Resenha: An Ember in the Ashes (Uma Chama entre as Cinzas)


An Ember in the Ashes (Uma Chama entre as Cinzas) conta a história sobre a busca da liberdade em suas mais diversas aparências. Liberdade da alma, liberdade do medo, liberdade de uma vida inteira dedicada à crueldade. Liberdade para ser quem a sua alma clama, para lutar pelo que você acredita ser certo, não por aquilo que ditam ser a coisa certa. Laia é uma escrava, Elias é um imperial e nenhum dos dois é livre.

Sinopse: Laia é uma escrava. Elias é um soldado. Nenhum dos dois é livre. No Império Marcial, a resposta para o desacato é a morte. Aqueles que não dão o próprio sangue pelo imperador arriscam perder as pessoas que amam e tudo que lhes é mais caro. É neste mundo brutal que Laia vive com os avós e o irmão mais velho. Eles não desafiam o Império, pois já viram o que acontece com quem se atreve a isso. Mas, quando o irmão de Laia é preso acusado de traição, ela é forçada a tomar uma atitude. Em troca da ajuda de rebeldes que prometem resgatar seu irmão, ela vai arriscar a própria vida para agir como espiã dentro da academia militar do Império. Ali, Laia conhece Elias, o melhor soldado da academia — e, secretamente, o mais relutante. O que Elias mais quer é se libertar da tirania que vem sendo treinado para aplicar. Logo ele e Laia percebem que a vida de ambos está interligada — e que suas escolhas podem mudar para sempre o destino do próprio Império.
Sabaa Tahir entrou para a lista de autoras que eu quero ser quando crescer. Com uma história intrincada por dramas pesados, escravidão, um império cruel e inescrupuloso, uma rebelião severa e fria, e personagens sofridos pela vida, Sabaa descreve uma obra épica de tirar o fôlego, construindo cenários desérticos fascinantes e o começo de uma guerra sangrenta. 


O campo de batalha é o meu templo. A lâmina da espada é a minha sacerdotisa. A morte é a minha oração. O morte é a minha libertação.
Laia é uma escrava; uma scholar - li o livro em inglês, então não sei como certos termos foram traduzidos pela editora Verus - filha de dois rebeldes há muito mortos que só quer viver em paz com os avós e com o irmão mais velho, a quem ela muito admira. Quando soldados mascarados do Império invadem sua casa, matam seus avós e levam o seu irmão, acusando-o de conspirar contra o governo, Laia percebe, amedrontada, que ela é a única esperança de salvação que ele tem. A menina aventura-se até os túneis onde pretende encontrar a rebelião e explicar o mal entendido, e acaba se envolvendo com eles a níveis estratosféricos; para salvar seu irmão, ela é enviada até a academia Blackcliff, onde os Masks são treinados para o exército. Como escrava da Comandante, a mais temida e perigosa mulher do Império, Laia precisa sobreviver e encontrar informações para ajudar a rebelião. Para sobreviver, ela precisa ser a garota corajosa que nunca foi.



A vida é feita de tantos momentos insignificantes. Então, um dia, um único momento vem para definir cada segundo seguinte a ele.
Do outro lado da história, numa realidade diferente, mas não menos perturbadora, está Elias. Ele é filho da Comandante - um órfão de mãe, praticamente, uma vez que a Comandante o largou para morrer - e um dos aspirantes a imperial mais bem treinado da academia. Elias, no entanto, detesta o Império; ele quer voltar a ser livre. Quer desertar e, com isso, deixar toda aquela história sangrenta para trás; quando ele é convocado para os Trials, quatro desafios que determinarão o próximo Imperador, sua deserção cai pelo abismo. Ao lado da melhor amiga Helene, Elias precisará confrontar seus maiores medos e horrores para tentar sobreviver aos desafios. Depois deles, quem sabe, existe a liberdade.



Através de uma narrativa fluida e emocionante, Sabaa constrói personagens vivos e ricos e extremamente estilhaçados. Não existe um personagem com quem você não se emocione; mesmo a Comandante, com toda a sua crueldade monstruosa, é humana, no fim das contas. Sabaa destrincha cada personalidade de tal maneira que desenvolve os personagens sem que você sequer note; a sensação que se tem é que eles sempre estiveram na sua vida. Você imagina que Laia, Elias, Helene, Keenan, todos eles existem e estão por aí, em algum lugar, vivendo os seus terrores. Laia e Elias, principalmente, uma vez que são os narradores principais; que riqueza de história!


Você não tem nome. Não tem identidade. É uma escrava. Isso é tudo o que você é. Isso é tudo o que você será.
Laia é uma menina contida em suas fraquezas, ciente delas e totalmente ok com a sua existência. Não há nada de heroico ou potencialmente badass em Laia; ela é uma garota querendo salvar o irmão, só isso. Não existe na Laia uma promessa de líder rebelde, de um símbolo para um levante. Ela é frágil e indecisa, muitas vezes temerosa demais para a própria sorte, mas existe coragem no seu medo. Ela é forte porque ela é filha da leoa - como chamavam a sua mãe na rebelião - e ela é forte porque seu irmão precisa que ela seja. Ela é forte porque ela é Laia e ela é uma chama entre as cinzas, tal como Elias.


Há dois tipos de culpa: o tipo que te afoga até te inutilizar completamente, e o tipo que dispara sua alma para algum propósito.
O filho da Comandante é tudo, menos fraco. E é por esse motivo que eu considero Elias ainda mais frágil e quebrado do que a Laia; o fato de ele ter sido criado desde pequeno a duras penas, de ter vivido situações extenuantes e de ter visto tanto horror no mundo, de ter matado e ter lutado em tantas batalhas que não eram suas construiu marcas que só o tempo pode apagar - se puder. Ele quer a liberdade porque ela é o escape para tudo o que Elias viveu; ele quer deixar a academia para trás, mas isso significa abandonar tudo o que conhece e tudo o que ele é - isso significa que precisará abandonar Helene.



Tudo que eu quero é escapar do Império. No entanto, aqui estou eu. Total liberdade - de corpo e alma. É por isso que eu estou lutando. Não pelo comando. Não pelo poder. Pela liberdade.
Helene é outra aspirante a Mask, uma guerreira de corpo e alma, totalmente focada no seu dever e na honra que ele carrega - mas uma menina, acima de tudo, com problemas e traumas e medos arrebatadores. Ela e Elias têm uma relação muito próxima, e o ship existe antes mesmo que você perceba que ele está ali. Os dois se entendem, se amam e se afastam por causa desse amor; Elias, principalmente, porque ele tem medo de perder a sua Helene uma vez que entenda o que se passa em seus corações. Durante os Trials, ambos vivenciam situações que certamente voltarão para assombrá-los no livro 2. A linha que os liga está se quebrando, mas ainda existe e eu ainda acredito nela! A Helene é tão forte, tão altruísta e impressionante, EU PRECISO DE MUITO MAIS DELA NO SEGUNDO LIVRO, SABAA!




Você tem uma alma. Ela está danificada, mas está aí. Não deixe que eles a tomem de você, Elias.
A coisa que eu mais adorei neste livro foi o fato de não haver completos mocinhos. Todos têm um que de anti-heroísmo, seja pelo egoísmo, pela necessidade da fuga, seja pelo coração cruel ou simplesmente o fato de não prestar atenção em quem está confiando. A rebelião não é melhor do que o Império, e você nota isso conforme as peças vão se encaixando na história.


Quatro eles são, e quatro traços nós buscamos:
Coragem para enfrentar os seus medos mais sombrios

Astúcia para enganar os seus inimigos

Força de braços e mente e coração

Lealdade para quebrar a alma.
Outros personagens, além dos protagonistas, roubam as cenas sempre que aparecem; Keenan é o guerreiro ruivo, contido e enigmático que se aproxima de Laia para ajudá-la a ajudar a rebelião. É um curandeiro cuja vida se dedica à luta pela queda do Império, mas cujo coração está na lealdade às pessoas, acima da causa. Ele e Laia são TÃO FOFOS e as cenas deles, mesmo que breves, transpassam confiança e o crescimento de um sentimento grandioso. Izzi é a menina da cozinha, uma escrava que se torna amiga da Laia e que a ajuda a manter-se à sombra da Comandante. Ela sofreu terrivelmente nas mãos da imperial quando era pequena e carrega essas memórias assombrosas na própria pele; tanto ela quanto Cook, uma ex-rebelde misteriosa cujo passado ainda não foi revelado. Tudo o que se sabe é o pouco que ela compartilha com Laia, e já tenho minhas teorias conspiratórias a respeito de sua história.

A Comandante é um show à parte. QUE VILÃ! Que coração sombrio, que motivações mais vis! Ela é um monstro, pura e simplesmente, que demonstra pequenos momentos de fraqueza humana em determinados momentos do livro - sempre na presença do filho, Elias, o que me faz acreditar ainda mais na parte do seu coração que ainda pode ser salva.


A Comandante anda por caminhos escuros. A escuridão a cobre, escondendo-a de nossa vista.
Em parte fantasia, An Ember in the Ashes também constrói uma nova mitologia a respeito do misticismo e das coisas mágicas e das criaturas que se escondem nas sombras. Lentamente, descobrimos junto a Elias e Laia que as trevas estão acordando, e que o Império pode estar por trás dessa ressurreição; monstros de histórias fantasiosas habitam o seu mundo, e eles estão atrás das pessoas. Um deles, o Nightbringer, um rei cujo povo foi massacrado por humanos e que agora busca vingança, conspira junto a um personagem importante da trama.


As sombras se reúnem, Elias, e a sua reunião não pode ser interrompida. A escuridão cresce no coração do Império, e ela vai crescer mais ainda, até cobrir esta terra. A guerra se aproxima. E ela deve vir. Pois um grande erro deve ser corrigido, um mal que cresce mais a cada vida que destrói. A guerra é a única maneira. E você deve estar pronto.
Eu li em inglês, então não posso dizer muito sobre a tradução e como a Verus trouxe a história para cá - mas, sendo a Verus, imagino que tenha feito isso bem. Só achei decepcionante não ter nenhum dos mapas na edição brasileira. Os mapas são sempre a melhor parte do livro! Caso você queira se aventurar em uma leitura de inglês mediana, essa obra pode ser uma boa pedida; a narrativa da Sabaa é pesada no começo, mas depois de uns cinco capítulos você pega o ritmo e não para mais.



Tal como indico Trono de Vidro como se a minha vida dependesse disso, farei questão de colocar Uma Chama entre as Cinzas nas minhas indicações para toda e qualquer pessoa que procurar por um bom livro de fantasia, de ação, de mistério; qualquer coisa, sério. A história da Sabaa fala sobre os seus personagens, grita sobre as suas histórias, e abre espaço para uma série que com certeza vai carregar grandes mensagens de superação em seus próximos volumes.


Você vai queimar, pois você é uma chama entre as cinzas. Esse é o seu destino.

Título original: An Ember in the Ashes
Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Gênero: Fantasia / Aventura
Nota: 5 +

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COMENTÁRIOS

6 comentários:

  1. Ok, ok, ok...

    você me convenceu: eu preciso ler esse livro!
    Até então eu não tinha despertado a minha curiosidade para lê-lo, daí li sua resenha e vou sair daqui do blog direto para pesquisar os preços... rsrsrsrs

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br

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  2. Oi Denise td bem?! Mulher que resenha é esta?! Impossível não sair daqui e querer ir que nem uma loca atrás desse livro, é o segundo blog que fala muitas coisas boas sobre ele e eu já estou doida! Parabéns!

    Conheci o seu cantinho hoje e obvio que já estou seguindo por aqui! Se quiser passar lá no meu cantinho será sempre bem vinda ;)

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  3. Uau que livro, esse vai ficar na lista de espera por que tem vários na frente mas amei a resenha,parece ser um ótimo livro.
    http://blogradioactive.blogspot.com.br/

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  4. Oi Denise,
    É a primeira resenha que leio sobre o livro e adorei. Como a Joi, quase saí correndo pra comprar, mas no momento ta ruim HAHAHA
    Fiquei bem interessada na leitura do mundo que a autora criou, apesar que forte envolver escravidão. E amei essa coisa da 'mãe leoa'.
    Capa linda, ainda bem que a editora manteve né?

    P.S.: Ah, Eleanor & Park é muito amorzinho...adorei mesmo ♥

    tenha uma ótima semana.
    Nana - Obsession Valley

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  5. Esse livro parece ser sensacional!!!

    Sua resenha, como sempre, cheia de surtos... do jeito que eu gosto xD

    Beijos,

    Surtando com palavras

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  6. Esse foi um dos melhores livros do ano e olha que peguei pra ler não dando nada para ele, só por indicações gringas. Amei os personagens, o sobrenatural, todas as possibilidades que os próximos livros podem ter. Tomara que a Verus não demore a lançar o segundo porque to bem ansiosa.

    Bjs, @dnisin
    www.sejacult.com.br

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