O que minhas fases de leitora dizem sobre mim?

  • 09:00
  • 17 de jan de 2019

  • Mudar é preciso, disse alguém em algum momento. Mudar é ter a chance de começar algo novo, de descobrir novos gostos e de se (re)conhecer. Portanto, começo esse post com essa afirmação para poder comunicar a todos um dos motivos do meu sumiço: eu me mudei. 

    Mas, principalmente, eu mudei. Não apenas em questão de localização ou tudo o que envolve o início de um novo trabalho e de novas amizades. Estou falando de alguns hábitos, sentimentos e até mesmo gostos. Por isso quis vir aqui e conversar com vocês, entender um pouco o que essas mudanças podem acarretar e discutir sobre como passamos por diversas mudanças nas nossas vidas e como isso reflete nas nossas leituras.

    Se eu for olhar para trás, para aquelas Eduarda que se apaixonou por Harry Potter e o Cálice de Fogo e se entregou ao mundo dos livros, consigo identificar as várias fases pelas quais passei como leitora. Meu início no mundo dos livros se resumia a Harry Potter, os poucos livros que eu conseguia achar que me interessassem na biblioteca da escola (ainda vou escrever um post sobre bibliotecas escolares) e uma fonte inesgotável de PDF's pirata. 

    E aqui eu faço uma pausa breve para explicar o contexto: eu tinha 13 anos, não havia nenhuma livraria na minha cidade, ninguém na minha família nunca comprou nada pela internet (porque sempre rolava o medo de ser golpe), e minha mãe só tinha condições de me dar dois livros no ano quando rolava feira do livro na cidade. Aliás, comecei a vender Avon aos 14 para poder comprar meus livros, então tenho muito orgulho da minha edição de A Casa das Sete Mulheres que foi comprada assim.

    Retomando o assunto, o que eu quero dizer é que entre os meus 13 e 16 anos eu estava na fase das fanfics de Harry Potter, de fazer as primeiras amizades online (saudades MSN), me apaixonar pelo McFly e ser viciada nos livros da Meg Cabot e dos livros YA sobrenaturais. Na época eu nem sabia que eles se classificavam como YA, eu só sabia que eu queria ler sobre garotas adolescentes que se envolviam em um universo sobrenatural e que tivessem um interesse amoroso por quem eu pudesse babar.

    Nesse momento da minha vida eu lia muitos livros por indicação, principalmente da minha amiga Julia, foi ela quem me apresentou House of Night, Crepúsculo, The Vampire Diaries, 1-800-WHERE-R-YOU (Desaparecidos, aqui no Brasil) e muitos outros que não lembro mais. Eu fico muito feliz por ter tido essa fase, principalmente porque carrego resquícios dela dentro de mim até hoje. Vou eternamente exaltar Meg Cabot por ter me presenteado com A Mediadora, e serei eternamente grata as histórias que li durante esses anos por serem responsáveis por me carregarem durante boa parte do meu ensino médio.

    Busquei pelos clássicos e conheci Jane Austen, mas fui me encantar mesmo foi por outra Jane, a Eyre. Na literatura brasileira circulei por Machado de Assis e defendi Capitu, me envolvi com o drama de Helena, mas torci mesmo foi pela Lucíola de José de Alencar. Que, por sinal, terminou de ganhar meu coração com Senhora e seus protagonistas tão disfuncionais.

    Depois disso eu tive algumas fases na busca por leituras mais hot, ainda que eu mantivesse sempre o aspecto sobrenatural. Foi nesse momento que encontrei algumas séries como Irmandade da Adaga Negras e Os Senhores do Submundo, e por sinal envolvi a Bianca nessa minha jornada, e também a nunca finalizada Night Huntress e o amor da minha vida e sempre exaltada Georgina Kincaid.

    Me viciei no universo das distopias e li muito sobre adolescentes vivendo em um mundo perturbado e sendo a esperança de um povo. Fui obcecada por Dan Brown e todos os seus mistérios como boa entusiasta de história que sou. Tive meu coração roubado pelo Tio Rick desde o meu primeiro contato com Percy Jackson e pela sua maestria em misturar mitologia com os dias atuais. 

    Com a chegada de Cinquenta Tons de Cinza dei uma chance para os livros eróticos e percebi que eu já tinha lido coisas muito mais pesadas e sensuais nas fanfics, e entendi que aquela sensação libertadora que esses livros estavam trazendo não era para mim porque eu já era livre. Li alguns, gostei de poucos, critiquei vários.

    Passei pela minha fase "serial killers, gosto" e conheci alguns autores que tenho livros até hoje que quero ler, descobri livros que me encantaram e aceitei que romance policial, embora seja algo que eu goste, é um estilo que eu preciso ler no momento certo.

    Fiz uma breve passada pelos romances de época, também, principalmente focando nos escritos pela Patricia/Meg Cabot e pela Judith McNaught. Gostei muito, enjoei, parei e agora retomei aos poucos através de uma nova safra de autoras como a maravilhosa Tessa Dare.

    Já li e gosto muito, ainda hoje, do bom e velho chcik lit. Estou sempre pronta para encarar um livro leve, engraçado e que me faça sentir como se estivesse assistindo uma boa comédia romântica. Por sinal, sinto falta de mais leituras assim.

    E tem a fantasia, é claro, a boa e velha fantasia com seus mundos de possibilidades. Já me aventurei pela alta fantasia com Tolkien em As Duas Torres (sim eu comecei pelo segundo, me julguem), busquei o entendimento sobre o Pó com As Fronteiras do Universo, voeei nas costas de um dragão em Eragon, e aprendi o que dizer ao Deus da Morte com As Crônicas de Gelo e Fogo.

    Por fim, nos últimos dois anos me rendi aos livros em inglês. O foco ficou na literatura YA, mas o que me conquistou foi finalmente ter o domínio de outro idioma, poder desfrutar do prazer de ler algo da maneira que ele foi pensado e escrito pela sua autora. O tipo de fonte, a textura do papel, a maneira como o livro se abre nas tuas mãos enquanto você lê. Fui arrebatada pelas edições gringas e confesso não saber se tem volta quanto a isso.

    Por outro lado também me dediquei a algumas leituras mais sérias, mais pesadas. O feminismo entrou com tudo na minha vida e percebi que precisava me aprofundar nas suas bases acadêmicas. Feminismo de internet é bom, é legal, mas a história e o estudo estão nos livros. Então comecei a adentrar nessas águas geladas e escuras, onde você começa conhecendo apenas uma ou duas autoras e quando percebe já tem mais de cinquenta livros para ler e nenhum dinheiro para comprar (porque sim, eles tendem a ser mais caros).

    E eu falei tudo isso, tive do um retrospecto da minha vida como leitora, apenas para chegar nesse ponto e dizer: eu estanquei. Antes mesmo do período da mudança, mais ou menos ali período caótico que foram as eleições de 2018, eu simplesmente parei e me distanciei. Não conseguia ler, não conseguia me interessar pelos livros, muito menos escrever uma resenha.

    Logo que me mudei eu até consegui ler dois livros de maneira muito rápida e gostosa, mas estou parada no terceiro faz mais de um mês. Então eu precisei parar, sentar e pensar. O que eu quero como leitora hoje? Em que fase eu estou agora? Mais importante do que tudo isso: o que eu quero e quem eu sou agora?


    Porque as fases da minha vida influenciam nas minhas leituras assim como as fases das minhas leituras influenciam nas fases da minha vida. Por isso eu decidi que para 2019 eu vou ter algumas resoluções quanto as leituras que quero fazer, e são elas:

    • priorizar os livros escritos por mulheres;
    • priorizar os livros com personagens LGBT, de preferência que sejam personagens femininas e/ou bi;
    • ler mais livros voltados a temática feminista;
    • ler clássicos da literatura feminista;
    • ler livros sobre bruxaria e wicca;
    • ler livros que trabalhem arquétipos femininos, deusas ou o sagrado feminino;
    • me envolver mais com o universo da HQ's, com foco em protagonistas femininas;
    • manter o foco nos livros em inglês
    • tentar ler ao menos um livro por semana (meu problema não é o tempo e sim a assiduidade)
    Bom, dito isso eu marco meu retorno para o blog nesse ano e convido vocês a refletirem sobre as fases que vocês já tiveram como leitores. Fica claro para vocês esses momentos ou os livros que vocês liam há cinco/dez anos atrás são os mesmos de hoje e nada mudou? Eu ainda visito várias dessas minhas fases, é verdade, mas muitas delas eu olho com o carinho de quem sabe que já passou. E vocês, o que podem me dizer a respeito das fases que já viveram e do que 2019 os reserva?

    1. Oie
      Legal ver sua trajetória como leitora. E gostei das suas metas. Bom retorno.

      Beijinhos
      https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/

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      1. Gracias Nessa,
        só espero conseguir trabalhar dentro dessas metas e trazer conteúdos legais e diferentes pro blog! :)

        Att.,
        Eduarda Henker

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    2. Oi Eduarda, tudo bem? Eu acho que tive uma trajetória diferente. Li muitos clássicos na escola e na faculdade e só depois foi para os romances. Até hoje tenho dificuldade com YA, mas amo Harry Potter, li muitas e muitas vezes! Amei o post, achei bem bacana conhecer mais vc como leitora!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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      1. Oi Mi,
        os clássicos pra mim tiveram sua fase no segundo ano e depois nunca mais, até identifico essa minha necessidade de aprofundar meus conhecimentos quanto a eles, mas por enquanto vou focar nos clássicos feministas mesmo. Quem sabe para 2020 ou algo assim? hahaha

        Att.,
        Eduarda Henker

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    3. Oi Duda!
      Seja bem vinda de volta!
      Kkkkk, sua fase 1 e muito eu. Lembro das longas noites lendo House Of Night KKKK. MDS ESSA SERIE E UMA FAROFA. Eu larguei la no vol 10. Um dja talvez termine so pra ter a sensacao de dever cumprido.
      Eu acho que cresci muito como leitor. Aprendi a gostar de livros que eu nunca imaginei que gostaria. Li teorias que me fizeram tao viciado quanto as fantasias que tanto amo. E importante ter seu momento.
      O texto ta lindo. Parabens.

      Abraços
      David
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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      1. Oi David,
        menino eu acho que larguei HON ali pelo livro 10 também, comecei a ficar revoltada com umas papagaiadas que estavam rolando (tipo o Heath babaca do livro 1 virar totalmente outra pessoas nos outros livros só pra acrescentar drama) e depois que larguei não teve cristo que me fizesse voltar. Mas confesso ter curiosidade pra saber como se desenrolou aquela novela mexicana, hahaha.
        Confesso que apesar de ter tido todas essas fases, ainda me fecho muito fechada em certos nichos de leitura e bem preconceituosa com alguns gêneros (odeio sick-lit, odeio dramas, odeeeio auto-ajuda ou livro espírita...).
        Agradecida pelo comentário, :)

        Att.,
        Eduarda Henker

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    4. Oiie!!

      Nossa, que interessante essa retrospectiva como leitora que você fez!
      E eu me identifiquei muito com algumas partes que você citou, como o interesse por livros estilo Crepúsculo, que eu li todos na época e amei, e os livros da Meg Cabot, que eu também amava...

      Enfim, bateu uma nostalgiazinha gostosa! *-*

      Bjão
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      1. Oi Janaina!
        Menina foi muito gostoso escrever esse post porque através dele eu pude revisitar todas essas fases e isso me trouxe um sentimento muito bom. É muito legal olhar pra trás e reconhecer tudo pelo que a gente passou pra chegar até o momento atual, a maneira como nossos gostos e críticas mudaram. E a sensação de nostalgia é real, vontade louca de correr e pegar alguns dos livros e/ou atores citados pra reler.

        Att.,
        Eduarda Henker

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    5. Também quero ler mais livros em inglês, mas fica difícil com tantos livros já pendentes na estante =/

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      1. hahaha, sei bem como é. Mas tendo em vista que comprei vários gringos e eles estão na estante, vou conseguir manter essa ideia.

        Att.,
        Eduarda Henker

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    6. Oiii!
      Então somos duas mulheres de fases kkkk. Sobre a literatura brasileira: ela deveria ser mais valorizada, contudo até entendo porque algumas pessoas não suportam ler livros nacionais: é a linguagem. Antigamente era tudo tão rebuscado e complexo que aqueles que estavam tentando iniciar no mundo da leitura simplesmente abandonavam e davam preferência a livros estrangeiros. Obs: fico na dúvida de Capitu traiu Bentinho ou não, apesar de não defender nenhum dos dois. Bentinho era fraco, e Capitu era libertina. Tolkien é meu escritor favorito, e sempre vou achar os livros de Crepúsculo infinitamente melhores que os filmes. Sophie Kinsella domina o gênero dos chick-lits, e tudo que ela escreve vira comédia. Rick Riordan é um primor da literatura moderna; ele coloca negros, LGBTs e diversidade até não querer mais!
      Defendo a igualdade de gêneros e isonomia total, por isso sou feminista, mas não me atrai livros nessa temática e não dou prioridade só para escritoras, tanto que minha inspiração de vida é Tolkien. Mas enfim, gosto é gosto né.
      2019 acabando e só posso dizer que dei muita chance a livros diferentes. Li Os Miseráveis do Victor Hugo e ele configura, atualmente, um dos melhores livros da minha vida. Li duas obras brasileiras: O Mulato (que é muito bom) e Meu pé de laranja lima (que é um amor). Passei por séries de fantasia: As Crônicas de Amor e Ódio, a Rainha Vermelha, A Seleção, Os Deuses do Olimpo... enfim! Também li Serial Killers, da Illana Casoy, e é maravilhoso!
      Minha meta para 2020 não envolve quantidades: já me livrei dela faz tempo. Quero mais diversidades, gêneros diferentes, personagens cativantes, histórias complexas e com muito recheio... Espero que seu 2020 seja repleto de livros ótimos!

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