenas emocionantes e uma narrativa atraente. Tem um protagonista divertido e personagens coadjuvantes bem construídos. No todo, Darkmouth é uma boa leitura para quem quer se desligar de tramas desesperadoras e só procura por uma boa jornada de descobrimentos.


Título original: Darkmouth
Autora: Shane Hegarty
Editora: Novo Conceito
Gênero: Fantasia / Infanto-juvenil
Nota: 4

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COMENTÁRIOS

8 comentários:

  1. Oie!

    Adorei a resenha!

    http://submundosliterarios.blogspot.com.br/

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  2. Olá, Denise.
    Eu gostei bastante do livro também. Não esperava nada dele, como você disse, os últimos que li não fizeram muita diferença, por isso acabei me surpreendendo positivamente. E a edição está linda. Agora aquele pai dele me deu nos nervos hehe.

    Prefácio

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    1. Oi Sil, tudo bom?
      Pois é, guria. Ultimamente só tio Rick e a série Magisterium estavam me prendendo nesse gênero, mas Darkmouth foi uma grata surpresa.
      O pai dele encheu o saco UHASUHASUHUHASUHAS

      Beijos!

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  3. Oi Denise! Eu ainda não li, mas está na minha lista de leituras! Que bom que a obra te surpreendeu e eu achei a edição muito bonita! Espero gostar também!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi Mi, tudo bom?
      Com certeza vai ser uma boa leitura pra ti, flor. Vale muito a pena!

      Beijos!

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  4. Oi, Denise!
    Eu amo infanto-juvenil, mas ando também saturada. Acho que os únicos que ainda leio sem medo de ser feliz são os livros do Riordan.
    Adorei essa capa e gostei muito da ambientação ser na Irlanda. Juntando tudo isso, com certeza vou ler.

    Menina, sobre hype, eu demorei uma vida pra assistir Jessica Jones porque a série é tão hypada e não achei lá essas coisas, tanto que abandonei. Mas digo que o hype em 13 Reasons Why é bem válido.

    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do #Sorteio1KSeguidores

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    1. Oi Luiza, tudo bom?
      Também estou nesse feeling, só consigo pegar todos os livros do tio Rick sem medo de ser feliz - e a série Magisterium, que amo de paixão. Eu não dava nada pra Darkmouth e fui surpreendida!

      Cara, o meu problema com o hype nem é questão de qualidade, é o tanto que o pessoal tá falando da série mesmo :/
      Acabo ficando irritada por ver tanto bafafá em cima. As únicas que independente do bafafá verei sem medo são as da Marvel. Eu gostei de Jessica Jones, mas Luke Cage ainda não consegui terminar ç_ç

      Beijos!

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