Entrevista com a autora Sofia Silva


Oi gente! Como vocês sabem, estivemos na Bienal Internacional do Livro lá no Rio de Janeiro e nos foi dada uma oportunidade maravilhosa. A Editora Valentina convidou os blogs parceiros que pudessem aparecer para entrevistar a autora Sofia Silva - do lançamento Sorrisos Quebrados, best-seller da Amazon - e a gente correu pra lá porque claro, com certeza queríamos!



A Sofia é uma amada, tem o tipo de conversa que dá vontade de deixar acontecendo por horas e horas a fio e com certeza escreveu uma história importante. Se você ainda não conhece, deixaremos a sinopse de Sorrisos Quebrados aqui no fim do post. Nós gravamos a entrevista, mas infelizmente por causa da correria e de alguns contratempos, não deu pra ajustar o áudio e com a barulheira da Bienal ele ficou muito ruim de entender. Por isso, estamos transcrevendo aqui a entrevista para vocês conhecerem um pouquinho mais da pessoa maravilhosa que é a Sofia!

- O que mais encontramos através das opiniões dos leitores foi como você construiu bem o emocional dos três personagens principais da história – em especial a Paola. Pode nos contar um pouquinho sobre o desenvolvimento dessas 3 personalidades? Como foi o trabalho de construção das emoções das 3 personagens?
A Paola foi sem dúvidas um grande desafio. Porque o André foi desafiante, mas nós costumamos ser mais complexas, conseguimos fazer 5 coisas ao mesmo tempo. Então é mais complexo criar personagens femininas, até porque nós somos mulheres, temos a tendência de pôr um pouco de nós, então eu tive que me distanciar, tive que pensar "como é que reagiria uma pessoa que sofreu um trauma?" Como eu não sabia, fui pesquisar. Tem uma amiga minha que é psicóloga, ela trabalha com mulheres vítimas de violência doméstica, e uma coisa que quase todas as mulheres têm é que "a culpa foi minha". "É, a culpa foi minha por deixar acontecer, porque eu aceitei." É aquele jogo de: eu aceitei, a culpa foi minha, eu continuo, eu continuo. Até quando não dá mais.
E depois de saírem desse núcleo de violência, elas continuam a achar que a culpa é delas, porque aceitou da primeira vez. "Se eu tivesse sido forte", mesmo quando a violência continua, fui eu a culpada. Nunca foi ele. Sempre somos nós, nós que somos fracas. Eu quis mostrar que esse é o pensamento de quase toda mulher (abusada), mas não é a verdade. A ideia original é: não é. E quis desconstruir isso ao longo da história.
E ao final da leitura, muitas pessoas falam: eu pensava como a Paola. Que a culpa foi minha, que eu fui fraca. E não, ninguém é fraca. Foi alguém que se aproveitou.
- Seu livro fala sobre violência doméstica e sobre superação, sobre o peso de um trauma e como isso reflete na vida das pessoas. Segundo uma pesquisa realizada no Brasil, 61% dos agressores nos casos de violência cometida contra a mulher são conhecidos dela. Como foi para você abordar um assunto tão delicado e tão presente na sociedade? Foi uma escolha exclusivamente artística ou você queria levantar uma discussão mais social sobre o assunto?
Na realidade, todos os meus livros eles tocam... É uma série de 4 livros, são histórias individuais e o único ponto de encontro é a clínica. São as pessoas que vivem na clínica que a Paola vive, pacientes ou médicos. Eu também quero que as pessoas vejam que existe vida em um lugar de doença. É o meu objetivo. É uma clínica e as pessoas pensam: ah, é uma clínica para "maluquinhos", já que nem sabem o que se passa lá. As pessoas acham que são pessoas batendo contra a parede. Eles acham que é um "maluquinho" virado para a parede e eu quis mostrar o que é uma clínica, para que ela serve.
Então, todos os livros falam sobre esses temas pesados. E assim, no Brasil o dia dos namorados é comemorado em um dia diferente de Portugal. E lá pelo final de maio/junho, eu comecei a ver uma diferença no Facebook. Era só amor, mensagens de amor. Pessoas que eu nunca tinha visto [compartilhar isso] começaram a compartilhar com os maridos e vice-versa. Aí eu comecei a pensar [...] como é estar do outro lado do amor. Que aparece só para os outros verem. O que os outros querem ver. E eu vou falar do lado feio do amor. E foi assim que aconteceu.
Perguntinhas bate e volta! Fale a primeira coisa que vier à sua cabeça:

Autor favorito: Ah, muitos, não consigo escolher. Se tivesse que escolher, Fernando Pessoa, Paulo Neruda, todos poetas.
Personagem literário favorito: Ah, não sei. São muitos! Do meu livro? Ai piora. O primeiro que me vêm à cabeça é o Cauê (do último livro da série).
Eu queria estar lendo... O livro que eu tenho que revisar.
Eu queria estar ouvindo... Minha banda preferida, eu ouço todos os dias. 
Eu queria estar comendo... Coxinha! Comi uma, mas estava fria. Todo mundo diz que eu tenho que comer coxinha.
Eu queria estar beijando... Uma das minhas personagens. Se for outra, o Archer (A Voz do Arqueiro, da Mia Sheridan) da minha série favorita.
Eu queria estar escrevendo... O projeto que sai no ano que vem e eu tenho que acabar e enviar até o fim do mês. Um projeto que eu ainda não posso falar. 

Maravilhosa, não é? Saímos de lá fãs querendo desesperadamente o livro - que logo vai chegar aqui para resenha!
Sinopse: Sorrisos Quebrados gira em torno de três personagens: a jovem Paola, a pequena Sol e seu pai, André. Os três são vítimas de violências distintas, que deixaram marcas profundas em cada um. Trata-se de uma história de superação de dores, magia, estrelas e de como importantes laços humanos podem se formar a partir da autoaceitação, da arte e da tolerância no cotidiano.
Enquanto isso, aproveita para adquirir seu exemplar  e se apaixonar por essa história você também!

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COMENTÁRIOS

4 comentários:

  1. Uma resenhista lá do Blog leu o livro dela e amou. Uma simpatia de pessoa.
    Adorei a entrevista.

    Quer ganhar 2 livros a sua escolha? Então acesse o Blog para saber como ganhar.

    http://www.revelandosentimentos.com.br

    Abraços,

    Naty

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  2. Olá, Denise.
    Eu amei a edição desse livro e estou bastante interessada em ler ele. Acabei de descobrir no blog da Carol que a autora é portuguesa, eu não sabia hehe. Achei a entrevista bem bacana, que legal que puderam conhecê-la.

    Prefácio

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  3. Oi Dê! Tudo bem? Adorei a entrevista, a autora parece bem simpática! Nunca li nada dela ainda, mas o tema abordado é bem forte com certeza! E dei risada com a parte da coxinha hehehehehe Parabéns pela entrevista

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Oi Denise,
    Que ótima entrevista e ela é bem simpática. Gostei o amor que ela tem pelos personagens, lembra deles a cada momento. Mas, como assim serviram a coxinha pra moça fria gente, que absurdo. HAHA
    Estou doida pra ler o livro dela, espero conseguir em breve.

    Desejo muito sucesso.

    tenha um ótimo final de semana =D
    Nana - Canto Cultzíneo

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