Resenha: Perdão Mortal


Se você espera só mais um romance envolvendo uma assassina, uma ficção histórica com um pouco de ação, tire o seu cavalinho da chuva. Perdão Mortal, senhoras e senhores, é leitura fodástica, com intrigas políticas poderosas, reviravoltas inesperadas e uma protagonista impactante.


Sinopse: Por que ser uma ovelha, quando você pode ser o lobo? Ismae Rienne, dezessete anos, escapa da brutalidade de um casamento arranjado no santuário do convento de São Mortain, onde as irmãs ainda servem deuses antigos. Lá ela aprende que o deus da Morte abençoou-a com perigosos dons e um violento destino. Se ela optar por ficar no convento, será treinada como uma assassina e servirá a Morte. Para reclamar sua nova vida, deve destruir a vida de outros. A mais importante atribuição de Ismae leva-a direto para o tribunal superior da Bretanha—onde se encontra terrivelmente sob preparada não só para os jogos mortais de intriga e traição, mas pelas impossíveis escolhas que deve fazer. Como entregar a vingança da Morte em cima de um alvo que, contra sua vontade, roubou seu coração?
Ismae nasceu sob a tormenta de ser uma criança indesejada, marcada por um veneno que tentou expulsá-la da barriga da mãe. Criada sob tormento pelo pai, ela se vê casada com um homem asqueroso, praticamente vendida a ele, até que sua realidade muda na noite de seu casamento. Levada para longe por uma velha curandeira e um padre misterioso, Ismae encontra abrigo em um convento - a abadia de St. Mortain, o santo padroeiro da Morte. Lá, Ismae é convidada a se tornar uma de suas fieis, para que possa servir ao santo e aos seus desejos em terra - assim, ela se torna uma assassina. Treinada pelas melhores, orientada pela madre superiora, Ismae recebe sua primeira missão anos depois. Infiltrar-se na corte da duquesa da Bretanha para protegê-la e, acima de tudo, ajudá-la na ascensão ao trono.


- Você não pode esperar que uma rainha lave as próprias roupas ou amarre o próprio vestido. Ela tem suas damas de companhia para isso. É a mesma coisa conosco: nós servimos como damas de companhia de Mortain. Quando guiadas por Sua vontade, matar é um sacramento.
Perdão Mortal é uma história rica em detalhes, com uma narrativa de tirar o fôlego e uma verossimilhança fortíssima com a história real. O império bretão e seus rivais e aliados, a corrida para ganhar a mão da duquesa em casamento - o que coloca diversos lordes e duques de prestígio, bastante perigosos, próximos demais dela - e a certeza de que uma nova guerra se iniciará se Ismae não descobrir rapidamente quem é o traidor tentando impedir a ascensão da duquesa. A autora tem uma exímia habilidade para descrições sutis e detalhadas, atendo-se a mínimas coisas importantes e estendendo-se a outras que vão se tornar importantes depois. Robin constrói toda uma trama política junto a personagens cativantes e poderosos.


Avaliei a opção, que não era uma opção. Ser removida do mundo dos homens e treinada para matá-los, ou ser entregue a um deles como uma ovelha.
Ismae, a nossa protagonista, conheceu da dor e do sofrimento antes de aprender que ela não precisava conviver com nada disso. No convento, ela encontrou uma nova razão para a sua existência - a prova de que ela era filha de um santo; o santo da Morte. Ansiosa por provar-se digna e honrar todos aqueles anos de devoção, Ismae parte nessa jornada de fé sem saber que há novas escolhas para o seu futuro. Munida unicamente do conhecimento passado a ela pelas freiras, surpresas esperam a doce e perigosa assassina conforme se infiltra na corte da duquesa bretã. Uma dessa surpresas é Duval.



Era imune a venenos e sabia uma dezenas de modos de me livrar de um estrangulamento ou do fio de um garrote. Mas simpatia? Não sabia como me defender contra isso.
Gavriel Duval é o um bastardo absolutamente fiel à duquesa e a à tudo que ela representa. Essa sua fidelidade é quase tão forte quanto a de Ismae por seu Santo, e o que antes era mútuo desprezo se torna compreensão entre os dois conforme seu relacionamento se desenvolve. Não é nada aberto demais, não se trata de um romance histórico. O foco é em Ismae e em sua peregrinação para descobrir seu verdadeiro futuro, mas Duval está ali para ajudá-la com isso. Os dois se entendem por serem esquecidos e sofridos, assim como entendem a necessidade de se provarem capazes. Duval é irredutível e bastante centrado, mas rabugento e sombrio. Ele e Ismae não tem exatamente o melhor dos primeiros encontros, nem dos segundos. Quem dirá um terceiro. Eu amei tanto como a Robin intrincou o amor a essa aproximação; não foi abrupto, foi no tempo certo. Foi poderoso e inesquecível. 


- Não é do santo que desconfio, demoiselle, só dos humanos que interpretam Seus desejos. Em minha experiência, os humanos são todos muito falíveis.
Outros personagens, como o Fera, MEU SEGUNDO FAVORITO, amorzão da minha vida, ou a própria Duquesa Anne tiveram seus grandiosos momentos conforme a trama avançava. Anne, principalmente, por ser uma mulher em um mundo perigoso para elas, quanto mais para uma mulher prestes a governar toda uma nação. Com frieza e inteligência, ela tece planos secretos junto a Ismae e Duval para garantir que não precisa se casar para ter o trono para si - especialmente quando um dos pretendentes, um lorde francês medonho, parece cada vez mais disposto a fazer qualquer coisa para chegar ao trono.



A parte religiosa do livro foi outro ponto muito positivo. Os santos, tidos como deuses menores dos quais a civilização começava a se esquecer, tem grande importância para Ismae e suas irmãs de convento, especialmente o santo padroeiro da Morte. St. Mortain é imprevisível, assim como suas visões e missões. No início, a fé de Ismae é cega e desesperada, mas ela se desenrola em algo compreensivo e mais aberto conforme a leitura avança. Estou ansiosa por mais livros envolvendo mais desses santos!


- Você serve a um Deus sombrio, filha, mas lembre-se: Ele não é desprovido de misericórdia.
Perdão Mortal faz parte de uma trilogia, mas cada livro segue uma protagonista, de modo que você pode ler sem se preocupar com uma sequência. O fim é bem fechadinho e emocionante, mas lembre-se que se trata de um livro sobre política e intrigas e um romance muito sutil, então não espere grandiosas explosões e cenas de amor intensas. Espere uma leitura arrebatadora.


Título original: Grave Mercy
Autora: Robin Lafevers
Editora: V&R
Gênero: Romance / ficção
Nota: 4,5


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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Eu não conhecia essa série mas achei super interessante e não consigo nem imaginar uma história que se passe em 1485, não estou acostumado a ler nada ambientado nessa época. Fiquei bastante curioso pra conhecer mais sobre essas assassinas assim como descobrir outras coisas sobre o passado e presente da Ismae.

    Resenha: A Agenda | arafaelagodoy.com.br

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  2. omg,
    Denise, esse é o tipo de livro que tem tudo para me agradar e agora já vou colocar na minha wishlist. Necessito!

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br

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  3. Oooi! Tudo bem?

    Quero muitoooooo! Eu cheguei a baixar o livro, mas meu tablet deu problema, fiquei o maior tempão sem ele por conta do conserto, e quando peguei de volta já estava toda enrolada com leituras de novo. Ou seja, ele tá guardadinho, mas não faço ideia de quando vou lê-lo. O que faz com que sua resenha seja tortura! Saber que o romance não é foco mas foi bem desenvolvido, e o quanto você gostou dos personagens, faz com que eu queira ignorar minha fila de livros e passar esse pra frente! Não sabia que cada livro tinha uma protagonista, não sei bem o que pensar sobre isso.

    Beijinhos, te aguardo lá no http://amendoasefelpices.blogspot.com.br/

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  4. Oi Denise,
    Descobrindo livros ótimos com vocês...olha vou colocar tudo na sua conta HAHA brincadeira =x
    Eu olhava para essa capa e pensava que era mais uma daquelas fantasias enganadoras só com romance. Mas, acabei surpreendida aqui!
    Amei esses pontos explorados, a história da protagonista e todo universo criado é bem interessante. E fiquei querendo conhecer o Fera também =x

    P.S.: Aquilo da Margot Robbie no trailer do Esquadrão me chateou, poderia ter passado, sem aquela cena. É uma atriz que você pega simpatia fácil, tão fácil que não precisa disso. Muito ansiosa para assisti-la em Tarzan com Alex ♥

    Tenha uma linda semana ♥
    Nana - Obsession Valley

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