Resenha: Rastro de Sangue: Príncipe Drácula

  • 09:00
  • 7 de set de 2019
  • Resenha: Rastro de Sangue: Príncipe Drácula

    Rastro de Sangue: Príncipe Drácula é a continuação de Rastro de Sangue: Jack, o Estripador, de Kerri Maniscalco. O livro é publicado no Brasil pela DarkSide Books e traz as aventuras de Audrey Rose Wardsworth, uma adolescente desvendando assassinatos na era vitoriana.


    Sinopse: Audrey Rose Wadsworth esta longe de ser uma tipica donzela em perigo da era vitoriana. Com um bisturi em maos e um olhar clinico para decifrar os segredos dos mortos, ela foi peca-chave na solucao do caso de Jack, o Estripador. Agora, um outro assassino em serie ameaca espalhar terror enquanto drena cada gota de sangue de suas vitimas. Os leitores apaixonados por misterios e aventuras percorreram as vielas sombrias de Londres em Rastro de Sangue: Jack, o Estripador. E pediram mais. Afinal, boas historias costumam deixar qualquer um com sede. Em Rastro de Sangue: Principe Dracula, novo lancamento da linha DarkLove, da DarkSide Books, sede e o ingrediente principal. Audrey Rose acompanhada de Thomas Cresswell, o irritante, porem charmoso, aprendiz de seu tio embarca em uma viagem ao coracao sombrio da Romenia, lar de uma das melhores academias de medicina forense da Europa... e tambem do terrivel Vlad, o Empalador, cuja sede de sangue virou lenda e transformou seu castelo em um antro de horrores. Quando corpos surgem completamente drenados dentro da academia, desafiando a logica e a razao, Audrey Rose precisa enfrentar os fantasmas do passado para seguir seu faro investigativo. Mas o tempo urge, e qualquer um pode ser a proxima vitima. O segundo livro da serie Rastro de Sangue e a combinacao perfeita de ficcao historica, misterio, romance e girl power. Enquanto guia o leitor por mais uma investigacao de tirar o folego, Kerri Maniscalco apresenta novos personagens cativantes, aprofunda o relacionamento entre os que ja conhecemos e deixa pistas do que esta por vir nos proximos livros. Tudo isso em uma ambientacao gotica que honra as obras dos mestres Edgar Allan Poe e Bram Stoker, sem contar as cenas de medicina forense que se aproximam dos livros da linha Crime Scene, como Arquivos Serial Killers e O Segredo dos Corpos. Recomendado tambem para os amantes de csi, mindhunter e do terror gotico de Penny Dreadful. Rastro de Sangue: Principe Dracula e o segundo livro de uma serie de quatro volumes. E a edicao e feita sob medida para os leitores exigentes da DarkSide , com capa dura, marcador de fita e as doses certas de aventura e romance que so os titulos da linha DarkLove podem proporcionar. Voce esta pronto para ouvir os ventos uivantes do castelo de Dracula e desvendar os seus segredos?


    Com o desfecho de Rastro de Sangue: Jack, o Estripador, Audrey Rose se encontra de luto, a caminho de uma nova aventura. Dessa vez ela vai para a Romênia, estudar em uma das mais prestigiadas academias de medicina e ciência forense da Europa. Como a única mulher da classe, Audrey vai precisar enfrentar o seximos de seus colegas e professores - e até mesmo de Thomas, ainda que desfarçado de boas intensões - se quiser conseguir uma vaga no próximo semestre.


    Mas tudo isso pode ir por água abaixo quando ela se depara com mais assassinatos. Só que em vez de prostitutas mutiladas pelo Estripador, são pessoas mortas com estacas ou roubadas de todo o sangue do corpo - crimes que simulam ataques de strigois (os vampiros romenos). E quanto mais esses crimes se aproximam da academia e de seus colegas, menos Audrey Rose pode ignorá-los.

    "Ao menos uma vez na vida eu gostaria de ser o herói. Ou pelo menos fingir ser. Você... Está... Sempre... Me... Salvando."

    Percebendo a crescente superstição local - que contra toda a racionalidade está inclinada a acreditar que realmente existem strigois ao redor do castelo de Bram e que o próprio príncipe imortal, Vlad, o Empalador, está de volta - e a dificuldade das autoridades de encontrar o assassino, Audrey Rose mergulha, mais uma vez, no mundo da investigação forense para encontrar o culpado - e quase morrer no processo.

    Eu já falei o quanto amei Rastro de Sangue: Jack, o Estripador, então não preciso nem falar o quanto estava empolgada para ler esse livro. Estava quase comprando em inglês quando surgiu o anúncio da publicação em português, então me segurei e finalmente consegui colocar as mãos nessa sequência tão aguardada.

    Resenha: Rastro de Sangue: Príncipe Drácula

    Em Rastro de Sangue: Príncipe Drácula, Audrey Rose e Thomas continuam o mesmo casal de velhos, cheios de picuinhas e brigas, que eu amei no primeiro livro. Mas fora isso, tive algumas grandes decepções. Não sei o que aconteceu, mas desde que declarei meu amor com o primeiro livro, eu só ouvia elogios do pessoal. "Príncipe Drácula é muito melhor", "Audrey Rose está ainda mais feminista no segundo livro" e coisas do tipo, o que realmente me empolgou.

    Os monstros estão nos olhos de quem os observa. E ninguém queria descobrir que seus heróis eram os verdadeiros vilões da história.

    Mas bastou ler a metade do livro para ver que não era por aí, não. Não achei a Audrey mais feminista, como muita gente alardeou. Achei ela no mesmo nível do primeiro. O que encontrei, no entanto, foram situações onde o machismo estava mais escrachado. Ele não vinha tão velado, tão fantasiado de preocupação fraternal, uma vez que os homens do livro não tem qualquer relação com ela. Então as atitudes de Audrey Rose também foram mais abertas.

    O feminismo, por assim dizer, ficou mais mastigado nesse livro. Menos nas entrelinhas, como foi no primeiro. O que não quer dizer que é ruim, apenas não quer dizer que foi "mais" do que o primeiro, na minha visão. Aliás, em alguns momentos eu achei até "menos", já que tivemos várias passagens onde Audrey questionava suas ações por medo de magoar os sentimentos de Thomas, por exemplo - mesmo que ele já tivesse magoado ela, ainda que sem querer.

    Resenha: Rastro de Sangue: Príncipe Drácula

    Fora isso, achei a narrativa de Rastro de Sangue: Príncipe Drácula bastante lenta. Não sei se foi a tradução, já que li o primeiro livro em inglês, mas senti o ritmo bem desacelerado, as coisas demoraram muito para acontecer e parece que, as vezes, a narrativa se perdia em descrições que não acrescentavam muito para a história. Adjetivos demais que podiam ter sido cortados e uma tradução que deixou um pouco a desejar na segunda metade do livro.

    Todos nós estávamos aqui para aprender. Era ele quem tinha um problema, não eu. Talvez estivesse na hora dos pais ensinarem seus filhos a se comportar na presença das moças. Eles não nasciam superiores, por mais que a sociedade falsamente os condicionasse a pensar como tal. Aqui, nós éramos iguais.

    A história também demorou para começar. A investigação realmente tem início lá pelo capítulo 30, antes disso tudo acontece bem aos poucos, bem espaçadamente. Em parte porque Audrey ainda está lidando com o luto, já que Rastro de Sangue: Príncipe Drácula se passa poucas semanas após os eventos do livro anterior, por isso acompanhamos as dúvidas constantes dela, a culpa e a dor da perda. Um ponto que achei interessante ser abordado, importante que Kerri não tenha simplesmente passado por cima da dor da personagem.

    Mas preciso dizer que a grande decepção com Rastro de Sangue: Príncipe Drácula foi por conta do mistério. Quando finalmente descobrimos quem é o assassino e temos a cena do confronto final, aquela clássica onde o vilão explica todo o seu plano, eu fiquei "é isso mesmo?"

    Parece que as soluções saíram do nada. Kerri Maniscalco passou o livro inteiro nos ensinando sobre Vlad, o Empalador, e sobre strigois e o folclore romeno, para no fim dar uma guinada de 180º e buscar inspiração em outro canto da História europeia. A solução é algo que os leitores nunca adivinhariam porque, em toda a história, a única pista que temos a respeito dela é um país.

    Naquele momento, cada pedacinho dele era um vilão em um rosto de herói.

    Para mim, o fim de Rastro de Sangue: Príncipe Drácula teria funcionado bem se a autora tivesse adicionado mais foreshadowings a respeito do que estava planejando. Para mim, um bom mistérios é baseado em pequenas pistas deixada para trás que, no fim, se juntam na cabeça do leitor e podemos soltar um longo "ahhhhhhhhhh, mas é claro que isso!". Em vez disso, a exclamação que eu soltei foi mais como "de onde saiu isso???".

    Resenha: Rastro de Sangue: Príncipe Drácula

    Kerri Maniscalco nos apresentou personagens bem legais nesse livro, como a irmã de Thomas, e expandiu um pouco o universo. Além disso, levou o relacionamento de Thomas e Audrey para um outro patamar e, mesmo que eles não tenham ganhado tantas cenas juntos como eu gostaria, ainda me derreti com o epílogo e continuo apaixonada por esse casal. Ela conseguiu aprofundar e explorar mais os sentimentos das personagens. E é por isso que mantive a nota como está, apesar do final decepcionante.

    Corações eram coisas belamente ferozes, ainda que frágeis. E eu não gostaria de partir o de Thomas.

    Para os fãs da série, acredito que Rastro de Sangue: Príncipe Drácula seja essencial para continuarmos a seguir as aventuras de Audrey Rose e Thomas, mas prossigam com cautela e sem muita expectativa - quem sabe a decepção seja menor.

    No mais, eu ainda quero ver o que vem na sequencia, Escaping from Houdini, porque eu provavelmente vou morrer com Audrey e Thomas como um dos meus ships preferidos. Mas me aproximo da leitura com os dois pés atrás, para ser sincera.

    Durante tempos de guerra, não havia vencedores. Todos sofriam.

    Título original: Hunting Prince Dracula
    Autora: Kerri Maniscalco
    Tradutora: Ana Death
    Editora: DarkSide Books
    Gênero: YA de época | Romance Policial |
    Nota: 3,5


    1. Santo Deus, quando você pegar para ler Escaping from Houdini vai ter uma síncope quando descobrir que a Kerri usou todo o circo como pano de fundo da história para escolher um assassino que não tem nada a ver com mágicos e afins.

      Apesar de ter gostado mais de Príncipe Drácula do que de Jack, o estripador, e ter achado a Audrey mais feminista, eu concordo com seus pontos. Acho que considerei a Audrey mais feminista porque FINALMENTE ela parou de diminuir as demais mulheres por gostarem de tardes de chá, comprar sedas, jogarem conversa fora e pensarem em casamento. Tudo isso enquanto ela era a única que reparava na aparência do Thomas e desejava namorar com ele.

      E, sim, eu descobri quem estava matando, mas não sabia o motivo. E quando ele veio à tona eu fiquei: "Isso não faz o menor sentido". No terceiro livro eu só não descobri o assassino e o motivo - ainda que seja muito melhor - porque tinha tanto personagem inútil enchendo linguiça que eu sequer gravei o backstory de cada um deles. Na verdade, quando ele foi revelado, eu fiquei "Mas quem é essa pessoa mesmo??"

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    2. Oi Bianca, eu ainda estou lendo e acho que não é uma questão de tradução não, a narrativa me parece realmente lenta e diferente do primeiro livro. Eu gosto do casal, mas já estou com minhas expectativas alinhadas em relação ao final!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    3. Oi, Bibs!
      Pelo visto, a série caiu na maldição do segundo livro, o que é uma pena. Vou levar muito em consideração seus levantamentos quando for começar a ler.
      Beijos
      Balaio de Babados
      Sorteio de aniversário Balaio de Babados e O que tem na nossa estante. Participe!

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