Resenha: As três partes de Grace

  • 09:00
  • 11 de set de 2019
  • Resenha: As três partes de Grace

    As três partes de Grace é o premiado romance da autora Robin Benway e chega ao Brasil pela editora Galera Record - que cedeu esta prova antecipada através da caixinha VIB. Uma história sensível que fala sobre família em suas mais diversas formas que tem tudo para fazer você chorar por horas a fio.

    Sinopse: Grace acabou de ter uma filha. E a entregou para adotação. Não foi uma decisão fácil, já que a própria Grace é adotada. Como escolher uma família para sua bebê? Como ter certeza de que ela terá bons pais? Era de esperar que tudo isso fosse emoção suficiente na vida de uma adolescente, mas ela também acabou de descobrir que tem dois irmãos. Maya é a única integrante de cabelos escuros naquela família de ruivos. As fotos pela casa mostram como ela é diferente de seus pais e de sua irmã Lauren, filha biológica do casal. Quando a família começa a passar por problemas e tudo parece prestes a desmoronar, Maya não consegue parar de se perguntar se aquele é o seu lugar. Quem é sua família biológica? Onde está seu lar? Joaquin é o irmão mais velho. Ele nunca foi adotado. Chegou muito perto por muitas vezes, mas algo sempre acabava dando errado. Agora ele vive com uma boa família acolhedora, cheia de amor e vontade de adotá-lo, mas o garoto, prestes a completar dezoito anos, não sabe se deve mesmo acreditar que o destino está lhe dando chances de ser filho de alguém. Criar laços afetivos não é fácil quando se passou a vida inteira sendo abandonado. Mas talvez suas irmãs possam lhe ajudar a vencer essa barreira. Em vista por amor familiar, companheirismo e, no fim das contas, por não se sentir sozinho no mundo, Grace, Maya e Joaquin vão contar uns com os outros na procura pela mãe biológica. E por si próprios.

    Na trama, acompanhamos Grace, Maya e Joaquin; eles são irmãos, só não sabem disso ainda. Enquanto suas histórias paralelas se desenrolam com seus respectivos problemas - Grace acabou de ter uma filha e vai dá-la para adoção, Maya está vendo seus pais desmoronarem em brigas e uma possível separação se aproxima e Joaquin definitivamente não sabe como lidar com a ideia da família temporária estar querendo adotá-lo - eles acabam se encontrando e se descobrindo.

    E aí as dúvidas sobre o passado, sobre sua mãe biológica e o motivo de tê-los abandonado, começam a rondar Grace, enquanto Maya e Joaquin parecem determinados a esquecer o passado e as dores contidas nele. Entre os dramas individuais e conjuntos, o livro se desenvolve com uma sensibilidade e uma delicadeza de arrancar lágrimas quando você menos espera.

    Quanto mais velha ela ficava, mais humanos seus pais pareciam, e isso era uma das coisas mais apavorantes do mundo.

    Eu não conhecia a obra, mas foi só começar a ler para me ver arrebatada e ligada a esses três personagens e suas histórias tão carregadas em emoção e dor. As três partes de Grace é o tipo de história que vai mexer com você de todas as maneiras possíveis; vai te fazer chorar, rir, sentir raiva, ficar frustrada, desesperada, ansiosa. É um livro carregado em todos os tipos de sentimentos e por isso foi tão maravilhoso de acompanhar.

    A autora soube trabalhar com precisão cada um dos delicados traços de personalidade dos seus três protagonistas. Conforme os irmãos ganhavam vida, também ganhavam mais medos e fragilidades e hesitações, mais sonhos e sorrisos e alegrias. Grace, Maya e Joaquin são três nomes para guardar no meu coração.

    Grace é a primeira que conhecemos. Ela está no auge da sua adolescência e foi confrontada com uma gravidez indesejada; depois de muito conversar, decidiu colocar sua filha para adoção - e o livro inicia com esse momento de separação tão visceral e desesperador. Se por um lado Grace quer a liberdade e a juventude de volta, por outro dar a filha para um casal de estranhos - ainda que maravilhosos - pode se tornar um fardo que ela não sabe como carregar.

    Eu gostei muito da sensibilidade da autora nas questões de maternidade jovem, de como ela tratou os medos e tristezas da Grace de maneira tão tocante, falando abertamente sobre como ela estava apavorada, como tinha perdido uma parte sua que nunca retornaria, mas também de como precisava passar por esse momento de dor para poder se construir - os embates com a família sobre quem ela era e quem se tornou, com aqueles que consideravam seus amigos, mas a abandonaram num momento de dificuldade, e até mesmo a aproximação com um novo amigo inesperado que se mudou para sua escola. Tudo isso tem seu tempo e seu devido desenvolvimento.

    De Grace também parte a iniciativa de procurar pela mãe biológica dos três, justamente porque ela viveu na pele o que é ser jovem e escolher dar uma vida melhor para uma criança que chegou em um momento indesejado - ela tem essa esperança de que a mãe biológica possa ter feito isso por eles também, mas só conversando com ela para descobrir. Só encontrando a mulher, descobrindo quem ela era, para entender.

    Maya nunca tinha percebido quanto poder havia no ato de amar alguém.

    Maya, por sua vez, é o ponto de vista mais difícil por carregar mais revolta e fúria do que os outros dois. Aos olhos dos outros, ela tem essa vida perfeita em uma casa gigantesca com uma família cheia da grana - mas em seu coração guarda mágoas pelas diferenças físicas com os pais e a irmãzinha que nasceu pouco depois da sua adoção, pelas discussões que os pais vêm tendo e se tornaram cada vez mais definitivas, pela ideia de que, se eles se separarem, ela pode se tornar aquele elo que não vai a lugar nenhum, afinal, ela é a adotada. Na cabeça de Maya, existe essa linha separando-a da irmã por causa do DNA, e é o que se desenvolve na sua revolta emocional.


    Diferente de Grace, que vive esse momento de luto pelo que poderia ter e de recomeço, Maya está experimentando as muitas fases da ira - e do arrependimento logo depois dela. Muito contida, ela é do tipo que esconde a dor com piadas e bom humor, e isso acaba por afastá-la de quem se importa também; o tempo de entender isso e de melhorar é o que constrói seu crescimento na trama, principalmente depois de se aproximar de Grace e de Joaquin - duas partes dela que importam tanto, que viveram separadas por tanto tempo e de repente se tornaram essenciais.

    E Joaquin, por fim, foi o que mais me fez chorar. Diferente das irmãs, ele nunca foi adotado, passando por dezenas de lares temporários - alguns marcantes positivamente, muitos negativamente, outros tão rápidos que se tornaram borrões - até chegar em Mark e Linda, que, estranhamente, parecem querer adotá-lo cada vez mais.

    [...] e ele achou que agora conseguisse compreender o que as pessoas queiram dizer quando afirmavam que encontramos nosso lar em pessoas, não em lugares.

    Essa ideia de ser considerado parte de uma família, de ser amado e querido, de pertencer a algumas pessoas emocionalmente, a mente de Joaquin não consegue conceber isso. Tantos traumas e abandonos e uma situação terrível que viveu quando era criança deixaram marcas difíceis de apagar, quanto mais de superar. As dores e medos de Joaquin são mais densas e tenebrosas que das irmãs, e por isso mais complicadas de resolver.

    Eu perdi a conta de quantas vezes chorei em suas cenas solitárias, nas que dividia com as meninas ou mesmo com Linda e Mark. Joaquin era um elo perdido desesperado por encontrar seu lugar, mas sem coragem para fazer isso; a questão da cor de pele e da sua herança latina também fazem muito pelo enredo do personagem, contribuindo para discussões sociais interessantes e igualmente revoltantes.

    A autora constrói esses três embates solitários ao mesmo tempo em que une os irmãos. De estranhos com o mesmo DNA para amigos e companheiros, a confiança e união é gradativa e torna a narrativa rica em esperança, te faz ansiar pelo momento em que as coisas finalmente vão se acertar para aqueles três, quando finalmente vão se sentar para serem simplesmente felizes.

    Além disso, toda a questão sobre adoção, lar, pertencimento, amizade e amor - de todos os tipos - permeia a trama principal. A autora dá espaço para falar sobre xenofobia, dá espaço para um relacionamento lésbico lindo que em momento algum é atrapalhado por um incidente homofóbico (só duas garotas se amando e discutindo como um bom clichê) e dá voz a três protagonistas jovens enfrentarem seus medos de cabeça erguida.

    Mesmo para uma prova antecipada, As três partes de Grace tem uma tradução e revisão muito boas - eu não gostei taaaaanto da adaptação do título por dar esse foco para a Grace, já que "Far from tree", o original, tem todo um contexto mais geral, mas entendo a escolha de adaptar assim. E a capa ficou uma gracinha!

    - É exatamente isso que uma família é, Joaquin. Não importa para onde você vá nem a distância, você ainda é parte de mim e de Grace e nós ainda somos partes de você também.

    Para fãs de dramas bons e bem trabalhados e histórias de família que dariam uma série tão carregada quanto This is Us, As três partes de Grace é uma leitura primordial para estar na sua estante. Eu com certeza vou carregar essas três jornadas no meu coração por muito tempo.

    Título original: Far from the tree
    Autora: Robin Benway
    Editora: Galera Record

    Tradução: Natalie Gerhardt
    Gênero: Romance | Drama
    Nota: 5 +
    Skoob

    1. Olá, Denise.
      Que rápida você, eu ainda estou lendo ele hehe. E amei sua resenha porque você expressou tudo o que estou sentindo lendo o livro. Eu amo os três, mas o Joaquin tem um fragilidade que dá vontade de pegar no colo e nunca mais largar. Também estranhei essa tradução do nome, mas entendo.

      Prefácio



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      1. Oi, Sil!
        Menina eu li rápido demais porque foi TÃO BOOOOOM, não deu pra parar!
        O Joaquin foi o que mais mexeu comigo, sim. A história dele é bem mais pesada e por isso pega mais no emocional, mas socorro que eu queria colocar os três num potinho e proteger do mundo!!!!

        Beijos.

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    2. Menine do céu, que Far From the Three virou esse título???? Nunca que eu ia reconhecer! #chocada!
      Beijos
      Balaio de Babados
      Sorteio de aniversário Balaio de Babados e O que tem na nossa estante. Participe!

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      1. Oi, Lu!
        EU TAMBÉM ESTRANHEI MUITO AHUHSUAHUSAUHSAHUSAUHSA não faz sentido quando tu tem três protagonistas - a Grace não é a parte central, ela é um dos galhos né. Mas ok né, adaptações.

        Beijos.

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    3. Eita Dê você já leu! Eu ainda não comecei, mas agora fico com mais vontade ainda, eu tenho certeza que vou chorar com esse livro! Feliz por vc ter gostado, me animou!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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      1. Oi, Mi!
        Eu li num flash que até me surpreendi, não vou mentir! Mas a história é boa demaais, você vai amar.

        Beijos!

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