Eu sei que estou sempre falando isso quando um livro me impressiona muito, o que foi o caso de Six of Crows. Então vamos lá: o novo livro da Leigh Bardugo, lançamento da editora Gutenberg, foi a minha melhor leitura do ano até agora. E, definitivamente, uma das melhores coisas que já li na vida!

Sinopse: A OESTE DE RAVKA, ONDE GRISHAS SÃO ESCRAVIZADOS E ENVOLVIDOS EM JOGOS DE CONTRABANDISTAS E MERCADORES… Fica Ketterdam, capital de Kerch, um lugar agitado onde tudo pode ser conseguido pelo preço certo. Nas ruas e nos becos que fervilham de traições, mercadorias ilegais e assuntos escusos entre gangues, ninguém é melhor negociador que Kaz Brekker, a trapaça em pessoa e o dono do Clube do Corvo. Por isso, Kaz é contratado para liderar um assalto improvável e evitar que uma terrível droga caia em mãos erradas, o que poderia instaurar um caos devastador. Apenas dois desfechos são possíveis para esse roubo: uma morte dolorosa ou uma fortuna muito maior que todos os seus sonhos de riqueza. Apostando a própria vida, o dono do Clube do Corvo monta a sua equipe de elite para a missão: a espiã conhecida como Espectro; um fugitivo perito em explosivos e com um misterioso passado de privilégios; um atirador viciado em jogos de azar; uma grisha sangradora que está muito longe de casa; e um prisioneiro que quer se vingar do amor de sua vida. O destino do mundo está nas mãos de seis foras da lei – isso se eles sobreviverem uns aos outros.

Seis criminosos, um alvo. Uma recompensa imensurável em troca do resgate de um prisioneiro numa das mais fortificadas prisões de todo aquele mundo. Uma chance de começar de novo para cada um deles, e uma oportunidade de deixar suas marcas na história como foras da lei implacáveis. Six of Crows é a história sobre um grupo de criminosos tentando salvar o seu mundo.

Ainda estamos no universo da trilogia Grisha, mas em outra parte do mapa. A ilha de Kerch tem como principal cidade a portuária Ketterdam, onde mercadores e apostadores procuram bons negócios nos bairros mais sombrios. Em especial, o Barril, antro dos mais vis e perigosos foras da lei daquela região. Kaz Brekker é dono de uma casa de apostas, tem contatos em todos os lugares e é um nome temido e adorado por todos no Barril. Ele é um órfão sombrio, perigoso e ambicioso. E quando uma fortuna lhe é oferecida em troca de um resgate, Kaz resolve aceitar o risco. Afinal de contas, ele tem ao seu lado os melhores criminosos de toda Kerch. Com sua astúcia e ideias mirabolantes quase suicidas, porém geniais, Kaz é o líder da empreitada até um território hostil muito fortificado.



Uma ameaça paira sobre sua realidade, uma droga capaz de aumentar e potencializar imensuravelmente o poder dos Grishas. Um Sangrador pode dobrar homens e evaporar o sangue deles, um Aero pode voar e um Hidros pode se dissolver e atravessar espaços sólidos. A droga é um perigo nas mãos das pessoas erradas, e todos que estão atrás dela são errados; a missão desse grupo é resgatar o criador da droga de uma prisão e trazê-lo de volta para Kerch, onde ele encontrará abrigo seguro para escapar dos criminosos que querem a fórmula do poder supremo.

"Quando todo mundo acha que você é um monstro, não é preciso perder tempo fazendo monstruosidades."

Kaz e sua bengala com uma cabeça de corvo na ponta. Inej e seu conjunto de facas mortíferas. Jesper e suas pistolas que nunca erram um tiro. Wylan e seus mapas e explosivos. Nina e seu poder Grisha. Matthias e sua memória, fé e convicção. Seis indivíduos habilidosos, seis símbolos. Esse é o grupo, esses são os protagonistas. Nenhum deles é mais importante que o outro; todos pertencem e movem a trama.



Inej uma vez tinha se oferecido para ensiná-lo a cair. "O truque é não ser derrubado", ele lhe disse com uma risada. "Não, Kaz", disse ela, "o truque é se levantar de novo.".

Kaz e Inej são uma balança equilibrada. Onde Kaz é sombrio e soturno, Inej é séria e radiante. Inej era uma escrava do prazer, castigada por um erro tolo, e encontrou sua liberdade quando o chefe de Kaz compra seu contrato. Ela agora serve ao Barril, e se torna a Espectro. Uma ladra, uma assassina, uma sombra impiedosa nas noites. Inej se torna os olhos e os ouvidos de Kaz, sua melhor aposta, sua melhor lutadora e defensora. A força e a coragem de Inej estão em seus passos e em seus pensamentos, na sua fé por deuses que nem sempre respondem suas orações, na sua fé em si mesma. Inej é uma garota quebrada pela vida, mas uma mulher fortificada por ela. Diferente de Kaz, fechado e solitário, Inej é aberta às circunstâncias e às pessoas, amiga dos companheiros de luta, apaixonada pela liberdade. Ela é um raio de sol onde Kaz é a noite escura. Apesar das poucas palavras com maior carga emocional trocada entre eles, seus gestos e trejeitos e ações mostram como um depende do outro.



"E o que você quer, então?" 
As velhas respostas vieram fáceis à sua mente. Dinheiro. Vingança. Silenciar para sempre a voz de Jordie de minha cabeça. Mas uma resposta diferente ganhou vida dentro dele, alta, insistente e inoportuna. Você, Inej. Eu quero você.

O mais poderoso na relação de confiança entre eles é isso; o quanto, apesar de parecer o mais cruel e perigoso e inquebrável membro do grupo, Kaz é extremamente frágil perante a Inej. Ela o dobra, ela o quebra, ela rouba o seu coração. E ele não é capaz de entender isso, quanto mais lidar. Kaz viveu muito da dor e da angústia para entender das coisas boas. No decorrer do livro, no entanto, vemos o avanço do que pode ser algo mais. Algo impensado e inesperado e incrivelmente importante. Algo que vai definir os rumos da trama do segundo livro, com toda a certeza.

"Isen ne bejstrum", ela completou. A água escuta e entende. O gelo não perdoa.

Nina e Matthias dividem um passado turbulento. Por causa dela, Matthias estava preso. Por causa dele, Nina quase foi morta. O povo de Matthias caçava e matava Grishas, e Nina é uma. No agora, no entanto, apesar da mágoa e da sensação de que ambos se amam, mas se afastam por essas traições, as interações se tornam mais intensas e gentis com o andamento da trama. Apesar de serem de raças diferentes e de pertencerem a culturas diferentes, ambos dividem um amor pela vida e pela justiça. Matthias é um convicto atrelado à sua fé, e a sua fé nunca ditou nada sobre crueldade e morte. Nina é mais uma libertina, dedicada à própria força, determinada a retornar para casa, onde existe verdadeira paz.

"Eles a temem como um dia eu a temi", ele disse. "Como um dia você me temeu. Todo mundo é o monstro de alguém, Nina."

Ambos viveram guerras diferentes, mas guardam consigo o que os empodera. E o amor sutil que existe entre os dois pelo passado renasce ali no presente. Matthias é o guia do grupo, o cérebro por trás das passagens secretas e do mapa do castelo que precisam invadir, e Nina é o truque na manga, a mágica que aparece quando precisam de sua ajuda, uma Sangradora forte capaz de dobrar homens diante de si. O final dos dois foi tão intenso e incrível! A Nina é tão maravilhosa, tão cheia de si, tão determinada e confiante. Eu amo a força dela, suas nuances de fraqueza e de incerteza e como ela batalha contra isso, e amo como o Matthias a ama e em certos momentos deixa isso incrivelmente óbvio. 

Jesper e Wylan são a última dupla compondo esse grupo desigual. Jesper é um personagem canonicamente bissexual, Wylan é homossexual e isso é extremamente importante. Em um livro que possui críticas sobre preconceito racial, a luta contra uma droga destruidora e a inclusão de pessoas tidas como diferentes em uma sociedade rígida, ter representatividade assim é indispensável! Six of Crows é uma fantasia realista, e que os céus abençoem Leigh Bardugo por tudo que ela faz neste livro!



"Sem luto." 
"Sem funerais."

Wylan é filho de um mercador importante, de grande renome, e embarca como membro do grupo para provar seu valor e porque não tem mais nada esperando por ele em sua casa. Expulso por motivos misteriosos, Wylan é um gênio solitário, com um bom humor peculiar e um curiosidade inocente sobre o mundo. Ele nunca viu muito dele, nem mesmo da sua ilha natal, e essa viagem é uma inesperada surpresa, cheia de perigos mortíferos. Wylan é um garoto doce e querido e merece ser protegido a todos os custos! Do outro lado, Jesper é um fanfarrão. Apostador meio que viciado na jogatina, Jesper é também o melhor pistoleiro de Kerch, um dos mais habilidosos do grupo de Kaz. Jesper tem pontos de decepção e tristeza em sua passado, coisas que o guiaram até a vida de criminoso, e a ingenuidade dele se equilibra às suas ideias perspicazes. Amo como tanto ele quanto Wylan dividem umas rixas por determinados pontos de suas vidas, e compreensão por outros. Eles são um OTP lindo, e o que nasce entre eles durante o livro vai se expandir ainda mais no segundo volume - até porque de carga dramática amorosa, esses dois são os menos propensos a ficar chorando em vez de se beijar!



Melhor verdades terríveis do que mentiras gentis.

A história é sobre esses personagens, e também sobre o resgate. As ameaças que pairam sobre o grupo são enormes e desconhecidas, tal como o terreno que eles precisam desbravar. As cenas de ação foram grandiosas e muito bem escritas, a narrativa é impecável e única para cada um dos personagens, e o final foi arrebatador. Do tipo "SOCORRO EU QUERO MAIS!". Leigh Bardugo é uma rainha mesmo, senhoras e senhores.

O sol estava brilhante, e Inej tinha virado o rosto para ele. O vento do porto levantou seus cabelos escuros, e por um momento Kaz era um garoto novamente, certo de que havia magia neste mundo.

Você pode ler Six of Crows se ainda não leu a Trilogia Grisha, aliás. É um spin-off interligado, porém independente. Alguns pontos da trama podem soar como spoilers para quando você for ler os outros livros, mas são pequenos easter eggs que a Leigh colocou só para nos fazer chorar em posição fetal lembrando a Alina e de outros personagens queridos. No mais, Six of Crows é essencial na sua estante. Acredite em mim.


Título original: Six of Crows
Autor: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Gênero: Fantasia
Nota: 5 +


Saiba mais: Skoob | Buscapé
Controle Remoto: Miss Fisher's Murder Mysteries

Miss Fisher's Murder Mysteries é uma série da BBC Australia baseada nos livros da série Miss Phryne Fisher, da australiana Kerri Greenwood. Com cerca de 20 livros lançados, o primeiro nos anos 1989, a série conquistou o público e atingiu satisfatórios índices de audiência -- porém, a BBC sendo a BBC em qualquer lugar do mundo, optou por encerrar a série em sua terceira temporada, depois de 34 gloriosos episódios.

A série acompanha a vida de Phryne Fisher, uma mulher rica e moderna, que retorna a Austrália depois de muito tempo longe de casa. O ano é 1928 e Phryne acumula conhecimentos a cerca do mundo, desde sua época servindo como enfermeira nos campos de guerra durante a Primeira Guerra Mundial, ou como modelo para quadros na Paris pós-guerra, enquanto tenta levantar o dinheiro necessário para voltar para casa.

Controle Remoto: Miss Fisher's Murder Mysteries

Phryne é uma mulher a frente do seu tempo, ela pilota aviões, tem uma arma, dirige carros e usa calças, além de ter um emprego nada convencional: é uma detetive particular. Ela conhece seus companheiros de jornada logo no primeiro episódio, quando se depara com a suspeita morte do marido de uma amiga.

É lá que Phryne conhece o inspetor Jack Robinson e seu fiel escudeiro, o policial Hugh Collins. Seus caminhos, invariavelmente, cruzam-se a todo o momento até o episódio em que Jack simplesmente desiste de tentar impedir que miss Fisher se envolva com a investigação. A tensão sexual entre os personagens e a química dos atores só ajuda a desenvolver ainda mais a dinâmica poderosa, emotiva e engraçada entre eles.

Controle Remoto: Miss Fisher's Murder Mysteries

É no primeiro episódio, também, que ela conhece sua acompanhante Dot, um boa garota cristã que a principio tem medo até de atender o telefone, mas ao longo da série se desenrola em uma mulher confiante e empolgada com o trabalho ao lado da detetive -- e também protagoniza algumas das cenas mais fofas ao lado do namorado, o policial Collins. Temos também Bert e Cec, os taxistas que acabam indo trabalhar para Phryne.

Além deles temos a presença recorrente de Rosie, a ex-esposa do inspetor Robinson; tia Prudence, a única parente local de Phryne, uma respeitada mulher da sociedade que superficialmente desaprova o comportamento da sobrinha, mas que no fundo é um amor; Max, uma médica local e a melhor amiga de Phryne; Jane, uma adolescente envolvida em um dos casos de Phryne que acaba se tornando sua filha adotiva; e mr. Butler, o mordomo mil e uma utilidades que, a principio, acreditou estar trabalhando para uma típica solteirona e acabou descobrindo-se como mais um dos aliados na caça dela a assassinos.

Controle Remoto: Miss Fisher's Murder Mysteries

A série é uma injeção de girl power, especialmente quando Phryne claramente desafia os padrões da época e não aceita ser tratada como menos apenas por ser mulher. Ela é badass e chuta bundas e carrega uma arma por ai quando é necessário, mas ela também é sedutora e feminina e emocionalmente envolvida com as pessoas a sua volta.

Comecei a ver sem qualquer pretensão, de preguiça pelo netflix, e quando vi já estava chorando com a internet pela decisão da BBC de não renová-la para uma quarta temporada. A vida boemia e a sede por resolver os crimes que Phryne tem empolgam desde os primeiros momentos do piloto e você assiste em sequencia sem nunca pensar "será que eu deixo esse episódio para depois?".

Controle Remoto: Miss Fisher's Murder Mysteries

O resultado é que estou louca pelos livros e saboreando lentamente os dois últimos episódios que me restam.

Mais do que recomendada!



Abram alas porque tem mais lançamento chegando na área! Dessa vez, títulos da literatura nacional! Tem um pouco de tudo pra você que gosta de obras ecléticas. Então confere com a gente o que tá chegando de bom no catálogo da editora Novo Conceito:


As Letras do Amor (Paula Ottoni)
Bianca acabou de largar um curso de graduação de que não gostava, seus pais vão se divorciar e seus irmãos pequenos estão cada dia mais barulhentos. A oportunidade perfeita de escapar surge quando seu namorado, Miguel, resolve ir a Roma abrir uma empresa para o pai. Bianca decide que aprender italiano, arrumar um trabalho temporário e ajudar Miguel em seu negócio será um bom começo. O que parecia um sonho, porém, torna-se uma incerteza ainda maior quando Miguel fica sempre fora de casa, os empregos de Bianca não duram mais que uma semana, e, cada dia mais próxima de Enzo – o melhor amigo de Miguel, com quem moram –, ela começa a questionar seus sentimentos.
Skoob / Onde adquirir



O que te move? (Fernando Moraes)

Movimentar-se para não ficar aprisionado à zona de conforto é um dos grandes desafios nos tempos modernos. Quando a abundância impera, certamente a visão de futuro fica mais comprometida, por isso se faz necessário nos movermos para ter propósitos, sonhos e esperança de dias melhores. Saindo do estado conformista, que anula as possibilidades e nos imobiliza por causa do imediatismo, ser protagonista é mais do que ser o ator principal de tudo aquilo que envolve a nossa vida. Ser protagonista é colocar o coração no sofrimento do outro, renunciando a zona de conforto em função de quem precisa de nós.




Pipocando (Bruno Bock e Rolandinho)
Com 1,7 milhão de inscritos e 150 milhões de visualizações, o canal Pipocando é referência no YouTube quando o assunto é cinema, séries ou desenhos. Participou da cobertura do Oscar 2016 pela TNT, entrevistou nomes do calibre de Quentin Tarantino e teve, em seus vídeos, convidados como Sérgio Mamberti, Fábio Porchat e a MC Tati Zaqui. No livro, Rolandinho e Bruno Bock contam a trajetória que percorreram até atingirem esse sucesso, relatando erros e acertos, conquistas e fracassos que tiveram ao longo do caminho. A obra inclui ainda um “Manual de sobrevivência para produzir no YouTube”, em que os rapazes dão dicas para quem sonha em ter um canal de sucesso – desde o planejamento e a definição do tema até a execução e a divulgação.

Autor: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Número de Páginas: 373

PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100:

Depois que eu der a Nina sua parcela de miséria nesta vida, irei atrás de você.

DO QUE SE TRATA O LIVRO?


A oeste de Ravka, fica uma ilha onde as sombras são perigosas e os mercadores se envolvem em jogos de contrabando. Um grupo de seis criminosos é contratado para impedir que uma praga mortífera chegue a mãos inescrupulosas. Em troca de uma fortuna inestimável, esse grupo cheio de figuras improváveis vai precisar desbravar uma parte fria e perigosa do continente para chegar até o alvo e conquistar o seu ouro. O destino está nas mãos de seis foras da lei - isso se eles sobreviverem uns aos outros.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?

MELHOR COISA QUE A LEIGH BARDUGO JÁ ESCREVEU ATÉ HOJE! E olha que eu sou devota da trilogia Grisha, totalmente ensandecida pela perfeição que é aquela série. Six of Crows tem uma pegada ainda mais sombria e realista em sua fantasia, acho que é por isso que eu estou amando tanto. Tem um que de dark fantasy. A narrativa é impecável e os personagens tão fantásticos que fica difícil escolher um favorito - ainda que a Nina e o Matthias tenham as cenas mais JKABFASUISGBAUOASGBOUGA.

O QUE ESTÁ ACHANDO DA PERSONAGEM PRINCIPAL?

O bom dessa história é que não existe um protagonista, são todos os seis. Com exceção do Wylar, todos têm pontos de vista e todos são importantes para a trama. Kaz, Inej, Matthias, Nina e Jesper são incrivelmente bem construídos, tem suas histórias magnificamente bem orquestradas e são quase vivos, de tão incríveis. Eu estou perdidamente apaixonada por cada um deles - Matthias e Nina em especial - e amando suas interações.

MELHORES QUOTES (ATÉ A PÁGINA 100):


Seu pai teria dito que as sombras tinham sua própria agenda aquela noite. Algo ruim iria acontecer ali.

"Eu negocio informações, Geels, as coisas que os homens fazem quando pensam que ninguém está olhando. A vergonha tem mais valor do que as moedas podem ter."

"Quando todo mundo acha que você é um monstro, não é preciso perder tempo fazendo monstruosidades."

"Ele quer vingança, Kaz."
"Isso é o que ele quer, não do que ele precisa", disse Kaz. "Influência é justamente saber a diferença.

Ninguém mais se movia daquele jeito, como se o mundo fosse feito de fumaça e ela só estivesse passando por ele.

Matthias tinha a sensação de que alguém - provavelmente Nina - havia cuidado mais dos seus ferimentos enquanto estava inconsciente. O pensamento o irritou. Melhor dor honesta do que a corrupção Grisha.

VAI CONTINUAR LENDO?

SE EU VOU? Eu tô praticamente devorando esse livro! É uma das melhores coisas que já li na vida, e neste ano está sendo um dos favoritos. Com certeza vou continuar.

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100:

O filho de Jav Van Eck e nossa garantia de trinta milhões de kruges.

O blog querido, Livros Ontem, Hoje e Sempre, está completando o seu segundo aniversário, e quem ganha presentes são vocês! As meninas organizaram um super sorteio em comemoração dessa data especial e convidaram vários blogs amigos para participar, então claro que estamos aqui!

Desejamos mais muitos anos pra essas lindas, e que o LOHS continue crescendo e conquistando ainda mais espaço na blogsfera!


Os formulários para validar suas participações começam aqui abaixo, e é só seguir as regras direitinho e você já está concorrendo a todos esses prêmios lindezas.


















FAZ CINQUENTA E SETE MINUTOS QUE ESTOU TENTANDO REDIGIR ESSA RESENHA e nada. Porque esse livro. Cara, esse livro! Eu já conhecia a história de Misery, assisto o filme há muitos anos, mas a MLI deste ano me convenceu a parar a enrolação e ler, enfim. E eu li. Não, eu devorei. E a história acabou e eu fiquei olhando para as páginas pensando Stephen King, me ensine a ser você.


Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

Paul Sheldon é um escritor renomado e acaba de terminar seu novo romance; conhecido pela série de Misery, seu sucesso de vendas, Paul decidiu que era hora de mudar. O resultado? No recente e último lançamento de Misery, ele deu um fim à personagem querida, libertando-se para novas histórias. Voltando para casa com o livro novo finalizado durante uma nevasca, Paul sofre um acidente de carro e acorda na casa da sua fã número um. Annie Wilkies promete que cuidará dele até que as estradas sejam liberadas, assim como promete que vai ajudá-lo a escrever a sua obra-prima. Com o tempo, no entanto, o que parecia uma ajuda se torna um cativeiro, e a mulher que se dizia fã se mostra uma carcereira obsessiva.


Ele era Paul Sheldon, que escrevia dois tipos de romance: romances bons e romances campeões de venda.
Eu e meus resumos ruins sobre livros que amei demais. Fazer o que?



Misery é aterrorizante, incrivelmente real e de uma tensão desesperadora. É um terror psicológico, muito mais sobre o suspense a respeito das ações da Annie do que um terror de fato. O que mais amedronta nesse livro é ele parecer tão real, coisa que o King sempre faz muito bem em seus romances. Os personagens são vivos. Eles saltam das páginas, com seus defeitos e seus medos e seus problemas. Paul e Annie são os protagonistas e 90% do livro gira em torno das interações entre eles. Paul está completamente submisso à sua salvadora, uma vez que suas pernas estão em frangalhos pelo acidente. Num primeiro momento, Annie é só uma fã adorável, solitária e apaixonada, mas conforme a trama cresce, as sombras na mente dela se expandem até o conhecimento de Paul. De mulher estável para uma surtada psicótica, Annie é tão desequilibrada quanto genial. Tudo é bem orquestrado, tudo é milimetricamente desenvolvido. Paul não está só preso, ele está condenado.


Ele se recostou, cobriu os olhos e tentou agarrar-se à raiva que sentia, pois a raiva o deixava valente. Um homem valente conseguia pensar. Um covarde, não.
Uma vez que Annie lê o último volume de Misery e descobre sobre a morte da mesma, as coisas perdem o controle. A obsessão dela transpassa as páginas, te deixa agoniada. Annie quer que Misery retorne, e Paul tem a missão de escrever um novo volume. Sua obra-prima. E, se depender da Annie, seu último livro.


A voz insolente de pistoleiro da máquina de escrever sussurrou naquele sonho cada vez mais denso. 
O que nós temos aqui, pessoal, é muita conversa e muitas páginas em branco. Sai dessa?

A mulher é assombrosa. Maníaca obsessiva, psicótica ao extremo. Ela tem surtos e tem momentos de calmaria, e os surtos sempre vêm acompanhado de alguma ação horrenda. Annie tem um passado perturbado e um presente incerto. O livro consegue carregar muito bem esses momentos instáveis de tal modo que você acaba se assustando junto com o Paul; Annie perde o controle por coisas simples ou por coisas grandiosas. Uma sopa derramada ou uma reclamação. E pobre do Paul por estar encarcerado na casa da sua fã número um...

O machado citado na sinopse? Ah, que cena desesperadora!

A loucura da Annie afeta o Paul, assim como a solidão da casa em meio à floresta. Ele não pode fugir, não pode se mexer e não pode pedir ajuda. Paul sabe que, com o tempo, vão começar a procurá-lo, e ele interpela Annie através da escrita do livro para ganhar esse tempo. O problema é que Annie não é burra, e ela tem tudo orquestrado. O tique taque do relógio e as páginas do Retorno de Misery marcam a proximidade do fim; eu amei como o King trabalhou a ânsia do Paul para escapar. Ele poderia muito bem ter se deixado levar pela solidão enlouquecedora, mas ele quer viver. Em alguns momentos, Paul percebe como seria muito mais fácil seguir os planos de Annie, mas há outra voz dentro dele que anseia pela liberdade, pela fuga, pela vida.



A ironia é que Annie o forçara a escrever o que sem dúvida era o seu melhor romance de Misery.
Outra coisa interessante no desenvolvimento da história foi como o novo romance de Misery trouxe cor à mente do Paul. Apesar de detestar a personagem, de tê-la matado no outro livro para se livrar da série, Paul ainda está conectado com ela. Ele percebe, com assombro, que toda aquela situação talvez o ajude a escrever o melhor livro de sua carreira. O modo como o King coloca todas as inseguranças, trejeitos e problemáticas que um escritor enfrenta na vida me fez identificar muito com o Paul. A ansiedade e o planejamento, os bloqueios e o processo criativo. Ok que o Paul está sob a mira de uma fã maníaca, sentenciado a sentar e escrever para salvar a própria vida, mas ainda assim é identificável. O cativeiro e o retorno da personagem se intercalam em meio à narrativa, e ambos seguem o mesmo preceito; "sai dessa". Como Paul usa essa artimanha para arrumar a morte criada ao fim do romance, ele também usa a artimanha para salvar a si mesmo. E o final! O FINAL! Que final magistral, que cena linda, que JKASNFUIASBGOABA.


Porque escritores se lembram de tudo, Paul. Especialmente o que dói. Tire toda a roupa de um escritor, aponte para as cicatrizes e ele vai contar a história de todas, até as menores. As maiores rendem romances, não amnésia. É bom ter algum talento se você quer ser escritor, mas o único requerimento real é a habilidade de lembrar a história de cada cicatriz. Arte é a persistência da memória.

Ah, e eu aproveitei a onda de Misery para assistir ao filme logo que terminei o livro. Que adaptação! O King comumente não dá sorte quando se trata de livros adaptados, mas acho que Misery foi a mais fiel à obra original. Kathy Bates, no papel da Annie, foi visceral. Você via a personagem que tinha lido em seus olhares maníacos e seus sorrisos doentios. Annie é muito sobre delicadeza e repentina fúria, e a Kathy tirou isso de letra - não é a toa que a mulher ganhou o Oscar de "melhor atriz" por esse papel.

No mais, para interessados em um bom terror psicológico, um thriller que vai te arrepiar dos pés à cabeça, Misery é uma boa pedida. A narrativa, os poucos personagens incrivelmente bem construídos, a ânsia pela fuga de Paul e por sua vingança por todo o martírio que Annie o faz passar, tudo foi escrito com a maestria de um grande escritor. Stephen King, senhoras e senhores...



Título original: Misery
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Gênero: Terror psicológico
Nota: 5 +

Saiba mais: Skoob | Buscapé

Eu tinha curiosidade pra ver essa série desde a sua estreia. Lobisomens, ciganos e o que pareciam ser vampiros? QUERO! Enrolei e enrolei, finalmente assinei a Netflix, enrolei mais um pouco, a série acabou, peguei spoilers hercúleos, mas nem me importei - até porque o spoiler principal eu acabei descobrindo que entendia errado, então fiquei feliz - e, finalmente, maratonei Hemlock Grove. Me arrependi? Nem um pouco. Foi ruim? Algumas partes. Vale a pena? Confere aqui comigo.

Não dá pra explicar essa série direito, então vamos ao básico: dois adolescentes se apaixonam.



HAHA, mentira, mas nem tanto. Peter é novo na cidade, Roman é herdeiro do nome que basicamente comanda toda Hemlock Grove. Peter é um lobisomem, Roman é alguma coisa não-humana que demora uma temporada inteira pra te explicar. A família do Peter é cigana, e ele vive com a mãe em um trailer na floresta. Roman mora em uma mansão solitária com a mãe controladora e matriarca-rainha-da-porra-toda e com a irmã deformada por algum motivo que também demora a ser explicado. Ataques de algum animal bizarro começam a acontecer na cidade, e Peter e Roman começam a investigar. Some isso a vários flashbacks bizarros, diálogos estranhos, criaturas esquisitas, relacionamentos conturbados e um ship que nunca zarpa e pronto, tá aí Hemlock Grove.



Sabe quando a série é tão esquisita e ruim que é boa? Foi o que eu senti assistindo HG. Demorou quase uma temporada pra que eu entendesse o plot principal, aí começou a segunda com mistérios mais bizarros e eu fiquei "mas eu tava entendendo tão bem!" e ai acabou do jeito mais WHAT THE FRICK FRACK FUCK possível. E a terceira temporada foi... Bem... Ladeira abaixo? Mas terminou tragicamente bem.

Falando dos personagens, os destaques vão para Olivia e Roman Godfrey e para o Peter.



Olivia é a matriarca controladora, dona de si, comandante da empresa bioquímica milionária, anteriormente liderada pelo seu marido. Olivia é mãe do Roman e da Shelley. Olivia é alguma coisa não-humana, que você meio que suspeita desde o começo, mas acaba se surpreendendo. Não, não é vampira. Olivia é uma vilã caricata extremamente carismática, magnificamente criada por um roteiro sombrio e misterioso. Famke Janssen é a atriz responsável por dar vida à Olivia e MINHA NOSSA COMO A MULHER É FANTÁSTICA! A Olivia é monstruosa e humana, cheia de falhas e cheia de rancor. Ela está em busca do poder, sempre, e não se importa com o que exista em seu caminho - ela tem um tiquinho de amor pelos filhos, mas só um tiquinho. Quase nada. Ela é a melhor coisa da série, ouso dizer. Do início ao fim, não se perdeu, não descaracterizou, não fugiu dos ideais. Ela é uma vilã cruel e uma mulher machucada pela vida, um monstro com humanidade. E teve o melhor final de todos!

Roman... Nhé. Todo mundo surtava tanto por esse personagem que eu esperei um Hannibal Lecter, mas ganhei um Roman. O que não é um elogio. Seus melhores momentos foram as interações com a Olivia e com o Peter, mas no geral ele é só um chato. Carismático, mais por causa do ator do que pelo roteiro, mas entediante. Não entendi a jornada dele, não entendi seus surtos psicóticos, ele fez muita coisa babaca sem sentido e sem perdão, mas o final dele foi BOM. Achei digno, achei merecido. Foi um final meio "não sabemos o que fazer aqui, então fizemos isso". Mas foi satisfatório. Vários momentos foram jogados na tela meio sem significado, como o "estou me achando no meu mundo" do Roman. Ele nunca se achou sozinho, só quando estava com o Peter, por isso a química entre eles foi tão forte. Apesar de não ter gostado do Roman, amei Romancek.




AGORA SENTA QUE LÁ VEM A DENISE SURTAR PELO PETER! AKJASUOGBAOGBAO


    

Meu bebê, ninguém sai. Sofredor, cigano malandro, problemático e perturbado. Ok, o roteiro descaracterizou o Peter lá na terceira temporada, mas ainda era o meu precious bae. A primeira temporada é a melhor dele, a segunda tem uns momentos ótimos; toda a origem cigana do Peter é uma coisa fascinante, e a série conseguiu trabalhar bem isso. Ao lado da prima, chamada Destiny, Peter tem seus melhores momentos.



Aliás, o fato de ele ser tão intenso, misterioso e bem trabalhado criam toda uma dinâmica única com os personagens que mais aparecem em cena ao seu lado. Os ships do Peter não funcionaram em nada pra mim - Letha pombo e Miranda mais pombo ainda - mas O RESTO FOI LINDO! A mãe dele é a melhor pessoa, e os dois funcionam muito bem juntos. A Destiny é linda e rainha e maravilhosa - e a terceira temporada também perdeu ela no roteiro - e ela e o Peter formam um brotp perfeito. E Romancek, claro.



Bônus para o Peter ter a cena de transformação em lobisomem mais legal que eu já vi até hoje. E EU AMO LOBISOMENS, ENTÃO JÁ VI MUITAS!

A relação entre o Peter e o Roman é uma balança de "eu confio em você, mas te mataria se precisasse.". Os dois funcionam muito bem em cena, e tem amor ali. TEM AMOR ALI! Eu gostei, principalmente na primeira temporada, como nada entre os dois soava forçado - diferente da Lethazzzz. A Letha, aliás, foi falha do roteiro. Ela tinha potencial para ser uma ótima personagem! Como tudo gira em torno de Romancek, ela só estava ali pra ser, sei lá, uma ponte que não se sustentava sozinha. Voltando a Romancek, na segunda temporada tem uma quebra na confiança entre os dois, e a série remenda isso meio complicadamente. Mas TEVE UMA CENA QUE EU ERGUI AS MÃOS PARA O CÉU PORQUE NEM ACREDITAVA QUE TINHA ACONTECIDO.

Aí tem as paradas bizarras, tipo a Shelley, irmã do Roman. Não entendi. O monstro gigante da terceira temporada? Entendi menos ainda. O que diabos fazem na empresa Godfrey? Sei lá, confuso. Por que tentaram fazer Peter e Roman héteros? NÃO FAZ SENTIDO. O que aconteceu com o roteiro da segunda para a terceira temporada? Ninguém sabe.




Mas Denise, então a série é muito boa? Ah, se você não se importa em ficar confuso, é sim. A produção é muito bem feita, a relação entre os protagonistas é apaixonante e tem uns momentos de tensão maravilhosos. A primeira temporada foi a melhor, sem dúvidas. O mistério envolvendo o monstro atacando a cidade, os ataques e a revelação no fim, foi tudo bem bom. A terceira temporada foi nonsense total, saiu dos trilhos e pegou fogo, não entendi nada, nada fez sentido, mas o último episódio, em si, foi legal. Inesperadamente bom, contrário ao que todo mundo estava me dizendo!

Vale a pena? Vale sim. Tá completa na Netflix, o Peter é lindo e precioso, a Destiny é ótima, os lobisomens são legais, a raça do Roman também. Alguns dramas são nhé, outros são bons. No geral, se tiver tempo e quiser passar por momentos de AWN e também por outros de WHAT THE FUCK, vai de Hemlock.
Variedades: Pesquisa de Opinião


Fangirls e fanboys da nossa vida!

O Queria Estar Lendo montou uma pesquisa muito especial, prática e super rápida para podermos gerar conteúdo cada vez mais interessante para vocês!

Prometemos que não leva mais de cinco minutos e que vai fazer toda a diferença do mundo para nós! Vocês podem responder tanto por aqui quanto pelo gadge que incluímos na lateral do blog. Só não esquece de participar e deixar a sua opinião, ok?

Já tivemos algumas respostas e percebemos algumas coisas que podemos aplicar muito em breve e pretendemos melhorar cada vez mais!



A história de uma adolescente que de dramática não tem nada, mas que tem todo tipo de drama ao seu redor. O especial sobre o livro da Dayse Dantas é que tudo é divertido, real e crível. Você se sente parte da história, como toda boa trama deve fazer com as suas emoções. E Nada Dramática te apresenta a uma realidade de vestibulares, amores inesperados e problemas que toda alma jovem acaba enfrentando.

Camilla chegou ao último ano do ensino médio sem grandes problemas; tem uma família estável, amizades agradáveis e notas excelentes. Com a proximidade dos vestibulares, no entanto, essa acaba se tornando uma das suas muitas consternações. Afinal de contas, ela ainda é uma adolescente, certo? E todo adolescente vivencia dramas. Independente de pertencerem a seus amigos, sua família ou até mesmo ao seu coração, a história se desenvolve com todo o amadurecimento e a aceitação de Camilla às coisas inevitáveis da vida.

Basicamente, tenho vontade de sair do que é pequeno, tenho vontade do que é maior. Mesmo que no fim tudo acabe sendo a mesma coisa, pelo menos será a mesma coisa em um lugar diferente.

Sabe quando você pega um livro e logo no início já sabe que ele vai ser maravilhoso? Foi a minha experiência com Nada Dramática. Dois capítulos e eu já estava apaixonada por tudo. Narrativa impecável, protagonista carismática, dramas engraçados e bem trabalhados, um romance fofo. Tem de tudo, e tudo muito bem desenvolvido do início ao fim!



Você falou do tal do "ser adolescente" e eu fiquei um pouco incomodada. Afinal o que é "ser adolescente"? Tipo, não existe jeito certo ou errado de ser um adolescente, acho. Só jeitos variados. Todo adolescente está sendo um adolescente, inclusive você. Tipo, adolescente é uma indicação de idade, e não de personalidade.

Camilla é o tipo de protagonista que ganha sua simpatia de cara. Ela tem um que de Lola, Anna e Isla, as personagens da trilogia da Stephanie Perkins. Eu sei elogiar uma personagem quando ela me lembra a Lola, porque a Lola é uma das melhores personagens já inventadas na história dos livros. Camilla é esse tipo de personagem; ela tem um brilho, uma presença em cena. Ela tem essa narrativa divertida, sarcástica, com tiradas hilárias e momentos de dores reais. Ela é só uma garota tentando viver o último ano do ensino médio como viveu os outros: na normalidade. Criada por pais apaixonados pelo comunismo, Camilla vivencia um momento de crise na família, uma vez que o irmão está de volta e parece que algo anda dando errado com ele e a esposa. Do outro lado, lá na escola, os alunos estão começando o que parece uma revolução, tentando ganhar a atenção do diretor para rebater uma injustiça. Camilla está no meio disso tudo, assistindo, mas poucas vezes protagonizando. Achei muito legal como ela não era o centro das situações, mas sempre encontrava seu espaço.



Quando alguém me fala que não vou acreditar em alguma coisa que ela disser, quer que eu responda o quê? "É mesmo, não vou acreditar, você mente o tempo todo, eu te odeio, adeus?" ME DIZ O QUE VOCÊ TEM PARA DIZER E AÍ TE DIGO SE ACREDITO OU NÃO.

A relação dela com as amigas também foi outro ótimo ponto. Camilla e Carol têm ótimos momentos. Uma amizade que nasceu de repente e se tornou tão importante. Marcela é outra amiga, também muito presente em sua vida, ainda que não estudem na mesma escola. Achei ótimo o desenvolvimento das personalidades e como elas se completam. Onde uma é aventureira, a outra é mais equilibrada, e por aí vai. Camilla é o tipo de amiga avoada com quem eu me identifico muito, porque no Nada Dramática da vida real, eu sou a Camilla. Suas amigas estão ali por ela, mas também sabem quando ela precisa do seu espaço. Ah, e tem a amiga virtual também, a Jordana. Elas não se encontraram, mas se correspondem por e-mail e mensagens e é tudo muito fofo e divertido, porque muitas amizades hoje em dia estão acontecendo assim - diabos, aqui no blog a gente vive assim!



João e eu continuamos em silêncio. Estávamos tendo um bom momento, sabe. Não romântico, claro. Óbvio. Mas sabe. Um momento agradável entre amigos. AMIGOS! (Negaão: s.f. Ação de negar. Advérbio ou conjunção que serve para negar, como não, jamais, nunca, nem, etc.)

As histórias do blog da Camilla são um show à parte. Tem uma dimensão dentro de outra dimensão nesse livro, tal como Fangirl. A Dayse nos conta sobre a Camilla que nos conta sobre a Agente C. E a Agente C tem muitos dramas parecidos com os da Camilla, intercalando a vida real da garota à ficção que ela escreve. E o humor é tão bem escrito!

- Com que frequência o senhor pensa em flamingos?

Agora eu vou falar do meu ship, dá licença. Camilla achava que passaria o ensino médio sem se apaixonar, mas de repente o seu colega de turma, o quieto e distraído João, se torna mais do que apenas um colega de turma por quem ela sente simpatia. De repente ele parece bonitinho, e de repente ele a está olhando por mais tempo do que amigos se olham. De repente ele a cumprimenta com um beijo no rosto e ele nunca fez isso antes. Ué?




ELES SÃO TÃO FOFOS!

João: Admita, eu sou importante na sua vida. 
Camilla: NEGO ATÉ A MORTE! 
João: Você é importante na minha.



AMEI ADOREI ACHEI TUDO como a Dayse construiu a atração entre eles. Nada foi forçado ou rápido ou descompassado, tudo tinha o seu momento. O momento em que Camilla estava focada nos estudos, outro em que ela estava focada nas amigas, um em que ela estava com a família e outro em que João era seu foco. João e Camilla têm aquele tipo de interação que eu adoro em uma boa história de amor. Eles são amigos e de repente eles são alguma coisa mais. Ambos se entendem, ao mesmo tempo em que descobrem coisas novas sobre cada um.

O livro teve uma construção impecável e um final fofo e bem real. Nenhuma promessa de felizes para sempre, mas a promessa de um futuro brilhante para uma garota que, mesmo com os dramas, viveu suas aventuras.


Título original: Nada Dramática
Autor: Dayse Dantas
Editora: Gutenberg
Gênero: Romance / YA
Nota: 5

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