Controle Remoto: Os Defensores



ESSE MOMENTO É MEU! Os Defensores, série que reúne os quatro heróis da Marvel lançados em séries solo pela Netflix, estreou nesse dia 18 (e eu terminei de ver no período de um dia porque sou dessas). O post de hoje é pra falar um pouquinho sobre o que foi essa obra prima.



Para quem já conhece, Os Defensores tem a premissa básica de qualquer reunião de super-heróis. Matthew Murdock (Daredevil), Jessica Jones, Luke Cage e Danny Rand (Iron Fist), até então em carreira solitária, se unem para derrotar um mal que ameaça destruir a cidade de Nova York.






Claro que a série vai além disso, dando espaço para os demônios de cada herói, suas histórias individuais e a maneira precisa com que elas se cruzam com a dos outros personagens. O fato de já termos conhecido esses 4 sozinhos deixa espaço para um ótimo desenvolvimento de dinâmica - que foi o ponto chave da série para mim - e também de crescimento de personagem. Veja bem, cada um desses heróis tem uma peculiaridade: Matt e seu altruísmo em prol da cidade e das pessoas que vivem nela, Jessica e seu "não ligo pra ninguém, mas talvez queira salvar pessoas porque no fundo eu ligo sim", Luke e as provações que tem consigo mesmo, aquela ideia de que tem esses poderes para ajudar os outros e Danny e a missão mística à qual foi incumbido. Eles estão lutando contra um mal crescente, uma organização criminosa chamada Tentáculo, e os planos sombrios desses chefões do crime remetem a uma possível destruição de toda Nova York.

A introdução de cada personagem é muito boa. A série dá espaço para que a gente entenda o caminho de cada um dentro dessa reunião, o que Matt, Jessica, Luke e Danny querem alcançar. Uma vez que a gente tenha entendido isso, o roteiro puxa as interações e conecta os heróis e aí a coisa fica realmente boa. São dinâmicas críveis, que começam naquele básico de "não vou com a sua cara" até a simpatia e confiança. E são muito, muito engraçadas no começo.






Falando de cada personagem porque eu preciso desses momentos para exaltar o quanto eu amo cada um dos Defensores (mesmo Matt sendo meu favorito para todo o sempre), vou começar pelo Matt. Porque sim.

Depois dos eventos do final da segunda temporada de Daredevil, Matt decidiu abandonar o manto de herói e focar na carreira de advogado. Mas, claro, nenhum herói tem sossego, e acaba que seu trabalho como advogado o leva até Jessica Jones - e, consequentemente, de volta ao combate.




Matt é o altruísta, aquele que não mede os riscos contanto que possa salvar quem ele ama. É o tipo que aceita a surra que for, mas não tira uma vida. Eu amo essa ideia de honra e dever que existem no personagem e na sua jornada como vigilante. Gosto como, mesmo com todas as crises e acontecimentos pesados na vida de Matt, mesmo com as perdas abruptas e tudo de sombrio, ele não se deixa consumir pela raiva ou pelo luto. Ele ainda é um coração gentil, um homem disposto a tudo para fazer a justiça prevalecer. Nessa série, ele bate de frente com os outros companheiros de cena, mas é maravilhoso entender como as personalidades se completam com o tempo.



Outro ponto que eu preciso citar envolvendo o Matt é a perda da Elektra - e o retorno dela em Os Defensores. Não vou entrar em muitos detalhes, mas a personagem foi revivida e agora serve a organização que os heróis querem derrubar. E ainda que a Elektra vá ganhar um parágrafo só dela, porque ela é minha favorita entre todos os personagens da Marvel, a relação entre ela e Matt é de quebrar o coração e pisar em cima - e eu amo tanto isso! Essa história de luz e sombra, bem e mal, amor e ódio, isso equilibra bastante o que é a dinâmica dos dois na série. O retorno da Elektra e o impacto disso na vida do Matt é muito do que move ele dentro do arco principal; o amor dele pela Elektra, a ideia de que ela ainda pode ser salva (porque esse é o Matt, ele acredita nas pessoas) isso me fez chorar tanto que eu não sei como não desidratei e morri.

 

Jessica Jones chega com todo seu sarcasmo e azedume e presença poderosa. Ela é a figura que definitivamente não queria estar ali; só queria resolver a investigação e seguir em frente. Desde a sua série, já sabemos que Jessica não tem esse ímpeto heroico, essa vontade de vestir um manto e sair pelas noites salvando vidas. Ela finge indiferença, no entanto, mas está sempre disposta a se arriscar e lutar quando as situações aparecem. Jessica não caça o mal como heroína, mas dá uma bela surra nele quando entra em seu caminho.





Com o grupo, a aura marcante dela é tudo de diferente dos outros personagens. Jessica tem muitas interações com Matt, e foi com ele que ela mais se sobressaiu. Amei a amizade que se formou, aquela coisa que aparece do nada e de repente é tão importante para os personagens. Sem falar que as piadinhas dela com o uniforme do Daredevil e toda a questão de ele ter um coração puro e acreditar no melhor das pessoas é muito diferente do jeito que a Jessica vê o mundo, e ainda assim um contraste ótimo quando os dois se confrontam e finalmente se entendem.

Luke Cage foi uma grata surpresa. Eu gostei de como equilibraram toda a pose séria e durona do personagem com seus trejeitos divertidos, uma postura mais leve pra fazer par com a do grupo - principalmente com o Danny, que é com quem ele mais contracena. Luke entra nessa história para salvar um garoto do Harlem, e ele é o herói que faz de tudo pra proteger os inocentes, aceita todos os riscos e até mesmo mergulha na maluquice sobrenatural do Tentáculo para entender o que está rolando (as reações dele a todos os detalhes místicos da série são as melhores!). Ele é representativo e tem uma presença em cena muito poderosa, mas não apenas pelos seus poderes. Sua fala e suas ideias, a vontade de lutar, são detalhes com os quais a gente se relaciona fácil.




Ele e Danny formaram uma dinâmica tão maravilhosa que eu já estou esperando a união dos dois em uma série solo (como aconteceu nos quadrinhos). Ambos vêm de realidades muito diferentes, e é legal como a série mostra isso no início, o privilégio do Danny e como essa situação o cega para a dura realidade que o Luke vive desde sempre. Daí para frente, rola uma ótima evolução do Danny para tentar compreender os pontos do Luke, e o Luke abre os olhos para a ingenuidade e a pureza de coração do menino Rand. E, claro, Luke adota ele como filhote para amar e proteger. Ninguém toca no Danny!




E já que mencionei o dito cujo, para fechar esse quarteto desajustado, temos um garoto que cresceu em um monastério isolado do mundo, que entende muito pouco da vida em sociedade e que aceitou uma missão mística para proteger tudo que se tornou importante para ele durante seus anos de vivência entre os monges. Danny está nessa bagunça porque é o Punho de Ferro e tem um dever a cumprir; ele é o cara que vai lutar com inimigos e aliados se for preciso, contanto que consiga fazer o certo. E, claro, por ser bobinho e muito jovem nessa história de proteger os inocentes e fracos - especialmente se contar que os outros 3 têm muita experiência na vida de combate ao crime - Danny se arrisca além da conta. E você só quer que ele fique bem.

E preciso puxar um adendo aqui porque o ódio todo das pessoas pelo Danny não faz o menor sentido. Ele é um garoto que ganhou uma missão e está cometendo erros pra aprender a melhorar; sim, ele é esteriótipo de homem branco aprendendo com asiáticos, sim, eu queria um ator asiático no papel, não, isso não justifica todo o hate pra um personagem bem escrito. Ele é bem escrito. A ideia é ele ser bobão e ingênuo e se arriscar por coisas idiotas e tomar decisões inconsequentes por um bem maior; ele é um garoto que cresceu cercado por monges, não entende nada da vida, mas ainda assim quer lutar. Porque ele foi escolhido, então tem que se mostrar merecedor. Eu protegerei esse menino como Luke Cage o protege.





Aí você tem essas 4 pessoas extremamente diferentes umas das outras - em vivência e em poderes e em personalidades, principalmente - contra um inimigo em comum. Diferente de Vingadores, no entanto, a construção do trabalho em grupo foi muito mais emocional e carismática. Apesar de eu adorar a reunião dos heróis mais poderosos da Terra, tenho que dizer que os Defensores me ganharam muito mais em menos tempo de tela. A série cria essas ligações sutis, e de repente você torce para que eles se deem bem porque quando esse grupo se entender, não vai ter ninguém pra segurar.


 


Outro ponto fantástico: vilões. Alexandra, interpretada pela maravilhosa Sigourney Weaver, é humana, cruel e uma personagem interessante contra um quarteto de heróis tão inusitado. Ela é poderosa através da sutileza, dos olhares e da fala mansa, do jeito como se porta na frente dos outros. Os outros membros do Tentáculo se destacam a partir dela e ganham seus momentos impactantes em tela. Em especial, a Madame Gao foi incrível!






E, o parágrafo que eu mais queria escrever: Elektra Natchios. Trazida de volta dos mortos para encarnar a figura do Céu Negro (uma entidade cheia de poder que há de trazer a glória para o Tentáculo), lobotomizada pela Alexandra e por omissões. Elektra é um fantasma da outra ela, mas ainda carrega a presença impactante. E conforme a história se estende, o roteiro te dá dicas sutis do que está por vir. As cenas de ação com ela são tudo de bom, cheias de adrenalina e coreografia bem feita, cheias de tensão e sombras, também, porque essa não é a Elektra que conhecemos, aquela que sorria e convidava o Matt para jantar depois de um duelo. Ela é uma entidade desconhecida e um espectro da personagem que amamos; e seus encontros com o Matt, minha nossa. Como me quebraram. De novo: ele vê a luz nela, tem essa certeza de que ainda dá para salvar a Elektra. E ela hesita frente ao Matt, ela é humana com ele.

Elektra é absolutamente o amor da minha vida e eu amei cada segundo (foco no fim do episódio 6. Eu preciso dizer O QUANTO BERREI COM O FIM DESSE EPISÓDIO). Minha rainha, hoje e sempre.



Todos os coadjuvantes têm importância dentro de seus arcos.






Colleen e sua força e o que ela representa na luta contra o Tentáculo - principalmente em relação à sua história com a organização, ao seu crescimento como personagem. Claire, sempre presente ao lado dos heróis, não surge na série como um Nick Fury, mas está ali para bater na cabeça dos 4 teimosos e para dar motivação e esperança quando eles precisam. Karen, Foggy e Trish são mais extras, mas ainda assim têm seus momentos emocionantes - especialmente a Karen, que já me deixou pensando em altas teorias sobre sua participação na série do Justiceiro.






No mais, pra mim a série acertou em tudo. Ação, drama, diálogos, tudo bem encaixado dentro das cenas, tudo no ritmo certo. O esquema de cores para as cenas de cada herói foi A+. Um clímax de arrancar o coração do peito e estilhaçar em muitos pedacinhos, que já deixa vários arcos para as próximas temporadas dos heróis (e que vai adaptar um dos meus quadrinhos favoritos para uma dessas séries AAAAAAAAA). Os Defensores entrega o que a gente ama: uma série com humor, com muitas lutas e com aquela ansiedade para ver os quatro heróis salvando a sua cidade.

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COMENTÁRIOS

3 comentários:

  1. Eita Denise, que resenha lacradora, AMEI! Eu quero ver Os defensores, mas Deus sabe quando rsrsrsrs eu gosto muito da Jessica Jones e fiquei imensamente feliz por saber que a vilã da série é boa, confesso que esse era um dos meus maiores temores.

    Adorei o post, super completo!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi Denise,
    Que ótimos comentários, estou bem ansiosa para assistir.
    Mas, antes preciso maratonar a dos outros heróis solos e rever a Jessica - minha fav sim haha... o ruim é aturar o chato do Finn Jones, não suporto.

    tenha uma ótima semana =D
    Nana - Canto Cultzíneo

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  3. Oi, Denise!
    Depois desse post maravilhoso, eu estou aqui só no shame por ainda não ter assistido. O lance é que quero ver tudo na ordem e pra isso eu tenho que tentar mais uma vez ver Jessica Jones... Acho que dessa vez vai.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Concorra ao livro Depois do Fim autografado

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