Resenha: Desintegrados

Resenha: Desintegrados

Sequência de Fragmentados, uma das distopias mais originais e aterradoras que já li, Desintegrados acabou sofrendo a famosa decepção de segundo livro. Até porque, a meu ver, o fim do primeiro foi muito bem fechado, e ficou essa ideia de que não havia necessidade para uma sequência.
Sinopse: A Fragmentação tornou-se um grande negócio com poderosos interesses políticos e corporativos em jogo. O governo não quer apenas continuar com ela, como também expandi-la. Cam foi feito inteiramente com as melhores partes de fragmentados e, tecnicamente, ele é um garoto que não existe. Um verdadeiro Frankstein do futuro, que luta para encontrar sua identidade e se questiona se um ser como ele pode ter alma. Quando as ações de um sádico caçador de recompensas ameaçam a causa de Connor, Lev e Risa, o destino de um deles é ligado ao de Cam. A aguardada sequência de Fragmentados desafia a suposição de onde começa e termina a vida e o que realmente significa viver.
O problema desse livro foi que não entregou originalidade como o primeiro. A premissa é a mesma; temos o revoltado, a devota e um incógnita. Temos o sistema opressor e perturbado dos Fragmentados e aqueles que o seguem e o veem como uma salvação. Temos a rebelião, agora guiada por um rosto familiar lá do primeiro volume, e a ideia que eles têm de derrubar de uma vez por todas o governo que impõe atrocidades como a melhor maneira de construir a civilidade.
A triste verdade sobre a espécie humana, a garota percebeu depressa, é que as pessoas acreditam no que ouvem. Talvez não da primeira vez, mas, na centésima vez, a mais maluca das ideias simplesmente se torna fato.
Meu grande problema com Fragmentados foi a narrativa do autor. Apesar de a ideia ser absurdamente fantástica, um terror muito bem orquestrado e desenvolvido, o livro em si não me prendeu porque a maneira com que ele contou a história foi lenta.

Resenha: Desintegrados

A trama nos apresenta esses três personagens novos, e suas histórias individuais levam um bom tempo de livro para serem desenvolvidas. Temos Starkley, o rebelde indomável que vê na rebelião uma chance de conquistar a tão sonhada liberdade do regime em que vivem; Miracolina, um dízimo - criada para ser fragmentada para que outra pessoa pudesse viver - bastante satisfeita com a condição à qual foi imposta desde o nascimento; e Campus, o primeiro ser humano construído a partir de fragmentos de outras pessoas.

Até certo ponto da história, assim como no primeiro volume, o autor trilhou os caminhos e as perspectivas dos personagens de tal maneira que eu me vi olhando para esse trio e pensando: Connor? Lev? Risa? Porque, honestamente, eram as mesmas situações. O ansioso por mudanças, o garoto satisfeito com o que foi imposto a ele e a que caiu de paraquedas nisso tudo, mas resolveu participar da bagunça. Eu fiquei bem decepcionada com os personagens novos porque eram os antigos reciclados e reformulados em algumas situações diferentes, mas com quase as mesmas reações. Até mesmo as coisas que me irritaram profundamente em Connor estavam ali no Starkley, a fidelidade cega do Lev habitava a Miracolina, e por aí vai...

Resenha: Desintegrados
- Uma nação de adolescentes zangados, sem trabalho, sem estudo e com todo esse tempo livre nas mãos? Pode apostar que estou com medo e você também deveria estar...
Neal ainda desenvolve uma coisa interessante que foi um pouco mais sobre a grande guerra causadora de todo aquele terror sobre a Fragmentação, mas é muito pouco mesmo.

O mais interessante foi Cam, sem dúvida. O humano criado a partir de partes de outros humanos, quase um Frankenstein moderno. Tem toda uma tensão envolta à existência dele; aqueles que acreditam que ele é um avanço para a ciência e para a humanidade, e aqueles que são contra o nascimento de uma aberração como aquilo, um garoto criado a partir de fragmentos. O desenvolvimento dessa parte da história ganhou minha total atenção. Ainda que a trama toda não seja de uma originalidade fantástica, o arco do Campus foi bem surpreendente.

Resenha: Desintegrados

Desintegrados poderia ter se expandido até algo bem mais, aproveitando-se de algumas brechas do primeiro livro para trazer novas discussões e questionamentos para a história, mas fica no mesmo que Fragmentados: é bom, mas nem tanto assim.

Título original: UnWholly
Autora: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Gênero: Distopia
Nota: 3

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COMENTÁRIOS

5 comentários:

  1. Doida pra ler esse livro!
    Adoro historias nesse estilo e quero muito ler. Não me falta vontade, o que falta é tempo kkkk
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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  2. Olá, Denise.
    Também achei que devia ter terminado no primeiro. Até que gostei depois do meio para frente, mas o começo foi um saco principalmente por ser muito parecido com o primeiro. Eu queria era saber o que tinha acontecido depois e não ler as mesmas histórias novamente. Infelizmente deixou a desejar pelo que foi mostrado no primeiro, mas acabei gostando no final.

    Prefácio

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  3. Oi Dê! Infelizmente só tenho a concordar com vc, ahhh a maldição do segundo livro! Eu gostei tanto, tanto de Fragmentados que eu realmente esperava mais desse. O único personagem novo que curti tb foi Cam, mas ainda espero que ele seja melhor desenvolvido no próximo!

    Adorei a resenha!

    BJs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Oi Denise...
    Entendo tudo que disse, mas ao contrário de você eu amei o livro, me senti presa a todo momento e o li rapidamente... não sei o que acontece comigo, acho que sempre sou do contra... vejo muita gente falando da maldição do segundo livro neste livro e eu ao contrário amei de coração e até favoritei. Claro que encontrei todas essas semelhanças nos personagens, mas eu os achei diferentes também... enfim... acho que cada leitor tem sua loucura a respeito de cada livro que lê rs. Xero!!!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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  5. Oi Denise!
    Eu gostei bastante de Fragmentados, mas já faz um tempo que li e passou a vontade de ler a continuação.

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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