Resenha: A Tecelã do Céu

  • 11:16
  • 28 de abr. de 2020
  • Resenha: A Tecelã do Céu

    O terceiro e último volume da trilogia Iskari, publicada aqui pela Editora Seguinte, chegou com o título de A Tecelã do Céu. Esse eARC veio lá da NetGalley e eu não poderia ter surtado mais do que surtei com o final dessa história.


    Sinopse: O reino de Firgaard passou por tempos turbulentos desde que Dax assumiu a coroa ao lado de Roa, uma garota nascida em território inimigo. Agora, cabe a Safire, prima de Dax e comandante do Exército real, manter a ordem na cidade. Quando Eris, uma ladra capaz de se deslocar por mundos diferentes, invade o palácio e passa a cometer roubos impunemente, Safire vê diante de si um desafio quase impossível: capturar alguém que consegue desaparecer num piscar de olhos. O que nenhuma das duas esperava era compartilhar o mesmo objetivo: encontrar Asha, irmã de Dax e namsara do reino. A diferença é que Safire quer garantir sua segurança, enquanto Eris pretende entregá-la a seus inimigos. Em uma corrida contra o tempo, uma vai tentar derrotar a outra a qualquer custo ― mas um sentimento surpreendente entre elas pode mudar tudo.

    Esta resenha pode conter alguns spoilers dos outros títulos.

    Na trama, acompanhamos a ladra Eris em suas aventuras pelas sombras do castelo do rei-dragão - ela está ali para roubar uma joia a um pirata para quem trabalha e só, mas acaba esbarrando na comandante do exército e suas provocações a colocam no caminho de uma possível guerra. Que envolve deuses e a ruína de um povo.

    Do outro lado, temos Safire - lidando com a invasão da Dançarina da Morte em seu castelo enquanto seu primo, Dax, faz negociações com as ilhas da Estrela para tentar salvar o povo de Roa da fome e da desgraça. Essas negociações passam a envolver mais do que política, e magia e ocultismo entram em cena numa corrida contra a guerra que pode se iniciar a qualquer momento.

    A Tecelã do Céu segue a mesma fórmula dos seus volumes anteriores; aqui, já estamos familiarizados com muitos personagens e locais, então a sensação de "voltar para casa" é grande. Asha, Torwin, Dax, Roa, os dragões, os reinos. É tudo conhecido, e nem por isso a ambientação deixa de lado a construção da energia e do cenário.


    Resenha: A Tecelã do Céu

    As ilhas e o mar, no entanto, são desconhecidos, e a autora nos faz atravessar essa novidade com descrições detalhadas, mas não enfadonhas, e viagens que te colocam entre os navios e as passagens mágicas de Eris.

    E a mitologia também! Os deuses são peças-chave nessa trama, e os trechos de histórias e lendas que interrompem os capítulos te enchem de curiosidade porque estão ligados à narrativa principal.

    O ponto forte desse livro, mais uma vez, está em suas protagonistas; tal como Dax e Roa me conquistaram absurdamente no segundo livro, aqui Eris e Safire são extremamente bem construídas e desenvolvidas. Têm seus arcos de crescimento individuais e o em conjunto, que envolve muito do trope "enemies to lovers".


    Eris tinha gosto de tempestade. Como trovões, relâmpagos e chuva, tudo misturado.

    Safire é aquela comandante que já conhecemos pelos olhos dos outros - leal, destemida e forte. Aqui, no entanto, vemos a dimensão da sua lealdade e força, mas principalmente do seu medo e da sua fragilidade. A narrativa explora seus problemas de nunca ter pertencido a um lugar, os traumas do isolamento e do preconceito sofridos na infância, a solidão que nunca teve fim - pelo menos não até se encontrar como comandante do rei.

    A personagem é rica em personalidade e presença; seu carisma é muito sutil, mais a ver com atitudes corajosas e tomada de decisões que protegeriam todos que ama, mas colocaria em risco sua vida. Porque assim é Safire.


    Mas era uma mentira gentil, com a intenção de confortá-la.

    Eris aparece como seu completo oposto, vocês sabem como eu amo um ship onde as personagens não se suportam a princípio! Ela é egoísta, mesquinha, extremamente rebelde e petulante. Carismática e bem humorada, daquele tipo que carrega provocações afiadas na ponta da língua. E charmosa. É impossível não se apaixonar pela Eris.

    A ladra também tem seu lado sombrio, claro. Forçada a servir na tripulação de um pirata, ela tem um passado turbulento e traumas que a colocam em caminhos perigosos, quase mortíferos.


    Quando a noite cai, lembro aqueles que partiram antes de mim, iluminando meu caminho pela escuridão.

    Ela e Safira são diferentes, mas suas fraquezas e hesitações acabam coincidindo. Foi maravilhoso acompanhar o desenvolvimento desse ship porque a química vai nascendo junto com as alfinetadas e discussões, junto com as perseguições e entendimentos; de repente elas veem que precisam uma da outra e você só quer morrer porque é moralmente errado para uma, é risco de vida para a outra, mas os corações delas querem assim!

    Dax e Roa que me perdoem, mas Eris e Safire roubaram o posto de ship favorito da trilogia.

    Dito isso, preciso pontuar que em qualquer outra situação esse livro teria perdido outra estrela para mim. Onde a autora acerta com os mistérios da trama - muito bem bolados e encaixados na história, com direito a plot twist bem surpreendente -, com as descrições e suas personagens (coadjuvantes e principais), ela enrola demais.


    Resenha: A Tecelã do Céu

    A Tecelã do Céu é o livro da trilogia que mais vai, vai, vai e nunca chega a lugar algum. Depois de duas vezes repetindo o mesmo plot, por exemplo: colocando Personagem A contra Personagem B, Personagem A percebe que B está certa, mas A precisa fazer tal coisa para C então não pode deixar B escapar - B escapa. E repete. E repete.


    - É a Tecelã do Céu. Uma deusa que costura almas e as transforma em estrelas.

    Ficou enfadonho, e nisso já tinha passado metade do livro. De 4 plots repetidos, 3 poderiam ter sido apagados porque não deram em lugar algum; o famoso encheção de linguiça.

    Mas, como é um livro divertido, bem mais original que muitas fantasias do tipo só pelo fato de colocar um casal sáfico como protagonista (e uma delas não é branca), então eu relevo. Perdoo pela diversidade.

    Num geral, no entanto, A Tecelã do Céu apresenta um final satisfatório, fechando brechas deixadas nos títulos anteriores, despedindo-se de personagens queridos e entregando um fechamento agradável e emocionante para os que conhecemos agora.


    Título original: The Sky Weaver
    Autora: Kristen Ciccarelli
    Tradução: Eric Novello
    Gênero: Fantasia
    Nota: 4 +

    1. Oi, Denise tudo bem? Este livro esta na minha lista de futuras leituras. Que bom que o livro lhe proporcionou uma leitura agradável, apesar de as ressalvas citadas. Espero que eu goste da leitura. Abraço!

      https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    2. Oi Denise
      Não conhecia a trilogia mas parece ser uma leitura interessante. Irei procurar mais sobre o primeiro livro.
      Beijinhos
      http://focadasnoslivros.blogspot.com/

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    3. Oi Denise! Estou até com medo de ler, o segundo não achei tão bom e vai saber como esse vai ser para mim. Vou ler pela curiosidade mesmo. Bjos!! Cida
      Moonlight Books

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    4. Olá, Denise.
      Ainda não sei se quero ler essa trilogia. Eu estava bem animada quando lançou o primeiro. Então veio uma enxurrada de resenhas negativas e acabei desistindo de ler.

      Prefácio

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    5. o nome do blog nunca fez tanto sentido pra mim quanto agora, pq eu queria estar lendo nessa quarentena, mas infelizmente a biblioteca está fechada e ler sem ser no papel é quase impossível para mim. Esse livro q resenhou não me despertou muito a atenção, mas vc escreve tão bem que até dá um pouco de curiosidade.
      www.verdeveggie.blogspot.com

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    6. Posso ler esse sem ter lido os outros? Fiquei sabendo q a história dos livros é independente

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