Resenha: Loucamente apaixonada na Livraria dos Corações Solitários

  • 09:00
  • 31 de ago de 2019
  • Resenha: Loucamente apaixonada na Livraria dos Corações Solitários

    Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários é o terceiro volume da série A Livraria dos Corações Solitários, da autora Annie Darling, publicada aqui no Brasil pela Editora Verus - que cedeu este exemplar para resenha. A narrativa contemporânea é a pedida perfeita para quem adora comédias românticas pra desestressar.

    Sinopse: Cheia de tatuagens e com o cabelo cor-de-rosa, a dublê de pinup Nina adora bad boys — quanto mais cara de mau, melhor. Apesar dos receios de seus amigos, ela acredita firmemente que o amor verdadeiro só tem uma forma: selvagem, intenso e pontuado por brigas tempestuosas — como na história de Heathcliff e Cathy, o casal angustiado de O Morro dos Ventos Uivantes. E ela não vai se contentar com nada menos que isso. Mas anos de encontros marcados por aplicativo não trouxeram nada além de caras esquisitos e paqueras banais, e Nina não está nem um pouco mais perto de encontrar o amor. Quando um homem de seu passado entra na livraria, Nina sabe que não tem nada a temer: o garoto mais nerd da escola se tornou um analista de negócios tedioso que combina o terno com a gravata, sem chance de fazer seu coração bater mais rápido. O que só mostra quão pouco Nina sabe sobre bad boys, analistas de negócios e o próprio coração... Este é mais um romance delicioso da série A Livraria dos Corações Solitários, sobre a vida dos funcionários da livraria, um “alegre bando de desajustados”, que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam.

    Nina é apaixonada por paixões; ela não tem muitas expectativas e sonhos para o seu futuro, só sabe que quer encontrar um homem perfeito para arrebatar seu coração da maneira mais arrebatadora possível. O tipo de homem para definir a palavra "paixão"; seu Heathcliff - tirando a parte da toxidade perturbadora, ela sabe disso.

    Nada disso se encaixa em Noah, o rapaz contratado para ajudar como analista de negócios da livraria e, apesar de ter um passado com ele - um não muito agradável para Noah - Nina sabe que não tem com que se preocupar. Mesmo que Noah seja fofo, todo sardento e educado, ele não exala paixão. Mesmo que Noah tenha um sorriso incrível, ele não é seu Heathcliff.

    Essa onda de negação, no entanto, parece aproximar muito Nina do analista - e tudo que ela pensava querer pode acabar acontecendo de outra maneira.

    Nina era geneticamente programada para desligar certas palavras, como "negócios" e "analista". E também "plano de previdência atrelado à inflação", "chinelos" e "dormir cedo".

    Apesar de se tratar do terceiro volume da série - eu, por exemplo, ainda não li os dois primeiros - é aquele tipo de livro independente que você pode ler na ordem que quiser. Vai pegar um spoiler aqui e outro ali, mas nada que atrapalhe a leitura. Só serve pra instigar mais, na minha opinião.

    Nina é uma protagonista cabeça dura. Difícil, por assim dizer, mas divertida de acompanhar. Ela é muito teimosa no que concerne suas decisões para a vida, seja no seu estilo vintage e pin-up, toda trabalhada nos vestidos justos, cabelo estilo Marilyn Monroe e pose sedutora, seja na maneira com que encara a vida; Nina já foi muito derrubada e depois de experimentar a monotonia, decidiu que nunca mais viveria aquilo.

    - Quando pensei na Emily Brönte e nas irmãs dela fechadas em uma casa paroquial, mas escrevendo com tanta vitalidade, senti que tinha que começar a viver em vez de apenas existir.

    Na livraria, apesar da calmaria, Nina tem suas aventuras com os livros e com as melhores amigas, Posy e Verity - ambas protagonistas dos volumes anteriores, eu imagino. Elas já tiveram suas histórias contadas e seus finais felizes alcançados, e para Nina está bem assim; ela não pede por um final feliz, afinal. Ela quer paixão, calor, quer um homem pra abalar seu mundo.

    E, ironicamente, Noah acaba se mostrando bastante presente para esse papel. O analista é tudo distante do que ela sonhava e talvez por isso se mostre tão certeiro em sua vida. O rapaz é doce, gentil, atencioso, educado - nada de bad boy, nada de morro dos ventos uivantes para Nina. Com o tempo, ela começa a entender porque.

    - Gosto de resolver problemas e de pensar que as coisas acontecem por uma razão e não por mero acaso.

    Eu gostei bastante da dinâmica do casal exatamente pela autora trabalhar essa coisa de as aparências enganarem. Apesar de Nina ostentar tanto poder, ela tem fragilidade, tem inseguranças, tem poucas aventuras para falar a respeito. Apesar de Noah parecer um grande nerd, ele é todo aventureiro e arriscado e devagar mostra esse lado para a protagonista.

    As interações entre eles foram muito trabalhadas em cima da desconfiança, do mistério e finalmente da proximidade. Nina guarda esse segredo sobre conhecer Noah de seu passado, e sabe que se revelar pode acabar estragando tudo - ainda que não saiba o que é esse tudo. Dá uma tensão interessante na trama, apesar de eu ter achado toda a parte da revelação e do confronto beeeem superficial e mal trabalhado no fim. Guardou isso por tanto tempo pra resolver em três capítulos; foi bem preguiçoso.

    Resenha: Loucamente apaixonada na Livraria dos Corações Solitários

    Outra coisa preguiçosa e que eu senti falta foi do desenvolvimento da Nina dentro de alguns pontos independentes dela. Toda sua aura rebelde acaba caindo só para o lado romântico; suas descobertas e aceitações de fragilidades e inseguranças não se desviam para o solo, para quem ela é e quem ela quer ser - a narrativa até deu alguns momentos disso e eu esperava ver mais desenvolvido, ao menos uma pontinha do que poderia esperar para o futuro dela. Infelizmente para mim, não teve.

    - O teorema de Bayes descreve a probabilidade de um evento, com base no conhecimento prévio das condições que podem estar relacionadas a esse evento. Por exemplo, eu sabia que você gostava de roupas e coisas vintage e sabia que você comia carne, por causa da nossa conversa no trem. Então, com base nesse conhecimento, escolhi este lugar para o nosso encontro.

    Suas interações com os outros personagens foram bem divertidas porque Nina, em si, é um espírito enérgico muito interessante. Posy e Verity eram mais centradas e pé no chão onde ela era gritos e revoluções; sua mãe, Alison, apareceu com o clichê conservadora x libertária da Nina que eu gostei de ver na resolução. Foi rápido também, mas bem menos "estou correndo com isso" e mais "estou começando a ver um progresso".

    Resenha: Loucamente apaixonada na Livraria dos Corações Solitários

    A edição da Verus está muito bonitinha, tanto em capa quanto diagramação. Só faltou revisão em alguns trechos, o que deixou partes da narrativa mal formuladas e confusas para entender - poucas partes, mas ainda assim estavam ali.

    - Se eu aprendi alguma coisa com O morro dos ventos uivantes foi que uma vida sem paixão é uma vida vivida pela metade.

    Loucamente apaixonada na Livraria dos Corações Solitários é aquele estilo de comédia romântica que daria um filme muito gostosinho de acompanhar; tem uma personagem irreverente, um par romântico fofo e uma história de amor de virar o mundo de qualquer um de cabeça para baixo.

    Título original: Crazy in Love at the Lonely Hearts Bookshop
    Autora: Annie Darling
    Editora: Verus
    Tradução: Cecília Camargo Bartalotti
    Gênero: Chick-lit | Romance contemporâneo
    Nota: 4

    1. Oi Denise,

      Eu li primeiro livro dessa série e odiei :(
      Mas como conheço as personagens pela primeira história, sinto que vou gostar dessa pois a Nina é bem doidinha então prevejo que vai ser divertido.


      Bjs e uma boa semana!
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