Resenha: O Martelo de Thor


Magnus Chase retorna para mais uma aventura na trilogia Deuses de Asgard. Com uma narrativa já familiar e extremamente bem humorada, Rick Riordan ultrapassa a própria criatividade e entrega um livro cheio de surpresas e uma representatividade maravilhosa.

Sinopse: Em A Espada do Verão, primeiro livro da série, os leitores são apresentados a Magnus Chase, um herói boa-pinta que é a cara do astro de rock Kurt Cobain. Morador de rua, sua vida muda completamente quando ele é morto por um gigante do fogo. Por sorte, na mitologia nórdica os heróis mortos vão parar em Valhala, o paraíso pós-vida dos guerreiros vikings. Lá, Magnus descobre que é filho de Frey, o deus do verão, da fertilidade e da medicina.Desde então, seis semanas se passaram, e nesse meio-tempo o garoto começou a se acostumar ao dia a dia no Hotel Valhala. Quer dizer, pelo menos o máximo que um ex-morador de rua e ex-mortal poderia se acostumar. Magnus não é tão popular quanto os filhos dos deuses da guerra, como Thor e Tyr, mas fez bons amigos e está treinando para o dia do Juízo Final com os soldados de Odin — tudo segue na mais completa paz sanguinolenta do mundo viking.Mas Magnus deveria imaginar que não seria assim por muito tempo. O martelo de Thor ainda está desaparecido. E os inimigos do deus do trovão farão de tudo para aproveitar esse momento de fraqueza e invadir o mundo humano.
Desta vez, a missão do herói é simples: recuperar o Mjölnir, o martelo místico do deus nórdico Thor. Para impedir que a melhor amiga seja obrigada a casar com um temível gigante - e também para impedir o início do Ragnarök - Magnus une forças com seus amigos para correr contra o tempo - heróis e suas missões cronometradas! - e encontrar o bendito martelo perdido.



O primeiro livro já foi incrível e muito importante para essa trajetória do tio Rick nas histórias mitológicas. Bem diferente de Percy Jackson, Magnus Chase tem um tom mais "real" em relação aos próprios personagens, nos apresentando um protagonista que já foi morador de rua, uma valquíria muçulmana, um elfo mudo e um anão que luta contra preconceitos. Em O Martelo de Thor, Riordan também introduz uma personagem não-binária - o que significa que não se identifica com o gênero masculino ou feminino, é de gênero fluido - e desenvolve ainda mais a riqueza dos personagens conhecidos.

Aparentemente, os Estados Unidos estavam infestados de deuses antigos. Era uma verdadeira praga.
O passado de Hearthstone, um dos protetores de Magnus, é de todo um drama particular e bem pesado. O elfo carrega marcas e traumas das histórias horríveis que guarda de casa, e ele é obrigado a revivê-las durante uma das missões para a recuperação do martelo. O que eu acho mais incrível é como o Magnus está sempre disposto a fazer e arriscar tudo por seus amigos; ele não se importa em manter o decoro, não tem problema em sair chutando pessoas malditas, ele só quer que Hearth, Blitz, Sam e Alex fiquem bem. Blitz, apesar de não ter um grande destaque para a própria história, aparece como um excelente sustento emocional para o Hearth, principalmente. Se você não vê um ship entre esses dois, não quero ser sua amiga. Porque eles são um ship.

Do que Blitz e Hearth estavam se escondendo? E quem, em sã consciência, ia querer gravar "Fly Me to the Moon" em norueguês antigo?

Samirah vive a problemática de estar sendo obrigada por seu próprio pai, Loki, a casar com o gigante Thrym. Diz ele que é pelo simples fato de ser a única maneira de recuperar o martelo de Thor, mas os heróis sabem que existe uma trapaça por trás disso - afinal de contas, tudo está sendo organizado pelo Loki. O deus das trapaças. Sam se porta com muita bravura e determinação, independente do medo do próprio destino. Ela tem essa insegurança em relação ao pai, ao controle que ele tem sobre ela, e o medo de perder o seu futuro brilhante, de não ter a chance de viver tudo o que planejou para ela mesma é o que a guia nessa luta. Eu amo como mesmo diante de perigos eminentes e de escolhas arriscadas a Sam nunca perca a própria personalidade; ela nunca deixa de ser quem é. Uma menina muçulmana com fortes crenças na religião da família - mesmo ciente da existência de um mundo até então vivo na mitologia - disposta a lutar com unhas e dentes para proteger a si mesma e aos amigos dos perigos que vêm aí.


A maioria das atividades em Valhala era feita até a morte: Scrabble, rafting em corredeiras, comer panquecas, yoga. (Dica: nunca façam yoga viking).
Acho demais como o tio Rick sustenta a aura de inutilidade dos deuses, ao mesmo tempo em que são figuras místicas e carismáticas. Thor e sua obsessão por canais televisivos, Heimdall se tornando o rei da selfie, Sif e seu orgulho, o próprio Odin - que não aparece, mas tem vital importância. Eles pouco ajudam os heróis, mas quando ajudam posam de salvadores da pátria. O básico de todo deus, independente da mitologia a qual pertença. Eu rachei o bico de rir nesse livro; o humor do Riordan passou de nível, mas continua satírico e bem característico.


O problema dos deuses é que não dá para simplesmente estapeá-los quando eles agem como idiotas.
A jornada de Magnus não seria nada sem o apoio desses personagens coadjuvantes, assim como de nenhum herói. O fato de Magnus ter uma presença tão harmoniosa e perdida combina muito bem com tudo o que ele precisa enfrentar. Dá pra notar o crescimento do personagem no modo como ele reage aos perigos, especialmente aqueles em que os amigos são colocados.

Aprendi uma coisa sendo filho de Frey: nem sempre era possível lutar as batalhas dos meus amigos. O melhor que eu podia fazer era estar presente para curar as feridas deles.


- Como funciona? Desde que você não me peça para falar por todas as pessoas fluidas de gênero, tá? Não sou embaixadora. Não sou professora, nem garota-propaganda. Sou só eu. Tentando ser eu da melhor forma possível.
AGORA SENTA PORQUE EU QUERO FALAR SOBRE ALEX! Alex, a nova integrante da turma, também descendente de Loki, foi minha personagem favorita de lavada e certamente uma das melhores que o tio Rick já escreveu. Extremamente petulante, questionadora e adoradora de peculiaridades, Alex tem uma presença marcante e discursos excelentes, especialmente quando você lembra que esse é um livro infanto-juvenil best-seller no mundo inteiro, então é muito importante ter personagens diversificados para mostrar a representatividade deles na literatura. Ter uma personagem de gênero fluido é incrivelmente magnífico, e o jeito como o Riordan desenvolve a presença e as falas e a importância de Alex dentro da história te fazem gritar e chorar e amar esse homem ainda mais do que você já amava.

Era covardia me esconder atrás de uma espada mágica falante?
Magnus Chase é, até agora, a série com maior representatividade que já vi. Veja bem, só tem um hétero nesse elenco principal todo e nem é o protagonista! Riordan Riordan é glorioso.




Dica de etiqueta: para saber a hora certa de ir embora de uma festa, o momento é quando o anfitrião gritar "Ninguém sai daqui vivo".
Com um final digno de deixar você a arrancar os cabelos - e com um crossover fenomenal - tio Rick abre caminho para um último livro recheado de ameaças, porque é isso que ele faz com o teu coração. Ele finge que está tudo bem para, no último capítulo, falar "ei, eu estava brincando, o fim do mundo está mesmo próximo de acontecer.". Só posso dizer que estou morrendo para ler o terceiro e último volume da trilogia e que já sinto saudade de todos esses personagens incríveis.

Título Original: The Hammer of Thor
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção juvenil / Mitologia nórdica
Nota: 5

Saiba mais: Skoob | Buscapé | Saraiva 

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COMENTÁRIOS

1 comentários:

  1. Sempre tive curiosidade em ler esses livros, pois já tenho outros do autor, mas ainda não tinha lido uma resenha tão boa sobre eles. Tu acabou de me convencer a colocar ele na minha listinha.

    Beijos,
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