Resenha: Longe de Casa

  • 09:00
  • 16.3.19
  • Resenha: Longe de Casa

    Longe de Casa é o novo livro da paquistanesa Malala Yousafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. Publicado pela Editora Seguinte - que cedeu o eARC pelo NetGalley - é uma história rápida sobre o que já conhecemos sobre a Malala e uma apresentação a tantas outras sobreviventes de inúmeros conflitos no mundo.

    Sinopse: Ao longo de sua jornada, a paquistanesa Malala Yousafzai visitou uma série de campos de refugiados, o que a levou a pensar sobre sua própria condição de migrante ― primeiro dentro de seu país, ainda quando criança, e depois como ativista internacional, livre para viajar para qualquer canto do mundo, exceto sua terra natal. Em Longe de casa, que é ao mesmo tempo um livro de memórias e uma narrativa coletiva, Malala explora sua própria trajetória de vida e apresenta as histórias de nove garotas de várias partes do mundo, do Oriente Médio à América Latina, que tiveram que deixar para trás sua comunidade, seus parentes e o único lar que conheciam. Numa época de crises migratórias, guerras e disputas por fronteiras, Malala nos lembra que os 68,5 milhões de deslocados no mundo são mais do que uma estatística ― cada um deles é uma pessoa com suas próprias vivências, sonhos e esperanças. 

    Foi fácil me perder em lágrimas conforme as páginas passavam. Malala está ali como uma porta-voz, narrando sua já conhecida história para dar espaço a histórias que não ganharam os holofotes do mundo, mas que importam tanto quanto a dela. É emocionante e empático e dá para sentir nas palavras dela o quanto essa causa, a de proteger e ajudar as meninas do mundo todo, as garotas que perderam tudo por causa de conflitos armados e perseguições, a ter uma chance.


    Em 9 de outubro de 2012, atiraram em mim. Eu tinha me tornado um alvo do Talibã porque defendia a educação das meninas e a paz. A história do que aconteceu naquele dia foi contada e recontada - então não vou fazer isso aqui. Tudo o que você precisa saber é que, quando se passa por uma experiência do tipo, o resultado é um de dois extremos: ou você perde completamente a esperança e se despedaça por completo, ou ganha tanta força que tem certeza de que ninguém mais pode te derrubar.

    Malala é um ícone e certamente um nome que o futuro vai se lembrar pela eternidade. O tipo de pessoa que usou sua posição para abrir caminhos para os menos privilegiados, que aceitou o peso da sua voz para dar espaço as meninas que precisavam.

    Quando ela se afasta para deixar que outras sobreviventes contem suas histórias, é de cortar o coração. Dói ler sobre essas meninas, garotas e mulheres, sobre o que sofreram e enfrentaram para escapar dos conflitos e das situações desumanas que seus países enfrentavam. Crianças que viram a guerra e a morte e foram forçadas a fugir na calada da noite para sobreviver; garotas que sabiam dos horrores que o homem pode cometer e ainda assim não desistiram porque sabiam que suas vidas importavam e que mereciam mais; mães que perderam tudo para dar uma chance às suas famílias - e as cicatrizes que essas perdas deixaram.


    - Sou corajosa e confiante. Mas o que faço se perder a esperança um dia? De onde vou tirar forças de novo? 
    Ela abriu um sorriso tímido e disse:
    - Se perder a esperança, pode olhar para si mesma e para o que já conquistou. Você já é forte.

    Longe de Casa nos apresenta dezenas de realidades diferentes - em princípio, caóticas e desesperançosas. Fala sobre conflitos armados que não chegam às grandes mídias, países em guerra há mais de décadas que nunca receberam os holofotes de outras grandes nações, sociedades que oprimem pela religião, pelo gênero, pela força. As narrativas pintam um quadro desolador para, logo em seguida, mostrar a força de suas protagonistas.

    O que cada uma dessas garotas passou - e o que outras inúmeras também passaram, as garotas sem nome que atravessam fronteiras durante a madrugada, que fogem em barcos precários por correntezas perigosas, sem saber se chegarão ao outro lado com vida, garotas que confrontam familiares por exigir o direito a educação - é desesperador. Não dá para ler sobre essas situações sem se sentir enclausurada, sem notar os privilégios gritantes que nos cercam e que nos diferem - sem perceber que, mesmo com as diferenças, aquela ponta faiscante de empatia e a necessidade de ajudar também fala alto.

    Dentro do quadro desolador, dá para encontrar traços igualmente esperançosos. Porque elas resistiram. Elas ergueram suas vozes. Elas se ergueram. Lutaram e sobreviveram e hoje resistem de outras maneiras, lutando todos os dias por seus direitos, por sua educação, pelo seu lugar no mundo.


    Escolho falar. Escolho defender os outros. Escolho aceitar o apoio de pessoas do mundo todo.

    Considero Longe de Casa o tipo de livro que deveria estar em todas as estantes do mundo; o tipo de livro que fala com você. Fala sobre empatia e sororidade, fala sobre a força das meninas do nosso planeta. Mostra como a educação pode mudar o mundo um passo de cada vez; com uma narrativa extremamente marcante, é o tipo de livro necessário na vida de todo mundo.


    Título original: Far from home
    Autora: Malala Yousafzai
    Editora: Seguinte
    Gênero: Não ficção
    Nota: 5
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    1. Oi De,
      Eu tenho o primeiro livro da Malala aqui em casa, mas ainda não o li.
      Deve ser de arrepiar. Ela é um verdadeiro exemplo.
      Quero ver se compro esse também e LOGO. rs
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com/

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      1. Oi, Ale!
        A história de vida da Malala é de uma inspiração que dá vontade de chorar. O primeiro livro dela é incrível, e esse é ainda mais impactante por dividir o holofote com outras sobreviventes <3

        Beijos!

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    2. Oi Denise, está na minha lista de leituras, só preciso de um psicologico melhor pra ler!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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      1. Oi, Mi!
        Menina nem fale, chorei litros enquanto lia. Mas apesar de ser pesado, passa uma sensação esperançosa bem forte!

        Beijos.

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    3. Oi, Nizz!
      Menina, essa Malala é um ícone de pessoa! Eu tenho que tomar vergonha na cara e ler suas obras.
      Beijos
      Balaio de Babados

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      1. Oi, Lu!
        A Malala é um dos ícones dessa geração que eu queria muito conhecer, deve ser maravilhoso poder conversar com ela. Leia sim!

        Beijos.

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    4. Oi Denise.
      Ainda não tive o prazer de ler as obras da Malala, mas estou apaixonada por essa. Esse livro me impactaria muito, porque além de ser uma história real, é algo que acompanhamos quase todos os dias na televisão.
      Adorei sua resenha.
      Beijos.
      Fantástica Ficção

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      1. Oi, Jessica!
        É o tipo de história que fica contigo por muito tempo, exatamente. Super recomendo porque apesar de ter uma temática pesada, também passa esperança.

        Beijos!

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    5. Oi Denise! Eu ainda não tive oportunidade de conferir os livros da Malala, mas quero incluir nas leituras deste ano, ela é uma pessoa com muito a passar. Bjos!! Cida
      Moonlight Books

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      1. Oi, Cida!
        Espero que você consiga ler em breve, é uma baita história de superação e empoderamento <3

        Beijos!

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