Resenha: Fragmentados


Eu queria muito fazer a resenha de Fragmentados logo que comecei o livro, porque ele parecia tão promissor. Mas aí a leitura foi avançando e avançando e avançando e nunca terminava, e chegou em um ponto que eu não aguentava mais. Infelizmente, a única coisa que me fragmentou mesmo foi a paciência.
Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria.Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.
Fragmentados conta a história de três pessoas que levam o mesmo título do livro; Connor, o garoto por quem os pais venderam a fragmentação em troca de uma viagem para o resto da família; Risa, que era estorvo demais para o orfanato e foi levada como outras crianças cuidadas pelo Estado; e Lev, um "dízimo", que nasceu e cresceu acreditando ser aquele o seu destino porque era o que deus havia reservado para ele. Parece emocionante e muito incrível, não é? Eu também pensei isso, mas me enganei.
"Por favor, seja humana. Com uma vida tão cheia de regras e controle, é tão fácil esquecer que é isso que eles são. Ela sabe - ela entende - com que frequência a paixão é suplantada pela conveniência."
Não me leve a mal, até a metade do livro, eu estava apaixonada pela trama, pelas personalidades e pela maneira com que o autor conduzia os dramas dos personagens. Afinal, são ideias muito opostas se confrontando quando esses três jovens escapam da horrenda Fragmentação. Para onde vão? Quem eles são agora? Seria a fragmentação uma coisa tão ruim assim? São questionamentos que guiam as crianças conforme as páginas passam, mas chegou um momento em que achei que a história estava caminhando para lugar algum. Não aguentei mais, me desculpem.



Acho que o autor bateu muito na tecla do "e o que vem a seguir?" e acabou desacelerando o espaço/tempo no livro, porque, apesar das semanas decorrerem, senti que os personagens são saiam do lugar e que nada acontecia de relevante. Havia o risco de um levante em determinado ponto da história, mas passei os capítulos e passei mais capítulos e nada dele. Mais para o fim, eu fui pulando os capítulos até chegar em um momento "revelação e ação", e então estava nos momentos finais e puf. Não tinha mais nada. Foi abrupto e não me emocionou como deveria.
"Talvez. Talvez não. Você aprende uma coisa depois de ter vivido tanto quanto eu vivi: as pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida entrando e saindo das sombras e da luz."
Uma das coisas mais interessantes na história, no entanto, foi todo o drama com a fragmentação. Isso sim o autor tirou de letra! Especialmente em relação ao Lev, um garotinho submisso ao destino terrível que acreditava estar caminhando para algo tão glorioso. Esse confronto do que ele acreditava com o que é a realidade foram chocantes mesmo para o leitor, que já sabia quão horrível era o lance de ser um fragmentário. Achei os capítulos do Lev especialmente geniais, principalmente lá para o fim. Foi um desfecho real e bem perturbador.

A Risa e o Connor não me agradaram num todo, apesar de eles serem muito verossímeis às próprias personalidades. A Risa, especialmente, que reclamava tanto de sexismo e acabava sucumbindo a ele, em vez de lutar para derrubá-lo. Para alguém tão "sensata" com as próprias ideias, achei suas atitudes muito fracas e pouco aceitáveis. Esperava muito mais dela, mesmo. E o Connor foi... Ok. Não me deixou orgulhosa, tampouco me decepcionou. Ele só estava ali e tinha seus momentos, foi só.
"- A única razão de eu estar vivo é que aquela pessoa foi fragmentada.- Então... - diz Connor -, a sua vida é mais importante que a dela?"
Fragmentados tem uma edição incrível, apesar de a capa ser meio estranha. A diagramação e o formato das letras estão ótimos, e adorei a divisão de capítulos escolhida pelo autor. A separação das "partes" dentro do livro, também, foi bom para me situar no cenário caótico que é esse mundo de fragmentações.
"Você não pode mudar as leis sem antes mudar a natureza humana."
A parte mais chocante foi a aceitação das pessoas, na verdade. O quanto o mundo se acostumou com a ideia de fragmentar suas crianças. "Quebrou o braço? Você pode escolher entre um gesso ou um braço novo". Isso é horrendo, é monstruoso, e o livro trata com naturalidade porque se tornou natural ao mundo. Pensar numa civilização, num universo, onde cortar as crianças em pedaços possa ser a solução para sobrevivência e melhoria da humanidade é perturbador, e o livro te deixa com essa sensação na boca do estômago do começo ao fim. Se não fosse a enrolação e a falta de tato com os personagens, Fragmentados teria sido uma das minhas melhores leituras no ano.
"Pelo menos, morrer é melhor do que ser fragmentado. Ou não é? Vamos fazer uma enquete: você preferiria morrer ou ser fragmentado?"
Título original: Unwind
Autora: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Gênero: Distopia, ficção científica
Nota: 3

Saiba mais: Skoob | Buscapé 

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COMENTÁRIOS

1 comentários:

  1. Eu estava animada para ler... até ler essa resenha.



    Nota 3 da Denise? vai pro final da minha lista '-'

    Obrigada pela resenha!!!

    beijão :*

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