Resenha: O Resgate no Mar parte 1 e 2

Resenha: O Resgate no Mar parte 1 e 2

Outlander é o tipo de livro que você lê mil páginas e chora quando acaba porque leria mais mil, e O Resgate no Mar, apesar de trazer uma história bastante diferente do que estávamos acostumados nos dois primeiros livros da série, continua exatamente desse jeitinho.

Sinopse: Há vinte anos Claire Randall voltou no tempo e encontrou o amor da sua vida – Jamie Fraser, um escocês do século XVIII. Mas, desde que voltara à sua própria época, ela pensava que ele tinha sido morto na Batalha de Culloden. Agora, em 1968, que seu amado pode estar vivo. A memória do guerreiro escocês não a abandona... seu corpo e sua alma chamam por ele em seus sonhos. Claire terá que fazer uma escolha: voltar para Jamie ou ficar com Brianna, a filha dos dois?

Jamie, por sua vez, está perdido. Os ingleses se recusaram a matá-lo depois de sufocarem a revolta de que ele fazia parte. Longe de sua amada e em meio a um país devastado pela guerra e pela fome, o rapaz precisa retomar sua vida.
As intrigas ficam cada vez mais perigosas e, à medida, que tempo e espaço se misturam, Claire e Jamie têm que encontrar a força e a coragem necessárias para enfrentar o desconhecido. Nesta viagem audaciosa, será que eles vão conseguir se reencontrar?

Li ele ainda na versão da editora Rocco, já que foram emprestadas da biblioteca da faculdade em uma época que a Saída de Emergência ainda nem estava no Brasil. E confesso que emprestei as duas partes (desde sempre com essa papagaiada de dividir o livro) ao mesmo tempo simplesmente porque não podia me dar ao luxo de cortar aquela história ao meio.

A primeira parte foca bastante na descoberta de Claire no fim de A Libélula no Âmbar e se dividi em passado e presente. Enquanto acompanhamos os preparativos e as difíceis decisões de Claire de partir em busca do amado, somos apresentados a pedaços dos últimos vinte anos, seu relacionamento com Frank e Brianna, e como ela nunca pode realmente esquecer a Escócia -- ou Jamie.

Ao mesmo tempo temos, através do ponto de vista de Jamie, uma boa ideia de como os seus últimos vinte anos foram. Como Jamie foi salvo, seu encarcere e sua luta para seguir em frente, acreditando que Claire e o filho estão seguros no futuro.

Comigo desde o inicio foi para sempre, sassenach.

A primeira parte é uma das que mais me emociona e ao mesmo tempo revolta. O tipo de amor que sinto por Jamie e Claire é apaixonado e ver os dois seguindo em frente, sozinhos, me parte ao meio. Odeio algumas decisões que eles tomaram e senti nojo e raiva do Frank -- ainda mais do que senti em A Viajante do Tempo.

Já a segunda parte inicia uma jornada diferente para eles. De volta a Escócia, agora encarando um país reprimido pela revolta jacobita, Claire precisa primeiro enfrentar Jenny para depois encontrar Jamie.

-- Mas não podia vê-la sem pensar nele, não é? Sem essa lembrança permanente, eu me pergunto... Você o teria esquecido com o tempo?  
-- Não. 
Claire e Jenny sempre foram duas das minhas personagens preferidas, tão fortes e destemidas que você só pode pensar: quero ser como elas quando crescer.

Mas os relacionamentos estão bagunçados, machucados, e precisam ser reparados com cuidado e tempo -- não só o de Jenny e Claire, mas o de Claire e Jamie também.


Resenha: O Resgate no Mar parte 1 e 2


Mas como nada é fácil, essa reparação precisa ser feita em alto mar, enquanto os dois partem em busca de Ian, o filho mais novo de Jenny, que acaba sendo sequestrado por piratas.

A segunda parte traz fantasmas do passado de volta a vida do casal e coloca ainda mais peso sobre essa reconciliação. Embora o que os manteve afastados foi unicamente a necessidade de sobrevivência, vinte anos é muito tempo. São muitos dias solitários, muita história passada e acontecimentos que eles não sabem, necessariamente, como enfrentar em um primeiro momento.

- Sim, bem, imagino que arrastá-la para o mar e deixar que fosse sequestrada e mantida num navio devastado por uma epidemia seja suficientemente perigoso. Mas ao menos eu não a deixei ser devorada por canibais, ainda.
A Diana tem um jeito de entrelaçar os acontecimentos que fazem o meu coração parar. A forma como ela escreve essa história é forte, embora seja algo tão frágil. O foco é as relações humanas e o plano de fundo é uma sociedade escravocrata a qual Claire não estava completamente pronta para lidar -- considerando-se que a Escócia não vivia isso.

Envolvendo menos política do que estamos acostumados, mas dando um banho de história, a Diana conta o longo trajeto que o casal precisa fazer até verdadeiramente encontrar um ao outro, a redenção e ao perdão que tanto almejam. Até conseguirem, juntos, retomar a vida não como se os últimos 20 anos não existissem, mas como se eles não fossem páreo para o amor deles.

Aqui podemos ver claramente a proposta da Diana com a série, que não é escrever sobre um amor perfeito, mas sim sobre relacionamentos. Sobre altos e baixos, sobre imperfeições e problemas. Sobre como só amor não basta e como precisamos trabalhar continuamente para manter nossos relacionamentos e a nossa identidade.

Minha ressalva, assim como em A Libélula no Âmbar, é Briana e Roger. Não consigo gostar ou simpatizar com nenhum dos dois nesse livro. Para ser sincera, só não pulei as partes deles porque era escrito pela Diana. Os dois não parecem realmente ter química e todo o desenvolvimento incrível que vejo em Jamie e Claire como pessoas e casal, não consigo enxergar em Brianna e Roger.

- Ter você e ser amaldiçoado por isso, eu acho – disse ele. Beijou minha testa ternamente. - Amar você me levou ao inferno mais de uma vez, Sassenach; mas eu correria o risco outra vez, se necessário.
No entanto, Brianna aos olhos de Jamie é  quase um personagem gostável e essa é a minha maior tristeza na vida com Outlander: Jamie perdeu Bri. Jamie perdeu Faith e isso machuca, mas a Faith não chegou a viver nesse mundo. Bri sim, e ela vive longe dele, longe do tipo, 200 anos a frente. E isso sempre parte o meu coração.

Por mais que Frank tenha suprido o papel de pai -- e a ingrata da Brianna se recusa a reconhecer outro como tal -- Eu ainda queria essa chance para ele. A chance de vê-la crescer e conhece-la em todos os seus cantinhos, como é próprio dos pais -- como a Claire faz. De enxergar a Ellen no rosto dela, de perceber o gênio tão parecido com o seu. 

A parte mais irritante dos clichês, eu decidi, é o quão frequente eles são verdadeiros.
A única coisa que verdadeiramente me consola é o fato dele ter tido os filhos da Jenny e Fergus sempre ao seu lado. Aliás, Fergus! Tenho um amor imenso por ele e uma certa cena no fim do livro 1 me enche o coração de alegria e amor por essa família tão torta.

Tem como dar menos do que 4,5 estrelas para esse livro? JAMAIS.


Título original: Voyager - Outlander vol. 3
Autora: Diana Gabaldon
Editora: Saída de Emergência/Arqueiro
Gênero: Romance - Histórico - Sci-Fi
Nota: 4,5

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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Estou na segunda parte Bibs.
    Irie conseguir!!!

    Amei a resenha.

    Grande beijo.

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    Respostas
    1. Vai sim!
      A segunda parte é bem surpreendente. Eu fiquei meio de queixo caído com quem aparece lá LAKSDLAKSDÇKAD

      bjs

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  2. Acabei de terminar esse livro e simplesmente amei, por mais diferente que seja dos outros anteriores. Acho que vc disse tudo quando enfatizou que a Diana quis mostrar de certo modo a realidade dos relacionamentos
    "a proposta da Diana com a série, que não é escrever sobre um amor perfeito, mas sim sobre relacionamentos. Sobre altos e baixos, sobre imperfeições e problemas. Sobre como só amor não basta e como precisamos trabalhar continuamente para manter nossos relacionamentos e a nossa identidade."
    ameeei a resenha. bjoss

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