Em Jovens de Elite, conhecemos o mundo daqueles marcados pela doença de sangue, amaldiçoados com poderes, caçados por um governo tirano. Em Sociedade da Rosa, vivenciaremos o início de uma rebelião, com jogos políticos e uma trama de vingança poderosa.

Sinopse: Sociedade da Rosa é o segundo volume da saga de fantasia medieval Jovens de Elite e mostra a jovem Adelina Amouteru com sede de vingança. Depois de ser renegada pela família, ela é traída por aqueles em quem confiou, e parte em busca de outros malfettos — sobreviventes da febre do sangue que, como ela, possuem dons fantásticos —, para formar um exército próprio e combater a Inquisição do Eixo. Mas o ódio e o medo que a alimentam podem levá-la por caminhos perigosos, e uma oferta tentadora vai testar a verdadeira natureza dos seus poderes e de sua personalidade. Uma sequência de tirar o fôlego para uma saga épica.

Adelina foi traída por aqueles em quem tinha confiado. O príncipe está morto e ela está no além mar, fugindo de tudo que conhece. Acompanhada da irmã Violetta, Adelina decide que não vai deixar seu passado para trás; ela vai vingá-lo. Os Punhais a traíram, então ela criará a sua própria sociedade. Ela elegerá os melhores Jovens de Elite e os terá ao seu lado para uma empreitada perigosa: a tomada do trono do reino que tentou matá-la.

Algum dia, quando eu não for nada além de poeira e vento, que lendas vão contar sobre mim? 

Essa não é uma história com final feliz. Não é um livro sobre esperança, é um livro sobre vingança. Adelina não é uma heroína, ela é quase uma vilã, e por isso uma das melhores personagens que já li. A jornada dela tem tudo de sombrio e de ressentimento, ela é amarga e traiçoeira e verdadeiramente cruel. Ela viveu coisas que marcaram seu coração e sua mente. Seus poderes estão mais fortes, mas usá-los cobra um preço caro: sua sanidade. Adelina cai sob as vozes em sua cabeça, mas precisa delas tanto quanto precisa daquilo que a marca como uma Jovem de Elite. Suas ilusões são sua força e a única maneira de ela conquistar o trono que tanto deseja.

A partir de agora, eu ataco primeiro.

Ao seu lado, sua irmã Violetta é muito da razão que falta à Adelina. Também uma Jovem de Elite, mas sem marca física, Violetta se torna uma fugitiva sem entender bem o que é isso. Ela nunca foi julgada como diferente, nunca enfrentou o preconceito e a dor que os malfettos vivenciavam. A relação entre as duas é de dependência, mas também de ressentimento. Violetta faz tudo para proteger a irmã e é possível ler nisso uma maneira de compensar o abandono ao qual Adelina foi imposta todos aqueles anos. Violetta quer ser a figura que não conseguiu ser, a companheira de luta e o escudo.


Como deve ser se alinhar com a alegria e o amor, em vez de medo e com o ódio? Que tipo de luz isso emana?

Em sua jornada por vingança, Adelina conquista dois aliados poderosos: Magiano e Sergio. O primeiro é um lobo solitário, bastante famoso por seus poderes, e uma lenda onde Adelina se encontra. Uma vez ao lado da Loba Branca, Magiano se torna um pouco de apoio e um pouco de desejo e um amigo inesperado, mas bem-vindo no cenário caótico que é a vida da protagonista. Os dois se conectam através de suas experiências e do abandono, mas Magiano é muito de luz onde Adelina é só escuridão, e por isso o relacionamento entre eles é tão importante. Ela se encontra no ladrão, e a promessa de um pouco de paz que existe nele parece o que Adelina precisa.

- Escondê-la deixa você mais bonita - diz Magiano. Em seguida, afasta a mão, expondo minha cicatriz. - Mas mostrá-la faz você ser você. Então, use-a com orgulho.


Sergio, por outro lado, é um mercenário também traído pelos Punhais. Ele deixa bem claro que seus homens vão seguir Adelina porque ela oferece um pagamento abastado, mas você consegue encontrar uma fidelidade à causa porque Sergio se identifica com ela. Os Punhais o abandonaram como abandonaram Adelina. Vingança é tudo que existe no cenário.

- Nossos poderes são perigosos, assim como o que fazemos.

Do outro lado da moeda, em Kenettra, temos um governo instável graças à queda de Enzo e ao trono assumido pela inescrupulosa Giulietta. Ela mantém uma posição mais leve em relação aos malfettos, enquanto Teren, o Inquisidor Chefe, quer puni-los pela impureza. A relação entre os dois é de domínio e submissão, sendo Teren tão fiel à figura pura e imaculada da rainha humana que está disposto a se submeter a qualquer coisa para ser digno de sua presença. A maneira com que Teren se porta na trama é doentia e obcecada, e o modo como Giulietta o dobra à sua vontade é genial e tão bem trabalhada que dá vontade de gritar com a Marie Lu. Como pode alguém escrever personagens tão sombrios e errados de maneira tão incrível?

O pedido de desculpas de um rapaz para sua amante, não de um Inquisidor para sua rainha.

Os Punhais se aliaram a uma rainha estrangeira, e ela pode ser sua única chance de reconquistar o trono do falecido Jovem de Elite que os guiava. Como figuras principais aqui temos Raffaele, meu doce e quebrado Raffaele, e Maeve, a estrangeira prometida como salvação do trono. A relação entre eles é puramente política, e o desenvolvimento das suas estratégias é absolutamente genial. O modo como a autora intercala os pontos de vista, mostrando a rainha e os rebeldes, cada um com sua causa, cada um com seu plano, isso é digno de aplausos, principalmente pelo desenvolvimento glorioso do final.


A narrativa impecável te prende à história do começo ao fim. Ela fala sobre jovens forçados a crueldades, sobre pessoas julgadas por seus defeitos, condenadas por eles. Fala sobre rainhas justas e rebeliões perigosas e fala sobre um mundo terrível, onde o pouco de luz é sobrecarregado pelo muito de escuridão.

Mas os verdadeiros governantes não nascem. Nós somos feitos.

Reviravoltas chocantes marcam a trama de Sociedade da Rosa. Marie Lu nos entrega, mais uma vez, uma trama política sombria, margeada por nuances de liberdade e um grito de guerra. Esse livro abre espaço para um desfecho drástico, prometendo um fim possivelmente tão sombrio quanto o seu início.

Título Original: The Rose Society
Autora: Marie Lu
Editora: Rocco
Gênero: YA / Dark fantasy
Nota: 5 +

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Uma coisa que está bastante em alta ultimamente são os podcasts (quase um programa de rádio, para quem não sabe, a diferença é que você pode escolher sobre o que quer ouvir e baixar para fazer isso a hora que quiser!). E o que mais surpreende sobre eles é o número e a variedade de assuntos encontrados, desde assuntos gerais como política, ou matérias de escola, escrita, filmes e principalmente engolobando o mundo geek, nos levando, é claro, aos livros.

Então, resolvi trazer hoje uma lista de alguns podcasts bem legais que tratam do nosso assunto preferido:

LiterárioCast: Direcionado para o mundo literário em geral, eles falam sobre mercado editorial, adaptações cinematográficas e autores. É bem interessante para quem quer saber mais sobre as entrelinhas que acompanham o universo dos livros.

BestiarioCast: Desde quadrinhos até programas inteiros sobre um gênero em específico, eles dão as informações de maneira bem dinâmica, e o mais legal: a maioria dos podcasts é realizada, ou ao menos, tem a participação de autores nacionais. Ou seja, você recebe as informações de quem tem uma grande experiência do que está falando.

CabulosoCast: Esse podcast é do blog Leitor Cabuloso e fala de maneira bem divertida sobre livros, quadrinhos e muitas entrevistas com autores. Vários podcasts são de informações que abordam o mundo literário e pop, como exemplo, influências históricas de Game of Thrones e livros de Youtubers, mas também assuntos mais sérios, como a cultura do estupro e o racismo nos livros.

LivroCast: Para quem quer algo mais concentrado, o LivroCast apresenta programas voltados somente para  livros mesmo, como um apenas para a A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison.

CovilGeek: Criado por quatro amigos, esse podcast super extrovertido tem intuito de falar não só de livros, mas de RPG, games, séries, quadrinhos, animes... o mundo geek em geral. Uma coisa legal é que surgiu das conversas que eles tinham entre eles sobre esses assuntos, então resolveram gravar e postar na internet. E outra, é que não falam somente de livros atuais ou da moda, também de clássicos como Orgulho e Preconceito, o que faz com que seu acervo seja ainda mais abrangente pra nós que gostamos da temática.

Para quem quer saber mais sobre o universo literário, seja parte da cultura pop relacionada a ele, assuntos sociais ou mais historicamente e não tem tempo sobrando para pesquisar ou até ler artigos, os podcasts são ótimas pedidas e podem inclusive, além de te dar mais conhecimento, dar aquela última opinião que você precisa para ler 

Lançamento da editora Novo Conceito, Imperfeitos tem a sutileza de uma boa distopia, com tudo o que procuramos em livros do gênero, e o que deveria ser mais do mesmo acaba por surpreender com um desenvolvimento incrível e um final arrebatador.


Sinopse: Celestine North vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Todos aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre, rechaçados da comunidade, seres não merecedores de compaixão. Por isso, Celestine procura viver uma vida perfeita. Ela é um exemplo de filha e de irmã, é uma aluna excepcional, bem quista por todos do colégio, além do mais, ela namora Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan.Em meio a essa vida perfeita, Celestine se encontra em uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor. Ela pode ser presa? Ela pode ser marcada? Ela poderá se tornar, do dia para a noite Imperfeita? 

Celestine vive em um mundo dividido. A sociedade perfeita julga aqueles que cometem crimes morais, separando-os por marcações à ferro quente na pele, impedindo-os de frequentar certos lugares, de comer certas comidas, de sair depois do horário determinado. Os chamados Imperfeitos são discriminados, tratados como sombras. Para ela, o mundo é ótimo desse jeito, até que não é mais. Celestine ajuda um Imperfeito, e ela é julgada por isso. Celestine se torna um deles, e sua punição vai além do esperado; para os perfeitos, ela é um erro. Para os Imperfeitos, uma causa, um mártir. Para ela mesmo, de repente, é uma ninguém.

É a minha tragédia que eles temem. E isso me dá força.

A protagonista tem o arquétipo do tipo mais interessante para histórias do gênero. Ela é a personagem centrada, satisfeita com o mundo privilegiado em que vive, intocável pelos defeitos dele, até que, movida pelo que acredita ser uma atitude inocente, nada justificável para uma punição, Celestine é condenada como Imperfeita. Por ajudar outro ser humano marcado, ela se torna um deles. E a injustiça e crueldade desse sistema em que vivem começa a se destrinchar para ela a partir do momento em que sente na pele o que é ser discriminada.

- É horrível. Uma mulher me olhou outro dia como se eu tivesse matado todos os filhos dela. Eu preferia me matar a viver assim.
Esse é um livro sobre injustiças. Não espere tramas políticas grandiosas, reviravoltas chocantes ou cenas de ação arrebatadoras. Ele é incrível exatamente por ser uma distopia calma, o início de uma revolução. Imperfeitos é a promessa de que a sociedade injustiçada está começando a se erguer, que eles não querem aceitar os julgamentos impostos por um Tribunal tido como corrupto. Celestine é o estopim, mas vai muito além dela. E o fato de ela nunca se portar como uma heroína, como alguém que quer fazer a diferença, esses foram os fatos que mais me conquistaram na sua personalidade.



Há uma guerra em curso, Celestine. Não deixe que eles a usem.
Ela não perde o egoísmo do começo do livro, mas entende os problemas da sua sociedade com o tempo. Ela não perde o medo da punição, especialmente por ter sido a Imperfeita mais marcada da história. Ela não se livra do terror que o Tribunal impôs sobre sua figura, sobre sua vida a partir das marcações. Celestine é uma adolescente assustada pouco disposta a fazer a diferença, mas ansiosa para que as coisas mudem. Ela é quase um paradoxo ambulante, e é frustrante mas ao mesmo tempo é verossímil com tudo que ela representa.


Além de Celestine, temos a presença constante de sua família, que sofre os abalos do julgamento dela de maneira mais emocional. O pai é um personagem mais constante, disposto a se levantar contra a injustiça pela filha, e a mãe é mais contida, temerosa quanto ao que a aguarda caso levante a voz. Celestine tem uma irmã, antes sua sombra, introvertida, agora em destaque graças ao que Celestine se tornou. O relacionamento entre as duas teve dois grandes momentos dentro do livro, e achei muito interessante como a autora trabalhou o ressentimento e o afastamento de cada uma delas.

Os Imperfeitos são pessoas comuns que cometeram transgressões morais ou éticas.
Art, namorado da protagonista, se provou um grande babaca. Com atitudes compreensíveis, mas covardes. O modo como ele se porta diante da Celestine antiga e da Imperfeita provam muito sobre sua personalidade, e o quanto ele é um medroso indigno. O fato de ser filho do chefe do Tribunal não é justificativa para as coisas que ele diz ou pelas suas atitudes.


Ah, Crevan, o homem responsável pela condenação e punição da protagonista, é um dos vilões mais bem trabalhados que já li em distopias. Ele tem um que de Presidente Snow e Alma Coin, agindo de acordo com o que acredita ser o melhor, ainda que o melhor remeta a crueldades. Ao mesmo tempo em que tem muito de corruptível e de psicótico, perdendo a linha para provar seus pontos.

Um dos personagens que eu mais gostei, curiosamente, foi um dos que menos apareceu - e graças aos céus por isso. Cecelia apresenta Carrick ao leitor brevemente, com apenas uma fala, e ele se torna uma figura de apoio para a protagonista mesmo se tratando de um desconhecido. O fato de terem dividido um trauma e uma memória tão pesada quanto as marcações cria essa ligação entre os personagens, e você torce desesperadamente para que ele apareça por ela, porque sabe que Carrick é o único capaz de entender Celestine melhor do que ela mesma.


A edição da Novo Conceito está ótima. Alguns errinhos de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura. Diagramação boa para leitura, e a capa tem um detalhe incrível que quando eu descobri sofri o maior mindfuck.

Estamos aqui para sermos usados como um reflexo dos piores pesadelos do mundo. Bodes expiatórios de tudo o que há de errado na vida dos outros.
Uma sociedade imperfeita justamente por criminalizar imperfeições é o que te espera na leitura dessa série distópica. Com um final de tirar o fôlego, Imperfeitos abre caminho para uma continuação que já aguardo desesperadamente.

Título Original: Flawed
Autor: Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Gênero: Distopia
Nota: 5

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As Piores Capas da Minha Estante

Já diria o ditado "não julgue o livro pela capa", levei ele tão a sério que agora consegui até fazer um post com as piores capas da minha estante. 


Alguns títulos são clássicos e possuem diversas capas diferentes -- por questões de valores e o desejo de ler, eu acabei ficando com as mais feinhas mesmo -- e outros fazem parte daquele hall de "essa é a capa original e não sei porque cargas d'água a editora brasileira achou que seria bacana manter ela". Vamos lá?


As Piores Capas da Minha Estante

Vinte Garotos no Verão - Sarah Ockler

Sei nem o que dizer. Esse capa é a original, pelo que eu andei pesquisando. E eu não tenho palavras para expressar. Não julguei mesmo porque já me falaram muito bem dele e tava uma pechincha.

As Time Goes By - Michael Walsh

Esse livro é uma continuação para o filme Casablanca e eu comprei no sebo, que foi onde eu descobri que ele existia -- e como uma boa fã do filme eu não poderia deixar ele passar. Mas foi realmente só pelo amor ao filme, porque a capa é muito feinha e, depois, descobri que ele não é tão bom assim.

As Piores Capas da Minha Estante

O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

Um dos meus clássicos preferidos, O Grande Gatsby já teve duas adaptações para o cinema (a última com o Leonardo Dicaprio no papel título) e tem mil e uma capas maravilhosas. Mas eu fiquei mesmo é com uma capa dos anos 70 que achei no sebo. Comprei porque já tinha lido o livro, mas como era da biblioteca da faculdade eu não podia ficar. Mas tenho uns tremeliques sempre que olho ela. É TANTA INFORMAÇÃO.

Mulherzinhas - Louise May Alcott

Outro clássico que eu só comecei a ler. Comprei tão barato que ignorei a capa completamente. Quem sabe, se ele for tão bom quanto todo mundo fala, eu não consigo comprar em capa dura e inglês, para ficar bonitão na minha estante e combinar com a história?

As Piores Capas da Minha Estante

Vampire Academy - Richelle Mead

Sério. Sérião. Os livros estavam fazendo o maior sucesso, mas ninguém engolia essa capa. Porque não mudar? Porque manter a mesma. Arg. No ano passado o primeiro livro ganhou capa do filme, mas não lembro de ver nenhuma reedição para as outras capas. Lá fora, os livros ganharam repaginada em um box gatão. Alô, alô Brasil! Com essa capa nem tenho vontade de completar a coleção.

A Outra Vida - Susabbe Winnacker

A história é muito banaca. Não é o melhor apocalipse do mundo, mas é interessante. Porém, todavia, entretanto, essa capa não rola. Especialmente quando a original é tão fofinha, né?

Moby Dick - Herman Melville

Clássico universal sobre a obsessão de Ahab com a baleia branca que ele não conseguiu capturar, Moby Dick é um livro que é muito citado em filmes, séries e até outros livros e já despertou a minha curiosidade há muitos anos. Por isso não hesitei quando achei ele por 10 golpinhos na Bienal de São Paulo de 2014. Mas essa capa da edição da Abril é só... Arg. Nop. Mesmo em capa dura. Nop.
Resenha: Vivian Contra a América


Vivian Contra a América é o segundo e último livro da duologia Vivian Apple, da Katie Coyle, que começou no livro publicado em 2015 aqui no Brasil, Vivian Contra o Apocalipse.

Sinopse: Vivian Apple tem um currículo surpreendentemente variado. Aos 17 anos, passou de boa moça estudiosa a revolucionária procurada, atravessou os Estados Unidos de carro com os amigos, lutou contra um bando de adolescentes doutrinados, encontrou uma irmã que nem sabia que existia e descobriu segredos sombrios sobre um culto que dominou a América. O próximo passo? Tentar determinar o paradeiro de Peter, seu meio-que-namorado, antes que o mundo acabe (de novo), em três meses.
Perdidas em San Francisco, perseguidas por grupos religiosos e caçadores de recompensa e enfrentando uma sociedade cada vez mais próxima do colapso, Vivian e Harp estão em perigo e nem sabem por onde começar a busca por Peter. Até que uma pista as leva a Los Angeles, para o hotel Chateu Marmont, o improvável quartel-general da Igreja Americana, onde supostamente grandes nomes esperam pelo fim do mundo. Parece que Vivian precisa salvar o país, seus amigos e a si mesma, ou arriscar perder tudo que ama mais uma vez.

Depois de descobrirem as mentiras da Igreja Americana, Harp e Vivian estão mais encrencadas do que nunca. Fugindo do complexo da Igreja, sendo obrigadas a deixarem Peter para trás e sem saber por onde começar ou mesmo o que fazer, as duas amigas estão perdidas. 


"Foram nossas próprias ações desafiadoras que nos trouxeram até aqui. E, embora as consequências sejam enormes e terríveis, não consigo me arrepender do que fizemos."

E como se não fosse o suficiente, elas acabam de virar Inimigas da Salvação e procuradas pela Igreja, o que basicamente quer dizer que elas não estão seguras em lugar algum porque há uma recompensa por sua captura. Dessa vez, Harp e Viv não podem fugir dirigindo rapidamente pela autoestrada e precisam contar com a ajuda de Winnie, a recém-descoberta irmã de Vivian, e a milícia rebelde da qual ela faz parte.

Resenha: Vivian Contra a América


O problema é que as duas não estão cem por cento de acordo com os métodos utilizados pela milícia ou com os ideais de sua fundadora, e se quiserem salvar as pessoas que amam, elas vão precisar enfrentar tudo com a coragem destemida que o Universo lhes deu.

Na resenha de Vivian Contra o Apocalipse eu já havia comentado como o mundo descrito pela Katie Coyle era algo que assustava por ser tão intensamente real e plausível, devido as tensões que estamos vendo no mundo hoje. E Vivian Contra a América não fica longe disso.


"Eu queria, e não pela primeira vez, que a Igreja fosse uma religião como outra qualquer. Eu queria que desse essa sensação de comunidade aos Crentes sem causar mal a ninguém."

O último livro da duologia mostra um planeta terra ainda mais acabado, com um clima ainda mais perigoso e uma incerteza ainda maior sobre o nosso destino. O Apocalipse do qual falavam no primeiro livro era só uma forma da Igreja Americana de controlar ainda mais seus fiéis, instaurando medo para que pudessem lucrar com o desespero. Mas a verdade é que o mundo está morrendo, mesmo, e não por alguma intervenção divina, mas pela já conhecida devastação humana.


Resenha: Vivian Contra a América

Além disso, Vivian e Harp continuam a cavar, procurando pelas pessoas arrebatadas e invadindo a sede da Igreja para descobrirem seus planos para o futuro -- já que não é nada lucrativo ficar matando seus fiéis. Enquanto, no inicio, Vivian é tomada pela sede de vingança, pela vontade de ver todos que tem uma ligação com a Igreja America arderem e, por isso, se identifica tanto com a milícia, Harp quer justiça. Harp quer desmascará-los e fazer o mundo encarar todas as atrocidades que cometeram em nome de uma mentira absurda e das ilusões de uma pessoa mentalmente instável.

"Você acha que eu não sei lidar com uns probleminhas? É só olhar o noticiário, Peter Ivey. Eu sou a grande inimiga da Salvação."

É bem claro que ambas representam duas partes da mesma pessoa, digladiando-se com a necessidade de justiça e a vontade de vingança. Harp segue a lógica e Vivian segue sua emoção, o que por vezes a coloca em perigo verdadeiro.


Resenha: Vivian Contra a América

E é impossível olhar para essa história sem enxergar o momento atual em que vivemos. Os crimes de ódio nessa América dominada pela Igreja aumentaram ridiculamente. Crimes que dizem defender a fé, quando na verdade é apenas medo e a parte mais suja do ser humano, que prefere culpar os outros pelo seu fracasso do que admitir para si mesmo que não é perfeito e precisa reavaliar suas decisões e posições. A mesma motivação que permite com que tantas pessoas se deixem enganar pela Igreja Americana -- e, no nosso mundo, por tantas outras pseudo religiões que ao invés de pregar a fé, o amor e o perdão, pregam o ódio gratuito e inquestionável, a submissão cega -- e mergulharem em uma crise que só piora sua situação.

O que eu mais gostei nessa duologia da Vivian Apple foi como a Katie deixou essa dúvida no ar: será que o mundo que ela criou é um mundo apenas "um pouco" mais exagerado do que o nosso, ou um mundo exatamente como o nosso que apenas não se esconde atrás de máscaras? A realidade pulsante da história fascina, assusta e faz pensar.



"Diego tem razão: também tenho um monstro dentro de mim. Uma fagulha de loucura que torna a destruição possível. Nesse momento, esse sentimento é maior do que o choque e a tristeza. Ele me transforma em algo inumado, como um pilar de fogo justiceiro pronto para consumir Masterson e os anjos, e os reduzir a pó."

Resenha: Vivian Contra a América

Não tenho dúvida alguma de que Vivian Contra a América foi um dos melhores livros que li em 2016 e, a duologia, uma das melhores que vou ler na vida inteira. As personagens são vivas e críveis, bem delimitados. As perdas são reais e você sente o impacto de viver em um mundo sem aquelas personagens que morreram. É um livro que consegue ser leve e, ao mesmo tempo, denso. O tipo de leitura que vai depender da forma como você interpretá-lo para marcar a sua vida.

Título Original: Vivian Versus America / Vivian Apple Needs a Miracle

Autora: Katie Coyle
Editora: HarperCollins
Gênero: YA - distopia
Nota: 5

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Procurei pela internet, mas não encontrei nenhuma TAG relacionada à Liga da Justiça. Com um pouco de inspiração e muitos heróis e vilões em mente, confiram como ficou essa listinha e quais livros encontrei para combinar com os personagens escolhidos!


Livros citados:

- Star Wars - Herdeiro do Jedi
- Rainha das Sombras
- Mil Pedaços de Você
- Minha Vida Mora ao Lado
- Eu te darei o Sol
- Trilogia Força Sigmas
- Anjo Mecânico
- An Ember in the Ashes
- Maze Runner
- Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
- A Evolução de Mara Dyer
- Cinder
- Enshadowed
- A Fortaleza do Dragão
- Espada de Vidro
- Fangirl

Autora: Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 319

PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100:

"Ele queria expressar a opinião dele e... bom, foi punido por isso."

DO QUE SE TRATA O LIVRO?

Imperfeitos é uma distopia onde o mundo separa as pessoas por transgressões éticas e morais do resto da sociedade. Mentirosos, corruptos, omissores; não são crimes graves, mas são crimes, e aqueles que os cometem são marcados à ferro quente e sentenciados a uma vida de opressões e julgamentos, separados da sociedade perfeita.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?

Surpreendente! Já li uma obra de romance da Cecelia e não me dei bem com a construção e nem com o desenvolvimento, mas Imperfeitos é (ironicamente) perfeito. A narrativa te prende e a protagonista é bastante mutável, o que te concede empatia pela história dela. A sociedade desse mundo distópico é fascinante e injusta, quase um apartheid, separando as pessoas, obrigando-as a sentar em lugares distintos no ônibus, a frequentar apenas os ambientes selecionados. A obra é muito bem construída e me pegou de jeito.

O QUE ESTÁ ACHANDO DA PERSONAGEM PRINCIPAL?

Celestine começou a história bastante preto no branco, e agora se tornou várias nuances de cinza. Por isso me conquistou; ela era o tipo de personagem que só via o caminho à sua frente, negando-se a olhar para os lados. Uma vez feito isso, ela não consegue mais ignorar as muitas trilhas que existem ao seu redor. Prevejo um desenvolvimento grandioso para a protagonista se a autora seguir no tom que está usando.

MELHORES QUOTES (ATÉ A PÁGINA 100):

"Os Imperfeitos são pessoas comuns que cometeram transgressões morais ou éticas."

"Isso é algo completamente irracional. Não temos compaixão por este ser humano, Imperfeito ou não, a ponto de não o ajudarmos?"

"Todos sempre (sempre) olhariam para o futuro antes que fosse tarde demais; nada de equívocos."

"Estamos aqui para sermos usados como um reflexo dos piores pesadelos do mundo. Bodes expiatórios de tudo o que há de errado na vida dos outros."

"Há uma guerra em curso, Celestine. Não deixe que eles a usem."

VAI CONTINUAR LENDO?

Definitivamente sim! Quero ver o que vai acontecer com a Celestine e quero saber mais sobre os Imperfeitos. Quero ver rebelião contra esse governo e esse sistema opressor!

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100:

"Se for sincera comigo, serei considerada Imperfeita."
victoria schwab

A Bruxa de Near, lançada no Brasil pela Editora Planeta, não poderia ser menos do que o esperado da autora Victoria Schwab (também conhecida como V. E. Schwab).

Sinopse: Na cidade de Near não existem estranhos e a velha história da Bruxa é contada apenas para assustar as crianças. Estas são as verdades que Lexi Harris ouviu durante toda a vida. Mas quando um estranho, um garoto que parece desaparecer como fumaça, surge em uma noite do lado de fora de sua casa, ela sabe que algo não está correto. Na noite seguinte, crianças começam a desaparecer de suas camas sem deixar qualquer vestígio e o estranho é o principal suspeito. Mas quando o garoto se oferece para ajudar na busca, algo no coração de Lexi diz que ele esconde outros segredos e não é o culpado. Ela estaria imaginando ou o vento parecia sussurrar através das paredes? Quando a busca pelas crianças se intensifica, o mesmo acontece com a necessidade de Lexi de saber sobre a Bruxa que talvez não seja só uma história para dormir... 

Com a escrita cuidadosa e detalhada, típica da escritora, a história acontece sem enrolações e partes desnecessárias, o enredo se desencadeando rápido o suficiente para o tamanho do livro (240 páginas), explicando o que é preciso e fechando partes que se abriram no início. Ela te imersa* de uma maneira que logo após algumas páginas você já compreende todo o contexto, como se tivesse acompanhado a vida da protagonista desde que nascera.

Sei a história de meu pai. Sei tão bem quanto as que ele me contou, mas não consigo contá-la da mesma forma prática. Está escrita em meu sangue, nos ossos e na memória em vez de estar em pedaços de papel.

victoria schwab

A história se passa em uma espécie de povoado em um páramo (algo como um campo no alto de cordilheiras), é uma cidade pequena, onde todos conhecem todos e sempre se conheceram, do mais velho ao mais novo. Uma lenda antiga assombra o povoado, sobre uma bruxa que raptava crianças e as assassinava, mas fora as misteriosas irmãs que moram nos limites da cidade, ninguém mais fala em voz alta sobre bruxaria há muito tempo. Até que crianças começam a desaparecer de suas camas e a única explicação que dizem ser plausível é o estranho que aparecera no lugar na noite anterior ao primeiro desaparecimento.

É impossível ver todo o mundo além de Near, na verdade, porque nunca dá para ver mais que uma ou duas colinas de cada vez. O mundo poderia terminar, de repente, além da próxima colina.

A protagonista, Lexi, é uma jovem que nasceu para ser mais do que apenas um moça de cidade pequena de lugar nenhum, ela não quer apenas casar e ter filhos, ela quer mais, e isso quer dizer compreender o páramo, o vento místico e incessante que o cobre e a vida ao redor dela, como seu pai fazia. Ela tem uma personalidade forte, faz de tudo pela família e é incansável, causando o mesmo pela história, pois muitas vezes tentam impedi-la de fazer o que acha que é certo por ser mulher, ainda sim, ela não desiste.

- Coisas mortas devem ficar em suas camas até ficar escuro – fala Magda.

victoria schwab

Ao longo da história você sente a luta da Lexi e a bravura dela como algo quase sólido e começa entender o que ela vai fazer, não por ser previsível, mas por conhecer tanto a personagem a ponto de tomar as mesmas escolhas dela. A mesma sensação ocorre na ligação que ela tem com o estranho, o pai dela e o páramo.

- Não posso deixar de pensar que se... se eu fosse como você, nunca me sentiria sozinha. Meu pai se sentia desse jeito com o páramo – explico. – Como se ele soubesse o que queria, como se confiasse nele. Sei que bruxos nascem assim, não aprendem, mas eu honestamente pensava que ele tinha encontrado uma forma de falar com o páramo, de fazer com que a terra e o clima falassem com ele. Achei que era o dom supremo estar conectado com algo tão vasto.

É um livro que envolve mistério, romance e obstáculos a serem ultrapassados, de quebra de paradigmas e evolução interior, muita coisa pode ser aprendida nessas 240 páginas.

Título original: The Near Witch
Autora: Victoria Schwab
Editora: Planeta
Gênero: Romance/Mistério
Nota: 4

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Porque a vida é feita de lançamentos de livros incríveis e da nossa carteira chorando, já que precisamos tê-los nas nossas estantes!


Mais uma vez, a Globo Alt traz pra gente dois títulos apaixonantes. Os dois primeiros volumes de Boston Boys chegam às livrarias com romances divertidos e histórias cativantes! Vem conferir um pouquinho mais sobre essas histórias:



Boston Boys
Sinopse: O sonho de toda adolescente se realizou para Ronnie Adams: o maior astro pop da TV foi morar na casa dela. Ela deveria estar vibrando, como qualquer garota normal, mas na verdade está odiando a ideia. Ela não vê a menor graça em “Boston Boys”, programa sobre a vida de três integrantes de uma boyband, e acha Mason McDougal um babaca. Mas ela não tem escolha e terá que se conformar com o hóspede e suas fãs histéricas. Em meio a tantas mudanças, Ronnie se envolverá cada vez mais com os “Boston Boys” e perceberá aos poucos que, no mundo da fama, nem tudo é o que parece ser.


Boston Boys 2
Sinopse: Depois de quase se separarem, os “Boston Boys” estão de volta, mais unidos do que nunca. Quer dizer... Isso até descobrirem que um novo membro irá ingressar na banda. Mas este não é o único problema dos garotos: em breve estreará um programa adolescente concorrente descarado de “Boston Boys” e os elencos das duas séries travarão uma disputa desonesta para ver qual é a melhor. E em meio a gravações, novas festas, uma nova viagem e, como sempre, novos mal-entendidos, vários climas de romance vão florescer...

Lançamento da editora Novo Conceito, Sete Minutos Depois da Meia-Noite fala sobre um menino, um monstro e sobre aceitar que nem todas as histórias carregam um final feliz, mas talvez a promessa de um.

SinopseConor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida. A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido. O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade. Baseado na ideia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.
Conor O'Malley é um garoto solitário. A mãe está doente, a escola é um inferno e as pessoas parecem tratá-lo com uma invisibilidade piedosa; por causa da condição da mãe, ele é quase invisível aos professores e aos colegas. Numa noite, um monstro vem visitá-lo, e isso poderia ser parte de um sonho ou do pesadelo horrendo que Conor vem tendo, não fossem as provas físicas de que esse monstro é real. Ele está ali para contar três histórias, e essas histórias prometem ajudar Conor a entender algo que está escondido em seu subconsciente, o que vem causando o terrível pesadelo do qual ele não quer se lembrar.

- Mas o que é um sonho, Conor O'Malley? - perguntou o monstro, abaixando-se para que seu rosto ficasse próximo ao do menino. - Quem pode dizer que a vida real que não é um sonho?


A ideia principal trabalhada por Patrick Ness não é dele. Veio de Siobhan Dowd, uma escritora famosa que já se foi, deixando para trás os personagens, a ideia e a premissa. Patrick resolveu contar essa história do jeito dele, e o resultado não poderia ter sido melhor.

- Histórias são criaturas selvagens. - afirmou o monstro. - Quando você as solta, quem sabe o que podem causar?


Com uma narrativa emocionante e simples, o autor nos entrega uma obra espetacular. Conor é um garoto carismático, ainda que extremamente afundado em suas tristezas e na solidão. Suas interações com a mãe são de arrancar lágrimas de todo mundo, principalmente pelo fato de o destino dela ser tão incerto. Você torce e anseia para que a mãe dele se salve, mas a história desenvolve a incerteza com um pouco de esperança e um pouco de melancolia. Não é uma promessa de salvação e nem de morte, mas um meio termo, e por isso Conor é tão ressentido.


- E então um dia o homem invisível decidiu: eu farei com que me vejam. 
- Como? Como o homem fez isso? 
- Ele chamou - disse - um monstro.
O monstro, por sua vez, é muito e nada. Ele é uma metáfora e uma criatura e um contador de histórias. Ele está ali nos momentos em Conor precisa extravasar, quando o garoto precisa gritar e quebrar coisas e quando ele precisa pedir ajuda para alguém; qualquer coisa, qualquer pessoa. Mesmo um monstro.


A situação fora de casa também não é das melhores. Na escola, todos tratam Conor como uma sombra. Ele está ali, mas o ignoram. E os únicos que lhe dão atenção são os bullies, determinados a fazer da sua vida um inferno. Achei muito interessante como o autor trabalhou essa dinâmica, especialmente com o Harry, o "chefe" do bando. O modo horrendo com que ele trata o Conor desencadeia uma reação incrível do garoto, e essa reação é acompanhada pela presença do próprio monstro - e é a partir daí que começamos a questionar o motivo dessa presença.

Em casa, sua avó aparece para ajudar a cuidar da mãe, e ela é muito séria e independente e ressentida, o tipo de pessoa com quem Conor bate de frente, especialmente por ele estar tão tomado por ressentimentos também. O pai é ausente, e suas aparições significam muito para mostrar como Conor depende da mãe e como ela é tudo de mais importante que ele tem. Mas a maneira como a história desenvolve sua relação com o pai e com a avó também mostra muito amadurecimento de todas as partes.

- Queria ter cem anos. Cem anos para poder lhe dar.

A jornada dentro desse livro é rápida, sem grandes reviravoltas, mas incrivelmente marcante. As três histórias contadas pelo monstro constroem a parte fantástica ao mesmo tempo em que te entregam lições importantes. Ele ajuda o Conor a se ajudar. A relação do menino com a avó tem os maiores e mais grandiosos momentos. Tudo dentro da história contribui para o crescimento da narrativa e o desenvolvimento do menino, e o final é, sem sombra de dúvidas, um dos mais lindos que já li na vida.

- Você pode ter a raiva que quiser. Não deixe que ninguém lhe diga o contrário. Nem sua avó, nem seu pai, nem ninguém. E, se você quiser quebrar as coisas, então, por Deus, quebre-as com vontade!


- A crença é metade da cura. Crença na cura, crença no futuro que nos aguarda. 
A edição da Novo Conceito está impecável. É um livro curto, então as letras têm um formato agradável para a leitura, e combinando isso ao fato de a história ser tão cativante e emocionante, esse é o tipo de obra que você lê em um dia e fica implorando por mais.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite fala sobre um menino e um monstro e quatro histórias entre eles. Sobre perdas e ganhos e sobre a verdade por trás de tudo isso.


Título Original: A Monster Calls
Autor: Patrick Ness
Editora: Novo Conceito
Gênero: Romance / Drama
Nota: 5

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