Resenha [FILME]: Mulher-Maravilha


Sabe a sensação de que você esteve a vida toda esperando por um momento? E, quando esse momento acontece, é tão mágico que poderia ser fruto de um sonho? Quando a sessão de Mulher-Maravilha terminou, quando os créditos terminaram de rolar, eu percebi que "minha deusa, realmente vivi para ver Diana Prince ganhar vida e mostrar ao mundo que é e sempre será a maior heroína que já existiu.".


Em um grande resumo desnecessário, basta dizer que o filme conta as origens de Diana. Desde sua origem, na remota e misteriosa ilha de Temíscira, até sua primeira viagem ao mundo e sua vivência com tudo que até então não passavam de histórias. A Grande Guerra é o cenário, e Diana parte em sua jornada para tentar destruir o causador dela, acreditando que, assim, dará fim ao conflito que devastou o mundo.

 

 

Esse filme... É uma obra prima. É o tipo de filme que você vê sendo levado por gerações; que você sabe que será discutido e elogiado por anos que ainda virão. É o tipo de história que encanta e emociona, que fala sobre coragem e heroísmo. É o tipo de filme de herói que o mundo merece. Um filme sobre esperança, sobre bondade, sobre bravura. Porque a Mulher-Maravilha é tudo isso: ela é uma mulher destemida, doce, inocente, sensual, poderosa, imbatível e emocional. Ela é uma mulher em todas as nuances, talvez uma das melhores representações da força feminina que já tivemos nas telonas até então. Diana é empática, tem um coração muito grande e generoso. Ela é amigável, um sorriso inspirador. Ela é uma heroína em todos os mínimos detalhes. O tipo de pessoa que lidera, que aconselha, que apoia.




O tom da personagem foi tão bem delineado na história que eu me vi chorando em quase todo o filme. Gal Gadot, com sua sensibilidade e serenidade, com um olhar gentil e sorriso carismático, é a Diana. Ela é uma amiga, uma companheira, uma guerreira em todo seu ser. O filme te deixa acompanhar a jornada de descobrimento dela com muita calma e tempo perfeito. Desde a pequena Diana, com seus oito anos, até a mulher que descobre e entende a guerra, até enfim a deusa que conhecemos nos quadrinhos, em seriados e agora nos filmes. Diana é, nesse filme, o que sempre foi: uma Mulher Maravilha.


Sua criação com as amazonas foi um dos pontos-chave do filme e, Deus, eu queria poder erguer um altar para a Patty Jenkins e toda a sua direção impecável. Vou roubartilhar uma citação de um post que vi no Tumblr porque acho que ele sumona perfeitamente o que foi ter, pela primeira vez, o olhar de uma diretora sobre um filme do gênero de heróis. "Não houve nenhuma cena sensual com foco no corpo da Diana. Houve Amazonas com rugas de idade, cicatrizes de batalha, e nenhuma delas usava uma armadura que era um espartilho glorificando suas curvas [...] Obrigada, Patty, por me dar um filme sobre uma mulher, contado pelo ponto de vista de uma mulher, para que eu possa vê-lo através dos meus próprios olhos." Porque foi exatamente isso que houve em todo o filme. Realidade. Mulheres reais. Lutas reais. Em toda uma história sobre uma semideusa poderosa lutando contra o deus da guerra, tudo o que eu encontrei foi verossímil e perfeito e tão, tão importante. As cenas de luta das amazonas foram a melhor coisa; coreografias impecáveis, aquela badassidade que te deixa de queixo caído. E a Diana, senhoras e senhores.




Eu preciso falar sobre a Diana caminhando sobre as trincheiras. Eu preciso falar sobre a Mulher-Maravilha abrindo caminho na Terra de Ninguém, quando nenhum homem conseguiu caminhar por ali. Eu preciso gritar para o mundo que essa é a cena que vai ficar para a história; não um diálogo, não uma luta, mas um olhar. Um momento. Uma bala ricocheteando no bracelete da Mulher-Maravilha e a coragem de uma heroína de caminhar sobre um campo de guerra para salvar inocentes de um destino terrível. Porque isso é ser uma heroína. Isso é ser um exemplo para futuras gerações. Isso é representatividade para garotinhas que procuram modelos a serem seguidos.

 

 

Ao lado de Diana, um dos personagens mais importantes do filme com certeza foi Steve Trevor. Quem acompanha os quadrinhos ou mesmo a série antiga, sabe que ele é o interesse amoroso da Diana e que é um personagem muito carismático e querido. O filme conseguiu tornar isso ainda maior; a dinâmica entre os dois é fantástica, saudável e apaixonante. Steve literalmente cai de paraquedas nos caminhos da Diana e os dois se unem por uma causa maior, que é acabar com a guerra. O fato de ambos procurarem soluções em trilhas tão diferentes é importante para a resolução dos personagens; Diana é muito da ingenuidade de acreditar que o mal é uma pessoa, uma criatura, um ser maligno que espalhou sua crueldade sobre a humanidade. Acabe com ele e você tem a salvação. Steve é o lado mais bruto e real da guerra; ele viu o que há de melhor e pior no mundo. Ele sabe o que há nas frentes de batalha. Mas ele apoia Diana mesmo assim. Ele sorri e se encanta pelo grande coração que ela tem, por sua capacidade de encontrar esperança e de apoiar mesmo nas horas mais sombrias. Eu sai do cinema me arrastando porque esse é o tipo de casal que precisamos em histórias assim; o que se apoia, se protege, o que ergue um escudo para ajudar o outro em um embate.

Junto a Steve e Diana temos Charlie, um escocês com Transtorno de Estresse Pós Traumático. Sameer, um marroquino que nunca quis se tornar soldado, que queria seguir a carreira de ator, mas "tinha a cor de pele errada". E o Chefe, um indígena que viu outro tipo de guerra devastar todo o seu povo, uma guerra travada por homens brancos. O fato de esse núcleo tão diverso lutar lado a lado com uma mulher em uma guerra travada por homens fala muito do poder dentro do roteiro; do tipo de história que está sendo contada.






Os diálogos são excepcionais. O poderio nas falas das amazonas me deixou gritando internamente. A carga emocional das ligações entre Diana e sua mãe, Hipólita, e também sua sua tia, a general Antíope, foi de tremer nas estruturas. E, senhoras e senhores, as amazonas. Eu já mencionei o quanto todas as cenas com elas foram incríveis? A batalha na praia. Os treinamentos. A força em sua postura e em seus trejeitos de luta.






A densidade do filme tem um equilíbrio muito bom com humor, aliás. Diferente de Batman v Superman (e não, não estou criticando, eu amo BvS), Mulher-Maravilha carrega em suas cenas exatamente o que se espera de um filme de herói: sorrisos, fé e bondade, mas também lutas, emoção e lágrimas.

E o fato de tudo isso ser ambientado na Primeira Guerra Mundial mostra muito para onde a trama quis caminhar. Seria fácil falar sobre Hitler e os nazistas; culpe um homem e sua ideologia, mate-o e você tem a paz, certo? Mas a Grande Guerra foi maior do que isso, e o filme se encaixa exatamente ali. A jornada de Diana é sobre entender que a crueldade, os horrores, a violência e a própria guerra não existem por causa de um indivíduo. Que não é só branco no preto, mas muitas nuances de cinza compondo a humanidade. Muitas escolhas ruins e boas se equilibrando em uma balança frágil. E quando ela pende, traz caos para todos os lados. Achei essa mensagem tão impactante, tão profunda e bem construída. E o modo como Diana lida com isso é maravilhoso. Por isso, além de todos os motivos citados, foi o melhor filme que esse gênero já viu.


Mulher-Maravilha vai ficar para a história. Não apenas por ser o filme com o maior número de críticas positivas no Rotten Tomatoes ou por ser o primeiro filme solo de uma heroína, mas também porque contou sua história com alegrias e tristezas, com lutas fenomenais e momentos de arrancar lágrimas. Porque mostrou com perfeição a jornada de uma deusa, uma guerreira e uma mulher.

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COMENTÁRIOS

12 comentários:

  1. Olá, Denise.
    Que resenha é essa? Eu confesso que sou completamente por fora desse mundo de heróis. Mas quando era criança sempre que tinha alguma brincadeira eu era a Mulher Maravilha porque os outros heróis eram todos homens hehe. Mas não conheço a história dela. Por isso acho que vou amar esse filme. E gostei muito de saber que não apresentaram as mulheres como objeto. Assim que der vou assistir.

    Prefácio

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    1. Oi Sil! Que bom que gostou da resenha! Fiquei com muito medo de não conseguir transmitir em palavras o que esse filme criou.
      A Diana sempre foi fave pra mim exatamente por isso também <3 A representatividade que a personagem tinha, desde sempre, é muito importante.
      Assista sim, vale muito, muito a pena!

      Beijos.

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    2. Assisti hoje o filme, confesso que no início achei meio distante da mulher Maravilha que eu conheci em minha infância. Mas..o mais interessante é a mensagem que é passada, a energia positiva que sai do cinema. De forma tão simples a mulher Maravilha nos diz o que estamos cansados de saber. O mundo só precisa de amor.

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  2. Oi, Denise. Fiquei apaixonada pela sua resenha! Ainda não assisti o filme, mas é notável o quanto veremos o empoderamento feminino nesse filme através dessa mulher. Uma das coisas que notei e que minha amiga que assistiu o filme me falou, é que a produção focou muito no rosto, na beleza da atriz, e deixou a desejar no quesito cenas de ação, mas acredito que para mim isso não seria um incômodo na certa. Espero poder assistir e apreciar tanto quanto você.
    Beijo!
    http://leitoraencantada.blogspot.com.br/

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    1. Oi Miriã! Que bom que gostou, flor <3
      Cara, as cenas de ação nesse filme superam as da Marvel de 10 a zero, juro com todo o meu coração. Foram coreografias muito bem orquestradas, toda ação e luta no ponto certo pra te prender na cadeira.
      E não acho que o filme tenha focado na beleza da atriz ou da personagem, mas sim no que o sorriso e os olhares dela demonstram. A Diana é toda sobre sorrisos ingênuos e olhares marcantes, e foi exatamente isso que a Patty captou e mostrou tão bem. Focar na beleza é o que alguns cortes de câmera fazem com a Viúva Negra em Vingadores, aquilo lá é hipersexualizar a personagem - e um dos meus maiores problemas com a Marvel.
      Ansiosa pra ver sua opinião sobre o filme!

      Beijos.

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  3. Eu to doida pra ver esse filme! Tão bom ver toda essa representatividade e empoderamento acontecer.
    E que resenha maravilhosa, fiquei ainda mais ansiosa pra assistir!

    ahamare.blogspot.com

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  4. eita que post sensacional! eu nao li ate agr nada em relaçao ao feedback do filme, mas a sua escrita me convenceu a nao ler outra coisa e so correr para ver o filme
    eu ja estava querendo ver msm entao tenho mais um motivo, ou varios que vc deu
    e eu fico contente por vc ter aproveitado tanto o filme!

    perolasdelivros.blogspot.com

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  5. Oi, Denise

    Excelente crítica, parabéns. Eu ia assistir ao filme hoje, mas acabou não rolando. Muito legal o fato de não haver sexualização da personagem. E o fato do filme estar se saindo tão bem é tão significativo!! E ainda tinha gente dizendo que ia flopar... sei!
    Eu não sei quase nada sobre a personagem, verei apenas pelo prazer do espetáculo e espero gostar bastante. Eu detestei forte BvS... hahaha

    Beijos
    - Tami
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

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  6. Oi Denise!! O filme tá MARAVILHOSO mesmo, eu até vi os jornalistas marvel boys aplaudindo no cinema hehehehehehe é um samba na cara da sociedade. Simplesmente concordo com tudo que vc disse!!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Denise minha filha... sua resenha me arrebatou se eu já tinha vontade de assistir o filme, com sua resenha você me deixou mais louca ainda... poxa... é muito amor por esta mulher exemplo... uma mulher de coragem... uma mulher que olha para o próximo e o ajuda, é uma excepcional... e não é porque temos o mesmo nome, que aliás foi escolhido em homenagem a ela também porque meu pai adorava... eu sempre tive afinidade com a personagem... pela sua força e determinação, quem melhor para se espelhar né... amei... sábado que vem vou assistir de coração aberto e pronta para me emocionar rs. Xero!!!!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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  8. Oi, Denise!
    Mulher, eu nem sei o que comentar aqui porque você já falou tudo no seu texto. Tudo que achei sobre essa obra prima você escreveu.
    Posso dizer que pela primeira vez eu me senti representada como mulher em um filme de herói. Eu só espero que a Marvel aprenda com esse sucesso estrondoso de Mulher Maravilha e providencie pra ontem um da Viúva Negra porque ela merece ter um filme solo sim!
    Ainda falta alguma coisa para eu aceitar a Gal Gadot completamente como a minha Diana Prince dos sonhos, mas tenho que admitir que a mulher está fazendo um excelente trabalho.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Dois Anos de Família Hallinson
    Sorteio Três Anos do blog A Colecionadora de Histórias

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