Resenha: Good Omens

  • 09:00
  • 14.6.19
  • Resenha: Good Omens

    Good Omens, ou Belas Maldições, é o trabalho em parceria de Terry Pratchett e Neil Gaiman que ganhou uma adaptação em formato de série pela Amazon este ano. Foi relançado recentemente aqui no Brasil pela editora Betrand - que cedeu este exemplar para resenha. A história acompanha um anjo e um demônio enquanto tentam impedir o apocalipse bíblico; como eles vão fazer isso é que cria toda a graça da coisa.

    Sinopse: O mundo vai acabar em um sábado. No próximo sábado, para falar a verdade. Pouco antes da hora do jantar. Não há nada que possa ser feito para frustrar o Grande Plano divino. Mas quando uma freira satanista um tanto distraída estraga um esquema de troca de bebês e o pequeno Anticristo acaba sendo entregue ao casal errado, tem início uma série de erros cômicos que podem ameaçar o próprio Armagedom. Aziraphale é um anjo que atua na Inglaterra e dono de um sebo nas horas vagas. Crowley é um demônio e ex-serpente responsável pela mesma região. Ambos veem nessa confusão uma grande oportunidade, porque os dois, que vivem entre os humanos desde o Princípio, apegaram-se demais ao mundo para desejar a grande batalha entre o Céu e o Inferno. Em sua jornada para evitar o Armagedom e encontrar o Anticristo, agora um menino de 11 anos vivendo tranquilamente em uma cidadezinha inglesa, eles acabarão trombando com uma jovem ocultista, dona do único livro que prevê com precisão os acontecimentos do fim do mundo, com caçadores de bruxas ainda na ativa e, quem sabe, até com os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Mas eles terão de ser rápidos. Não é só o tempo que está acabando...

    Aziraphale e Crowley se conhecem há muito tempo - desde que o mundo foi criado, mais precisamente. Cada um a seu modo, vivendo em meio a humanidade, o anjo e o demônio aprenderam a gostar das peculiaridades da Terra e dos que habitam ela. Quando a chegada do anticristo é anunciada, no entanto, eles decidem que deveriam fazer alguma coisa para tentar evitar o fim dos tempos.

    Com os anos se passando, cavaleiros do apocalipse chegando e o anticristo se aproximando da idade onde o armagedom vai cobrir a humanidade, o livro acompanha a dupla e outros personagens em meio às tramoias do destino, de antigas profecias e do inevitável confronto entre céu e inferno.

    Good Omens é exatamente o que promete: uma sátira do apocalipse bíblico, usando de humor e de muita genialidade para construir uma trama bastante conhecida, que é o fim do mundo.

    Resenha: Good Omens

    Aziraphale e Crowley não poderiam ser mais opostos. Um anjo bondoso e benevolente e um demônio curioso e impaciente. O que deveria ser uma relação de rivalidade acabou se tornando um relacionamento quase conjugal, com um conhecendo tanto sobre o outro quanto se é possível depois de tantos milênios. Foi, sem dúvida, o melhor arco de todo o livro.

    As personalidades opostas criaram diálogos interessantes e hilários e situações absurdas que combinavam em muito com a presença dos dois. Vê-los tentando impedir o apocalipse, cada um a sua maneira, dentro das suas posturas, foi bastante divertido - e a narrativa fluiu muito bem no começo exatamente por acompanhar os dois.

    É assim que acontece, você acha que está no topo do mundo, e de repente vêm com o Armagedom pra cima de você.

    Mas, conforme conhecemos mais sobre a dupla, também somos apresentados a diversos outros personagens chave para a narrativa. Adam Young, o anticristo, certamente é uma figura interessante; um garoto apaixonado pelo lugar onde vive, pelos amigos e pela ideia de conhecer mais do mundo, tem pouco de "anticristo" nele - o que deixa a leitura mais tensa, porque você não sabe o que esperar do arco desse menino.

    Dizem que o Diabo tem as melhores músicas. De modo geral, isso é verdade. Mas o Céu tem os melhores coreógrafos.

    A bruxa Anathema e o jovem caçador de bruxas, Newt, também foram dois queridos; achei que me entendiaria em seus pontos de vista, mas eles eram atrapalhados e ansiosos em contraponto ao suspense de Adam e ao cuidado dos seres sobrenaturais. Os momentos entre os dois davam vida a situações mais destrambelhadas, uma vez que Anathema estava ali tentando entender as dezenas de profecias de suas ancestrais e Newt estava ali... Bem, primeiro para caçá-la, depois tentando impedir o fim do mundo junto com ela.

    Good Omens é todo guiado por seus personagens, e o leque de personalidades tornou a narrativa bastante fluida e engraçada. Aziraphale e Crowley foram os protagonistas mais carismáticos e hilários que essa história poderia ter, completos opostos no que concerne a representação do "bem" e do "mal", mas a história deles, unida a de todos os outros nomes desse elenco, fizeram desse livro um favorito.

    Pode ser que ajude na compreensão das grandes questões humanas ter uma noção clara de que a maioria dos grandes triunfos e tragédias da história é provocada não por pessoas sendo fundamentalmente boas ou más, mas por pessoas sendo fundamentalmente pessoas.

    A narrativa dos autores, aliás, é um show à parte. O humor satírico é latente e entrega momentos de te deixar gargalhando porque são tão absurdos e sem sentido que fazem todo o sentido dentro do contexto apocalíptico.

    Resenha: Good Omens

    A edição da Record está bem simples e bonita e eu não costumo preferir as capas das adaptações, mas ter Michael Sheen e David Tennant à frente do livro com certeza serve pra deixar meu coração fangirl feliz.

    No mais, para fãs dos autores ou de profecias apocalípticas contadas por bruxas atrapalhadas e anjos e demônios perdidos em meio aos seus deveres sobrenaturais, Good Omens é uma das melhores leituras que você vai fazer.

    Título original: Good Omens
    Autor: Neil Gaiman, Terry Pratchett
    Editora: Bertrand
    Tradução: Fábio Fernandes
    Gênero: Fantasia
    Nota: 5 +

    1. Olá, Denise.
      Eu li esse livro em uma leitura coletiva e achei ele muito bom. E olha que até agora eu não tinha gostado de nada do Gaiman. Sem dúvida a dupla de anjos roubou a cena no livro, e na série de tv também que já assisti e está tão boa quanto o livro. Até os diálogos são iguais hehe.

      Prefácio

      ResponderExcluir
    2. Oi Denise,
      Eu nunca li nada do Gaiman, só vi a adaptação de Deuses Americanos e gostei muito, então quero conferir essa obra também.
      E talvez seja a hora de iniciar as leituras do autor.
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com

      ResponderExcluir

    Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!

    Tecnologia do Blogger.