Controle Remoto: Godless - Queria Estar Lendo

Controle Remoto: Godless

Controle Remoto: Godless

Estreia do catálogo da Netflix no mês de novembro, Godless é uma série limitada de western produzida pelo site de streaming que nos apresenta uma história clássica de velho oeste, com personagens carismáticos e cinzas, em um mundo onde não existem heróis e vilões.

A série se passa na pequena e fictícia cidade de La Belle, no Colorado, no ano de 1885, onde uma tragédia recente na mina de ouro deixou 87 mortos e uma cidade de viúvas e órfãos, lutando para retornar a vida que tinham antes.

Godless se divide em três núcleos principais: aquele que acontece na fazenda de Alice Fletcher, uma viúva que, desde a morte do marido em circunstâncias misteriosas em La Belle, vive isolada e recebe de forma hostil os visitantes; o núcleo da cidade, vastamente governada por mulheres, encabeçada pela esposa do então prefeito, Mary Agnes, e seu irmão, Bill, o xerife; e o núcleo de Frank Griffin, o líder de um bando de ladrões de banco que está em busca do seu filho pródigo, Roy Goodman.

Controle Remoto: Godless

E cada núcleo tem um arco diferente. Enquanto a principal trama da série gira em torno da traição de Roy para com Frank e dessa busca de vingança e reparação, outras subtramas surgem paralelamente até culminar no final. O xerife, com um problema de saúde, em busca de provar-se uma última vez; as mulheres, encontrando uma nova identidade ao mesmo tempo em que tentam reerguer sua cidade; Roy, buscando um recomeço e encontrando o caminho certo na fazenda de Alice.

Tudo para contar uma história sobre a busca por identidade e redenção.

A série, que começou a ser planejada como um filme, tem apenas 7 episódios que são fáceis de assistir, com um bom roteiro e muitas cenas belamente produzidas - especialmente as que envolviam os cavalos na fazenda de Alice. Ela entretém e instiga a nossa curiosidade, fazendo com que queiramos seguir até o fim.

Controle Remoto: Godless

Os personagens são cinzas, nem totalmente mocinhos e nem completamente vilões, com um passado e construção que mostram não só péssimas escolhas, mas terríveis acontecimentos que contribuíram para moldar a forma como eles enxergam o mundo, a forma como fazem para tirar o que acham que lhes pertence do mundo, como se relacionam um com o outro e com seus sentimentos.

Meu grande porém aqui é que ela não foi nada do que eu espera. Claro, foi uma ótima série (apesar do fim bem distante do que eu queria), mas ainda assim, não chegou nem perto do que vendia o marketing da netflix. Quando a série surgiu, foi apresentada como um western em uma cidade governada por mulheres, que precisavam lidar com uma ameaça trazida pelos homens. Mas isso é apenas uma pequena, pequeeeeena parte da série, que fica bem restrita dentro da história.

O protagonismo não é das mulheres, como ficou entendido nos trailers e no marketing. O protagonismo é de Roy e de Bill, ambos em busca de redenção no maior e melhor estilo de velho oeste. E isso não torna a série ruim, mas me faz sentir enganada. 

Eu esperava muito mais tempo de tela para mulheres como a Mary Agnes, esperava muito mais desenvolvimento para a Louise Hobbs e Martha, e um envolvimento bem maior de Alice no plot final. Eu realmente esperava uma cidade governada por mulheres. Em vez disso, encontramos uma cidade onde grande parte das mulheres está apenas a espera de um homem para salvá-las.

Controle Remoto: Godless

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De novo, congruente com a realidade da época, mas não com a ideia da série ou com aquilo que foi vendido. Muitas das mulheres a gente nem conhece direito e, mais uma vez, a definição de força fica a cargo de uma arma de fogo. 

Faltou desenvolvimento para a ÚNICA personagem feminina negra que tem nome e falas; faltou aprofundamento para a ÚNICA personagem feminina indígena, que ficou presa no estereótipo "mulher mística" que é designado a elas tão comumente; faltou mostrar que força não se resume a uma arma na mão e vestir-se de homem - que, aliás, na construção da personagem, contribuiu fortemente para a ideia de que uma mulher, ao se envolver com outra mulher, quer mesmo é ser um homem.

Apesar de uma série boa e que eu recomendo sim, Godless peca em querer se apresentar como um western feminista, com protagonismo feminino de peso e importância, e deixa-se levar por incontáveis estereótipos de narrativa e construção de personagem. Provando que para ser uma série "empoderadora" não basta um grande elenco feminino.

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COMENTÁRIOS

9 comentários:

  1. Oi! Nossa, realmente tinha tudo para ser uma série que mostrasse a força da mulher e como podem sobreviver independente da situação. Uma pena que tenham focado em outros personagens e deixado de fora a maior parte do elenco, que são as mulheres. Mesmo com essa falha, vou procurar na netflix. Bjos <3

    Click Literário

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    1. Oi, flor!
      Mostra sim esse lado da força feminina, mas se recosta muito em estereótipos e dá pouco destaque, foi bem triste mesmo.
      Mas fora isso, vale a pena. Procure sim. Quando as expectativas estão ajustadas a realidade a gente aproveita bem mais.

      bjs

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  2. Não sabia dessa série e agora você me deixou super curiosa :)

    http://www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Que bom, Monique! Espero que você possa conferir.

      bjs

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  3. Oi Bibs,
    Quase que caio no conto também, porque eu achei que a série era realmente isso e já tava planejando uma maratona haha. Claro, ainda quero assistir pq adoro a Michele por causa de Downton Abbey, mas vou com expectativas baixas. Adorei sua opinião.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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    1. Oi, Nana!
      Pois é, menina. Mas continue no planejamento sim, só ajusta as expectativas mesmo. Assim vai aproveitar bem melhor, sem ficar esperando coisa que não vai chegar.

      bjs

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  4. Oi, Bianca!
    Menina, já salvei essa série na minha listinha da Netflix pra poder maratonar.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi, Lu!
      O ruim é que deixa na vontade de mais western :P

      bjs

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  5. Oii Bianca, tô bem curiosa pra conferir essa série e ver no que vai dar hahahahah já deixei separada e assim que sobrar um tempo vou assistir.
    - beijos, Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br

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