Resenha: A Identidade Secreta dos Super-Heróis


A Identidade Secreta dos Super-heróis, do autor Brian J. Robb e lançado no Brasil pela Editora Valentina (que cedeu um exemplar para resenha), é um livro indispensável para quem é fã de quadrinhos e obviamente, super-heróis.
Sinopse: A primeira aparição do Super-Homem em 1938 foi um momento sísmico na cultura pop mundial. Desde então, centenas de super-heróis foram criados, desconstruídos e reinventados para novas gerações de fãs de revistas em quadrinhos, especialmente os ícones da DC, Batman e Mulher-Maravilha, e os X-Men e Vingadores, do Universo Marvel.Você sabia que o Capitão América surgiu socando Adolph Hitler em sua revista de estreia? Que vários elementos da mitologia do Super-Homem, como a kriptonita – seu ponto fraco – e o amigo Jimmy Olsen, vieram do seriado de rádio e só depois foram incorporados aos gibis? Que a famosa minissérie Guerras Secretas, da Marvel, foi criada por encomenda para lançar uma linha de brinquedos e que foi publicada no Brasil completamente adulterada e mutilada? Esses e outros segredos guardados a sete chaves pelos personagens das HQs estão em A Identidade Secreta dos Super-Heróis.Nesta ampla e fascinante exploração do fenômeno dos heróis dos quadrinhos, Brian J. Robb mapeia a ascensão dos super-heróis americanos, do auge inicial na era da Grande Depressão em gibis descartáveis ao renascimento brilhante nos blockbusters mais populares do cinema do século XXI.
O livro trata, como o título já diz, da história dos super-heróis, focando na DC e na Marvel. Robb explica desde as origens desses super seres, nos mitos das mitologias antigas, como a Odisseia a Epopeia de Gilgamesh e nos próprios deuses cultuados antigamente. Inclusive, muitos super-heróis têm alguma mitologia em sua criação, um exemplo clássico é a Mulher-Maravilha. O autor então passa para o início da criação das histórias em quadrinhos, o motivo de elas terem sido feitas, como as histórias eram criadas e desenhadas, como funcionava aquele novo mundo iniciado nos anos 30.  Toda a história é contada através das décadas até chegar à atualidade, onde os quadrinhos passaram para um novo nível: filmes de alta produção. 


Assim que passei do primeiro capítulo do livro, fiquei me perguntando como o autor conseguiu reunir tantas informações e de maneira tão precisa com o fez. São muitos detalhes, muitas datas, muitos nomes e muitos heróis (esquecidos ou não). A pesquisa de Brian J. Robb foi simplesmente excelente e a cada parágrafo você percebe que ele realmente sabe e muito do que está falando.

Passamos por todas as eras dos quadrinhos, desde o sucesso estrondoso, os heróis patriotas na Segunda Guerra e a queda de histórias heroicas e exageradas até o renascimento do conceito de super-herói. Praticamente tudo, nos mínimos detalhes, está aqui. Cada pessoa que fez a diferença, cada mudança e ideia que fizeram parte da “vida” de um super-herói. É realmente muito, muito interessante.
Anos antes de serem publicados profissionalmente, esboços originais de um herói de ação que posteriormente se tornaria o Super-Homem haviam sido adornados com pequenos comentários inspirados no tipo de autopromoção que Jerry e Joe viam nas bancas de jornais da década de 1930: "A tira de sucesso de 1936" e "A tira destinada a conquistar a nação!". Eram jovens modestos, mas sonhavam grande.

Algo que me chamou bastante a atenção é a quantidade enorme de nomes masculinos relacionados à criação, edição, desenho e roteiro dos quadrinhos. E a quantidade extremamente mínima de nomes femininos. Demora várias décadas após a criação dos primeiros super-heróis para que apareça a primeira mulher, como desenhista e ainda sim, demora muito tempo para que mais venham. Por mais que houvessem diversas personagens femininas nas HQ's, raramente uma mulher era responsável por elas, o que só ressalta o fato de que as histórias eram criadas de homens para homens, ainda mais levando em conta as poses e desenhos absurdos em que as personagens eram colocadas apenas para satisfazer a visão masculina. Atualmente (e finalmente) isso está começando a mudar, muitas mulheres já são responsáveis por roteiro e desenho das heroínas, como a Capitã Marvel e a Batgirl. 
Em Mulher-Maravilha número 179 (novembro/dezembro de 1968), Diana Prince renunciou aos poderes em vez de ir embora da Terra com a irmandade de amazonas. O número seguinte matou Steve Trevor, seu eterno interesse romântico. O'Neil esperou captar o espírito da jovem mulher moderna e liberada dos anos 1960 na nova Diana - afinal de contas, as mulheres podiam ser "Mulheres-Maravilhas" sem superpoderes -, mas o tiro saiu pela culatra quando a feminista Gloria Steinem criticou a jogada como sendo uma redução consequente da força de um ícone feminino importante. A mudança durou 25 números até O'Neil restaurar o status quo.

A leitura é rápida e fluída, pois assim que você se sente absorvido pelo assunto, quer saber mais. Algo que me deixou um pouco confusa enquanto lia, é a organização das informações. Por mais que os capítulos sejam bem colocados, e os assuntos não são embaralhados, é muito nome e muita data. Com o autor fala de um assunto por capítulo ou tópico, muitas vezes ele mencionava uma data e um parágrafo depois, mudando um pouco o foco para outro super-herói, por exemplo, ele falava de uma data anos ou décadas antes e logo depois, naquela mesma data. Isso tornou a leitura confusa em alguns momentos, pois se você não está totalmente concentrado, pode acabar se perdendo. Talvez ele pudesse ter feito através de uma linha do tempo mais centrada, ou algo assim. Mas, nada que uma passada rápida de olho no parágrafo anterior não ajudasse, ou até, conforme o livro anda, você decorar mesmo que sem querer, as datas e se acostumar com o modo de escrita do autor.
Para muitos observadores, Stan Lee era a Marvel Comics. Apesar do crescente fandom de histórias em quadrinhos estar ciente do trabalho de artistas individuais, os leitores casuais e a grande mídia não estavam. 
A edição está lindíssima, o colorido da capa remeteu de modo satisfatório às histórias em quadrinhos tradicionais com o uso das cores primárias, além das silhuetas de heróis, que você põe o olho e sabe quem é, como o Superhomem e a Mulher-Maravilha. A capa traz também a textura de mínimos pontinhos, outra das características das páginas das HQs. A fonte utilizada no texto é a Times, que como já mencionei em algumas resenhas anteriores, é a melhor para uma leitura rápida. Uma única coisa que não me agradou 100%, mas também não trouxe grande incômodo, foram as folhas brancas. Particularmente, tenho uma enorme preferência pelas amareladas, mas acredito que nesse caso, as brancas ficaram melhores, tanto pelas outras cores usadas na edição, quanto pelo assunto tratado. Então sim, posso afirmar que esse volume fica lindo na estante e que simplesmente adorei.


O livro está recomendadíssimo. Foi difícil fazer a resenha sem citar todos os detalhes que de que Robb fala, pois, realmente, são muitos e todos bem interessantes. Então, se você está procurando um livro que realmente seja bom para saber mais de seus super-heróis favoritos, não importa em que parte da história, acredito que tenha encontrado.

Título original: A Brief History of Superheroes
Autor: Brian J. Robb
Editora: Valentina
Gênero: Não ficção
Nota: 4

Saiba mais: Skoob | Amazon

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COMENTÁRIOS

6 comentários:

  1. Oi, Camila!
    Pra quem é aficionado em quadrinhos, esse livro deve ser um deleite.
    Gostei de saber que o autor fez uma pesquisa bastante minuciosa.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Concorra ao livro Depois do Fim autografado

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    1. Oi Luiza!
      Com certeza é uma excelente leitura pra quem é fã, e também quem gosta de saber um pouco mais sobre a cultura pop.

      Xoxo

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  2. Oi, Camila,tudo bem?

    Eu não leio HQ e sou totalmente leiga no assuntos, a única coisa que faço é assistir as adaptações quando eestreiam! hahahaah Por isso não daria
    Pelas fotos dá para perceber que a edição está bem caprichada. E gostei da sua observação sobre o papel da mulher nesse meio.

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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    1. Oi Tamires!
      Ah, mas se você se considera leiga então esse livro seria ótimo para ampliar seus conhecimentos hahaha.
      Obrigada pelo comentário!

      Xoxo

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  3. Oi Camila!

    Muito boa a resenha! Não conhecia esse livro, porém adoro HQ e esse mundo de heróis. Interessante que conta a história de muitos deles. Vou precisar ler esse livro logooooo!

    Beijos

    Vivian
    Saleta de Leitura

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    1. Oi Vivian!
      Sim, e tenho certeza de que, fã do jeito que você falou, vai adorar!
      Obrigada pelo comentário!

      Xoxo

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