Resenha: Sway


Recebido em parceria com a editora Globo Alt, Sway é um livro sobre um garoto disfuncional altamente temido e igualmente adorado pelo pessoal ao seu redor. Uma promessa de 10 Coisas que Odeio em Você que tinha muito potencial, mas acabou ficando no mais ou menos.

Sinopse: Sway é o apelido de Jesse Alderman, por causa de seu talento para conseguir qualquer coisa para qualquer pessoa, como providenciar trabalhos escolares, fazer com que pessoas sejam expulsas da escola, arrumar cerveja para as festas, entre outras coisas, legais ou ilegais... É sabendo dessa fama que Ken Foster, o capitão do time de futebol da escola, pede a ele um trabalho controverso: Ken quer que Bridget Smalley saia com ele. Com seu humor ácido e seu jeito politicamente incorreto de ver a vida, Sway terá que encarar o trabalho mais difícil que já teve: sufocar todos os sentimentos que Bridget desperta nele, a única menina verdadeiramente boa que ele conheceu em toda a sua vida.

Sway é o apelido de Jesse Alderman. Ele é um faz tudo na cidade onde mora; e por faz tudo eu digo que faz de tudo mesmo. Ele é o contato dos contatos. Ele é a pessoa que você deve procurar se estiver querendo um favor - seja um favor simples, como uma vaga no time da escola ou um convite para uma festa badalada ou um favor mais complexo, como drogas e encontros arranjados. Quando Ken paga Sway para descobrir tudo o que puder sobre a Bridget, uma garota doce e adorada por todo mundo no colégio, tudo o que Sway queria era desaparecer - afinal de contas, Ken estava pagando para que ele o ajudasse a sair com a garota por quem estava apaixonado.


O que mais me irritou nesse livro foi o protagonista. Jesse é o típico sabe-tudo cheio de si que se esconde atrás de um passado sombrio para justificar todas as atitudes babacas que tem - e, nossa, como ele é babaca. Toda vez que alguém reafirmava isso no livro eu aplaudia, porque o Jesse é muito babaca. E não é um babaca compreensível ou um babaca com arco de crescimento, nem mesmo um babaca simpático. Ele é pura e simplesmente um babaca. O fato de todo o livro ser narrado em primeira pessoa pelo Jesse torna a história enfadonha e irritante, ainda que o background seja interessante e te prenda e mantenha sua atenção presa à leitura.

O que é verdade hoje pode não ser verdade amanhã.

Até suas 180 páginas, Sway não me surpreendeu. É um livro bem escrito, mas simples em sua composição. Essas 180 páginas basicamente focaram no dia a dia do Jesse como o cara. Uma parte interessante da trama começa quando Jesse conhece o Pete - o irmão da Bridget tem uma leve deficiência mental, o que meio que o exclui da normalidade com que as pessoas estão acostumadas. O fato de Pete ter tanta personalidade e ansiar tanto pela normalidade tornam suas cenas ótimas e o convívio com o Jesse uma explosão atrás de outra; afinal de contas, o Jesse é um babaca, lembra? Ele é um babaca com o Pete também. Mas o Pete não é do tipo que leva desaforo para casa, então ele está sempre rebatendo as atitudes ridículas do Jesse.



- Você fica mais velho, aprende um pouco sobre o mundo, aprende o que é amar alguém mais do que a si mesmo e você pensa: se eu tivesse de fazer tudo de novo, faria melhor.

A outra parte foi o Sr. D., um velhinho que ele conhece no asilo onde a avó de Bridget está instalada. Caindo lá de paraquedas, Sway acaba inventando uma mentira fingindo que o Sr. D. é avô dele só para ter a desculpa de se aproximar da Bridget; e o Sr. D, obviamente, se aproveita disso, usando Sway para levá-lo a jogos, conseguir chocolate ou até mesmo, simplesmente, ter sua companhia.



Mas, de novo, o Sway me irritava a cada nova cena. O modo como ele tratava as pessoas à volta dele era bem asqueroso, do tipo recheado de comentários homofóbicos, racistas e preconceituosos no geral. Não é uma leitura agradável, não é legal conhecer os pensamentos de uma pessoa assim. Pouco me importa se é mecanismo de defesa do Jesse, nada justifica preconceito. O modo como ele tratou alguns personagens em diversos momentos - tal como Pete, ou David, o garoto nerd, a secretária de um cara que estava acima do peso ou até mesmo a Bridget, só porque o Jesse queria se manter afastado dela - foram bem escrotos. Slut-shaming foi outro ponto muito abordado por ele, outro detalhe que me fez aumentar o desejo de abandonar o livro. Os comentários absurdos que ele fazia sobre as mulheres que encontrou no passar da trama eram desconfortáveis. Piadas sobre estupro, o modo como ele se referia às crianças deficientes... Sério, de todos os personagens babacas escrotos que já li, tu és o maior, Jesse.

Mercadorias passam por minhas mãos como água - trabalhos do semestre, drogas, identidades falsas -, mas não têm o valor que a informação tem.


Bridget foi uma personagem com potencial que acabou sendo usada para o clichê básico de romances assim. Ela tem toda uma personalidade enérgica e presença em cena, mas senti que a trama não a trabalhou da maneira adequada. Ela só estava ali para cenas de crescimento do Sway, momentos em que ele precisava dela para sentir. Tudo bem, o livro é sobre ele, mas não justifica colocar uma personagem feminina só para ser o partido ideal, a famosa manic pixie dream girl. O desenvolvimento da Bridget começou muito bem, mas decaiu ladeira abaixo conforme a história avançava, o que é uma pena para uma personagem tão rica. O romance entre os dois não me convenceu porque soou apressado e "amor da Disney" demais para uma história que queria me vender realismo.

- Por que tudo que você toca fica tão complicado?

No mais, o que achei mais interessante na história foi a Joey, amiga e companheira da vida sombria do Sway, e o Peter. Os dois personagens mais bem trabalhados da trama - ainda que Joey tenha tão pouco tempo em cena - e os dois que definitivamente mereciam mais destaque. Foram reais e humanos e dois pontos extremamente positivos dentro da história. Em relação à "profissão" do Sway, foi interessante como a autora não poupou e nem romantizou o que ele fazia. Afinal de contas, além de receber dinheiro para cumprir favores - muitos deles perigosos - Jesse também lidava com um pessoal barra pesada. Traficante de drogas e de favores, é o que Sway fazia, e essa parte do universo foi inserida nua e crua dentro da obra, sem falhar na tentativa de suavizar. Ele estava fazendo muita coisa errada e a autora expõe isso.

- Às vezes o que queremos e o que o mundo espera de nós são coisas diferentes.

Quanto à edição, a editora Globo Alt fez um livro impecável, como sempre. A capa é simples e atrativa, amo lettering como a que usaram nessa. Diagramação agradável para leitura e capítulos não muito longos, o que, mesmo com o começo arrastado, não te cansava de continuar lendo.

Sway te prende pelo background e pelos personagens coadjuvantes, mas definitivamente não pelo protagonista. A sinopse me prometia um novo Heath Ledger em 10 Coisas que Odeio em Você, mas acabou se mostrando um belo de um Joey Donner...

Título original: Sway
Autora: Kat Spears
Editora: Globo Alt
Gênero: Romance / YA
Nota: 2

Saiba mais: Skoob | Saraiva 

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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Oi Denise, sabe aquele livro que quando você vê se dá conta de que ele virou seu queridinho antes mesmo de ler?
    Eu tenho essa sensação com esse livro. E espero não me decepcionar com a estrutura da obra.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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    Respostas
    1. Oi Priscila!
      Espero que a leitura consiga ser interessante pra você, flor.
      Obrigada pela visita.

      Beijos!

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  2. Oi, Denise. É uma droga realmente quando não gostamos do personagem principal. Já fiquei com um pé atrás ao querer ler esse livro, porque tenho me irritado muito com personagens principais. Será que com esse cara será o mesmo? Sinceramente espero que não, não quero me decepcionar.
    Beijo! http://leitoraencantada.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi Miriã!
      Menina, pois é! Prometia ser tão bom, fiquei bem triste </3
      Tomara que a leitura seja melhor pra ti!
      Obrigada pela visita.

      Beijos.

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