Resenha: Crooked Kingdom

Resenha: Crooked Kingdom

Crooked Kingdom, a mais do que aguardada sequência de Six of Crows, da minha rainha e salvadora Leigh Bardugo, chegou até as minhas mãos. Foram 536 páginas de surtos, gritos e lágrimas, e foi absolutamente o melhor final que essa história poderia ter. Que me desculpe Sarah J. Maas, mas essa obra ganhou o pódio de Melhor Livro do Ano.
Sinopse: Após se safarem milagrosamente de um ousado e perigoso assalto na notória Corte do Gelo, Kaz Brekker e sua equipe se sentem invencíveis. Mas o destino está prestes a dar uma perigosa guinada e, em vez de dividir uma vultosa recompensa, os seis comparsas terão que se munir de forças, de armas e de seus talentos para lutar pelas próprias vidas. Traídos e devastados pelo sequestro de um valioso membro da equipe, o Clube do Corvo agora conta com poucos recursos e aliados, e quase nenhuma esperança. Enquanto isso, forças descomunalmente poderosas se abatem sobre Ketterdam para desenterrar os segredos mais sombrios da potente droga conhecida como jurda parem, ao passo que antigos rivais e novos inimigos surgem para desafiar a perspicácia de Kaz e testar a frágil lealdade de seus parceiros. Agora, todos terão de enfrentar seus próprios demônios, e será preciso muito mais do que sorte para sobreviver à guerra que está se armando nas ruas obscuras e tortuosas desse implacável submundo – uma batalha por vingança e redenção que decidirá o futuro do mundo Grisha.
Estamos de volta a Ketterdam, alguns dias depois do fim de Six of Crows. As consequências da traição estão sobre o grupo, com um dos membros feito de refém e os outros lutando contra o tempo para que o resgate aconteça - e nenhum deles termine morto nesse processo. Do outro lado da moeda, eles se escondem nas sombras para que aqueles que os perseguem não os encontrem - cada um dos membros respectivamente assombrados por seus próprios pesadelos - em uma guerra pela fórmula de uma droga que pode transformar o mundo e a magia que existe nele.


Resenha: Crooked Kingdom

Você sabe que um livro é um bom quando ele destrói a sua vida. Podemos dizer que Crooked Kingdom fez isso com o meu espírito, então imaginem o nível dessa leitura.


Patiente would bring all his enemies to their knees in time. Patiente and the money he intended to take off this merch scum.
O que eu venero nessa duologia são os personagens. Uma história é ótima quando seus personagens são bem construídos, e se tem uma coisa que a Leigh Bardugo sabe fazer é desenvolver personagem. Os seis protagonistas têm os melhores arcos, os melhores diálogos e absolutamente a melhor presença em cena. Eu costumo amar muito os personagens de histórias que acompanho, mas aqui a situação é quase extrema. Colocaria minha mão no fogo por todos os seis. Eu enfrentaria um exército por eles. Esse é o poder dessa duologia; você ama e se importa com cada nome que aparece do lado dos mocinhos, e isso torna a história uma espiral de emoções.

E falando em espiral de emoções, que tal começarmos pelo meu favorito, meu filho, meu protegido mais precioso? Kaz Brekker, o líder do grupo, definitivamente um dos mais complexados - se não o mais - dentro dele. Kaz é um garoto sombrio, marcado por traumas e por uma perda grandiosa demais. Eu me apaixonei perdidamente por ele logo nos primeiros capítulos de Six of Crows, e aqui a situação se estendeu para o básico de toda fangirl: cair de cara no chão e ficar rolando e chorando porque a vida é muito injusta para alguém que merecia tanta felicidade.
The corner of Kaz's mouth curled. "That is the sound that death makes when she comes calling."
Kaz é muito metódico. E, por metódico, eu quero dizer: faz as coisas do jeito dele, porque é o melhor jeito, e paciência se você não concordar. A porta é a serventia da casa. A maneira com que ele lidou com as situações de tensão e reviravoltas absurdas nesse livro mostra muito de sua personalidade contida e o peso que o passado tem em seu presente. Kaz é vítima de um trauma gigantesco, e esse trauma pontua suas decisões, os riscos que aceita, as cartas que coloca na mesa. Ele está lidando com pessoas, sim, mas para sua consciência todos os esquemas são parte de um jogo. E o prêmio é grandioso demais para Kaz aceitar qualquer possibilidade de derrota.
"I would come for you," he said, and when he saw the wary look she shot him, he said it again. "I would come for you. And if I couldn't walk, I'd crawl for you, and no matter how broken we were, we'd fight our way out together - knives drawn, pistols blazing. Because that's what we do. We never stop fighting."
Aí vem sua relação com os outros personagens: esse grupo improvável divide muita confiança. Mesmo com a postura arredia e soturna, Kaz vê nos seus companheiros de vigarice tudo o que ele procura em aliados, mas tem aquela coisa além. A convivência trouxe amizade, a sensação de família que salta das páginas e ganha o coração do leitor. Apesar de Kaz virar as costas para o emocional, de trancá-lo em um lugar sombrio dentro do próprio coração, dá para notar o quanto ele se importa. O quanto ele gostaria de demonstrar que se importa. E isso é o que mais me machuca; Kaz é um garoto quebrado, e ainda que os membros do grupo entendam sua frieza e indiferença, poucos são os que conseguem compreender de onde isso vem.
"That was how you survived when you weren't chosen, when there was no royal blood in your veins. When the world owed you nothing, you demanded something of it anyway."
E aí passamos para a Inej. A temível Espectro, presa por causa de uma traição. Eu já comecei essa leitura sofrendo por essa garota e pelos medos dela; a ideia de que não era tão valiosa a ponto de ser salva, o temor de ser deixada para trás para que o grupo pudesse continuar a guerra civil em que se enfiaram sem se preocupar com um membro descartável. O fato de a Inej se ver como um peão tem relação com seu psicológico, com a ideia de que tudo para Kaz não passa de um jogo. Porém, todavia, entretanto, ela é aquela pessoa que compreende as motivações de Kaz mais do que ninguém, que vê os fantasmas do passado dele assombrando seu olhar. O livro mantém esse suspense na relação dos dois, dos pontos até onde estão dispostos a ir um pelo outro - e eu digo que os dois se jogariam no inferno um pelo outro, apenas - e o quanto toda essa vida de crimes e sombras os marcou.


Resenha: Crooked Kingdom
"It was a smile he thought he might die to earn again."
Inej e Kaz são o tipo de casal que vai arrancar teu coração do peito e assistir com um sorriso enquanto você grita por eles. Porque é tanta emoção não dita, tantos olhares furtivos e sorrisos discretos. É aquele tipo de ship slow burn que literalmente queima teus pensamentos porque você só quer paz e quietude e eles juntos, pelo amor da deusa! Eu não vou comentar qualquer spoiler, mas como fiz com Liberta-me, digo o seguinte: capítulo 20. Preparem seus espíritos.


"There's only strenght and weakness. You don't ask for respect. You earn it."
Outro lado importante da Inej nesse volume final é sua determinação a encontrar a tão sonhada liberdade. Não que ela seja escrava em toda a situação com o grupo, mas ela ainda tem um contrato e ela ainda serve um propósito que não o seu próprio. E com o avanço da guerra pela droga jurda parem, as intrigas e traições políticas e a certeza de que Kaz e seus aliados não deixarão tudo o que foi feito contra eles sem punição, Inej tem mais e mais certeza de que o preço da liberdade pode ser mais caro do que ela imaginava. E, mesmo assim, vale a pena lutar por ela.


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Nina, a Grisha do grupo, carrega as consequências da jurda parem em seu corpo. A desintoxicação ainda está acontecendo, mas Nina já tem mais controle sobre si mesma - ainda que os poderes lhe sejam estranhos. Algo está acontecendo, e parece resultado da droga. Uma coisa inédita para pessoas com poderes como os dela. Nina vivencia essa experiência com medo e receio, uma vez que o grupo já tem problemas suficientes para ter que lidar com uma experiência mágica nunca antes vista. E, ainda assim, ela encontra apoio em todos eles. Principalmente em Matthias. E ainda assim ela é tão poderosa, tão independente e segura de si. Nina é, assim como Inej, uma força a ser exaltada.
"Zoya used to say that fear is a phoenix. You can watch it burn a thousand times and still it will return."
As relações entre os personagens foram muito bem apresentadas e desenvolvidas no primeiro volume, então Crooked Kingdom traz a sensação de familiaridade, de saudade. Nós sentimos falta desses relacionamentos, e vê-los ganhando novos ares, novas dúvidas e provações é emocionante. Nina e Matthias eram completos opostos um do outro; ele era o caçador, ela a caça. Confiança e amor os trouxeram para o mesmo lado, e nessa parte da história entendemos o quanto um é importante para o outro. O quanto Nina se tornou a causa de Matthias, e o quanto ela se deixou levar pelo coração grandioso e pelo espírito cheio de coragem do Fjerdano.
"Do not let them cow you. You are not the girl you were. You are not just a soldier to command."
Eis, obviamente, outro ship que me destroçou emocionalmente. Enquanto Kaz e Inej eram aquela eletricidade discreta, a confiança cega e a ideia de que, mesmo quebrados, eles poderiam se apoiar um no outro, Nina e Matthias eram muito mais de proteger um ao outro, de estender a mão para os momentos difíceis e aceitar os erros e demônios que ambos esconderam tão bem até então.
"You're better than waffles, Matthias Helvar."
E Matthias, meu querido exilado precioso que escolheu o lado justo da luta, que decidiu virar as costas para tudo o que fora treinado para acreditar, que decidiu olhar para as coisas que o assustavam e entender que o diferente não merecia ser tratado como monstruoso. Matthias teve tantas cenas incríveis neste livro que fica difícil decidir minha favorita; eu ri e chorei com seus momentos, com o quanto ele se entregou a Nina e aceitou tudo o que ela tinha a lhe dedicar, com o tamanho do seu amor e das suas emoções. Matthias era um guerreiro do gelo, treinado para matar e causar dor, e se mostrou um dos personagens mais doces e gentis de toda a história.



Por fim, para fechar esse grupo espetacular que roubou tanto o meu coração, temos Jesper e Wylan. Jesper, sem farpas na língua, e Wylan, que caiu de paraquedas no grupo e acabou se tornando uma peça indispensável dele. O atirador e o químico. A aproximação deles em Six of Crows foi bem sutil, mas aqui ela é indispensável para ambos os arcos.
"Mati an sheva yelu. This action will have no echo. It means we won't repeat the same mistakes, that we won't continue to do harm."
Jesper vive um período instável da sua vida; ele foi responsável por um problema gigantesco no fim do primeiro volume e as consequências o perseguem ali. E também tem o lado familiar; vamos conhecer bastante de quem era o Jesper antes de se tornar um exímio atirador, como seu passado reflete em seu presente. Em sua personalidade, principalmente, e nos medos que ainda brecam determinadas decisões. Apesar de ser uma figura cheia de coragem, todo disposto a aceitar qualquer risco, Jesper é um garoto bem assustado, com medo do que suas escolhas podem resultar para aqueles com quem ele se importa.
He was always in motion, like a lanky piece of clockwork that ran on invisible energy. Except clocks were simple. Wylan could only guess at Jesper's workings.
E Wylan que foi uma grata surpresa para mim. Eu tinha afeição por ele e terminei Crooked Kingdom querendo edificar um palácio para esse menino. Ele é filho do maior inimigo de Kaz, e juntou forças com o criminoso depois de ver e entender a maldade do pai; ainda tem esperança como todo filho teria, mas mais e mais Wylan percebe que às vezes algumas pessoas não têm salvação, não importa o quanto você tente. E, claro, tudo o que o pai fez com ele espelha em muito do que Wylan faz dentro da história.


Resenha: Crooked Kingdom

E o relacionamento entre Wylan e Jesper, ah minha deusa me abraça e leva pros céus. Que casal lindo e importante. Eles são os mais estáveis entre os três ships da história, eu diria, e nem por isso menos dolorosos. A relação entre eles vai mais de se entender com o tempo, construindo aquele início de convivência que se prova tão essencial para um relacionamento saudável. Jesper vê Wylan e o Wylan vê Jesper, eles veem seus medos e terrores, seus sonhos impossíveis, e eles começam a perceber seus sentimentos com uma lentidão arrepiante.
This was the kiss he'd been waiting for. It was a gunshot. It was prairie fire.
São tantos personagens quebrados que não me admira que ter gritado contra um travesseiro em determinados momentos desse livro, veja bem.

Além dos relacionamentos amorosos, a amizade é o ponto chave dentro da duologia. Companheirismo e a ideia de que mesmo nas horas mais sombrias, cada um deles lutaria pelos outros, independente do inimigo à sua frente. Eles são criminosos, mas não trabalham para o caos. Lutam para impedir que o caos domine tudo o que eles amam, os sonhos que almejam tornar realidade. Crooked Kingdom vem para mostrar a força da união entre esses personagens, e como a confiança que dividem pode significar a vitória que tanto desejam.
The earth was made of miracles, unexpected earthquakes, storms that came from nowhere and might reshape a continente. The boy beside her. The future before her. Anything was possible.
Também preciso falar sobre a genialidade dessa obra. Cada arco, cada capítulo vem pautado por uma corrida contra o tempo. Seja contra um inimigo pequeno, contra um mal que paira sobre todos eles, seja até contra um dos muitos medos que os personagens têm. O timing da história é perfeito; tem suspense, ação e desespero na medida certa. Leigh Bardugo consegue construir uma jornada de tensão do início ao fim, e intercala a história principal com pequenas ou grandiosas reviravoltas de te fazer gritar. Nunca dá pra saber o que está vindo, não importa quão bem você ache que está lendo as ações dos personagens. A surpresa intercalada ao suspense faz os momentos finais de Crooked Kingdom valerem tanto a pena quanto os primeiros capítulos.

É uma obra de arte, impecável do início ao fim.



Mais uma vez, Leigh Bardugo entrega uma história além do que a expectativa prometia. Crooked Kingdom é um livro sombrio sobre jovens criminosos, sobre sonhos inalcançáveis e sobre como um pouco de caos pode garantir a tão desejada ordem.


Título original: Crooked Kingdom
Autor: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Gênero: Fantasia
Nota: 5 +

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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Oi, Denise. Imagino o quanto você esteja sofrendo com o fim dessa duologia e com o enredo dela, mas você me deixou curiosa sobre muitas coisas! Eu nem conhecia o primeiro livro e já fiquei encantada com sua resenha, acho que leria a obra só pela sua indicação, e olha que eu não curto fantasia nem a pau rsrs eu amei a capa desse livro, super linda! Vou procurar saber mais da obra.
    Beijo
    http://www.leitoraencantada.com

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  2. Eitaaaa Denise! Que livro é esse? Quantas emoções! E olha que o pessoal já fala super bem da Sarah J. Maas se vc acha que é melhor só pode ser uma obra babadeira! Eu amei a sua resenha, conseguiu passar bem sua emoção com a leitura! Adorei <3 Fiquei mega curiosa com o livro!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  3. Olá, tudo bem? Uau, que livro, ein?! Fiquei mega curiosa pela sua resenha... É bom demais quando nossas expectativas são superadas. Adorei!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  4. Olá,você teria este livro em PDF ?

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