Resenha: Cemetery Boys

  • 09:00
  • 3 de dez. de 2020
  • Resenha: Cemetery Boys

    Cemetery Boys é o livro de estreia do autor Aiden Thomas e, com uma narrativa divertida e personagens cheios de carisma, nos apresenta ao mundo dos brujos latinos e de um garoto trans tentando se provar dentro desse universo mágico.

    Sinopse: Yadriel invocou um fantasma, e agora não consegue se livrar dele. Quando sua família latina bastante tradicional mostra problemas em aceitar seu gênero, Yadriel se mostra determinado a se provar como brujo. Com a ajuda de sua prima e melhor amiga, Maritza, ele mesmo faz o ritual, pronto para encontrar o fantasma do seu primo assassinado e libertá-lo ao pós-vida. No entanto, o fantasma que invoca é na Julian Diaz, o garoto problema da escola, e Julian não tem pretensões de deixar esse mundo facilmente. Ele está determinado a descobrir o que aconteceu e aproveitar para resolver alguns assuntos pendentes antes de partir. Sem escolha, Yadriel aceita ajudar Julian, assim os dois podem conseguir o que querem. Mas, quanto mais Yadriel passa tempo com Julian, menos ele quer que o garoto se vá.

    Na história, Yadriel só quer passar pela aquelarre - um rito realizado com brujos para torná-los capazes de expurgar fantasmas presos ao mundo terreno. A comunidade bruja, no entanto, é muito conservadora e tradicional, e Yadriel é um garoto trans, o que significa que não querem que passe pelo ritual com a desculpa de que a Deusa da Morte não vai aceitá-lo.

    Yadriel então decide que ele mesmo vai fazer o rito e, com a ajuda da prima Maritza - que também quer fugir das tradições como bruja - se torna um brujo; o problema é que, com o rito, Yadriel acaba invocando um fantasma. Um garoto, Julian, que não faz ideia de que morreu e porque morreu. E que parece estar ligado a estranhos acontecimentos que vem cercando a comunidade, todos relacionados à mortes misteriosas.

    Cemetery Boys foi um estouro quando saiu lá fora e juntou premissa e capa arrebatadores, o que me ganhou demais para essa leitura. Para minha alegria, o conteúdo é tão bom quanto promete. Entrega uma história bem humorada, com toques de drama e de discussões super atuais, tudo isso num pano de fundo mágico fascinante.

    Eles o veriam como era - um garoto e um brujo.

    A narrativa de Aiden Thomas te fisga desde o começo. Você quer saber mais sobre Yadriel, Maritza, sobre a comunidade bruja, sobre as famílias - muitas famílias - e sua ligação com a Morte - como a tratam como uma passagem importante e não uma despedida melancólica e como suas festividades no Dia de Los Muertos abre espaço para rever os entes queridos que se foram. Quer entender o que aconteceu com Julian - e se apaixona por ele desde a primeira cena dele! - e os mistérios rondando o cemitério e os brujos.

    Resenha: Cemetery Boys

    Eu preciso falar que em relação a esse mistério - e consequentemente o final - dá pra adivinhar logo de cara o que está rolando. Apesar de ter espaço para investigações no livro, era só o Yadriel ter parado um pouquinho!!!!!!!! e pensado um pouco mais!!!!!!!! e teria visto pelo menos que a arma do crime sempre esteve ali.

    "Eu não vou deixar você me abandonar numa igreja assombrada..." 
    "Não é assombrada!" 
    "Se eu estou aqui, e eu sou um fantasma, então é assombrada sim."

    Mas eu perdoo porque ele é uma gracinha e protagonista tende a ser tapado mesmo, faz parte da jornada. Não teria história se ele olhasse para o lado e pensasse "hm, que conveniente".

    Enfim. Fora o mistério que não é um grande mistério, a história é muito cativante! Você lê e lê e quer mais e mais daqueles personagens. Principalmente do Yadriel e do Julian.

    O protagonista é todo nervoso e tímido e introvertido e tão identificável por isso. O Julian, por outro lado, é uma tempestade desde o instante que aparece - e sim, é o Han Solo. Todo debochado e sarcástico, o que significa que eu morreria por esse garoto fantasma!

    Resenha: Cemetery Boys

    Os dois são tão JKASBAGUABASGUOBGUAS juntos que dá vontade de morder. Eu amo como o Julian se importa e como demonstra isso, como ele e o Yadriel se entendem e se conectam por questões mínimas e pelas maiores que existem.

    O relacionamento deles começa aos trancos e barrancos porque Julian é um fantasma que não sabia que era fantasma e o Yadriel precisa lidar com esse problemão que invocou sem contar para ninguém, principalmente seu pai - um figurão importante entre os brujos que foi quem vetou sua participação no rito de formação.

    Julian era dolorosamente bonito, mas de um jeito que tempestades são bonitas - selvagem,  arrepiante, elétrico.

    Conforme as situações se desenrolam e as investigações aumentam, no entanto, é menos sobre fantasma/brujo e mais sobre garoto/garoto e meu coração shipper agradeceu muito por isso. É casal pra aquecer o coração e te deixar sorrindo por muito tempo sempre que se lembrar deles.

    E de coadjuvante tiro esse parágrafo para exaltar a Maritza. Que garota fantástica! Ela é toda badass e fodona e chuto a porta antes de dizer "tem alguém em casa?" e ama tanto o Yadriel que faria tudo por ele.

    Resenha: Cemetery Boys

    Além do ship, todas as interações são muito reais. Você sabe que esses personagens poderiam existir na vida real, se provocando e discutindo e rindo juntos, e essa é a beleza do livro.

    O livro também abre um espaço maravilhoso para falar sobre protagonismo trans e sobre a força da voz de um garoto trans vivendo sua história. Todas as questões com o Yadriel são sensíveis e importantes, e eu gostei de como o autor as intrincou à magia.

    Cemetery Boys é intenso, sensível e muito apaixonante. Do começo ao fim, você vai se perder no universo mágico, nas questões com as divindades latinas e com a morte e os fantasmas, e na jornada de um garoto brujo lidando com o caos para mostrar seu poder.

    Título original: Cemetery Boys
    Autor: Aiden Thomas
    Editora: Swoon Reads
    Gênero: Fantasia | YA LGBTQIA+
    Nota: 4,5 +

    1. Estava vendo esse livro em destaque, mas não imaginava que essa seria a história dele! Eu achei muito interessante, fiquei com vontade de ler. E essa edição em inglês de capa dura é maravilhoosa!!!

      Blog Tagarelando Livros

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    2. Ei, Denise, tudo jóia? A edição do livro está muito bonita, a história me lembrou um pouco a séria A Mediadora, que eu estou lendo, porque também tem fantasmas e uma relação entre eles e os personagens principais. Mas o entendo é completamente diferente, eu gostei muito de ter um protagonista que trás representatividade, e ele parece tão fofo, que eu estou encantada.


      Books House

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    3. Aff quero muito ler esse livro. Capaz que eu leia antes mesmo de sair aqui no Brasil. E ele sem a jacket é bonitão
      Beijos
      Balaio de Babados

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