Resenha: Todo Mundo Merece Morrer - Queria Estar Lendo

Resenha: Todo Mundo Merece Morrer

Resenha: Todo Mundo Merece Morrer

Todo Mundo Merece Morrer é um dos mais recentes lançamentos da Editora Verus - que cedeu este exemplar para resenha. Escrito pela autora Clarissa Wolff, é um livro curto e pesado sobre diferentes pontos de vista que viveram um atentado no metrô - onde a trama levanta o questionamento do título; será que cada indivíduo ali, todo mundo ali, merece morrer?
Sinopse: Treze vidas que se cruzam por acaso e se tornam ligadas por um assassinato. O massacre planejado é impedido por um corajoso jornalista. O padre ali presente logo chama socorro e abençoa a alma altruísta que ajudou a evitar a tragédia. Um pobre medico morreu, vítima de um crime sórdido, que acabou com a vida de um homem de bem. Felizmente os demais passageiros estão a salvo. A narrativa padrão, habitualmente construída pela sociedade, é deixada aos pedaços por Clarissa Wolff nesta história em que ninguém é o que parece. Neste grupo heterogêneo de pessoas, uma coisa é certa: não há possibilidade de salvação.
A premissa é basicamente essa. Um desconhecido dispara uma arma e tira a vida de um médico no metrô de São Paulo. As testemunhas são pessoas das mais distintas realidades; a única coisa em comum entre todas elas é a vida perturbada que cada uma leva. O livro, em si, existe para mostrar suas realidades e levantar a ideia de que, no fim das contas, ninguém ali está realmente a salvo.

Já começo a resenha falando que a impressão que esse livro me passou foi uma bem difícil de descrever, e por isso talvez a resenha acabe se tornando mais um texto solto do que uma crítica de fato.

Todo Mundo Merece Morrer tem lados positivos e negativos, por isso minha nota equilibrada. A narrativa é uma das melhores coisas disparadas dentro do livro; com uma escrita visceral e crua, Wolff apresenta uma São Paulo fria, palco de dezenas de vidas deturpadas e problemáticas. Vários mundos dentro de um mesmo universo que é aquela selva de pedra.


Resenha: Todo Mundo Merece Morrer

O atentado no metrô é o estopim para uma roleta que começa a girar. Cada parada apresenta um personagem presente na hora do crime; cada personagem é de revirar o estômago e mexer com as emoções das piores maneiras possíveis.

De acordo com a moral e com o nosso próprio julgamento, o livro te condiciona a conviver com os pontos de vista problemáticos e enojadores daquelas pessoas. Monstros escondidos dentro de padres, médicos, mães, socialites, etc. Mentes sombrias habitadas pelas piores ideias que se pode imaginar.

Um dos pontos negativos é em relação a quantidade de gatilhos dentro da narrativa. Entendo que é um livro pesado que exista para perturbar, mas tem MUITA coisa que dispara para diversos tipos de problemas emocionais e psicológicos e achei falho não existir pelo menos um aviso a respeito disso no começo da obra. Eu mesma me vi pulando algumas páginas porque achei o conteúdo pesado e a falta de alerta um descuido sem tamanho.

Outra crítica está na parte radical da história; eu entendi o âmago da narrativa, a ideia de que nenhum dos "cidadãos de bem" dentro daquele vagão eram, realmente, de bem. A situação extrema de que um assassinato abriu espaço para falar sobre como todas as pessoas naquele metrô estavam fadados a uma justiça moral idêntica à que levou a vida da vítima - a discussão sobre o fato de que "todo mundo ali, de um jeito ou de outro, merecia morrer". Mas quando você puxa esse tipo de discussão de que ninguém está realmente a salvo, abre espaço para o tipo de justiça que aponta o dedo e diz que bandido bom é bandido morto, o tipo que acha justo uma pessoa puxar uma arma e atirar em alguém que tentar invadir sua casa.


Resenha: Todo Mundo Merece Morrer

O tipo de "justiça" que esse livro apresenta é juiz, júri e executor.

Entendo a crítica que o livro trouxe e, para ser bem honesta, tamanha revolta me tomava a cada personagem apresentado que houve momentos em que me vi concordando com a ideia do título - e aí parava e repensava, porque julgar todo mundo culpado e executável é julgar realmente todo mundo. É me julgar. É mais vingança do que justiça; é uma vingança sedenta, cega e nociva que nunca funcionaria para o tipo de sociedade que a gente quer construir.

Dá pra entender o porquê de essa leitura ter sido tão ????? e ao mesmo tempo tão !!!!! pra mim, né?

O trabalho gráfico da Editora Verus está maravilhoso, como sempre. Eu adorei a capa, as ligações dela com a história e com essa coisa de linhas que se cruzam e acabam num mesmo lugar - diagramação e revisão estão impecáveis.


Resenha: Todo Mundo Merece Morrer

No fim das contas, acho que Todo Mundo Merece Morrer levanta questionamentos interessantes e gostaria sim de ver mais pessoas lendo e entendendo a história de acordo com suas ideias - é uma leitura interessante para se discutir, porque abre margem para muita, mas muita discussão.

Título original: Todo Mundo Merece Morrer
Autora: Clarissa Wolff
Editora: Verus
Gênero: Ficção | Thriller
Nota: 3,5
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COMENTÁRIOS

10 comentários:

  1. Eu achei a premissa do livro bem diferentona, mas super interessante. Eu gosto de histórias assim, em que mostra pessoas diferentes ligadas em um único acontecimento. Mas é uma pena que o livro tenha esses péssimos gatilhos :( Os Delírios Literários de Lex

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    1. Oi, Lex!
      Exatamente pela premissa e por dar tantos nós no nosso cérebro eu acho que a leitura é bem válida. O meu problema foi mesmo com os gatilhos :/ pelo menos um aviso no começo da leitura seria válido.

      Beijos!

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  2. Oi Denise!
    Esse tipo de premissa me chama muito a atenção, então com certeza vou dar uma olhada nesse livro.
    O livro aborda temas pesados mas ao que parece tem um motivo pra isso né? Pq ruim msm é quando isso não acontece, as coisas ficam jogadas na trama e não são trabalhadas =/
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Oi, Carol!
      Sim sim, tudo que tem dentro do livro tá bem encaixadinho na trama. Eu entendi total o motivo de os personagens serem TÃO; tão perturbados, tão errados, tão fora da casinha. Só achei fail não ter o aviso porque uma pessoa que viveu algum daqueles gatilhos pode total ficar abalada por alguma das cenas.

      Beijos!

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  3. Oi Denise, tudo bom? Gostei muito da resenha �� Eu mesma tive problemas imensos em mergulhar nessas vozes, demorei 6 meses pra escrever o capítulo da professora... Mas o que eu queria falar é que eu não quero que a mensagem do livro seja que sim, todo mundo merece morrer, ou que bandido bom é bandido morto, ou que nós como cidadãos temos poder de julgamento. Fico preocupada que essa tenha sido a mensagem recebida por alguém. A minha vontade era de gerar questionamentos entre 1) identificação e auto análise em relação à própria moral, já que todo mundo já fez algo de ruim na vida e 2) capacidade de julgar, o que de certa forma nos aproximaria dos personagens. Se nos sentimos aptos para ser juiz, júri e executor, o que nos diferencia do resto das pessoas do vagão? Isso não seria uma hipocrisia? Enfim, se quiser conversar me manda um e-mail, me adiciona no Facebook, e aprofundamos o papo ��

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    1. Oi, Clarissa! Tudo bom e contigo?
      Fico feliz que tenha curtido a resenha.
      Entendi seu ponto a respeito dos questionamentos. Como eu disse, é o tipo de leitura que me deixa !!!! e ao mesmo tempo ??? porque julgar um é julgar todo mundo, é me julgar, é julgar quem eu conheço, e aí o bug no cérebro é daquele tipo que para o sistema inteiro.
      Curti e muito a leitura, com certeza vou pensar nela por um tempo, e quero que mais pessoas leiam pra poderem dividir comigo as opiniões delas. É o tipo de livro perfeito pra ficar discutindo por um bom tempo.
      Obrigada pela visita :D

      Beijos,
      Denise.

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  4. Oi, Nizz!
    Eu me considero uma pessoa "sortuda" por não ser muito afetada por gatilhos, porém não significa que eu me sinta mal com as cenas.
    Eu adorei a capa desse livro e a diagramação está linda mesmo. Anotei a dica porque fiquei bem interessada.
    Beijos
    Balaio de Babados
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  5. Oi Denise!! Eu já acho que todo livro tinha que ter aviso sobre gatilho e faixa etária, igual filme! E pra comprar livro erótico e de violência maiores de 16 anos no mínimo. Quanto á história, me pareceu bem interessante e apesar das ressalvas fiquei interessada!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. Olá, Denise.
    Concordo com a Michele sobre todos os livros ter esse tipo de aviso e faixa etária. Tem crianças lendo todo tipo de coisa que apesar de muita gente dizer que não, influencia sim. Eu fiquei interessada nesse livro desde que vi ele nos lançamentos. Se der vou ler porque achei o tema muito interessante e quero saber se vou ter essa mesma impressão que você.

    Prefácio

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  7. Oi Denise! Acho que deveria ter um indicativo de conteúdo na capa, eu mesma estava crendo em algo mais leve ou comum, não uma história tão densa e pesada que pode impactar de muitas maneiras um leitor mais suscetível. Eu confesso que minha vontade de ler foi bem reduzida. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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