Resenha: Minha Vida Agora

Resenha: Minha Vida Agora

O que falar desse livro, que começou me contrariando e terminou me arrebatando? A resenha de Minha Vida Agora que trago hoje me deixa com uma sensação de dever cumprido e de ter mais um ótimo livro na prateleira.

Sinopse: Uma garota nova-iorquina de 15 anos desembarca na Inglaterra, enquanto uma nova grande guerra está prestes a começar, para passar uma temporada com a tia e quatro excêntricos primos totalmente desconhecidos. Na imensa casa de campo, longe da agitação de Manhattan e dos conflitos com a nova madrasta, grávida do bebê que pode lhe tirar o pouco que lhe resta do pai, Daisy descobrirá o amor, o desejo, a liberdade de um cotidiano sem adultos e o valor da amizade verdadeira.

Minha Vida Agora conta a história de Daisy (na real, seu nome é Elizabeth, mas ela não gosta disso), uma nova-iorquina problema de 15 anos que é despachada pelo pai e pela madrasta para morar com a tia e os 4 primos que nunca conheceu em uma fazenda no interior da Inglaterra.

Daisy odeia a ideia, mas não tem muito que possa fazer sobre isso. Ela se contenta com a ideia de que vai finalmente conhecer alguém que possa lhe contar algo sobre sua mãe, que morreu ao dar a luz, e também com o fato de que vai estar longe da Madrasta Cruel e do bebê que ela está carregando.

Eu não recebo crédito suficiente na vida pelas coisas que eu consigo não dizer.

Quando chega no aeroporto Daisy já percebe que algumas coisas estão diferentes, com a segurança quadruplicada e murmúrios de guerra pelas ruas. Lá ela é conduzida por Edmond, seu primo de 14 anos, em um velho jipe até a fazenda da família, onde ela conhece seus outros primos: Isaac, o gêmeo de Edmond; Osbert, o primo mais velho, e Piper, a prima de 9 anos. Além de sua tia Penn, uma mulher sempre ocupada.


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Logo no começo Daisy percebe que seus primos são peculiares e bastante maduros para a idade e que aquela família não é como a que imaginou -- o que acaba sendo perfeito, já que ela rapidamente passa a vê-los como família e lar. Quando sua tia Penn precisa fazer uma viagem até Oslo, a fim de discursar sobre a necessidade de paz e de impedir a guerra, a história começa para valer.

A narrativa da Meg, a principio, me incomodou bastante. A Daisy narra tudo corrido, sem se interromper para separar diálogos. Normalmente ela apenas te diz mais ou menos sobre o que foi a conversa e as vezes surge uma narrativa, mas é tudo incluso nos mesmos parágrafos.

Permanecermos vivas era algo que fazíamos para passar o tempo.

No inicio fiquei bem frustrada, porque não parecia ser um diário. Até que chegamos na segunda parte e a narrativa mudar e você perceber que aquele era um tipo bem peculiar de diário. Então eu passei a admirar a Meg Rosoff pela forma com que ela foi capaz de construir a história.

Essa não é uma história sobre guerra normal. Aqui não estamos olhando a menina que é o símbolo da revolução de um governo opressor, ou que está afrente dos insurgentes. Ela não está no front, ela não está lutando pelo país ou pela liberdade ou por nada em particular. Também não é um livro como E o Vento Levou, onde Scarlett sabia exatamente o que estava acontecendo. Daisy não tem ideia do que está acontecendo no mundo além da fazenda e, contando que não atinja ela ou os primos, ela não se importa de verdade.

Se você nunca esteve em uma guerra e se pergunta quanto tempo leva para se acostumar a perder tudo que você achava que precisava ou amava, eu posso te dizer que a resposta é nenhum.

Minha Vida Agora é um conto trágico sobre a perda da inocência, as marcas da guerra que atingem toda e qualquer pessoa a sua volta e a luta desenfreada para sobreviver contra todas as adversidades, porque você simplesmente precisa voltar para casa.

Na minha mente, nos meus membros, nos meus sonhos, ainda está acontecendo.

Acompanhar tudo pelos olhos e memórias da Daisy foi angustiante, confuso e bastante perdido. Exatamente como você se sentiria em um guerra onde não tem qualquer tipo de comunicação, onde a história muda de acordo com cada vizinho e onde você é criança demais para ter um voz. Não sabemos quem é o inimigo ou a extensão da guerra por boa parte do livro e quando finalmente temos respostas, ela são poucas e chocantes.


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Daisy não se envolve diretamente no conflito armado, o que só serve para reforçar a ideia de que não são apenas as pessoas no front que são atingidas pelos horrores das batalhas e as atrocidades por elas promovidas. Daisy precisa lutar continuamente para fugir dos perigos que o Inimigo representa, mesmo sem saber ao certo quem são os mocinhos e os vilões. Depois de ser separada dos primos e despachada com Piper para um abrigo, Daisy começa uma jornada para reencontrar a família e voltar para casa -- a fazenda deles. 

E durante toda essa luta pela reunião, ela aprende muito sobre si mesma e sobre encontrar seu lugar em meio a um grupo em quem pode confiar e chamar de lar. Daisy aprende o que é o amor de verdade e que lutar por eles talvez seja o único motivo que ela tem para continuar seguindo em frente.

As coisas que partem seu coração quando você acha que não tem mais nada para partir.

Uma das coisas que eu mais gostei nesse livro é que a Meg não esqueceu que a guerra deixa marcas e que, no fim, não há vencedores, apenas perdedores. Muitos livros que tratam de batalhas e guerras esquecem de retratar suas cicatrizes e por isso eu admiro ela. As turbulências emocionais e psicológicas pelas quais Daisy e os primos passam ao longo do livro são ainda maiores que as físicas e não desaparecem no momento em que eles se encontram, teoricamente, em segurança.

As marcas fazem as personagens -- e você -- reavaliar conceitos de amor, lealdade e segurança. Como você pode dizer que está a salvo, se não sabe de onde o perigo vem? O não saber no que nos encontramos na maior parte do livro é angustiante. Que alguém tenha conseguido, em tão poucas páginas, despertar um sentimento tão intenso é algo maravilhoso.


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Eu continuo sem saber como agir em relação a Daisy ou aos sentimentos dela. Não amo ela, embora ela seja bastante forte e determinada, nossa conexão "não fechou". O relacionamento dela com o Edmond, embora seja um estopim para toda a luta dela, não foi de tirar o fôlego ou fazer a pele formigar -- e eu também imagino que esse não tenha sido o propósito, mas sim idealizar algo pelo qual a Daisy puxasse forças para sobreviver todos os dias.

Toda guerra tem seus pontos de virada e todas as pessoas também.

Engana-se quem acha que sobreviver a guerra é apenas instinto. Meg deixa bem claro que, quando o mais fácil é simplesmente desistir e morrer, ter algo pelo qual lutar e resistir é extremamente importante. Daisy e Piper não sobrevivem de migalhas, doentes, com dores e feridas, famintas e com medo, apenas para sobreviver. Elas fazem isso porque sabem que tem por quem lutar, pelos dias de verão perto do rio, pelo abraço de um irmão, o conforto de uma mãe, o beijo da pessoa amada.

A personagem que mais chamou minha atenção, aliás, foi a Piper, no auge de seus nove anos de idade ela era tão madura e, ainda assim, Meg nos lembra constantemente que ela é apenas uma criança através de detalhes mínimos. Minha bebê preciosa, must be protected at all costs.


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No geral, Minha Vida Agora foi ainda melhor do que o filme -- que eu já tinha em alta estima -- e me ganhou completamente no final. É um livro verdadeiro e honesto, emocionante. Mais do que contar uma história de guerra, Meg contou uma história de quem passa por uma e escolhe sobreviver à ela, às suas memórias, todos os dias.

Resistir é o que eu descobri que faço melhor.

O filme, estrelado pela minha queridinha Saoirse Ronan, estreou em 2013 direto em DVD por aqui e agora já está no netflix com o nome de Essa é a Minha Vida. Embora tenha algumas mudanças significativas, ele faz um ótimo trabalho em adaptar a ideia e os sentimentos -- por vezes, acredito que consegue tocar ainda mais fundo na parte emocional dessa sobrevivência, devido ao recurso audiovisual. 

Tanto o livro quanto o filme super valem a pena. A leitura é super rápida, só 175 páginas.

Título original: How I Live Now
Autora: Meg Rosoff
Editora: Galera Record
Gênero: YA
Nota: 5

Saiba Mais:  Skoob  |  Autora  |  Saraiva  |  Submarino

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