Resenha: Lonely Hearts Club

Resenha: Lonely Hearts Club


Acho que Lonely Hearts Club foi uma das melhores surpresas que eu já tive com uma leitura na vida! Eu já tinha excelentes expectativas para ele simplesmente por ser fã de Beatles, mas jamais esperava encontrar esse tipo de história ali. Resenhar Lonely Hearts Club parece o mínimo que posso fazer para homenagear uma obra como essa.

Sinopse: Penny Lane Bloom cansou de tentar, cansou de ser magoada e decidiu: homens são o inimigo. Exceto, claro, os únicos quatro caras que nunca decepcionam uma garota — John, Paul, George e Ringo. E foi justamente nos Beatles que ela encontrou uma resposta à altura de sua indignação: Penny é fundadora e única afiliada do Lonely Hearts Club — o lugar certo para uma mulher que não precisa de namorados idiotas para ser feliz. Lá, ela sempre estará em primeiro lugar, e eles não são nem um pouco bem-vindos. O clube, é claro, vira o centro das atenções na escola McKinley. Penny, ao que tudo indica, não é a única aluna farta de ver as amigas mudarem completamente (quase sempre, para pior) só para agradar aos namorados, e de constatar que eles, na verdade, não estão nem aí. Agora, todas querem fazer parte do Lonely Hearts Club, e Penny é idolatrada por dezenas de meninas que não querem enxergar um namorado nem a quilômetros de distância. Jamais. Seja quem for. Mas será, realmente, que nenhum carinha vale a pena?

Penny Lane Bloom, assim como suas irmãs, ganhou seu nome depois de uma música dos Beatles, uma vez que seus pais são fãs alucinados -- ela mesma tem certeza de que um dia a mãe vai largar tudo para seguir Paul McCartney pelo mundo. 

Porém, diferentemente do que se espera, Penny não guarda qualquer rancor dos 4 garotos britânicos e, como os pais, é uma fã convicta da banda. E são eles, ou melhor, seu poster de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, que lhe oferece uma solução após ter seu coração partido pelo cara que era o amor da sua vida desde os cinco anos de idade.

Cansada de sempre se ajustar as expectativas dos garotos e de ver suas amigas mudarem quem são para agrada-los -- e também se afastarem por completo no momento em que encontram um namorado -- Penny decidi nunca mais namorar. Pelo menos não até se formar no colegial e muito menos os garotos babacas da escola.


Havia apenas uma coisa que eu poderia fazer para aliviar a dor. Eu me voltei aos 4 únicos garotos que nunca me abandonaram. Os únicos quatro garotos que nunca quebraram meu coração. Que nunca me decepcionaram. John, Paul, George e Ringo.

E é assim que nasce o Lonely Hearts Club, um clube com um único membro e uma única vontade: ficar longe dos garotos, permanecer fiel a si mesma e nunca, jamais, ter seu coração partido novamente. Mas não é que essa história se espalha? Logo o Lonely Hearts Club não pertence apenas a Penny Lane, mas a todas as garotas que estão cansadas de perderem suas identidades por causa de um garoto, que estão cansada da pressão de ter que terem um namorado e que estão em busca de amigas com quem possam contar.


Resenha: Lonely Hearts Club

O Lonely Hearts Club é um sucesso entre as meninas, mas incomoda profundamente os garotos -- e ameaça acabar com grandes amizades e potencias romances.

O que eu mais gostei nesse livro foi a sonoridade! Um livro adolescente colocando essa irmandade e apoio entre mulheres de forma tão clara e simples me fez querer chorar. Cada vez que uma das meninas precisava de ajuda, lá estava o clube, pronto para entrar em ação e dar o seu melhor e apoiar as amigas incondicionalmente.


Eu iria, pela primeira vez, focar em mim mesma.

Lonely Hearts Club grita feminismo de uma forma muito sutil e leve, e quando inclui em seus arcos coisas como o autoritarismo que visa acabar com algo benéfico para as garotas, só para fazer com que os garotos se sintam melhores consigo mesmos, consegue explicar de forma clara porque fazem o feminismo parecer o mal da sociedade e como existe sim, dois pesos e duas medidas para os gêneros.

Enquanto tudo que Penny queria era que suas amigas pudessem ser elas mesmas sem precisar sucumbir a uma pressão externa para serem o que os outros queriam que fossem, figuras de autoridade, como o diretor da escola, e até mesmo garotos que diziam ser seus amigos, tentam minar seus esforços.


'You've got to hide your love away'. Você não pode apenas esconder seus sentimentos. Você precisa destruí-los. Mata-los antes que eles matem você.

O poder que Penny exerce sobre as garotas do colégio é grande demais, diz o diretor, sem perceber que Penny não tem poder nenhum a não ser o de proporcionar um espaço para que a sua voz seja ouvida -- e para que outras garotas não tenham medo de expressar como se sentem e quem querem ser, sem a pressão de precisarem ser quem os outros querem.

Enquanto os garotos preferem achar que ela é uma mal amada, que por ter levado um fora decidiu fazer com que todas as garotas da escola não namorassem mais, Penny está ajudando a organizar festas para arrecadar fundos para o time de basquete feminino -- totalmente negligenciado pela escola --, está redescobrindo amizades, incentivando garotas a seguirem aquilo que realmente querem fazer, criando um espaço de confiança mútua onde elas se sentem seguras para falar e superar tudo, de distúrbios alimentares até dificuldades acadêmicas.


Resenha: Lonely Hearts Club


Ah se eu tivesse participado de um clube como esse quando ainda era adolescente. Ah se eu tivesse lido esse livro somente alguns anos atrás. É tão simples escolher amar, ao invés de odiar. Ao menos ele faz parecer. 

Parece simples dar uma segunda chance, não desistir de si mesma, levantar sua voz em sua própria defesa, não deixar com que garotos te tratem mal só porque um dia você os amou ou acreditar que precisa deles porque, para a sociedade, você é fracassada se não puder cultivar um relacionamento, não acreditar que você merece só o que quer que eles queiram te dar.


Eu poderia me arriscar com o meu coração e eu iria me levantar de novo, e qualquer coisa que pudesse me machucar, me faria mais forte no fim. E eu merecia tudo que eu quisesse -- alguém que me apreciasse, alguém em quem eu pudesse confiar, alguém que gostasse de mim por mim mesma.

Lonely Hearts Club é o tipo de livro que eu gostaria de tatuar na testa e ter cópias infinitas para entregar a todas as garotas do mundo. Não somos competidoras, não precisamos esmagar umas as outras para nos sentir melhores. Juntas somos mais fortes e juntas podemos superar muitas coisas, desde o diretor machista, passando pelo bullying e indo em direção as desilusões amorosas.

Obrigada, Penny. Por criar esse mundo e esse clube que ensina todo mundo que está tudo bem ser você mesma, que está tudo bem não seguir as convenções sociais e, acima de tudo, que está tudo bem você querer passar um tempo com as suas amigas -- e namorar caras que realmente sejam legais com você.


Se nos unirmos podemos fazer qualquer coisa. Só precisamos ter fé em nós mesmas. Nós merecemos tudo aquilo que quisermos.

ps: Obrigada, também, a sra. Bloom, por ser tão incrível e apoiar o "clube dos Beatles" da filha de uma forma tão forte e decidida.

Título original: Lonely Hearts Club
Autora: Elizabeth Eulberg
Editora: Intrinseca
Gênero: Romance - Young Adult
Nota: 5+

Saiba Mais: Skoob  |  Autora  

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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Oi, Bibs! Faz muito tempo que li esse livro, lembro de ter gostado e achado um leitura leve. Confesso que não lembrava desse toque feminista. Deu vontade de reler.

    Beijos, Entre Aspas

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  2. Nossa, eu li isso quando tinha 12 anos, é maravilhoso <3 <3 <3

    http://ipsislitterisblog.wixsite.com/textos

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