Resenha: As Garotas de Corona del Mar


Um dos mais recentes títulos da editora Novo Conceito chegou aqui para resenha, e que leitura surpreendente foi essa! As Garotas de Corona del Mar fala sobre a vida e a realidade nua e crua através de uma narrativa intensa e perturbadora.
Sinopse: Amizade entre garotas pode ser intensa e, no caso de Mia e Lorrie Ann, não há dúvidas de que isso é verdade. À medida que crescem, a vida de Mia e Lorrie Ann é preenchida com praia, diversão e passeios ao shopping. Por outro lado, como toda amizade, há conflitos e dores. Mia e Lorrie Ann convivem há muito tempo e possuem personalidades opostas. Mia é a bad girl , vivendo em uma família problemática. Lorrie Ann é linda e amável, quase angelical, e tem uma família que parece ter sido arrancada de um conto de fadas. Mas, quando uma tragédia acontece, a vida perfeita sai fora de controle...
Essa história é sobre a amizade entre Mia e Lorrie Ann; o passado e o presente se mesclam para explicar o que elas são, o que elas viveram. Ambos os lados muito conturbados pela realidade chocante que é a vida. As duas são melhores amigas bastante inconstantes, com altos e baixos grandes nos anos que se passaram - alguns tão baixos que chegam a ser dolorosos. Esse livro fala sobre maternidade e amor e sobre escolhas perigosas que levam a caminhos incertos.
Normalmente, amizades entre meninas são guardadas em caixas com cartões-postais e canhotos de entradas, mas o que quer que houvesse entre eu e a Lorrie Ann não era assim tão fácil de colocar de lado.
Chocante é a palavra perfeita para essa leitura. Eu esperava uma coisa bem leve, um livro sobre amizade feminina e suas peripécias, e encontrei uma obra pesada sobre a dura realidade da vida, as dores de perdas abruptas e o emocional de mulheres marcadas por todo tipo de acontecimento. Esse livro fala, com uma intensidade assombrosa e perfeita, sobre o que é ser mulher, o que esperar de um futuro sem promessas de grandeza, o que é deixar quem você ama para trás e voltar para encontrar tudo e todo mundo tão diferente daquilo com que se tinha acostumado. Através dos olhos de Mia, vemos os anos se passando e trazendo todo tipo de tragédia a essas duas garotas, mas principalmente a Lorrie Ann; o interessante nisso tudo é ver e entender as diferenças entre a Lorrie Ann projetada pela protagonista, aquela santa inquebrável e intocável, perfeita em toda sua gentileza e pureza, e como isso não reflete nem um pouco o que Lorrie Ann era de verdade.
Não, nós não éramos alguma anomalia estatística, mas uma perturbadora norma mediana.
Acho que o ponto chave desse livro é a realidade nua e crua. Ele é chocante porque fala abertamente sobre muitos tabus, sobre coisas que estapeiam a cara de quem sonha com a vida perfeita, de quem constrói expectativas. Mia foi essa pessoa; ela era a garota que amava e odiava a melhor amiga por ter tudo nas mais perfeitas medidas, e de repente Mia entende que só porque achava Lorrie Ann perfeita, não quer dizer que ela era. Não quer dizer que a vida da melhor amiga era um mar de ouro. A vida é tudo acontecendo o tempo todo e, em se tratando de Lorrie Ann, é tudo de doloroso e assustador. Eu nunca li uma personagem tão ferrada quanto essa menina.


Outro ponto chave do livro são as críticas. Elas são sutis, mas bem fundadas na estrutura narrativa. A principal e a que mais me perturbou emocionalmente foi sobre a maternidade, o que significa ser mãe, carregar uma vida e trazer ela ao mundo. Como cada mulher reage a isso. Em relação a Mia e a Lorrie Ann, houveram muitos momentos impactantes e assustadores, mas bastante críveis para o que elas viviam em cada situação. Isso levantou críticas à visão da sociedade, como as pessoas enxergam uma mãe e como ela é realmente, até que ponto existe força e até que ponto essa força é parte do teatro para aguentar tudo o que existe ao redor da criação. Críticas bem feitas sobre violência obstétrica, drogas e luto também se entrelaçaram à trama principal, e acho que foi um dos poucos livros que conseguiu me deixar pensativa e chocada por falar desses temas com tanta naturalidade. Não deixou a narrativa forçada, mas pesou no emocional.
Mas eu também imaginava o que acontece com as músicas que cantamos, mesmo depois de termos terminado de cantar.
Em relação às personagens, Mia é uma egoísta desgraçada com quem a gente consegue se importar, e acho que isso é um ponto muito positivo do livro. Ela é real; uma garota e então uma mulher indecisa e egoísta e ao mesmo tempo corajosa e dedicada. A relação dela e da Lorrie Ann é muito instável, perturbada e importante para o crescimento das duas, das coisas que acontecem individualmente e que refletem no seu jeito de viver e de pensar e de entender a outra. Eu gostei bastante de ter o ponto de vista da Mia, mas o ponto que me pegou e me fez achar a narrativa um pouco estranha foi a onipresença dela em trechos do livro - isso sustenta o mistério sobre a Lorrie Ann, mas pareceu forçado. Nada que atrapalhe a leitura, no entanto.


A edição do livro está ótima, sem erros de revisão e com uma diagramação simples e agradável. E eu adoro essa capa!

As Garotas de Corona del Mar é altamente recomendado, mas pegue esse livro com a certeza de que não vai ser uma leitura fácil. Vai ser pesada, mas as críticas dentro dela vão fazer cada página valer muito a pena.

Título original: 
Autor: Rufi Thorpe
Editora: Novo Conceito
Gênero: Romance / Drama
Nota: 4

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COMENTÁRIOS

6 comentários:

  1. Ainda não conhecia. Gostei muito da sua resenha :D

    https://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Denise!
    Quem vê essa capa bonitinha fofinha nem imagina a carga dramática que o livro traz. Gostei muito dos seus pontos e fico imaginando se eu realmente iria gostar da Mia, já que ela é tudo que eu não suporto.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Concorra ao livro Depois do Fim autografado

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  3. Oi, Denise!

    Esse livro parece ser muito bom! Gosto quando a leitura traz críticas sutis e fala sobre tabus. Já vou adicionar na minha listinha!

    Beijos,
    Isa
    http://viciadas-em-livros.blogspot.com.br/

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  4. Oi Denise,
    Acho leituras pesadas, nesse estilo, bem válidas porque sempre exploram coisas que a gente não está habituado a ler e tals. Como por exemplo, a questão da violência obstétrica que acho que nunca li sobre. Achei a premissa interessante e essa relação delas também. Cada uma parece carregar suas dores e só lendo pra compreendê-las. Também gostei da capa.

    tenha uma ótima quarta.
    Nana - Canto Cultzíneo

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  5. Wow! Que capa linda é essa que a novo conceito fez?! Realmente gostei da capa, uma bela foto!
    Também gostei da sua resenha, obrigada pela dica!
    5 O'clock Tea

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  6. Oi Dê, tudo bem??

    Eu curti a capa, pela descrição da sua resenha tem tudo haver com o enredo. Curti a premissa... histórias densas e fortes me chamam atenção e assim que eu tiver a oportunidade, pegarei o livro para ler. Xero!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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