Resenha: H. H. Holmes - Maligno

  • 09:00
  • 21 de set. de 2020
  • Resenha: H. H. Holmes - Maligno

    Mais um dos títulos da coleção Crime Scene que chegou de cortesia da Editora Darkside, H. H. Holmes: Maligno, do autor Harold Schechter, é uma obra completa a respeito da vida do primeiro assassino em série da história dos Estados Unidos. Uma fonte de pesquisas e detalhes riquíssima que me prendeu do início ao fim.

    Sinopse: Em H. H. Holmes: Maligno – O assassino da cidade branca, Harold Schechter, escritor norte-americano de True Crime e especializado no estudo de assassinos em série, constrói um cuidadoso perfil do homem que, à época, foi considerado o mais pérfido dos Estados Unidos. Para angariar dinheiro e poder, e dar vazão a seus diversos golpes e truques, o ambicioso Holmes pavimentou uma trilha de horror com inúmeras vítimas, de crianças a idosos. Holmes confessou 27 assassinatos, mas muitos mais podem estar em sua conta. Ele construiu um hotel para a Feira Mundial de Chicago, evento criado para celebrar os quatrocentos anos da chegada de Colombo à América. A edificação era um labirinto de portas e alçapões, com armadilhas em diversos cômodos. Neste local, presume-se que Holmes pode ter matado um número muito grande de pessoas que iam à cidade para o evento. A crueldade calculada de construir um hotel infernal com mais de cem quartos para matar já seria suficiente para garantir o lugar de Holmes na história do crime, mas ainda há uma série de golpes, esquemas, múltiplos casamentos e mais assassinatos a sangue frio. Schechter também aborda como a história de Holmes repercutiu na imprensa do mundo todo; quando seus crimes vieram à tona, não se falava de outra coisa, sobretudo nos EUA. Com o crescimento da fama e da exposição do assassino, muito se conjecturou sobre sua figura, e crimes que não cometeu foram atribuídos a ele. Em H. H. Holmes: Maligno – O assassino da cidade branca, Schechter junta as evidências para reconstruir a história desse infame criminoso, sem deixar de explorar as demais narrativas sobre ele.

    O livro é exatamente o que eu comentei ali. Uma extensa análise da vida de Holmes, reportado o primeiro psicopata/assassino em série dos Estados Unidos. Através de relatos e pesquisas e documentações, o autor expõe desde o nascimento até a morte do criminoso, dedicando-se à vida de crimes bizarros e hediondos que foram sua sombra até ser descoberto.

    Eu conhecia bem pouco sobre ele - nome, o fato de ter matado dezenas de pessoas - e fiquei chocada com tudo que encontrei nesse livro. A história do Holmes é perturbadora desde o princípio; seus traços de psicopatia enchem os relatos e seu modus operandi - a maneira de agir e caçar e assassinar suas vítimas - é de uma perversão sem tamanho.

    Holmes se escondia atrás da pose de bom moço e da lábia muito bem desenvolvida, e foi através desses detalhes que parte da sua vida criminosa se tornou bem sucedida. Porque além de assassino em série, ele também era um golpista de mão cheia; deixou um rastro de enganações e falcatruas e fraudes por onde passou, usando nomes falsos e relações enganadoras com as pessoas à sua volta.

    Resenha: H. H. Holmes - Maligno
    Resenha: H. H. Holmes - Maligno

    Enquanto enganava e matava, construiu uma trilha de sangue e mentiras por onde passou - e foi um império de terror até que a polícia finalmente tivesse ciência de que ele existia e do que estavam realmente enfrentando ao condená-lo.

    Holmes fez história como o primeiro serial killer, mas também por todo o caos que o acompanhou em vida - quando estava livre, quando foi preso, quando foi julgado. Esse livro é uma novela cheia de reviravoltas e plot twists que muitos livros de ficção não conseguem orquestrar. É de chocar e deixar desesperada o quanto o Holmes conseguia "get away with murder"; suas tramoias mais psicóticas e monstruosas envolveram uma família em questão, os Pietzel - sendo o pai da família seu cúmplice nos golpes.

    Chicago mais uma vez se encontraria nas primeiras páginas dos jornais de toda a nação - agora não como o local da "Maior Calamidade da Nossa Era", mas como lar do "maior criminoso do século".

    A construção do seu "Castelo" e o ponto de terror que ele se tornaria para muitos que passaram por ele foi o que mais me intrigou. Como uma coisa tão obviamente perversa ficou escondida no centro de Chicago por tanto tempo, como Holmes conseguiu cometer tantos assassinatos hediondos entre os labirintos de corredor daquela construção, e ninguém nunca suspeitou - como ele se escondia tão bem entre sorrisos e olhares. Isso vai ficar comigo por muito tempo.

    Tudo que o Holmes causou para todas as suas vítimas foi de uma crueldade sem tamanho, de praxe na história de um psicopata, mas os caminhos usados por ele com essa família em questão foram o que mais me perturbou. Do início ao fim, sua relação com os Pietzel - pai, mãe e crianças - foi de uma perversão infernal. E até a justiça chegar, se prepare para sentir muita raiva.

    Resenha: H. H. Holmes - Maligno
    Resenha: H. H. Holmes - Maligno

    O autor mostra a genialidade e a frieza e a monstruosidade nos traços de Holmes. Constrói a tensão na maneira com que relata os acontecimentos, pontuando os pontos de virada da vida do criminoso com frases de impacto e questionamentos importantes.

    Dá espaço para as vítimas, contando sua história antes de entrarem no caminho do assassino, e fala muito a respeito dos investigadores e de todos os responsáveis por perseguir e entender quem era Holmes. Diversos policiais e detetives e médicos legistas que precisaram cavar até o inferno para decifrar a mente desse psicopata.

    Resenha: H. H. Holmes - Maligno

    Essa é uma daquelas histórias que fica na sua cabeça enquanto está lendo e com certeza depois que terminar. A realidade é absurdamente caótica, mas aconteceu. Tudo que se desenrola nessas mais de 400 páginas são História, uma História carregada em pandemônio e loucura. A vida de um psicopata quando o mundo ainda não estava acostumado a essa definição. O próprio autor cita que a alcunha "assassino em série" só seria utilizada na criminologia dezenas de anos depois da aparição de Holmes.

    Naquele dia, contudo, foi diferente. Naquele dia, as meninas não voltaram.

    Como um livro da coleção Crime Scene, Maligno é uma peça espetacular (de novo). Tem muitas informações, referências, imagens, uma diagramação de encher os olhos (e assustar também, acompanhando bastante o clima que a história passa) e um trabalho gráfico primoroso. Esse se tornou um dos meus livros favoritos da Darkside, tanto pelo conteúdo quanto pela aparência.

    Título original: Depraved
    Autor: Harold Schechter
    Tradutora: Eduardo Alves
    Editora: Darkside
    Gênero: Não-ficção
    Nota: 5

    1. Olá, Denise.
      Eu não sou tão fã de livros de histórias reais. Mas eu tenho vontade de ler algum livro dessa coleção da editora. Até porque não posso falar que não gosto se nunca li nenhum hehe. E achei a história desse bem fascinante. Você me empolgou com sua resenha hehe.

      Prefácio

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    2. Oi, Denise
      Quando você falou Holmes, eu tava crente que era o Sherlock KKKKKKKKKKKKK Meu Deus que eu confundi total hahaha mas agora que estou lendo os true crime, tenho mais interesse na história, só que como eu nunca li um livro específico de um assassino, tenho medo de não curtir sabe? Mas está na lista!
      Beijo
      https://www.capitulotreze.com.br/

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    3. Será se eu iria amar esse livro?
      Inclusive estou como a Miriã ali em cima de alguma forma estava associando com Sherlock Holmes kkkk
      Beijos
      Balaio de Babados

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