E eu continuo na missão de apresentar minhas autoras favoritas para vocês, na esperança de que vocês gostem tanto das histórias delas quanto eu gosto. E hoje é dia de falar sobre quem é Shirley Jackson.
Considerada uma mestre do horror, Shirley Jackson foi uma autora estadunidense que escreveu, principalmente, horror e mistério. Ao longo de sua vida, ela escreveu cerca de 6 romances, dois livros de memórias e mais de 200 contos.
Conheça outras autoras:
Muitos de seus contos focavam em cenas domésticas e cotidianas, e apareceram em diversas revistas femininas entre aos anos 1940 e 1960.
Primeiros trabalhos (1948 - 1959)
O primeiro trabalho publicado de Shirley Jackson foi The Road Through the Wall, em 1948. Um romance com tons de autobiografia, inspirado em sua infância na Califórnia.
No mesmo ano ela publica o seu conto mais aclamado, A Loteria, no The New Yorker.
A história apresenta uma reunião pública em uma bucólica vila norte-america e a ansiedade dos locais para a “loteria”; e estabelece Shirley Jackson como uma mestre do horror. Ele ganha o prêmio O. Henry Prize Stories em 1949.
No mesmo ano, o conto encabeça sua primeira coletânea (a única publicada em vida): A Loteria e outros Contos (no Brasil em 2022 pela editora Alfaguara).
O conto foi adaptado para a TV, cinema, rádio e HQ.
Imagem do curta metragem que adaptou o conto A Loteria em 1969 e ao lado a capa da edição brasileira de 2022
A primeira adaptação foi feita para o rádio, em 1951, pela NBC. A produção acrescentou várias cenas novas, assim como cortou alguns personagens do conto. Já na TV, a primeira adaptação foi feita no programa Cameo Theatre (1950-1955). Depois inspirou um episódio de South Park em 2008 e foi parodiada em uma episódio de Regular Show, em 2014.
Também foi adaptado para um curta metragem em 1969 e um filme para TV em 1996, que expande a história do conto.
E em 2016, Miles Hyman, neto de Jackson, adaptou o conto para uma Graphic Novel. A Loteria foi publicada no Brasil pela Darkside Books em 2023.
Já em 1951 ela publica O Homem da Forca (no Brasil em 2021, pela editora Alfaguara), parcialmente inspirado no desaparecimento de uma estudante universitária, Paula Jean Welden. O romance gótico foca na caloura Nathalie e sua espiral de loucura após se matricular no curso de Artes Liberais.
Em 1953 chega sua primeira autobiografia: Life Among the Savages. Essa foi uma coleção de contos e histórias curtas semi-fictícias inspiradas em sua vida criando os 4 filhos e no seu casamento. Muitas das quais já tinham sido publicadas em revistas femininas como Good Housekeeping, Woman’s Day e Collier’s.
Em 1954 sai seu terceiro romance: O Ninho do Pássaro (pela Alfaguara no Brasil em 2025). Essa história detalha a relação de uma mulher com múltiplas personalidade com seu psiquiatra. E, para o desgosto da autora, o livro foi vendido como um horror psicológico por sua editora.
Adaptado para o cinema em 1957 com o nome de Lizzie, não conquistou a autora a principio, que odiou o primeiro roteiro. Mas gostou do filme depois de finalizado.
Ainda em 1957, ela publica Raising Demons, mais uma coletânea semi-autobriográfica de histórias curtas inspirada em seu casamento e a vida com os filhos, agora mais velhos.
No ano seguinte, em 1958, vem The Sundial. Ainda sem uma edição brasileira, o livro conta a história de uma rica e excêntrica família que acredita ter sido a escolhida para sobreviver ao fim do mundo.
Assombração na Casa da Colina
Em 1959 chega sua história mais famosa: A Assombração da Casa da Colina.
A história segue um grupo de pessoas em um experimento paranormal em uma casa dita assombrada. O livro mistura o sobrenatural com o psicológico e é tido até hoje como um dos melhores exemplos de histórias de casas assombradas.
Stephen King, que tem Shirley Jackson como uma de suas grandes inspirações, já disse que A Assombração da Casa da Colina é um dos livros de horror mais importantes do século XX.
Além disso, o livro recebeu o prêmio de “Melhor ficção de 1959” do New York Times Book Review Award e foi nomeado para o National Book Award naquele ano.
Ele também já foi adaptado algumas vezes para a TV, o cinema, o teatro e até o rádio.
A primeira vez foi ainda em 1963, com o filme The Hauting, considerado bastante fiel ao livro. E depois em 1999, também com o nome, The Haunting, mas bastante diferente do livro. A produção foi considerada “fantasiosa demais”.
Foi adaptado para o teatro em 1964 e em 2015. E para o rádio pela BBC Radio 4 em 1997.
Mas a adaptação mais famosa é, provavelmente, a série feita para Netflix por Mike Flannagan. Apesar das diversas mudanças, como leitora e fã da obra, a série conseguiu manter-se fiel aos personagens, ao clima e a atmosfera geral do livro.
Também recebeu uma continuação, autorizada pelos herdeiros, em 2023. O livro se chama A Hauting on the Hill e foi escrito por Elizabeth Hand.
A última publicação em vida de Shirley Jackson
Três anos após o sucesso de A Assombração da Casa da Colina, em 1962, Shirley Jackson publica seu último romance: Sempre Vivemos no Castelo (no Brasil em 2022 pela Alfaguara). Um horror psicológico gótico.
A história acompanha duas irmãs, após uma delas ser acusada de assassinar toda a família. E a chegada de um primo que abala a dinâmica das duas.
Ele foi nomeado pela revista Time como um dos melhores livros de 1962.
Foi adaptado para o teatro em 1962 e para um musical em 2010.
Se tornou um filme em 2018, com Taissa Famiga, Alexandra Daddario e Sebastian Stan, com o título de Os Segredos do Castelo no Brasil.
Morte e publicações póstumas
Shirley Jackson faleceu enquanto dormia, em 8 de agosto de 1965, de uma parada cardíaca. Ela tinha 48 anos.
A autora já enfrentava problemas de saúde desde a época da publicação de A Assombração da Casa da Colina. Uma fumante ávida, sofreu com asma crônica, dor nas juntas, fraqueza, exaustão e desmaios. Por um período, também sofeu de ansiedade severa, que resultou em um quadro de agorofobia.
Seu romance inacabado, Come Along With Me foi publicado postumamente, em 1968, junto de outros contos.
Até o ano de 2016, já tinham sido publicadas outras 6 coletâneas póstumas, incluindo Jardim Noturno (no Brasil em 2025, pela editora Darkside Books), contendo contos inéditos descobertos em 1996.
Em 2016 a jornalista Ruth Franklin publicou uma biografia da autora chamada Shirley Jackson: A Rather Haunted Life.
Shirley Jackson: o legado
Em 2007 nasceu o Shirley Jackson Award, que premia trabalhos de literatura de suspense psicológico, horror e fantasia sombria.
Influência para grandes nomes, como: Stephen King, Donna Tart e Richard Matheson, Shirley Jackson não gostava de promover ou falar sobre suas obras.
No livro Twentieth Century Authors, de 1955, dos autores Stanley J. Kunitz e Howard Haycraft, Jackson escreveu:
Não gosto muito de falar de mim mesma ou do meu trabalho, e quando sou pressionada a entregar um material autobiográfico, só posso oferecer uma linha cronológica mínima que contém, naturalmente, nenhum fato pertinente. Nasci em San Francisco em 1919 e passei a maior parte da minha vida na Califórnia. Me casei em 1940 com Stanley Edgar Hyman, crítico e numista, e moramos em Vermont, em uma comunidade rural quieta com uma boa vista e confortavelmente longe da vida na cidade. Nossos maiores exportos são livros e criança, e ambos produzimos em abundância. As crianças são Laurence, Joanna, Sarah e Barry: meus livros incluem três romances, The Road Through the Wall, O Homem da Forca e Ninho de Pássaros e uma coleção de contos, A Loteria. Life Among Savages é um memoir desrespeitoso dos meus filhos.
De acordo com o marido, Shirley Jackson acreditava que suas histórias falariam claramente por ela por anos a fio.

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