Resenha: #MeuAmigoSecreto - feminismo além das redes #MulheresDaLiteratura



#MeuAmigoSecreto: feminismo além das redes é de autoria do Coletivo Não Me Kahlo, faz parte da Coleção Hashtag e foi publicado pela editora Coleções de Janeiro.

Talvez você não conheça o livro ou sequer soubesse da existência do mesmo, mas com certeza você ouviu falar da hashtag #meuamigosecreto que surgiu no final do ano de 2015 e relatava casos de abusos e assédios sofridos pelas mulheres. O assunto repercutiu em diversas redes sociais e foi, em alguns casos, aplicado em tom de deboche em um sentido reverso, como acontece sempre que se fala sobre feminismo, em uma tentativa de desqualificar a discussão. O mesmo já havia ocorrido com a hashtag #meuprimeiroassédio.

Por essa razão, quando falamos do nosso corpo, entendemos que ele é parte da nossa luta. Amar o próprio corpo, principalmente o corpo que subverte o padrão estético vigente, é um ato político.

Saindo do mundo virtual e do ciberativismo (ativismo na internet), o Coletivo Não Me Kahlo trouxe para as páginas artigos que apresentam temas importantes do feminismo, relacionando os mesmos a alguns tweets da hashtag. Assuntos como violência contra a mulher, empoderamento feminino, padrão de beleza, machismo no mundo geek e feminismo negro são discutidos em textos claros, repletos de informações e dados - muitos deles assustadores - e com uma chamada muito forte à reflexão.



A leitura é fácil e bem pontuada, ideal para aqueles que gostariam de começar a ler sobre o feminismo e até mesmo para aqueles que discordam da causa, pois os textos apresentam e discutem os temas de maneira reflexiva e de fácil compreensão. Muitos padrões e situações recorrentes do cotidiano são analisados e postos sob uma nova luz.

Um ponto importante do livro é a abrangência dos temas discutidos, o que mostra como o feminismo não é e não deve ser limitado a apenas uma esfera. Ao não focar em apenas determinada área, o Coletivo Não Me Kahlo possibilita que o leitor identifique situações do seu dia-a-dia que se encaixem naquilo sendo tratado, mas também que ele visualize e tome conhecimento de tantos outros acontecimentos que, ainda que não façam parte do seu universo particular, fazem parte do seu universo social.

Assim, embora exista muita resistência à luta feminista, estamos firmes, fortes e empenhadas nessa empreitada. Devemos, então, ser gratas às mulheres que vieram antes de nós por tudo que alcançaram, e às que estão aqui e às que virão, é preciso enfatizar que ainda há muito a ser feito. Não porque queremos fazer parte de uma militância política, mas porque precisamos.

Ler #MeuAmigoSecreto foi como tirar um pano da frente dos olhos e enxergar o mundo com maior clareza, alcance e profundidade. Fez entender determinados aspectos da nossa sociedade e refletir sobre eles, analisando desde suas situações iniciais até o modo como eles se apresentam hoje e como ocorreu essa evolução. Mais do que qualquer outra coisa, ler #MeuAmigoSecreto me fez perceber meus próprios erros e falhas, e que existe uma longa jornada a se seguir em busca de uma sociedade justa e com igualdade para todos, mas que eu estou no caminho.


Título original: #MeuAmigoSecreto: feminismo além das redes
Autora: Coletivo Não Me Kahlo
Editora: Edições de Janeiro
Gênero: Feminismo; Ciências Sociais
Nota: 5
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COMENTÁRIOS

6 comentários:

  1. Oi, Eduarda!
    Eu lembro dessa hashtag e colaborei bastante com ela. Eu acho o cúmulo como as pessoas acham normal algumas coisas que foram expostas.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi Luiza, obrigada por comentar!
      Também compartilhei muitas coisas na hashtag, é incrível como o machismo e os preconceitos estão tão enraizados na nossa sociedade e cultura que assédio possa passar por algo normal.
      Indico muito a leitura, tenho certeza de que tu vai gostar.

      Att.,
      Eduarda Henker
      Queria Estar Lendo

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  2. Olá Eduarda!
    Eu gostei muito da premissa do livro e da sua resenha. Acho que este assunto ainda tem muito a ser debatido, quem sabe até mesmo nas escolas. Devemos preparar nossos filhos para serem diferentes, mais receptivos ao diferente e a terem mais empatia, para com o próximo. Eu lembro do lance da hashtag e acho que ainda temos muito que lutar para que algum dia possamos viver mais tranquilas como mulheres.
    Bjus
    www.docesletras.com.br

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    1. Oi Liah, concordo contigo ainda temos muito pelo que lutar. A luta é enorme mas continuamos firmes e fortes nela!

      Att.,
      Eduarda

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  3. Oi Eduarda! Eu estava por fora dessa hastag, não sabia! Mas achei a ideia sensacional. Acho que é um tipo de livro necessário a todos, com um tema sempre atual! Já coloquei na lista de leituras!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi Mi, :)
      Ela rolou no fim de 2015, repercutiu bastante nas redes. Virou matéria no G1 e tudo. O livro saiu logo depois. Indico muito a leitura, viu!

      Att.,
      Eduarda

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