Resenha: A Cor Púrpura

  • 09:00
  • 1.3.19
  • Resenha: A Cor Púrpura

    A Cor Púrpura, livro de ficção da feminista e ativista pelos direitos civis Alice Walker, não é apenas um clássico da literatura norte-americana, como também vencedor do prêmio Pulitzer em 1983. Editado no Brasil pela José Olympio - selo do Grupo Editorial Record, o livro conta, através de cartas, a jornada de crescimento e auto-descobrimento de Celie, no inicio do século XX.

    Sinopse: Publicado com sucesso nos Estados Unidos, o romance A Cor Púrpura tornou-se conhecido, principalmente, após a adaptação para o cinema por Steven Spielberg, num filme estrelado por Whoopi Goldberg (Celie) e Oprah Winfrey (Sofia). A personagem principal, Celie, negra, semianalfabeta, no sul dos Estados Unidos, vive entre cuidar da família e planeja uma história diferente da sua para a irmã, Nettie. Acompanhamos sua vida por mais de trinta anos, por meio das cartas que escreve para Deus e, posteriormente, para a irmã. Em oposição à solidão, pobreza, brutalidade e violência, Celie vai descobrir outras maneiras de sentir.

    A história começa quando Celie tem apenas 14 anos e escreve sua primeira carta para Deus, contando sobre o abuso sexual que sofreu nas mãos do pai. Ela, uma jovem negra vivendo no interior no sul dos Estados Unidos, em uma época ainda mais machista e racista, se vê sem ter a quem recorrer e, por tanto, escreve a Deus.

    E nós acompanhamos sua vida pelos próximos 30 anos enquanto ela escreve suas cartas, também, para Nettie, a irmã desaparecida que Celie acredita estar morta. E é através das cartas que lemos sobre o abuso que ela sofreu nas mãos do pai, dos filhos que teve com ele e foram arrancados de seus braços, do casamento forçado com o Sinhô, da violência que sofre nas mãos deles e, principalmente, de sua solidão.

    Nettie é a única pessoa que já amou Celie, e ela, por sua vez, ama a irmã ferozmente, fazendo de tudo para impedir que ela também seja abusada pelo pai. Porém, ao longo dos anos e através da amizade que firma com Shuga Avery, uma cantora da cidade que já foi amante de seu marido, e com Sofia, a esposa de seu enteado mais velho, Celie passa a descobrir que seu mundo pode ser muito maior do que trabalhar e servir o Sinhô e apanhar dele.

    Eu nem olho pros homem. Essa é que é a verdade. Eu olho para as mulher, sim, porque não tenho medo delas.

    Aos poucos, ela descobre a amizade e o amor e a força, o poder da educação e o direito a ser reconhecida como um ser humano. A Cor Púrpura levanta temas muito relevantes ainda hoje, não só ao tratar da violência contra a mulher e o racismo, mas também ao falar da precária educação das mulheres - em especial as negras -, do machismo, do patriarcado, da segregação, da vivência da mulher negra, da espiritualidade versus a religião, da descoberta (e aceitação) da própria sexualidade.

    Ao passo em que é um livro de leitura muito fácil, quebrado em cartas geralmente curtas que você lê e lê sem ver o tempo passar, ele traz reflexões grandes de formas descomplicadas. Quando terminei de ler, fiquei parada um tempo absorvendo o fato de que essas personagens não são reais, algo que parece tão absurdo visto o nível de envolvimento que tive com elas.

    Resenha: A Cor Púrpura

    Ao falar da espiritualidade, especialmente, foi onde Alice Walker mais me pegou. Mostrar Celie se voltar para Deus em busca de ajuda, se frustrar, o negar e então finalmente entender a diferença entre espiritualidade e fé, e a religião foi, para mim, muito importante.

    Mas eu num sei como brigar. Tudo o queu sei fazer é cuntinuar viva.

    A Cor Púrpura fala de uma realidade distante e, ao mesmo tempo, muito próxima. Ela não marca, exatamente, o tempo em que foi escrita. Não cita propriamente datas ou grandes acontecimentos para que possamos nos localizar, mas não é apenas isso que o torna atemporal. Infelizmente, muitas das mazelas vividas por Celie - e pelas mulheres a sua volta - ainda são bastante atuais.

    Porém, são justamente essas mulheres que constroem a melhor parte do livro. Celie, Nettie, Sofia, Shuga, Mary Agnes... Elas são tão diferentes entre si e, ainda assim, conseguem firmar laços de amizade e gerar cenas de pura sororidade. Chorei com elas, ri com elas, sofri por elas e também as aplaudi. No fim, faz pensar que se essas mulheres tão diferentes conseguiram se amar e se apoiar, porque nós temos tantos problemas para fazer isso?

    Você deveria ver como elas mimam o esposo. Louvam suas menores realizações. Enchem eles com vinho de palmeira e doces. Não é de admirar que os homens quase sempre sejam tão infantis. E uma criança adulta é uma coisa perigosa, especialmente quando, como entre os Olinka, o marido tem o poder de vida e morte sobre sua esposa.

    No fim de tudo, A Cor Purpura chegou ao topo dos meus favoritos. Celie agora anda de mãos dadas com Mariam, a protagonista de A Cidade do Sol, no meu ranking de protagonistas preferidas, e se tornou uma leitura que eu indico para todo mundo. Uma leitura rápida, direta, o retrato de uma sociedade que ainda, infelizmente, existe, cheia de reflexões tão extraordinárias quanto suas personagens.

    Título original: The Color Purple
    Autora: Alice Walker
    Tradutora: Betúlia Machado, Maria José Silveira e Peg Bodelson
    Editora: José Olympio
    Gênero: Romance
    Nota: 5 +

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    1. Quero muito ler esse livro, apesar de ter uma temática muito forte, meu coração já ficou apertado só de ler a resenha. Gostei muito da forma que você descreveu, vou ler sim!

      https://www.submersaempalavras.com/

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      1. Oi, Monyque!
        Super indico. A temática é forte, mas a forma como a Alice trabalhou ele faz com que seja uma leitura rápida, fluída e mais fácil.

        bjs

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    2. Oi Bibs!
      Esse livro é de uma simplicidade e profundidade ao mesmo tempo que me deixou de cara! É uma leitura que eu adorei fazer tbm, cheia de temáticas importantes!
      Bjs
      http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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      1. Oi, Carol!
        É bem isso mesmo, que bom que você também curtiu! <3

        bjs

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    3. Oi, Bibs

      É revoltante ver que muitas das coisas retratadas no livro ainda acontecem. Parece que o tempo passa, mas não há mais evolução. Alguns preconceitos são tão arraigados que nunca se dissipam, passam de geração para geração sem nunca serem questionados.
      É triste olhar um livro como esse e dizer "é uma história atual", pois não deveria ser, ele deveria ser aquele tipo de história que existe para nos lembrar de como as coisas eram e para nunca deixarmos ela se repetir. Me pergunto quando chegará esse dia...

      Beijos
      - Tami
      https://www.meuepilogo.com

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      1. Oi, Tami!
        SIM, é muito revoltante pegar um livro com mais de 30 anos e ver que ele retratava coisas que ainda acontecem - mesmo porque, ele retrata uma época bem anterior aquela em que foi escrita...
        Enfim, é horrível.

        bjs

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    4. Olá, Bianca.
      Eu fiquei a resenha toda lembrando do livro A Cidade do Sol e depois você citou ele no final hehe. É um livro que já quero ler. Infelizmente como disse a Tamires ai em cima, era para esse tipo de coisa ser passado, mas continua acontecendo e muito.

      Prefácio

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      1. Oi, Sil!
        Minha Mariam e minha Celie lindas, mds <3
        Realmente, deveria ser algo do passado e é enfuriante que ainda aconteça. Mas por um lado, é feliz que a gente perceba os problemas e lute para melhorar.

        bjs

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    5. Olá, Bianca.
      Eu nunca tinha ouvido falar nesse livro, mas adorei saber a temática.
      Estamos precisando de mais livros assim, quem sabe as coisas passem a melhorar.

      Abraços,
      Naty

      http://www.revelandosentimentos.com.br/

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      1. Oi, Naty!
        A Cor Púrpura é extremamente relevante, de fato. Foi há 30 anos e continua sendo hoje.

        bjs

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    6. Oi, Bibs!
      Esse livro chegou a ser discutido em um clube que participo, mas infelizmente eu perdi essa discussão :(
      Beijos
      Balaio de Babados

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      1. Oi, Lu!
        Ah, que pena :/ Deve ter sido uma discussão bem legal. Mas olha, super vale a pena pegar ele para ler, viu? Recomendo.

        bjs

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    7. Adoro o livro, mas me deixou bastante triste, não sei se conseguiria ler o livro =/
      Mas amei sua resenha!

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      1. Oi, Dora!
        Surpreendentemente, eu achei ele mais esperançoso do que desesperador, sabe? O começo foi muito triste, mas o crescimento da Celie e a felicidade eventual dela me encheu de amor.

        bjs

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    8. Oi Bianca,nossa eu acho que é a primeira resenha que leio deste livro e adorei as características que você passa sobre ele pois até então apesar de ser um clássico eu tinha pouco conhecimento do livro.
      Bjs
      https://eternamente-princesa.blogspot.com

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